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4 A importância dos blogs para escritores: Certeza e Confiança

Achei interessante criar uma série de postagens para falar um pouco sobre a importância dos blogs na vida de um aspirante a escritor. Não vou começar dizendo, porém, que é interessante pela possibilidade de montar uma grupo de leitores inicial que pode ajudar o autor a ter um alcance significativo já no seu primeiro livro lançado. Falarei mais na questão da certeza e da confiança que um blog pode nos dar. Mas, lembre-se bem, tome cuidado para que estas duas qualidades não venham de maneira ilusória, pois somente adquirindo confiança em seu trabalho, um escritor terá motivação suficiente para trabalhar muito na direção de se tornar conhecido e conquistar seu público (veja a postagem: Se tornar um escritor dá trabalho). Somente com estas certezas, o autor será capaz até mesmo de investir dinheiro em seu trabalho, possuindo a plena consciência de que se trata de um investimento no futuro.

Antes é necessário esclarecer, entretanto, que dinheiro não deve ser gasto sem muita consciência do que se está a fazer, é preciso tomar cuidado com uma série de pessoas que querem apenas se aproveitar dos escritores menos avisados (veja "Editoras" que não são editoras, por exemplo). Em breve, tentarei falar também um pouco sobre esta questão do dinheiro, de como pode ser útil gastá-lo caso se faça com o cuidado devido.

Agora, retornando à questão dos blogs. Para que sequer se cogite gastar um centavo ou então horas de seu tempo com o intuito de se tornar um escritor minimamente reconhecido, é preciso, primeiro, ter a certeza de que se é bom. Isso pode parecer uma afirmação boba, mas garanto a vocês que pelo menos 70% das pessoas que reclamam do mercado editorial, de como não conseguem publicar e tudo mais, são pessoas que produzem textos de péssima ou apenas razoável qualidade. Claro que o mercado é muito fechado e que, muitas vezes, somente com indicações é possível ser analisado por grandes editoras, mas há outros meios de se conquistar o seu espaço, especialmente se você estiver disposto a brigar por ele e se seu texto possuir real qualidade.

Por isso, a primeira dica que dou a qualquer um que pense em ingressar no campo literário é que realmente se empenhe em ter certeza absoluta de que sua produção tem real qualidade. Os blogs, com a sua devida divulgação, podem ser muito importantes para isso. Ali, você poderá ter um feedback dos mais variados públicos. Mas não se contente apenas com isso, por intermédio do blog e das redes sociais, procure gerar comentários não só de leitores casuais como também de gente que trabalha com o meio. Às vezes, você pode receber muitos elogios de um grupo de pessoas que, talvez, não entenda tanto assim sobre o que é boa literatura, não note erros gramaticais ou de estrutura. Por meio do seu blog e das ferramentas certas da internet, você pode conseguir que pessoas mais envolvidas com o meio literário e com o mercado editorial acabem dando uma olhada nos seus textos. No final, juntando todos os feedbacks, será possível, então, ter uma idéia de se vale mesmo investir seu tempo e dinheiro em sua produção. Tendo a certeza e a confiança necessárias, você poderá trabalhar com tranqüilidade e motivação, pois saberá que não está correndo atrás de um objetivo ilusório.


CURSO PARA ESCRITORES (manual em PDF)

Ainda não dei uma olhada com a devida atençao a ele, mas baixei um Manual para Escritores bem interessante. Trata-se do Gotham Writer's Workshop, um dos cursos mais renomados dos EUA para escritores. Creio que, na pior das hipóteses, deve haver uma boa quantidade de exercícios interessantes a se fazer para melhorar nossas capacidades narrativas; mas, é sempre bom lembrar, que cada um desenvolva seu próprio estilo de escrita. Clique aqui e vá ao blog onde pode baixá-lo.

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6 Multifoco, uma editora que publica novos autores

Como tinha prometido em um dos comentários da postagem Como publicar seu livro de graça, apresento a vocês leitores a Multifoco (no twitter - @edmultifoco). É uma editora que tem um projeto bem legal, sabe explorar um mercado até então praticamente abandonado e, como conseqüência, acaba dando espaço aos novos escritores brasileiros. O grande diferencial deles é que, diferente de grande parte das editoras que se prestam a ajudar os novos talentos (umas fazendo um trabalho realmente sério e respeitado, como a 7Letras, e outras simplesmente enganando os clientes: leia "Editoras" que não são editoras), a Multifoco nada cobra de seus autores, os custos são 100% dela, desde a revisão, a capa e a impressão dos livros (confira uma entrevista com um autor da editora aqui no blog, o Fernando Torres).

Ao saber disso, fiquei interessado em conhecer melhor o seu processo de funcionamento, até porque pretendo entrevistar dois editores de dois selos diferentes (independentes) vinculados a ela. Inclusive, como perceberão no restante da matéria, a editora tem uma maneira de trabalhar com estes selos indepedentes que lhes permite publicar mais livros e com maior qualidade, um sistema bem inteligente. Como uma última informação, a editora está promovendo um excelente concurso de contos medievais por intermédio de seu selo Anthology. Enfim, confiram agora uma entrevista com Raphael Santos, diretor de marketing da Multifoco. Espero que as informações sejam úteis a todos os aspirantes a escritores que acompanhem o Na Ponta dos Lápis.


Se possível, fale mais um pouco sobre o projeto e os ideais da editora.

R: A Multifoco é uma editora que apresenta uma nova forma de pensar o mercado editorial. Conseguimos publicar nossos autores sem repassar a eles nenhum custo, do contrário, assegurando-lhes os direitos autorais respectivos e, ainda assim, como é exigência de qualquer empresa, lucrar e crescer. Tudo isso porque entendemos o mercado, seus mais diversos segmentos e temos o objetivo de proporcionar ao público leitor o máximo de títulos possível, tentando atender aos nichos de leitores que demandam os mais variados gêneros.


Vocês têm a idéia de publicar novos autores sem que isso lhes custe nada. Para uma editora que se inicia agora e, portanto, ainda é pequena, essa é uma tarefa bem complicada. Como vocês conseguem tornar isso possível?

R: É um equilíbrio entre o planejamento estratégico e a utilização das tecnologias atuais. Trabalhamos com tiragens baixas nos lançamentos, tentando manter o estoque próximo de zero. Depois disso, repomos os exemplares de acordo com a demanda de cada título. Com o expertise que adquirimos ao longo desses três, quase quatro anos, aprendemos a identificar alguns tipos determinados de autores, que para nós são parceiros, cujas informações são fundamentais para definirmos a tiragem inicial do livro (uma prerrogativa da editora). Minimizamos os riscos e maximizamos as possibilidades quando temos tiragens pequenas de um número grande de títulos.


Sei que vendem os livros através do site da Multifoco. Mas, em geral, como são os lançamentos? Sei que utilizam o casarão da editora: isso significaria que o autor teria de vir para o Rio?

R: Os lançamentos do Rio contam com a nossa sede como uma ótima opção para acontecerem. Em nosso espaço na Lapa, um ponto nobre da cidade, contamos com estrutura para lançamentos que vai desde uma noite de autógrafos até lançamentos mais "ousados", com apresentações musicais, performances teatrais ou recitais. Entretanto, lançar em nossa sede não é uma obrigação. O autor pode lançar em outros lugares também. Lançamos muitos livros em outros estados, como São Paulo, Minas Gerais, Paraná, dentre outros, e até mesmo em outros países, como nos EUA (Nova Iorque). Pelo nosso modelo, podemos lançar livros em qualquer lugar do mundo.


Como vocês consideram a evolução da editora até hoje? Como ela evoluiu?

R: A Multifoco vem crescendo de forma muito acelerada. Terminamos nosso primeiro ano com cerca de 40 livros e no segundo ano já triplicamos este número. Atualmente, já temos mais de 200 títulos lançados e temos a expectativa de lançar mais 300 livros até o final de 2010. Isto só é possível devido a demanda de autores que temos e que, conforme cresce a nossa visibilidade, não para de crescer e nos procurar. E, a cada dia que passa, nos preparamos para atender um número maior possível de autores, aumentando, treinando e melhorando nossa equipe.


Qual o planejamento de lançamentos para o ano?

R: Nossa expectativa é chegar a 50 lançamentos mensais. Atualmente, estamos em torno de 20 lançamentos mensais. Aumentamos recentemente nossa equipe e temos certeza de que, futuramente, iremos render ainda mais forte em nossos lançamentos.


Quantos selos vocês têm (já conheci dois editores de selos diferentes)? Já há selos fora do Rio? Algum para poesias?

R: Temos selos que fazem parte da editora e são específicos para determinados gêneros (Futurarte > Poesias, Luminária > literatura acadêmica, Download > blogs que viram livros, Redondezas > contos, Anthology > Ficções científicas, dentre outros). Esses selos são controlados por nosso editor-chefe, que recebe os originais, os analisa e define aqueles que serão publicados. Além disso, contamos com selos comandados por editores independentes, que não são funcionários da editora. Temos selos em Minas Gerais (Terceira Margem), na região de Volta Redonda e adjacências (Médio Paraíba) e em outros estados do Brasil. Os responsáveis por estes selos são os editores, que têm total liberdade para publicar qualquer livro, de qualquer gênero que tenha passado pelo seu crivo e esteja em linha com as diretrizes da editora.


Algum livro que tenha alcançado um sucesso surpreendente ou maior do que o esperado?

R: Há livros que, dados seus temas, naturalmente têm um apelo maior junto a um determinado nicho de público. É o caso, por exemplo, dos livros O Retorno do Gigante e A virada do século, que tratam de histórias sobre o Vasco da Gama, um clube de futebol que, em sua história recente, passou por momentos delicados e que aproximaram bastante o clube e a torcida, deixando-a ávida por produtos que tenham relação com o clube. Outros, eventualmente, aparecem bastante na mídia sem muito esforço, como é o caso de A segunda Cinelândia Carioca, cuja procura não chega a nos surpreender porque já conhecemos a qualidade do material. Mas desperta a atenção o interesse da mídia em cima de títulos como esse, visto que livros acadêmicos nem sempre encontram muito espaço na imprensa.


Como é o processo de análise de originais de vocês? Quanto tempo leva, o que é levado em consideração e etc...

R: O processo de análise é feito ou pelo editor-chefe da editora ou pelos editores de selos independentes. O que é levado em consideração é a qualidade do livro, mediante o nicho de leitores para o qual ele é proposto. Por isso a importância de termos editores independentes. Um editor que edita apenas livros de literatura fantástica, por fazer parte deste nicho, é capaz de identificar um título que possa fazer sucesso entre leitores deste gênero com mais facilidade do que um editor "comum". O tempo de espera, atualmente, gira entre seis e oito meses, dada a demanda que você deve imaginar que recebemos, visto que fazemos um trabalho único no mercado, até o momento, sem nenhuma outra editora que faça um trabalho igual ao nosso, pelas minhas mais recentes pesquisas. Entretanto, estamos aumentando nossa equipe, para diminuir esse prazo, aumentando o número de lançamentos por mês.


Fora o envio de originais, vocês têm outras maneiras de encontrar bons novos autores?

R: Basicamente, a demanda que recebemos, que não para de crescer, é o local de onde vem os nossos escritores. Entretanto, temos um forte trabalho de marketing, via redes sociais, por exemplo, para atender o nosso principal objetivo, que é fazer com que, ao pensar em escrever um livro, o autor pense sempre na Multifoco como a primeira opção para publicação.

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1 Chegamos ao fim dos blogs?

Darei uma paradinha hoje nos assuntos literários e falarei um pouco sobre a blogosfera (na realidade, até continuarei falando de literatura, pois saber como se encontra o panorama para os blogs pode ser importante aos escritores que queiram usar esta ferramenta como divulgação). Nos últimos tempos, tenho lido muito frases como o twitter irá acabar com os blogs; ou, pesquisas indicam que a blogosfera diminuiu em X%. Sinceramente, eu discordo de tudo isso. Os blogs, de fato, não irão acabar; e o twitter nada mais é do que uma ferramenta extremamente útil a eles (por sinal, para quem quiser me seguir: @leoschabbach).

Creio que o erro em tais afirmações é olhar somente para as estatísticas. Infelizmente, todos temos essa mania, olhamos para os números e tiramos algumas conclusões precipitadas. O número de blogs pode ter caído 20, 30, 40, 50 porcento que isso não é necessariamente um indicador de que o surgimento de novas mídias como o twitter, o facebook, o orkut e outras decretará o fim deles. Pensemos bem: quem, de fato, migrou da plataforma dos blogs para, vamos dizer, o twitter? Foram as pessoas que os utilizavam como um diário virtual, certo? Afinal, se posso dar pequenas atualizações rápidas para meus amigos via twitter ou facebook, para que perderei tempo escrevendo textos longos? E para que um amigo meu irá querer ler aqueles textos longos e chatos se pode acompanhar tudo com uma rápida olhada no celular?

Sim, foram estes tipos de blogs que viram a sua morte com o surgimento de novas redes sociais. Mas, como o Marcos Lemos, do Ferramentas Blog, sempre diz, algo próximo a 95% dos blogs criados acaba abandonado logo nos primeiros meses de vida. Isso é normal, acontece justamente com as pessoas que não tinham alguma intencionalidade ao criá-lo, queriam apenas publicar uma coisa ou outra sua de vez em quando. Para isso, realmente as redes sociais são mais eficientes e vão, sem sombra de dúvida, diminuir o número total estatístico de blogs. Agora, a quantidade real, aqueles que realmente são sempre atualizados, divulgados, produzem informação de qualidade, estes continuarão existindo, com ou sem as novas redes sociais. Na realidade, redes como o twitter, por exemplo, só facilitam a perpetuação dos blogs. Antes poderia parecer impossível trazer novas pessoas para o seu site, mas com o twitter (e outros) tal divulgação se torna muito mais acessível e possível, basta saber encontrar as pessoas certas. Aqui mesmo, grande parte dos leitores mais fiéis que tenho, vieram de um bom uso do twitter.

Enfim, creio que os blogueiros não precisam se preocupar. Aqueles que realmente se esforçarem, continuarão a ter visitas e comentários. A única coisa que as redes sociais diminuem nos blogs, por sinal, é o número de comentários. Não que as pessoas participem menos, mas muitas vezes preferem deixar seu recado via twitter, facebook, orkut, Dihitt e etc... a comentar na própria postagem.

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6 O Cavaleiro Inexistente - por Ítalo Calvino

Faz um bom tempo, quando fiz a promoção de sorteio de meu livro acadêmico, pedi que as pessoas falassem do que mais gostavam no blog via e-mail. Uma das participações, a do Marcos Paulo (@marcospsreis), um dos leitores mais ativos daqui, foi muito legal, pois veio com uma série de sugestões por parte dele. Uma delas foi a questão de trazer mais entrevistas e matérias mais voltadas para a literatura, como comecei a fazer recentemente. A segunda idéia que ele deu também resolvi aplicar, e pretendo fazer isso de vez em quando. Ele sugerira que eu falasse de alguns de meus livros favoritos e indicasse ao pessoal do blog. Hoje falo aqui de um livro muito bom e muito importante para mim: O Cavaleiro Inexistente, de Ítalo Calvino.

Para quem acompanha meus textos e opiniões, a escolha por este livro não deve ser assim tão surpreendente. Primeiro por ele trazer elementos fantásticos, misturar as fronteiras entre ficção e realidade, um tipo de literatura que realmente me agrada. E segundo por ter sido o principal inspirador da história na qual tenho trabalhado (O Código dos Cavaleiros). Hoje, porém, entrarei em mais detalhes e procurarei mostrar a razão pela qual considero O Cavaleiro Inexistente um "livro de cabeceira".

A história já começa com algo completamente fora do normal. Quando uma série de cavaleiros começa a se apresentar, eis que um difere de todos os outros: Agilulfo, o cavaleiro inexistente. É um diálogo cômico, logo de início, em que passamos a conhecer um cavaleiro que não passa de sua armadura: uma armadura sem corpo. É desta situação surreal que parte a história de Ítalo Calvino.

Interessante que, com o decorrer da obra, o autor nos mostra Agilulfo como oposto aos cavaleiros de sua época. Ele era honrado, limpo, organizado e incorporava todos os atributos de um homem de cavalaria ideal; o herói das fábulas. Nisso, já se faz uma crítica a uma certa sociedade de aparência, a uma mistificação que envolvia o ideal dos cavaleiros, algo que, por uma série de analogias e metáforas, também poderia ser levado à época em que Calvino escreveu o livro, crítica esta ainda muito atual.

A obra, porém, ainda traz muitas outras reflexões. Agilulfo não passa de um invólucro movido pela vontade de ser um cavaleiro, pela crença naquilo que ele é: isso o torna real. Como muitos homens daquela época - e como muitas pessoas hoje - ele se definia pelos seus objetivos, e não necessariamente por aquilo que poderia ser sua essência. A crítica do autor vem da seguinte forma, metaforicamente pensando: Agilulfo era um cavaleiro por fora (tinha o título, seria imortalizado), mas exatamente por colocar os seus objetivos, aquilo que ele fazia e realizava, acima daquilo que ele era, passou a se tornar unicamente o seu objetivo, a sua própria existência se esvaziou e, então, deixou de existir.

Enfim, é um livro escrito de uma maneira próxima até das fábulas, a própria descrição da versão de bolso, por exemplo, classifica-o como um "conto de cavalaria às avessas". Creio ser uma obra extremamente irônica, bem escrita, claro, e de um elevadíssimo valor não só literário como conceitual. Não é uma obra grande e há versões por preços acessíveis. Por isso, fica aqui a dica, espero que apreciem!

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21 Publique seu livro de graça (análise)

Hoje pretendo fazer uma análise de algumas ferramentas digitais muito interessantes aos novos escritores. Falarei especialmente da possibilidade de se publicar seu livro (fisicamente) sem gastar nada por intermédio do site Clube de Autores, mas também tratarei de outros assuntos relacionados.

Para quem não sabe, o Clube de Autores é um site no qual você monta o seu livro, com capa e tudo, e coloca para vender. Eles possuem uma máquina para impressão digital, então só imprimem seu livro quando alguém executa a compra; eles cuidam da entrega. Isso significa dizer que basta você montar seu livro, colocar no site e divulgá-lo para que possa ver sua obra publicada e comercializada. Dentro das opções do site, dependendo do número de páginas, a lombada será mais tradicional (colocada para livros com mais de 70 páginas) ou grampeada (com menos de 70 páginas). Faz uns dias, recebi o livro Mistérios em Floripa (do Rodrigo Capella). Posso afirmar que ele tem um bom acabamento, apesar de, por ter menos de 70 páginas, ter a lombada grampeada. Realmente a impressão deles é de qualidade, e o produto final não fica abaixo de grande parte das publicações que vemos por ai.

Logo, posso afirmar que é uma opção bem interessante publicar o seu livro por lá, ainda mais sabendo como é difícil conseguir uma boa editora nesses dias. Como já falei em outra postagem, o mais difícil para um novo autor é justamente - mais até do que publicar - conseguir promover e divulgar sua obra. Normalmente, um novo escritor nunca conseguiria um espaço considerável nas livrarias; ou seja, precisaria buscar por intermédio da internet e também de outros meios alcançar o seu público alvo. Partindo deste princípio, se pensarmos que o Clube de Autores disponibiliza a impressão do seu livro, não haveria muita diferença entre este sistema e o de uma editora pequena tradicional. Se você conseguir promover o seu livro com eficiência, conseguirá vender e atingir determinado público. Isso, porém, não funciona tão facilmente como parece.


Algumas desvantagens

A primeira é o preço das publicações. Embora já seja possível produzir apenas uma unidade do livro por um bom preço, ainda não se consegue baratear tanto a produção. Especialmente quando se trata de livro de poucas páginas, a publicação pelo Clube de Autores ainda sai muito cara. Isso significa dizer que será mais atrativo a quem quiser utilizar o site disponibilizar livros um pouco maiores (não gigantes, ou ninguém compra), mas com um bom número de páginas.

A segunda desvantagem é que, apesar de parecer, publicar no site não é a mesma coisa que publicar por uma editora pequena tradicional; leia-se tradicional como uma editora que irá procurar dentre os originais que recebe obras de qualidade. É justamente isso que diferenciará a recepção do público. Enquanto qualquer um pode colocar uma obra no site dos autores - e, por isso, ninguém garante que o livro lá posto tem qualidade literária -, numa editora pequena, porém comercial, sabe-se que o autor passou por ao menos algum tipo de seleção. Da mesma forma, dificilmente você irá conseguir espaço na grande mídia ou até mesmo entre muitos blogueiros por não ter esse "selo de qualidade" que ser selecionado por uma editora, por menor que seja, dá.

Além disso, muitas editoras médias e pequenas promovem noites de estréia para seus escritores - coisa que não será feito via Clube de Autores. Esses eventos às vezes atraem um pouco de atenção e podem gerar uma boa quantidade de leitores casuais. Estes leitores, gostando do livro, podem indicá-los a outros e sua obra pode ganhar mais importância.


As vantagens

Você não gasta sequer um centavo. Então, literalmente, não custa nada tentar. Fora isso, você pode ainda, por intermédio de blogs ou participações em redes sociais, chamar a atenção de uma boa quantidade de leitores; pessoas que irão acompanhar seus textos por gostarem deles e também de você. A partir desses leitores e da relação que  você mantiver com outras pessoas importantes das redes sociais, será possível, quem sabe, vender uma boa quantidade de exemplares, fazer algum "barulho" e chamar a atenção do mercado editorial. Como eu disse em outra postagem: ser escritor dá muito trabalho!

Lembro também que no Clube de Autores seu livro continua seu. Se  vier a fechar  com alguma editora, é só retirá-lo do ar. A parte ruim é que eles só lhe pagam quando você somar 100 reais em direitos autorais.

Dois bons lugares para chamar a atenção dos leitores na internet são o Recanto das Letras e também o Bookess (onde muita gente poderá acompanhá-lo enquanto você monta o seu livro - no futuro, poderemos também vender os livros por lá, do mesmo modo que no Clube de Autores).

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0 Vencedor da promoção do livro "Estudos sobre a leveza"

Novamente, chegamos ao fim de mais uma promoção. E, como sempre, falo que a participação de todo mundo que acompanha o blog foi essencial para o seu sucesso. Também aproveito para ressaltar a importância de mudarmos nosso próprio comportamento diante de novos autores nacionais; precisamos dar mais chances a eles e se gostarmos do que lemos indicar para amigos, dar de presente, enfim. No caso do Fernando, vocês, caso se interessem pela obra (podem conferir o conto O Corpo aqui), devem entrar em contato com eles mesmo (no twitter @novasvisoes ou em seu blog), devido à forma como foi negociado o livro com a Editora Multifoco - o autor explica na entrevista.

Indico novamente por cá o livro A filha do livreiro, da Marcela Tagliaferri (@mar_tagliaferri), que foi a nossa última entrevistada. É um livro muito bom. Vocês podem saber como comprá-lo (via autora, Martins Fontes ou 7Letras) aqui.

O vencedor da promoção, pela segunda vez consecutiva, foi o @crosshackl (por escolha do autor entrevistado). Inclusive, aproveito para adiantar que a próxima entrevista + promoção ocorrerá também por RT no twitter, mas dessa vez a premiação se dará por sorteio (é bom variar o esquema de premiação sempre, é mais democrático).

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7 Melancolia (Poemas)

Sinto uma melancolia que me empurra ao poema.
Uma força motriz,
invisível,
porém sentida.

Os versos brotam da melancolia da vida,
da saudade,
de um momento de descanso;
ou de cansaço.
Somente quando inevitável, é que de quando em quando eu faço
um poema.

Vida serena,
que segue.

O poema é interrupção,
coisa inútil
e leve.
Coisa útil
e entregue,
do poeta ao mundo,
em um segundo,
ou em horas.
Deus sabe como custam os poemas
a sair da cabeça
e tingir o papel.

Melancolia.

Desta palavra tão vazia
e cheia de sensações incertas
é que nasce minha poesia
e deságua em mim o poeta.



Nota: Definitivamente acho que este é um poema diferente do que costumo fazer - ou pelo menos postar aqui. Talvez siga uma linha mais próxima ao Vida Poética. De qualquer jeito, considerei-o realmente muito bom, ao ponto de colocá-lo entre meus favoritos. Não sei o que vocês irei achar (tem um áudio de brinde, hehehe, acho interessante que escutem para pelo menos saber o tom de leitura que eu imaginei, que pode ser sempre diferente do de vocês, é legal comparar).

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