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Dois Poemas de Fernando Pessoa

em 31 de ago de 2009.

Para embelezar um pouco a segunda-feira - convenhamos, é o pior dia da semana - coloco no blog dois poemas de Fernando Pessoa. Um deles do heterônimo Alberto Caeiro (o heterônimo anti-metafísico), no qual o poeta fala sobre Deus. É bem interessante. O outro faz parte das poesias inéditas de Fernando Pessoa (confira mais dois inéditos poemas de Fernando Pessoa) e traz toda a musicalidade e beleza únicas que admiro nas obras do poeta.



VI - Pensar em Deus


Pensar em Deus é desobedecer a Deus,
Porque Deus quis que o não conhecêssemos,
Por isso se nos não mostrou...

Sejamos simples e calmos,
Como os regatos e as árvores,
E Deus amar-nos-á fazendo de nós
Belos como as árvores e os regatos,
E dar-nos-á verdor na sua primavera,
E um rio aonde ir ter quando acabemos! ...


Relógio, morre
Quem vende a verdade, e a que esquina?
Quem dá a hortelã com que temperá-la?
Quem traz para casa a menina
E arruma as jarras da sala?

Quem interroga os baluartes
E conhece o nome dos navios?
Dividi o meu estudo inteiro em partes
E os títulos dos capítulos são vazios...

Meu pobre conhecimento ligeiro,
Andas buscando o estandarte eloqüente
Da filarmônica de um Barreiro
Para que não há barco nem gente.

Tapeçarias de parte nenhuma
Quadros virados contra a parede ...
Ninguém conhece, ninguém arruma
Ninguém dá nem pede.

Ó coração epitélico e macio,
Colcha de crochê do anseio morto,
Grande prolixidade do navio
Que existe só para nunca chegar ao porto.


Você também pode estar interessado em um breve comentário sobre as características da obra de Fernando Pessoa.

2 Comentários:

Marcela

Pessoa é o meu poeta favorito. Na minha opinião ninguém escreve tão bem como ele.

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