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Sara

em 20 de nov de 2008.

Comentário: Sugiro a quem ler este conto que leia, caso não tenha lido, os dois contos anteriores da série "Cadernos do Homem Comum". É só clicar no menu acima para lê-los.

Ela ouviu o distinto som do vidro se partindo quando uma pedra atingiu o retrovisor direito do ônibus. Um menino de rua ficara indignado por não poder viajar de graça e expressara a sua revolta ao atirar uma pedra portuguesa contra o veículo. Ao menos, ele demonstrara sentimento, pensava ela. A sua volta, cerca de dez pessoas permaneciam sentadas, fitando o menino com uma polida indignação. Elas não pareciam muito preocupadas; escutavam suas músicas, os fones sempre nos ouvidos.

Sara sentia um pouco de melancolia, não gostava dos fones; eles lhe assustavam. Há quem diga que eles são um modo de as pessoas se isolarem do mundo, de viverem por alguns momentos em uma realidade só sua, mesmo cercados por uma multidão. Ela sabia que isso não era verdade. Antes dos fones as pessoas já se isolavam. Colocar a música alta nos walkmans, discmans e ipods é apenas um meio de calar o silêncio fatal que impera nos meios de transporte coletivos. Um silêncio tão inumano que apenas um som alto, ao pé do ouvido, é capaz de abafar.

Ela desceu. Estava sozinha, sempre sozinha. Seguia para o trabalho, era o seu primeiro dia. O gerente de recursos humanos a recebeu para lhe mostrar os seus companheiros. Ela sorria, trocava olhares respeitosos. Vez ou outra, recebia um aperto de mãos. Nada mais frio. Nada como indicar com os braços a distância mínima de aproximação tolerável. Mas Sara foi surpreendida. Subitamente, sentiu algo tocar-lhe a face. Era um de seus companheiros de trabalho, que lhe cumprimentara com dois beijos no rosto. As pessoas ao redor olharam com estranheza, ela recuou um pouco desconcertada. O homem virou de costas e retomou os seus afazeres, parecia tão imerso em seu trabalho que nem se importara em ter quebrado o decoro social. Ela demorou um pouco a se recuperar do susto. Ficou curiosa.

- Quem é aquele homem ali?

- Aquele? Ah... não liga não. Ele é meio esquisito mesmo. O nome dele é Horácio.

2 Comentários:

Luiz

Legal, Leo, gosto muito de histórias que se cruzam. Continue ! A série continua com esses três personagens ou haverá mais ?

Bernardo

gostei! horácio é esquisito, mas ele é brasileiro e carioca? se fosse carioca seria estranho ele não ter dado um abraço na mulher, ehheha, abraço.

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