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Espelhos e espelhos

em 28 de jul de 2009.

Ele estava feliz. As providências que tomara tinham, definitivamente, surtido efeito; todos o adoravam no escritório. Antes, ele nunca fora um chefe querido. Agora, todos admiravam-no. Precisara passar por algumas mudanças, é claro; trocar alguns hábitos, vestir roupas diferentes: nada impossível de se conseguir com um pouquinho de força de vontade. Aos poucos, moldara-se de acordo com seus colegas, tornara-se mais amigável, mais confiante, mais descolado. Tinha certeza de que agora ninguém ousaria falar mal dele ou sequer tratá-lo com frieza.

Estava relaxado em sua sala, olhava-se no espelho. Havia algo estranho, porém; alguma coisa o incomodava. Havia mais alguém no reflexo... alguém que o encarava, que se aproximava. Ele se levantou, olhou para trás: a sala estava vazia. Voltou os olhos para o espelho mais uma vez; o outro homem estava ali, parado, encarando-o. Um frio subiu-lhe a espinha. Seria aquilo alguma brincadeira de seus colegas de trabalho? Será que ele se enganara? Será que as pessoas não gostavam tanto dele como pensava?

Olhou para trás novamente, a sala continuava vazia. O homem estranho só aparecia no espelho, aproximava-se vagarosamente. Ele virou de costas, fitava com um olhar nervoso cada canto da sala. Só podia ser uma piada... tinha de ser uma piada. Virou-se para o espelho por uma vez mais. O homem estranho estava ainda mais perto, cada vez mais perto... ameaçadoramente próximo.

Não conseguia mais desviar o olhar, sentia-se quase hipnotizado. Havia algo ali que começava a compreender. Deu dois passos para a frente... esticou os braços, agarrando o ar inutilmente. O homem estranho continuava a encará-lo, os olhos fixos nos seus. Ele sentiu-se desesperado, mais um pouco e o homem o tocaria... mataria-o talvez... meu Deus, quem era aquele homem?

Sentiu algo tocar-lhe a face; era frio... e sólido... era o espelho. O estômago revirou-se, uma ânsia de vômito atacou-lhe a garganta. O homem estranho... era ele.


Comentário: Este conto é baseado em um curta bem antigo que eu vi faz muito tempo. Eu não sei o título, nem o autor, mas quando vi o curta tive a idéia do conto.

5 Comentários:

Érica

Oi, Leonardo,
conto interessante e crítico, não? Ao ler seu conto, imaginei o homem deixando de ser ele mesmo para se tornar o reflexo; ele mesmo estaria dentro do espelho e não mais fora.
Você inscreve seus contos em concursos? Veja os que eu achei na rede: http://blog.oficioeditorial.com.br/concursos-eventos-e-oportunidades/

abraço

Anônimo

Gostei muito do seu conto,cara. Só ñão sei se a galera vai entender a metáfora. Mas quem se importa...

Camila Alves.

Isso retrata bastante a realidade. As vezes começamos a mudar para agradar as pessoas que estão ao nosso redor (não que isso seja ruim). Mudamos tanto que nem reconhecemos a nós próprios.

Gostei bastante desse conto.
Parabéns.

www.desentoa.tumblr.com

Bruno Ramalho

Muito inteligente, Leo. O conto me mostrou que as pessoas mudam de tal forma que não reconecem a si propria, e estranham a si mesma. Pelo menos, esse viu que não era ele e estranhou. Pior são os que veem e continuam a ser o que não são, em troca de alguma coisa, achando que isso e normal.

Parabéns!

Lídia Michelle

É interessante perceber o que as pessoas fazem e como as pessoas negam a si mesma em pró da aceitação geral, não é? O mais interessante é perceber que isso pode acontecer em grande escala, com uma mudança que chama muito a atenção, ou em pequena escala, mas acontece e é mais frequente do que imaginamos...

Quantas vezes não nos perguntamos "como pude fazer isso, não era eu?"

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