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1 Poemas de Cecília Meireles

Mulher ao Espelho

Hoje, que seja esta ou aquela,

pouco me importa.
Quero apenas parecer bela,
pois, seja qual for, estou morta.

Já fui loura, já fui morena,
já fui Margarida e Beatriz,
Já fui Maria e Madalena.
Só não pude ser como quis.

Que mal fez, essa cor fingida
do meu cabelo, e do meu rosto,
se é tudo tinta: o mundo, a vida,
o contentamento, o desgosto?

Por fora, serei como queira,
a moda, que vai me matando.
Que me levem pele e caveira
ao nada, não me importa quando.

Mas quem viu, tão dilacerados,
olhos, braços e sonhos seus,
e morreu pelos seus pecados,
falará com Deus.

Falará, coberta de luzes,
do alto penteado ao rubro artelho.
Porque uns expiram sobre cruzes,
outros, buscando-se no espelho.

Comentário: Na última postagem sobre Cecília Meireles, eu deveria ter postado este poema. Este sim deixa ainda mais evidente traços de uma literatura feminina - embora a temática também seja universal. Aqui fica ainda mais explícita a pressão social em relação à imagem colocada sobre os indivíduos, especialmente sobre as mulheres. Também fica evidente uma crítica à falsidade nas relações interpessoais, nas quais as pessoas precisam apenas parecer ser determinada coisa - cosmética e superficialmente - para encontrar o seu lugar na sociedade. É interessante observar como já naquela época Cecília sentia os efeitos de um fenômeno que continuaria a crescer assustadoramente até os dias atuais. Como resultado, produziu este poema, que, além de belo, é também atemporal e universal.

Rapidinha - Aconselho a quem gosta dos poemas da autora o livro "Os melhores poemas de Cecília Meireles".

Editado - Confira uma visão sobre a obra de Cecília Meireles aqui.

1 Comentários:

Anônimo disse...

nossa, adoro a cecília!!


 

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