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Cirurgiões - Poesia e experimento

em 30 de jun de 2009.

Ontem, sugeriram a mim um tema para um poema e acabei escrevendo "Cirurgiões". Enquanto escrevia, conversava com uma amiga minha (que tem um poema publicado aqui no blog). Ela gostou muito da poesia e resolveu fazer uma experiência. Utilizou algumas das frases originais, capturou a idéia e modificou o texto original, fazendo algumas adições. O resultado foi bem legal, por dois motivos. O primeiro pelo retrabalho feito com o poema e o segundo por mostrar duas visões sobre poesia diferentes. Eu sou um escritor mais racional, portanto a própria estrutura dos meus poemas costumam ser bastante racionais. Já ela é mais emotiva em relação aos versos e passa essa emoção também para a forma, mesmo que isso implique quebrar com uma estrutura mais tradicional. Enfim, vejam o resultado.


Cirurgiões (versão original)

Somos responsáveis por uma operação constante
que envolve a todos,
que a tudo consome.
Somos filhos desta operação enorme
que nos modifica,
e que modificamos,
para depois darmos nome.
A chamamos de vida.

Somos cirurgiões,
com toda pompa e respeito
Somos os guardiões
da causa e do efeito

desta coisa mutável
sobre a qual trabalhamos,
incansáveis e irredutíveis.
Essa coisa agradável
de material humano
da qual sequer dominamos
as mais simples diretrizes!


Cirurgiões (versão da Júlia)

Somos que se envolvem
somos que consomem
somos neste lento
e constante operando.
Filhos da gigante
esta operação
de modificarmos,
que modificamos,
e ao chamarmos vida,
o nome que damos,
com pompa e respeito,
à causa e ao efeito,
pelos que zelamos.

Somos coisa mutável
em qual trabalhamos.
a qual nem incansáveis
ou irredutíveis
a qual que jamais
ou sequer dominamos
as mais simples ou
quaisquer diretrizes!
Essa coisa agradável
de material humano
essa coisa de sermos
às vezes felizes
essa coisa que é nossa
esse corte de sangue.

3 Comentários:

Julia

ah, poxa, que bom que você postou, também gostei da discussão de linguagem que essa experiência nos rendeu, leo! E precisamos aprofundá-la! hehehe E depois temos que experimentar o inverso também, vai ser ótimo =P

Anônimo

gostei mto dessa poesia, das duas versões, o blog está muito bom.

Cizenando

Caros amigos, primeiramente parabéns pelo experimento. O conceito é ótimo e a continuidade do processo tende apenas a ampliar a enriquecedora vivência artística.

Quanto às poesias em si, percebi na do Léo uma racionalidade para além da estrutura, mas também na condução da "narrativa" do poema, um caminho reto entre partida e chegada. Há uma preocupação com o lugar das palavras no textura.

Com relação a da Júlia, igualmente me parece a forma invadir o conteúdo (ou não sei se nos dois casos o sentido é justamente o inverso), oferecendo imagens e sensações. Há uma proecupação com que lugares o texto vai oferecer.

Se para a cirurgia exige precisão, a vida é uma contínua quebra de rotinas, e acho que possibilidade de ver esses dois olhares, lado a lado, é que reside a beleza do post.

Não é uma tentativa de julgar o melhor ou o pior, ou se os poemas são bons ou ruins - até porque, para começo de conversa, quem sou eu para isso. O meu ponto, e toda esta volta é uma tentativa de "argumentação", é que a riquieza da arte são os olhares que ela pode oferecer. E o diálogo (o que não significa consenso) entre dois ou mais olhares entendo como a procura pela expressão artística em suas maiores possibilidades.

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