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Rafinha

em 16 de dez de 2008.

Comentário: É recomendável ler os contos anteriores da série Cadernos do Homem Comum.

Os policiais levavam o motorista do ônibus para interrogatório. Rafinha observava a cena, sentado em uma das velhas macas do hospital. Não conseguia ficar com raiva do motorista, embora se esforçasse para isso. Estava inconsolável. Baixou a cabeça e fixou os olhos em seu braço direito: sua mão fora amputada. Logo a mão de que tanto necessitava, a mão do trabalho.

Ele fitava o espaço vazio. Ainda podia senti-la; não sabia como, mas podia. Era algo como um membro fantasma, segundo alguns médicos tentaram lhe explicar; logo passaria. Ele não tinha tanta certeza, mas preferia acreditar. Sabia que seria difícil viver sem a sua mão. Era ela quem o definia; a mão do trabalho, a mão com a qual construía não só casas, mas o seu futuro. Era ela que dava de comer a sua família; não era parte de seu ser: ele é que era mão.

Um médico lhe deu alta. Ele se levantou, frustrado. Não sabia o que dizer para sua mulher, nem para seus filhos. Perdera a sua mão... perdera a sua identidade... provavelmente perderia também o seu emprego. Não seria mais o pedreiro Rafinha, não mais exerceria a profissão que o definira desde a sua juventude. Não sabia o que fazer a partir de agora, mas tinha certeza de que teria de fazer alguma coisa; tinha bocas a alimentar...

Talvez, pensou ele, fosse a hora de olhar para a mão esquerda.

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