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Ficção e Propaganda: a produção de realidades

em 27 de ago de 2009.

Hoje farei algumas considerações a respeito da relação entre a ficção por mim proposta no livro "A nova posição da ficção na pós-modernidade e a mídia" e a propaganda. Esta é uma questão que pretendo trabalhar na tese de mestrado, mas já coloco algum esboço por aqui. Nos meus estudos, parto da premissa de que, em um mundo em que se percebe o próprio real como simulacro, a ficção ganha um status igual a este real, status de simulação, e por isso se torna extremamente influente, passa a ser capaz de modificar as relações de poder e verdade na sociedade. Afinal, aquilo que nos é mostrado pela ficção não mais precisa ser interpretado, aquilo que nos é mostrado pela ficção é.

Pode parecer uma afirmação confusa e talvez até mesmo estranha, mas é simples de confirmá-la no mundo real. Hoje, farei isso através da propaganda. A linha de raciocínio é bastante simples. Uma vez que aquilo que é apresentado pela ficção é visto com o mesmo peso - quando se trata da formação de uma consciência, de uma identidade e das noções de verdade - que o real, ele passa a ter o poder de transformar - por meio da produção de uma realidade - a própria realidade em que vivemos.

Simplificando: imagine que se faça uma propaganda de óculos escuros. A propaganda então irá contar uma história de, em geral, trinta segundos - ou seja, produzir uma ficção - em que um homem vestindo os óculos escuros saia pela cidade e faça um sucesso extraordinário com as mulheres, seja tudo aquilo que elas querem por causa dos óculos.

Um sujeito que assista a tal história irá decidir comprar o produto não porque ele é barato ou porque esteja realmente precisando, mas por acreditar que os óculos lhe darão realmente aquelas características. É como eu disse, se a ficção é de mesmo material que o real, "se aconteceu ali naquela história, poderá também acontecer comigo".

O que é ainda mais interessante, entretanto, é que alguns produtos (e é claro que isso não acontece sempre) ainda produzem algo mais. Se a propaganda e o posicionamento da marca foram realmente bem feitos, homens e mulheres que assistiram a propaganda, além do nosso já citado comprador, irão também agregar o valor dado por ela aos óculos. Eles irão olhar para o nosso comprador e pensar: "Olha lá, ele está usando aqueles óculos, deve ser alguém descolado, sedutor e etc..."

Enfim, em casos como este, há de fato, por intermédio da ficção, uma alteração da própria realidade. A ficção, por se confundir tanto com o real, por ter a mesma substância que ele, é capaz de influenciar a formação das noções daquilo que é certo ou errado, bom ou ruim, daquilo que deve ser valorizado, portanto. São inúmeros os casos em que situações como a descrita acima acontecem. E muitas vezes acontecem até mesmo na formação das identidades, posicionando produtos como formadores da personalidade de cada um. Piercings, roupas rosas, tênis all-star e vários outros produtos contam suas histórias e se posicionam, por meio dos mundos ficcionais, na própria realidade. E vemos quem usa estes produtos da maneira como nos é contada pelas ficções que assistimos na TV, escutamos no rádio, lemos nos jornais e etc...

Observação: Sei que é um assunto bem complicado. Espero que tenha sido claro ao expor minhas idéias. Como sempre, caso alguém tenha dúvidas ou críticas, é só comentar aqui que eu respondo. Além disso, enquanto pensava no que escreveria neste post, vi em um outro blog que, hoje, na propaganda o importante é o storytelling (justamente o "contar histórias" de que falei aqui). Achei interessante coincidir com a semana em que pretendia fazer este post. Portanto, se quiserem saber mais sobre o "contar histórias" na propaganda vocês pode conferir no blog "Palavras aos Píxels".

4 Comentários:

Bernardo

eu não sou pós-moderno, mas veja pelo lado bom, os pós-modernos defendem pelo menos algo ontológico, algum ser, mesmo que imaginário. Enfim, o pós-moderno é um idealista ontológico de uma realidade inexistente, ou só na sua criação. 'Ser é aparecer'. Mas sabe qual é o problema do pós-moderno? É a solidão. A solição causa a loucura, a amizade causa a sanidade. Estou pensando bem isso. Parece que é verdade. Abraço!

Eduardo Baldan

Deu mais vontade de comprar o livro, rapaz.

Quero ver a conclusão disso tudo, se é que tem uma.

Abraço!!

Leonardo Schabbach

Solidão tbm é bom, na medida certa, assim como os amigos são bons, mas há horas em que outras coisas devem vir antes deles.

Pois é. O problema do pós-moderno talvez seja um pouco de arrogância, no sentido de que, por negarem os fundamentos, não se abrem a discussão, se fecham em seus próprios mundos e deixam o real de fora. Esse é um problema sério. Se todos agíssemos assim, o que seria do mundo?

O livro no caso, apenas descreve esse ambiente pós-moderno e procura encontrar meios de agir, como bem o Marcio indicou no prefácio (excelente prefácio por sinal)!

Leo Meirelles

Assunto muito pertinente, bem abordado e explicado. Parabéns, Leo! Não vejo a hora de ler o seu livro.
E separa meu exemplar que pegarei em mãos (com autógrafo! :P).
Abraço!

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