O mundo precisa dos épicos

Às vezes, é necessário sentir algo diferente, viver uma aventura, presenciar o impossível. Num mundo seco, desacreditado, e ao mesmo tempo tão disforme e tão líquido, no qual nada mais parece fazer sentido, às vezes precisamos de um pouco de mágica, de um pouco...

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Um desabafo sobre a violência dos discursos na internet, nas notícias e nas redes sociais

em 28 de jul de 2015.
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Quanto mais volto a usar a internet, a ler notícias e certas coisas nas redes sociais, mais me decepciono. É, de fato, algo muito complicado.

Irrita-me profundamente que, cada vez mais, as pessoas escondam seu rancor por certa classe, certa raça ou certo gênero por trás de uma fachada de "luta". É um processo que, ao meu ver, tem crescido assustadoramente em todas as áreas da internet, em todos os lados e em todos os posicionamentos "ideológicos".

Sem haver uma compaixão, uma tentativa de pensamento realmente plural, igualitário e aditivo - e não no âmbito racional do discurso, mas sim no afetivo, no real sentimento por trás dos argumentos -, não há caminho. Afinal, argumentos poderosos e sofísticos sempre podem ser criados. E egos criam barreiras simplesmente intransponíveis.

Confesso que me assusto muito ao perceber que a linha de quase todo o debate ou notícia na atualidade parte de um ponto de ódio ou de combatividade, de confronto - não há quase qualquer tipo de tentativa de adição ou de construção. Tornou-se realmente o padrão, a maneira de se comunicar, tanto nas grandes mídias quanto no nosso dia a dia. E, como falei anteriormente, isso, por mais triste que seja admitir, torna qualquer discussão e qualquer evolução praticamente impossível.

E a comunicação, nesse cenário infortuno, simplesmente deixa de existir.

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Nota: vale lembrar que o discurso combativo (não o de ódio) também é necessário, afinal, para se haver uma superação de paradigmas, é preciso que haja uma desconstrução e uma posterior reconstrução positiva e aditiva de práticas e de conceitos. O grave problema é quando vemos apenas o discurso destrutivo ser empregado.
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Às vezes, tudo o que é preciso é uma bela paisagem

em 24 de jul de 2015.
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Numa bela paisagem, podemos sentir o mundo. Podemos experimentar, mesmo que momentaneamente, os seus mais profundos segredos, como se eles repousassem, quase estáticos, por de trás de uma tênue névoa de misticismo e de tranquilidade.

Estar ali, é estar presente, sentindo a natureza: os ecos e os silêncios de muitas vidas, de muitos seres, de muitos tempos. É sentir na própria pele aquela calmaria e aquela sensação de paz e de liberdade. Pois, às vezes, tudo o que é preciso é uma bela paisagem; para se esquecer dos problemas - ou para notar que eles talvez nem sejam tão relevantes assim, para notar que eles pouco significam diante da magnitude do mundo.

E, muitas vezes, esse mesmo mundo nos sufoca, empurra-nos a agir, a absorver uma quantidade monstruosa de estímulos e de informação. E, assim, ficamos cegos, vivemos saltando de estímulo a estímulo, de problema a problema, de situação a situação, sem sabermos o que fazer, e sem pararmos para pensar. Aquela sucessão infinita de experiências que nos sufoca, que nos dessensibiliza e que nos faz, de uma hora para a outra, nos vermos perdidos, fatigados, como se pouco ou nenhum controle realmente tivéssemos sobre nossas vidas.

No entanto, diante de uma bela paisagem, mesmo que por um instante, as coisas mudam: sentimos que tudo pode, e deve, ser diferente. O silêncio do mundo, a tranquilidade, a calmaria - aquela pausa para um respiro que nos mostra como passamos, em muitas ocasiões, dias, semanas e até mesmo anos sem levantar a cabeça, sem parar para descansar e apenas observar, apenas sentir e deixar que o corpo e que o mundo nos regenerem, naquela leveza e naquela lentidão harmoniosa que apenas os momentos de paz são capazes de nos proporcionar


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O livro que desaparece na sua mão

em 23 de jul de 2015.
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Estamos sentados. Confortáveis - bem... às vezes nem tanto. Livro em nossas mãos e, então, começa-se a leitura. E rapidamente começamos a flutuar e viajar por um mar de letras e de palavras que nos leva a um outro lugar, a um lugar de imaginação, de pensamento e de vivência. O livro desaparece nas nossas mãos. A cadeira, a cama ou o sofá desaparece. E até mesmo a sala desaparece. Tudo some, tudo é sugado para essa mundo novo a que nossa mente nos leva.

Esse é um conceito extremamente interessante, sobre o qual nunca havia pensado, e com o qual me deparei ao ler The Everything Store (A Loja de Tudo), a biografia de Jeff Bezos, o fundador da Amazon. É um livro espetacular, pois nos faz pensar demais sobre como lidar com negócios e sobre o mercado literário também. Com certeza, muitas das postagens que escrever por aqui sairão de ponderações feitas ao longo de minha leitura.

Como disse, trata-se de um conceito sensacional, e até mesmo óbvio, embora eu não tenha pensado nele anteriormente. Quando da criação do primeiro Kindle, Jeff Bezos, um entusiasta dos livros e leitor ávido desde de criança, foi pensar justamente em qual seria a qualidade que tornaria os livros tão especiais, o que há nesse meio maravilhoso que nos permite viajar e entrar tão completamente nas histórias e nas leituras?

A resposta foi simples: o livro, caros amigos, desaparece na sua mão. Ele tem a qualidade e a capacidade de estar ali e, ao mesmo tempo, não estar. Basta se ler uma ou duas páginas de uma boa ficção e nossa mente rapidamente apaga tudo. E o livro permite isso. Pare e pense na sua última experiência de leitura. Garanto que irá se identificar com a sensação.

E, quando da criação do Kindle, foi justamente isso que Bezos exigiu. Quando lesse seu Kindle, dizia ele, era essencial que ele também sumisse na sua mão, era necessário que ele pudesse ser como é o livro, ter essa mesma capacidade. E, confesso, creio que eles conseguiram. A tela do aparelho realmente parece uma folha mágica que traz novos e novos conteúdos - e o Kindle desaparece, algo que não acontece com tablets, computadores e afins. Neles, a leitura é muito mais cansativa. E o desprendimento da realidade muito mais difícil do que em livros e leitores especializados.

De qualquer modo, lembro que na hora em que li sobre isso, achei simplesmente sensacional. É uma observação simples, de um leitor ávido, que eu nunca tinha notado. O livro realmente tem essa incrível capacidade: de sumir, de nos permitir sonhar e viajar. É um facilitador, um meio pelo qual atingimos um estado mental mais criativo e até mesmo mais calmo, que nos retira um pouco desse mundo corrido e super estimulado. Por isso, amo tanto a leitura (e só nos livros físicos ou com leitor especial, nada de computadores).

Enfim, espero que tenham se surpreendido com esse conceito tanto quanto eu. E, quem quiser, fale de suas experiências nos comentários! Eu adorarei saber!
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Gigantes de Aço: quando a ficção antecipa a realidade - ou, primeira luta entre robôs confirmada

em 21 de jul de 2015.
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Faz um bom tempo, antes de fazer minha parada com o blog, eu escrevi uma postagem a respeito do filme Gigantes de Aço, elogiando seu exercício de ficção científica. Lembro-me de que, quando vi o filme, lá eles diziam que a primeira luta entre robôs havia ocorrido no ano de 2014 ou 2016, algo assim, e eu ponderei: "aparentemente eles erraram feio nessa previsão".

Bem, pelo visto, era eu quem estava enganado. Nas últimas semanas, a empresa MegaBots Inc. lançou um desafio à japonesa Suidobashi Heavy Industry, ambas produtoras de robôs mecha, pilotados por seres humanos.

A resposta dos japoneses, porém, surpreendeu. Seu fundador, Kogoro Kurata, não apenas aceitou a proposta, dizendo que "não podemos deixar outra nação vencer. Robôs gigantes são a cultura japonesa", como ainda pediu mais. Segundo ele, "apenas construir algo e colocar armas nisso. É... super americano". Por isso, ele não quer apenas uma batalha com armas de paintball, mas indica que quer algo mais similar ao boxe mesmo, como apresentado em Gigantes de Aço.

Logo, a data de 2014 ou 2016 (realmente não lembro) não estaria de todo errada, uma vez que a expectativa é de que a luta ocorra daqui a um ano. Achei isso extremamente interessante, pois nos mostra, uma vez mais, a incrível capacidade que os ficcionistas possuem de antecipar a realidade, algo que deve, certamente, ser muito valorizado. Não à toa, faz um tempo, fiz um pequeno podcast sobre Júlio Verne (que nada tem a ver com Gigantes de Aço), autor de ficção científica famoso por antecipar muitas coisas. A gravação, porém, se perdeu. Por isso, prometo fazer uma postagem sobre ele mais à frente.

Para quem ficou interessado, abaixo está o vídeo que retrata o aceite da proposta. Agora é acompanhar e torcer!

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O mundo precisa dos épicos

em 16 de jul de 2015.
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Às vezes, é necessário sentir algo diferente, viver uma aventura, presenciar o impossível. Num mundo seco, desacreditado, e ao mesmo tempo tão disforme e tão líquido, no qual nada mais parece fazer sentido, às vezes precisamos de um pouco de mágica, de um pouco de aventura. Precisamos de personagens que nos façam acreditar em algo melhor. Heróis e heroínas capazes de nos mostrar que todos nós podemos ser mais, que a humanidade ainda pode e merece ter salvação.

E as histórias épicas, e os heróis épicos, brindam-nos com essa magia, com aquela força interior que simplesmente nos faz acreditar. Aquela energia que se cria e que não se dissipa - e que preenche nossas vidas com uma aura reconfortante e protetora.

A realidade é dura. A sociedade, ainda mais. Um véu de descrença e de desesperança parece cobrir gentilmente todas as coisas, deixando o ar pesado; a visão turva. Uma sensação de agonia e de impotência diante de um mundo obscuro e impiedoso.

Por vezes, parece impossível acreditar, impossível imaginar uma situação melhor; um mundo melhor.

E, por isso, precisamos dos épicos, da magia, daqueles personagens que transformam um mundo de sonhos em realidade, que nos mostram que se importar é possível, que amar é possível. Heróis e aventuras que revelam a verdadeira natureza do homem, a beleza há tanto tempo escondida, há tanto tempo esquecida.

Os épicos nos fazem recordar, fazem-nos ver um mundo de esplendor, fazem-nos crer em um mundo melhor, em uma sociedade melhor. Os épicos nos levam a um universo de sentimentos, de amizade, de honra e de coragem.

Os épicos, por fim, são necessários; pois são aquela singela lembrança de que ainda somos capazes de construir dias melhores.


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Pálido ponto azul: a belíssima reflexão de Carl Sagan sobre a Terra, o universo e a nossa sociedade

em 15 de jul de 2015.
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Com todo esse buzz em relação às fotos de Plutão, lembrei-me de algo muito legal, uma reflexão belíssima e profunda, do tipo que buscarei trazer mais aqui para o blog, a respeito do nosso mundo, do nosso universo e, principalmente, de nossa sociedade. Um texto simplesmente poético e genial do astrofísico, cosmólogo e escritor Carl Sagan, que nos faz pensar e refletir sobre a importância da nossa vida e sobre todo o excesso de guerras e de violência que trazemos para esse pequeno ponto azul em que vivemos.


É uma leitura obrigatória a qualquer um, de verdade. E a quem já leu, sempre vale a releitura. Além disso, acrescentei um vídeo no Youtube, gravado pelo Guilherme Briggs, um dos mais proeminentes dubladores e narradores do Brasil, que ficou perfeito. Aconselho a escutarem (mais do que lerem, nesse caso) e refletirem. É lindo.





Reflexão de Carl Sagan

A espaçonave estava bem longe de casa. Eu pensei que seria uma boa idéia, logo depois de Saturno, fazer ela dar uma ultima olhada em direção de casa.

De saturno, a Terra apareceria muito pequena para a Voyager apanhar qualquer detalhe, nosso planeta seria apenas um ponto de luz, um “pixel” solitário, dificilmente distinguível de muitos outros pontos de luz que a Voyager avistaria: Planetas vizinhos, sóis distantes. Mas justamente por causa dessa imprecisão de nosso mundo assim revelado valeria a pena ter tal fotografia.

Já havia sido bem entendido por cientistas e filósofos da antiguidade clássica, que a Terra era um mero ponto de luz em um vasto cosmos circundante, mas ninguém jamais a tinha visto assim. Aqui estava nossa primeira chance, e talvez a nossa última nas próximas décadas.

Então, aqui está – um mosaico quadriculado estendido em cima dos planetas, e um fundo pontilhado de estrelas distantes. Por causa do reflexo da luz do sol na espaçonave, a Terra parece estar apoiada em um raio de sol. Como se houvesse alguma importância especial para esse pequeno mundo, mas é apenas um acidente de geometria e ótica. Não há nenhum sinal de humanos nessa foto. Nem nossas modificações da superfície da Terra, nem nossas maquinas, nem nós mesmos. Desse ponto de vista, nossa obsessão com nacionalismo não aparece em evidencia. Nós somos muito pequenos. Na escala dos mundos, humanos são irrelevantes, uma fina película de vida num obscuro e solitário torrão de rocha e metal.

Considere novamente esse ponto. É aqui. É nosso lar. Somos nós. Nele, todos que você ama, todos que você conhece, todos de quem você já ouviu falar, todo ser humano que já existiu, viveram suas vidas. A totalidade de nossas alegrias e sofrimentos, milhares de religiões, ideologias e doutrinas econômicas, cada caçador e saqueador, cada herói e covarde, cada criador e destruidor da civilização, cada rei e plebeu, cada casal apaixonado, cada mãe e pai, cada crianças esperançosas, inventores e exploradores, cada educador, cada político corrupto, cada “superstar”, cada “lidere supremo”, cada santo e pecador na história da nossa espécie viveu ali, em um grão de poeira suspenso em um raio de sol.

A Terra é um palco muito pequeno em uma imensa arena cósmica. Pense nas infindáveis crueldades infringidas pelos habitantes de um canto desse pixel, nos quase imperceptíveis habitantes de um outro canto, o quão frequentemente seus mal-entendidos, o quanto sua ânsia por se matarem, e o quão fervorosamente eles se odeiam. Pense nos rios de sangue derramados por todos aqueles generais e imperadores, para que, em sua gloria e triunfo, eles pudessem se tornar os mestres momentâneos de uma fração de um ponto. Nossas atitudes, nossa imaginaria auto-importancia, a ilusão de que temos uma posição privilegiada no Universo, é desafiada por esse pálido ponto de luz.

Nosso planeta é um espécime solitário na grande e envolvente escuridão cósmica. Na nossa obscuridade, em toda essa vastidão, não ha nenhum indicio que ajuda possa vir de outro lugar para nos salvar de nos mesmos. A Terra é o único mundo conhecido até agora que sustenta vida. Não ha lugar nenhum, pelo menos no futuro próximo, no qual nossa espécie possa migrar. Visitar, talvez, se estabelecer, ainda não. Goste ou não, por enquanto, a terra é onde estamos estabelecidos.

Foi dito que a astronomia é uma experiência que traz humildade e constrói o caráter. Talvez, não haja melhor demonstração das tolices e vaidades humanas que essa imagem distante do nosso pequeno mundo. Ela enfatiza nossa responsabilidade de tratarmos melhor uns aos outros, e de preservar e estimar o único lar que nós conhecemos… o pálido ponto azul.
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