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Poemas de Mario Quintana - Os poemas

em 05/12/2008.
Os poemas são pássaros que chegam
não se sabe de onde e pousam
no livro que lês.
Quando fechas o livro, eles alçam vôo
como de um alçapão.
Eles não têm pouso
nem porto
alimentam-se um instante em cada par de mãos
e partem.
E olhas, então, essas tuas mãos vazias,
no maravilhoso espanto de saberes
que o alimento deles já estava em ti...


Comentário: Eis mais um poema de Mário Quintana a povoar o blog. Eu gosto muito do estilo do autor de escrever os seus versos, utilizando formas razoavelmente simples, mas com muita precisão e, especialmente, com muita musicalidade; em alguns aspectos formais me lembra muito Drummond, mas com um pouco mais de lirismo.

Esta poesia me parece muito interessante. Sei que talvez não interesse tanto aos leitores, mas eu, como escritor, gosto muito dos poemas que falam um pouco do fazer poético, da inspiração. Acho um tema fascinante, mas ainda não tenho uma opinião formada sobre ele.

Sem dúvida alguma, Quintana foi um poeta que acreditava nessa força oculta que nos impele a produzir; numa experiência quase divina de autoconhecimento, em que criamos algo que nem nós sabemos de onde veio. A inspiração seria algo nascido do próprio poeta, desconhecido, porém belo; um momento em que buscamos dentro de nós as respostas para as questões mais complexas do mundo e as exteriorizamos numa espécie de transe, uma experiência mística e particular. Neste poema, Quintana nos mostra como esta inspiração não necessariamente depende de algo que você escreva. Ele nos revela que cada poesia é capaz de tocar cada pessoa e despertar nela o seu lado lírico; torná-la poeta sem sequer ter escrito uma palavra. Os poemas seriam, portanto, como mensageiros capazes de acender a chama da inspiração em cada pessoa, fazendo-as externalizar a sua própria visão de mundo, transmitir a cada obra um pouco de sua subjetividade.

Na minha opinião, este é um dos temas mais interessantes do fazer literário. E como todo tema essencial, a resposta parece ser mais uma questão de fé do que de evidência. Ou se acredita na inspiração ou não se acredita; não há como comprová-la.

1 Comentários:

Anônimo

Aprendi adimirar os poemas nos meus 36 anos,sabe no brasil nós deichamos de ver a poesia como cultura.

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