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(In)Sensibilidade

em 20 de ago de 2009.

Estou curioso para saber como as pessoas reagirão a este poema. Não quero dizer exatamente as coisas que pensei conforme fui escrevendo, mas tem sim uma mensagem. Além disso tem outras coisas que adicionei também. Espero que ele se torne - como todo bom poema deve ser - como o conto "A volta do guerreiro" que colei aqui do Carlos Drummond de Andrade, uma obra que passe coisas diferentes a cada um a cada leitura. É um poema mais complexo, exige mais atenção na leitura, veremos o que vocês irão achar.


(In)Sensibilidade

Há poucas coisas mais sensíveis que uma pedra.
É impossível não sentir uma pedrada.
Mas pedra, que é pedra,
sente nada.
Provoca choro,
a pedra dura e pesada.

Pedra boa provoca os sentidos,
pedra polida e também pedra lascada.
A pedra que é pedra
lapidada,
já não é pedra
é pedra-coisa, fabricada.

Pedra sensível é pedra pura e cristalina.
Às vezes verde, às vezes avermelhada.
A pedra que de calor e cor se inunda
que só tem sentido à pessoa que é amada.

E quem olha para tal pedra logo pergunta:
de que serve pedra tão bela e abrilhantada,
se certa hora, lá no final das contas
pedra que é pedra vai terminar quebrada?

8 Comentários:

Lih

Bom, agora que não to na Lan tenho tempo de comentar!
Adorei o blog e já linkei! Vou virar frequentadora!

Quanto ao poema achei muito legal. Vc escreve bem! Me passou sentimentos diferentes conforme os versos iam mudando.
E achei o final brilhante:
Pedra que é pedra vai terminar quebrada...
Parabéns!

Marcela

Esse poema lembroiu um pouco de João Cabral e de Drummond também. Tvz seja pq sei que são seus autores favoritos.

oleparido

Pode parecer um comentário frívolo, mas achei um poema com a dureza de uma pedra, com um ar de descrença.

Foi o que me passou. De qualquer modo: Brilhante.

Grande abraço,

Adriano Vinagre

Erica

Bom dia! Li seu poema e gostei bastante. Não entendo muito da teoria do poema (devo confessar). O pouco que li de Antonio Candido e Haroldo me encheram de medo e apreensão. Vejo a poesia como algo sagrado-profano de intensa inteligência. Digo isso para te informar: o que coloco abaixo são somente minhas impressões, pois eu não sou capaz de analisar poemas.

Adorei os dois primeiros versos,
"Há poucas coisas mais sensíveis que uma pedra.
É impossível não sentir uma pedrada."
-- Gostei da inversão do "sensíveis". O primeiro sentido que me veio (ao ler o primeiro verso) foi o de que a pedra seria sensível. Mas daí percebi, com surpresa, que ela provocava o caráter sensível, pois ela ou machucava ou encantava etc. Gostei de ter minha interpretação rebatida pelo poema, logo no seu início.

Gostei também que a pedra lapidada já não era pedra, mas sim pedra-coisa, fabricada.
-- lembrei muito da crítica social à alienação, da perda da essência, da perda da humanidade.

O final -- de que não adianta a pedra ser brilhante e bonita se no final ela irá acabar como as outras pedras, quebrada -- lembrou-me muito da história de que todos têm o mesmo fim.

O final, em minha interpretação pessoal, traz uma lição de moral. Mas, acho, que o que importa é o meio, sinceramente. É como se vive, como se age, o que se faz. A moral -- para a pedra lapidada -- parece ser entendida somente pelas não-lapidadas. Cara. Eu mencionei que não analisava poemas, não?

Bem, essa foi minha interpretação.
abraço e parabéns!

Leonardo Schabbach

Primeiro, gostaria de dizer que fico muito feliz com os comentários, fico muito contente por terem gostado do poema, eu mesmo gostei muito. E a análise da Erica foi excelente, tem várias coisas dentro desta poesia mesmo. Os dois versos iniciais quase me fazem rir quando leio, é uma quebra de expectativa muito boa. E a idéia é justamente mostrar que sensível não é só quem sente, sensível (até por definição do dicionário) é aquilo que pode ser sentido e interpretado, e como diz o verso: "É impossível não sentir uma pedrada".

Gostei muito das outras observações também. Só na última é que eu não tinha tanto a intenção de falar de ricos e pobres. Quando escrevi, pensei mais de uma maneira geral mesmo, do ser humano, o que naturalmente também enquadra sua percepção.

Um obrigado a todos pelos comentários. E obrigado a Érica pela análise, como disse, ficou muito boa.

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