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Poemas de Fernando Pessoa

em 23 de jun de 2009.

Aqui seguem dois incríveis poemas inéditos de Fernando Pessoa. O que gostaria de comentar é que poucos escritores conseguem criar tanta beleza poética quanto o autor português. Escolhi essas duas poesias em especial exatamente pelo fato de ilustrarem como ele consegue construir seus versos de uma maneira muito particular, em que as rimas soam totalmente naturais - algo altamente complexo de ser feito - e ainda construam um poema leve, cheio de um lirismo e uma beleza quase incomparáveis. Espero que apreciem os poemas.


Dói viver, nada sou que valha ser.

Dói viver, nada sou que valha ser.
Tardo-me porque penso e tudo rui.
Tento saber, porque tentar é ser.
Longe de isto ser tudo, tudo flui.

Mágoa que, indiferente, faz viver.
Névoa que, diferente, em tudo influi.
O exílio nado do que fui sequer
Ilude, fixa, dá, faz ou possui.

Assim, noturno, a árias indecisas,
O prelúdio perdido traz à mente
O que das ilhas mortas foi só brisas,

E o que a memória análoga dedica
Ao sonho, e onde, lua na corrente,
Não passa o sonho e a água inútil fica.



Náusea. Vontade de nada

Náusea. Vontade de nada.
Existir por não morrer.
Como as casas têm fachada,
Tenho este modo de ser.

Náusea. Vontade de nada.
Sento-me à beira da estrada,
Cansado já no caminho
Passo pra o lugar vizinho.

Mas náusea. Nada me pesa
Senão a vontade presa
Do que deixei de pensar
Como quem fica a olhar...

8 Comentários:

Camila Alves.

Ah! Fernando Pessoa é simplesmente genial. Acho a obra dele fascinante. Tenho alguns livros dele, e acho maravilhoso.

Quanto ao Layout, ficou muito bom. Não que o outro fosse ruim, mas acho que ficou bem 'clean'.


Abraços.

www.desentoa.tumblr.com

Márcia

Oi Leo!
Pra mim Pessoa fala sobre o ser humano que cada um quer ser ou imagina que seria o ideal ser. Criamos imagens a nosso próprio respeito, baseada na maioria das vezes nas expectativas que, os que nos cercam, criam de nós. Assumimos muitas vezes um papel na sociedade, na família, que não reflete o que realmente almejamos.
Parece-me ainda, que ele expressa a impossibilidade de assumirmos a nossa verdadeira essência, mesmo estando conscientes disto, por não sermos senhores do futuro, por sermos vulneráveis as atitudes dos demais sujeitos que nos rodeiam. No entanto, conscientes ou não do que realmente somos, lutamos sempre por acreditar que lá no futuro está o porto seguro.

*** Não sei se postei no local certo, desculpe (risos)

Leo Schabbach

Postou no lugar certo sim, e belo comentário. E o que falou sobre Pessoa falar sobre nossa incapacidade de assumir a nossa essência se evidencia muito nos próprios heterônimos que ele criou =)

N. Mazotte

Ele é realmente genial! O meu favorito, o que consegue penetrar mais fundo minha alma. Escreve tudo que eu gostaria de escrever, da forma como eu gostaria... Se já te admirava antes, ter visto Pessoa aqui exponenciou a admiração! rs Bjs

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