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3 Curiosos "causos" de grandes autores - Mario Quintana

Continuando a série de "causos" dos grandes autores, um tipo de postagem que gosto muito, pois mostra um pouco daquele lado poético e literário dos grandes escritores, aquelas pequenas coisas que transformam eles em grandes personagens. Em breve, colocarei uma história contada por um professor meu sobre o Manuel Bandeira, mas essa é uma história que me levará a uma argumentação também. Por hoje, coloco duas histórias, como sempre, engraçadas do excelentíssimo poeta Mario Quintana. Como bem sabem aqueles que acompanham o blog, elas estão no livro Ora Bolas - o Humor de Mario Quintana. Desfrutem.


VALES

NA ÉPOCA em que trabalhava na Editora Globo ele andava sempre duro. Como o salário terminava antes do fim do mês, vivia pedindo vales de adiantamento. Até que um dia o caixa chiou:

- Mas seu Mario, o senhor já tem um monte de vales!

Quis saber, com aquele sorriso maroto:

- Afinal, são vales ou são montes?


O MAPA DO CÉU

FERNANDO SAMPAIO, autor de livros sobre discos voadores e sobre o continente perdido de Atlântida, era o responsável pela edição do mapa astronômico, com as posições das estrelas e das constelações, publicado semanalmente no Correio do Povo. Mario acompanhava o trabalho do amigo, até que um dia não resistiu e deixou escapar, para outro:

- Não é que eu não ache válido, mas há anos ando pela noite toda e nunca vi ninguém conferindo esse mapa...

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0 Diga talvez aos períodos curtos

Ultimamente tenho lido em muitos lugares diferentes "regras" para se escrever bem. Uma coisa que tem me chamado a atenção e da qual discordo inteiramente é a famosa regra do "fazer períodos curtos". Lembro aqui que, quando me refiro a "escrever bem", não falo de produzir textos sem erros gramaticais e bem estruturados, falo do fazer literário. Esta questão do tamanho dos períodos é perfeitamente aceitável - e até aconselhável - quando você escreve um jornal ou um texto argumentativo; tudo bem, ela realmente facilita a compreensão do leitor e pode evitar alguns erros por parte de quem escreve.

Ainda assim, escrever sem muitas vírgulas e de forma mais direta é, numa maneira geral, uma forma de proteger quem escreve. Esta dica, na verdade, foi criada para ajudar aqueles que têm dificuldade em dominar a língua. Alguém que tem o domínio completo da gramática e das estruturas pode sim, com alguma facilidade, produzir textos com períodos extremamente longos e perfeitamente compreensíveis e agradáveis (talvez o José Saramago seja o maior exemplo disso).

Por outro lado, como o título da postagem já nos mostra: diga talvez aos períodos curtos. Quando indico que escrever bem não necessariamente passa por essa regra, não quero dizer que a utilização de uma linguagem mais seca, mais direta, não possa produzir textos de grande valor literário. Um dos meus contistas favoritos, o português Gonçalo M. Tavares (confira uma postagem sobre ele), utiliza este tipo de linguagem e, para mim, pode ser apontado como um dos grandes nomes da literatura contemporânea.

Em resumo, o que quero dizer é que os períodos curtos são, sem sombra de dúvida, uma excelente ferramenta para quem quer informar, principalmente quando o produtor do conhecimento que está a ser transmitido não é um exímio escritor. O grande problema, para mim, é que cada vez mais, mesmo no meio literário, pensa-se que escrever bem obrigatoriamente passa por uma linguagem seca e direta, uma linguagem objetiva e curta. Particularmente, eu acho que esta postura desvaloriza o leitor, considera-o burro, considera a "massa" burra - como eu já disse na postagem A nova geração literária e as massas. Por isso, escrevo aqui no blog apenas para dizer que os períodos curtos podem sim gerar um prazer literário enorme, mas há outros caminhos que também são válidos; está na hora de desvalorizarmos um pouquinho o ponto final e darmos a devida atenção a diversos outros tipos de pontuação que também podem enriquecer um texto.

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7 Vida Poética (Poemas)

Os versos não fluem,
meus pensamentos estão certos,
seguros e resolutos demais.

Deixaram de ser aqueles seres-poéticos.
Perderam a ambigüidade,
o seu caráter de recém-descobertos.

Não posso mais chamá-los de versos,
mas não quero chamá-los de frase.
Não quero que, em mim, a poesia acabe
e que se acabe o meu mundo
de universos poéticos.

A cada grau de certeza,
perco um grau de beleza,
e a pureza das palavras,
a sua própria natureza,
se torna sólida,
como pedra,
que nos diz nada,
pedra que não pode ser lapidada.

Preciso do mundo,
esse lugar incerto.

Preciso de pessoas,
de dúvidas,
talvez do medo,
esse sentimento obscuro
que, sem mais nem menos,
nos mostra que nos imaginamos
sempre menos do que podemos.

Preciso da vida,
em todas as suas cores,
em toda a sua complexidade.

A vida, essa sim,
é a mãe de todos poetas,
a entidade incerta que deve ser consumida.

A vida é o elixir da vida.


Comentário: Tive a felicidade de esbarrar com esse poema quando revia alguns de meus textos mais antigos. Ele é definitivamente muito diferente do que eu costumo fazer, pelo menos eu achei, mas me surpreendi por ter gostado muito agora que fiz a releitura. Não sei o que vocês irão achar, mas espero que gostem. Como eu falei, talvez seja um pouco diferente das coisas que já botei aqui. De qualquer maneira, eu gostei muito de tê-lo encontrado.

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11 A internet e a vontade de aprender

Eu sou um daqueles que não têm uma visão extremamente positiva a respeito da internet. Acho que ela ajuda sim a divulgar muita coisa, mas que no final, por toda sua fragmentação, acaba por prejudicar muitas possibilidades de organização política. Ainda assim, faço um artigo hoje para falar de um aspecto positivo que tenho reparado e que muitas pessoas desconsideram. Falo do interesse que as pessoas demonstram em aprender. Normalmente, esta é uma característica que passa despercebida, até porque, ao mesmo tempo em que esse interesse existe, as pessoas também lêem com cada vez menos freqüência - aconselho que leiam a postagem O futuro dos blogs e os analfabetos funcionais, do Marcos Lemos, do Ferramentas Blog, para saber do que falo.

Acontece que, embora haja o fenômeno do desinteresse pela leitura, da vontade pela informação rápida e eficiente, aquela que promete que será possível aprender e conseguir resultados sem esforço, há também o outro lado da moeda. As pessoas também querem informação de qualidade, também querem refletir. Tenho reparado nisso por uma simples observação da blogosfera. Em uma análise rápida, podemos perceber que os blogs que mais fazem sucesso são, em geral, os que trazem informação pura e simples (notícias), os que trazem dicas sobre determinado assunto (aqueles que ensinam, os famosos metablogs) e os de humor. No caso dos blogs de humor, aqueles mais irreverentes, e também alguns de notícia, podemos enquadrar sim os leitores em um grupo que opta por uma leitura mais fácil e curta, eficaz, embora superficial, por assim dizer.

Mas existem também blogs que fogem a esta regra, sendo muitos deles os metablogs. É claro que o interesse por um local que te ensine a melhorar o seu projeto (que no caso seria seu próprio site) talvez não possa ser chamado literalmente de um interesse pela leitura e pelo aprendizado. Ainda assim, não é possível negar que o que as pessoas procuram quando entram em blogs como o Dicas Blogger (um dos mais influentes da internet brasileira) é aprender.

Além disso, não são só os metablogs que entram nesta categoria da qual falo. Na barra lateral aqui do Na Ponta dos Lápis, vocês podem notar que há um link para o Carta da Itália, um blog de um brasileiro que mora na Itália e que posta coisas sobre o país, assim como ensina a pronúncia de algumas palavras em italiano, traz receitas típicas de lá e muitas outras coisas. Apesar do layout padrão do Blogger, o site recebe um número muito bom de visitas e também de comentários, um fato que mostra a vontade das pessoas de conhecer outros lugares e aprender coisas novas, não importando o tamanho dos textos. Acredito que o mesmo aconteça com muitos blogs de literatura e, espero eu, com o Na Ponta dos Lápis também.

Por este motivo, fiz esta postagem: para mostrar que, junto ao fenômeno da redução do tempo de leitura, há também aqueles que utilizam a internet para ampliar o seu conteúdo, aperfeiçoar seu aprendizado e, claro, para reflexão. Enfim, esta é basicamente minha opinião, gostaria de saber o que vocês acham do assunto.

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3 Fernando Pessoa, Heterônimos, Parte II

Continuando as postagens a respeito da obra de Fernando Pessoa, iniciada pelo artigo Poemas - Fernando Pessoa (Parte I), irei escrever hoje um pouco sobre o mestre dos heterônimos do autor. Trata-se de Alberto Caeiro, o heterônimo anti-metafísico. Acho, inclusive, que é justamente ele quem mostra a incrível capacidade de produção literária do poeta português. Poucos sabem que os 49 poemas do livro "O Guardador de Rebanhos", de Alberto Caeiro, foram escritos em apenas um dia.

Além disso, os vários heterônimos de Pessoa também revelam um domínio incrível sobre diversos temas e estilos poéticos. Isso porque as obras desses seus personagens criados diferem em aspectos importantes da obra do próprio Fernando Pessoa, dos poemas que ele assinava com seu verdadeiro nome. É difícil compreender exatamente por qual razão ele criou seus heterônimos - se por diversão, jogada de marketing, exercício imaginativo e etc... -, mas eles de fato tornaram o poeta um dos grandes escritores da língua portuguesa e um dos maiores nomes da poesia mundial.

Como já foi dito, cada um de seus personagens tinha de fato vida própria, possuía características peculiares em sua poesia (assim como temáticas) e também toda uma biografia, uma vida construída por Fernando Pessoa. No caso de Alberto Caeiro, por exemplo, ele escreveu: "Nasceu em Lisboa, mas viveu quase toda a sua vida no campo. Não teve profissão, nem educação quase alguma, só instrução primária; morreram-lhe cedo o pai e a mãe, e deixou-se ficar em casa, vivendo de uns pequenos rendimentos. Vivia com uma tia velha, tia avó. Morreu tuberculoso". Vale lembrar também que os heterôminos Álvaro de Campos e Ricardo Reis, além do próprio Fernando Pessoa, viam Alberto Caeiro como um mestre. As características de sua obra são a linguagem simples e o vocabulário limitado de um poeta camponês pouco ilustrado. Ele pratica o realismo sensorial, numa atitude de rejeição às elucubrações da poesia simbolista.

Dentre as suas características mais marcantes está também sua rejeição à metafísica - o que creio que para mim e para muitas outras pessoas seja um aspecto extremamente interessante do heterônimo. Alberto Caeiro é avesso à metafísica, opõe a ela o desejo de não pensar, faz da oposição à reflexão a matéria básica de seu pensamento, fato que podemos ver no poema a seguir, que eu particularmente acho incrível.


V - Há Metafísica Bastante em Não Pensar em Nada

Há metafísica bastante em não pensar em nada.


O que penso eu do mundo?
Sei lá o que penso do mundo!
Se eu adoecesse pensaria nisso.

Que idéia tenho eu das cousas?
Que opinião tenho sobre as causas e os efeitos?
Que tenho eu meditado sobre Deus e a alma
E sobre a criação do Mundo?

Não sei. Para mim pensar nisso é fechar os olhos
E não pensar. É correr as cortinas
Da minha janela (mas ela não tem cortinas).

O mistério das cousas? Sei lá o que é mistério!
O único mistério é haver quem pense no mistério.
Quem está ao sol e fecha os olhos,
Começa a não saber o que é o sol
E a pensar muitas cousas cheias de calor.
Mas abre os olhos e vê o sol,
E já não pode pensar em nada,
Porque a luz do sol vale mais que os pensamentos
De todos os filósofos e de todos os poetas.
A luz do sol não sabe o que faz
E por isso não erra e é comum e boa.

Metafísica? Que metafísica têm aquelas árvores?
A de serem verdes e copadas e de terem ramos
E a de dar fruto na sua hora, o que não nos faz pensar,
A nós, que não sabemos dar por elas.
Mas que melhor metafísica que a delas,
Que é a de não saber para que vivem
Nem saber que o não sabem?

"Constituição íntima das cousas"...
"Sentido íntimo do Universo"...
Tudo isto é falso, tudo isto não quer dizer nada.
É incrível que se possa pensar em cousas dessas.
É como pensar em razões e fins
Quando o começo da manhã está raiando, e pelos lados das árvores
Um vago ouro lustroso vai perdendo a escuridão.

Pensar no sentido íntimo das cousas
É acrescentado, como pensar na saúde
Ou levar um copo à água das fontes.

O único sentido íntimo das cousas
É elas não terem sentido íntimo nenhum.
Não acredito em Deus porque nunca o vi.
Se ele quisesse que eu acreditasse nele,
Sem dúvida que viria falar comigo
E entraria pela minha porta dentro
Dizendo-me, Aqui estou!

(Isto é talvez ridículo aos ouvidos
De quem, por não saber o que é olhar para as cousas,
Não compreende quem fala delas
Com o modo de falar que reparar para elas ensina.)

Mas se Deus é as flores e as árvores
E os montes e sol e o luar,
Então acredito nele,
Então acredito nele a toda a hora,
E a minha vida é toda uma oração e uma missa,
E uma comunhão com os olhos e pelos ouvidos.

Mas se Deus é as árvores e as flores
E os montes e o luar e o sol,
Para que lhe chamo eu Deus?
Chamo-lhe flores e árvores e montes e sol e luar;
Porque, se ele se fez, para eu o ver,
Sol e luar e flores e árvores e montes,
Se ele me aparece como sendo árvores e montes
E luar e sol e flores,
É que ele quer que eu o conheça
Como árvores e montes e flores e luar e sol.

E por isso eu obedeço-lhe,
(Que mais sei eu de Deus que Deus de si próprio?).
Obedeço-lhe a viver, espontaneamente,
Como quem abre os olhos e vê,
E chamo-lhe luar e sol e flores e árvores e montes,
E amo-o sem pensar nele,
E penso-o vendo e ouvindo,
E ando com ele a toda a hora.

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5 Lições de Vida: Palavras de um mestre

Nota: Este é mais um dos poemas dos meus de que gosto da leitura, até porque em alguma instância me lembra um pouco o Árvore da Serra, do Augusto dos Anjos, talvez por causa do diálogo entre pai e filho, que eu já li aqui no blog. Então este poema, também um poema talvez um pouco mais simples, mas bem musical, eu coloco com um áudio da versão declamada. Só sugiro, como bem observou o Eduardo Baldan (@edubaldan) que façam primeiro uma leitura "silenciosa" e depois comparem com a minha leitura, pode ser um processo interessante.



Lições de Vida: Palavras de um mestre

"Meu pai, diga-me, por favor,
o que são os sábios de quem fala o professor?"

"Meu filho, meu ente mais querido,
escute-me quando eu digo
que sábio algum eu sou."

O filho, ainda intrigado,
abriu um livro empoeirado,
levantou e apontou.

"Esse homem, meu pai, nesse velho livro,
disse o que agora digo,
que sábio eu quero ser."

"Meu filho, é aí que bem te enganas.
Ser sábio não é coisa que se quer.
O sábio, nesse mundo de aparência,
não é quem o 'tenta' ser
e sim aquele que o é."

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4 A Biblioteca - por Gonçalo M. Tavares

O senhor Juarroz gostava de organizar a sua biblioteca de maneira secreta. Ninguém gosta de revelar segredos íntimos.

O senhor Juarroz primeiro organizara a biblioteca por ordem alfabética do título de cada livro. Rapidamente, porém, foi descoberto.

O senhor Juarroz organizou depois a sua biblioteca por ordem alfabética, mas tendo em conta a primeira palavra de cada livro.

Foi mais difícil, mas ao fim de algum dia alguém disse: já sei!

A seguir o senhor Juarroz reordenou a biblioteca, mas agora por ordem alfabética da milésima palavra de cada livro.

Há no mundo pessoas muito perseverantes, e uma delas, depois de muito investigar, disse: já sei!

No dia seguinte, assumindo este jogo como decisivo, o senhor Juarroz decidiu arrumar a biblioteca a partir de uma progressão matemática complexa que envolvia a ordem alfabética de uma determinada palavra e o teorema de Godel.

Assim, para estranheza de muitos, a biblioteca do senhor Juarroz começou a ser visitada, não por entusiastas da leitura, mas por matemáticos. Alguns passaram tardes a abrir livros e a ler certas palavras, utilizando o computador para longos cálculos, tentando assim encontrar a todo o custo a equação matemática capaz de desvendar a organização da biblioteca do senhor Juarroz. Era, no fundo, um trabalho de descoberta da lógica de uma série, semelhante a

2 | 9 | 30 | 93

Pois bem, passaram dois, três, quatro meses, mas chegou o dia. Um reputado matemático, completamente vermelho e eufórico, segurando, na mão direita, um bloco gigante coberto de números, disse: Já sei!, e apresentou depois a fórmula da série que baseava a organização da biblioteca.

O senhor Juarroz ficou desanimado e decidiu desistir do jogo. Basta!

No dia seguinte pediu à sua esposa para organizar a biblioteca como bem entendesse. Por ele estava farto.

Assim foi. Nunca mais ninguém descobriu a lógica da organização da biblioteca do senhor Juarroz.


Comentário: É sempre bom poder dividir um pouco de boa literatura. Sem sombre de dúvida, o português Gonçalo M. Tavares é boa literatura. Como falei em outra postagem, talvez seja meu contista favorito - e é atual. Este conto em particular eu já tinha colocado em uma amostra numa postagem mais antiga - Gonçalo M. Tavares: um autor a ser lido - em que falo mais sobre ele e suas características. Como poucos devem ter o lido, coloco num post separado, pois acho esse conto simplesmente sensacional. Gostaria de dividir este autor com vocês, pois será com certeza, se já não é, um dos grandes nomes da literatura portuguesa. Abraço e bom domingo a todos.

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