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Poemas de João Cabral e de Drummond

em 21 de jun de 2009.

Coloco aqui duas poesias de dois grandes poetas brasileiros, talvez meus favoritos. Coloco-as aqui para fazer breves comentários sobre seus autores: João Cabral de Melo Neto e Carlos Drummond de Andrade.


A rede ou o que Sevilha não conhece

Há uma lembrança para o corpo,
a tua: é a de um abraço de rede,
esse abraço de corpo inteiro
de qualquer rede do Nordeste,
da rede que tua Andaluzia,
que é tão da sesta, não conhece,
e mais que abraço, é o abraçar
de tudo o que pode estar nele;
é abraço sem fora e sem dentro,
é como vestir outra pele
que ele possui e que o possui,
uma rede nas veias, febre.


Comentário: Essa poesia é muito interessante, pois mostra o João Cabral nordestino - uma grande marca de sua literatura - que, obrigado a viver no exterior por motivos profissionais (era um diplomata), presta homenagem à sua terra-natal. Como sempre, a poesia é sempre muito pensada e também detalhada. Interessante como ele expressa um certo saudosismo e apreço pela cultura do nordeste descrevendo algo aparentemente tão simples.

- Esta poesia foi retirada da "Obra Completa" do autor (compre aqui), mais especificamente do livro "Agrestes") -


A um ausente

Tenho razão de sentir saudade,
tenho razão de te acusar.
Houve um pacto implícito que rompeste
e sem te despedires foste embora.
Detonaste o pacto.
Detonaste a vida geral, a comum aquiescência
de viver e explorar os rumos de obscuridade
sem prazo sem consulta sem provocação
até o limite das folhas caídas na hora de cair.

Antecipaste a hora.
Teu ponteiro enlouqueceu,

enlouquecendo nossas horas.
Que poderias ter feito de mais grave
do que o ato sem continuação, o ato em si,
o ato que não ousamos nem sabemos ousar
porque depois dele não há nada?

Tenho razão para sentir saudade de ti,
de nossa convivência em falas camaradas,
simples apertar de mãos, nem isso, voz
modulando sílabas conhecidas e banais
que eram sempre certeza e segurança.

Sim, tenho saudades.
Sim, acuso-te porque fizeste
o não previsto nas leis da amizade e da natureza
nem nos deixaste sequer o direito de indagar
porque o fizeste, porque te foste.


Comentário: Esta é uma poesia de Carlos Drummond de Andrade. Mais do que comentar a poesia em si, gostaria de falar sobre o livro da qual foi retirada: Farewell. É a última obra publicada do autor; obra que possui praticamente apenas poemas inéditos. Drummond conseguiu nela sintetizar grande parte das temáticas que envolveram as suas obras, tornando o livro quase que uma síntese de sua produção, um índice que pode levar o leitor ao encontro dos outros livros publicados por ele. Enfim, como o próprio título diz (Farewell significa "adeus" em inglês), a obra é uma despedida, um último agrado do poeta aos seus ávidos leitores e admiradores. Vale a pena uma leitura.

2 Comentários:

Camila Alves.

Nossa, gostei muito deste poema do Drummond e confesso que ainda não o tinha lido. Vou procurar este livro por aqui, adoro Drummond e o jeito como ele escreve. Me fascina.

João Cabral, muito bom também, estudei bastante os poemas dele na aula de estética (meu professor tinha um certo gosto em ler João Cabral).

Gosto muito do teu blog, e da maneira como tu escreve os comentários.

Parabéns!

Beijos.

www.desentoa.tumblr.com

Leo Schabbach

Drummond é muito bom mesmo. Os versos aliam simplicidade a uma beleza poética única. Tem um post interessante, falando sobre Drummond que você pode conferir se quiser, encontrei ontem pelo twitter também - http://migre.me/2DiW

E não me surpreende que seu professor de estética tenha um apreço especial por Cabral. A maior qualidade dele era justamente o trabalho estético. Ele mesmo se via como um engenheiro (tanto que lançou o livro "O engenheiro") que devia lapidar o poema, como se fosse uma pedra. Trabalhava muito em cada verso que escrevia para torná-lo esteticamente perfeito.

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