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A nova geração literária e as "massas"

em 19 de ago de 2009.

Dois dias atrás recebi e li o Jornal Rascunho, que tinha acabado de assinar. Trata-se de um jornal especificamente literário, com um grupo excelente de colunistas, entre eles o Raimundo Carrero, já tão falado neste blog. Você pode, inclusive, acompanhar o Jornal Rascunho pela internet acessando o site deles.

Enfim, retomando o curso deste artigo. Ao ler a matéria do Nelson de Oliveira (é, você pode conferir online), fiz algumas ponderações e decidi escrever por aqui. O artigo fala da nova geração literária que surge, a geração 00, como alguns apontam, e traz algumas idéias curiosas. É um texto longo, bem longo, mas que vale ser lido, pois traz um grande número de informações valiosas. No meu caso, entretanto, um ponto particular do artigo me chamou a atenção, algo inclusive levemente relacionado a todo o questionamento que fiz à crítica literária no meu texto "Como escrever bem?'.

Lá para o meio da matéria, Nelson de Oliveira começa a falar das possibilidades abertas pela diminuição do custo de produção de um livro - ou seja, a possibilidade de se publicar livros com menores tiragens e, como conseqüência, de se vender obras para "nichos de mercado" menores, sem a preocupação com o grande Mercado, digamos assim. Ele, então, fala de uma nova geração de escritores que se volta justamente para estes mercados menores, para o que chama de pequena elite intelectual, como fica claro neste trecho:

"A propensão para o nefasto, para o sinistro, para o agourento, afasta desses novos autores o dilema sofrido pela maioria dos artistas desde que a economia de mercado se estabeleceu: produzir para as massas ou para a elite? Vender trezentos mil exemplares ou só trezentos? Todos eles, consciente ou inconscientemente, escrevem para a pequena elite intelectual da qual eu e você, querido leitor, fazemos parte. Porque escrever para o leitor médio, ingênuo e de gosto pouco apurado, está fora de cogitação".

Naturalmente, não posso discordar; ele está certo. Existe sim um grupo de escritores como este surgindo e se firmando no cenário da literatura nacional, pelo menos assim vejo. O grande problema, para mim, é colocar o "Mercado" e a "pequena elite intelectual" como dois públicos obrigatoriamente diferentes. Tal percepção, inclusive, faz com que Nelson de Oliveira acredite ser quase impossível imaginar o surgimento de autores como Drummond, Clarice, Manuel Bandeira e etc... autores que possuíam grande aceitação dentro do mercado e que também influenciavam toda uma geração literária.

Realmente, é muito difícil que nomes como esses apareçam, mas não necessariamente por uma questão conjuntural: gênios não aparecem a toda hora. Tivemos no passado recente grandes autores convivendo em uma mesma época; talvez tenhamos ficado mal acostumados.

A questão que quero colocar é que, ao contrário do que muitos pensam, há ainda espaço para o surgimento de grandes escritores, escritores capazes de conquistar a "pequena elite intelectual" e também o "deus Mercado", por mais fragmentado que o universo literário esteja - acho que o Saramago, inclusive, é um bom exemplo disso. Porém, muito de minha visão otimista em relação a este tema parte também de uma premissa otimista em relação às "massas". Normalmente, pensa-se que a massa é burra, que não lê aquilo que é de real qualidade, que prefere o que é de fácil absorção, coisas como os famosos livros best-sellers, novelas e etc...

Bem, estas afirmações estão, em grande parte, corretas. Mas devemos admitir que a "massa" tem razão para ter tal tipo de comportamento. Primeiro por ser difícil de chegar em casa depois de oito, nove, dez, onze, doze ou mais horas de trabalho e ainda ler um livro de alta complexidade filosófica. Segundo pelo fato de que os programas e livros considerados ruins são justamente os que são apresentados às "massas" constantemente, seja na televisão ou por meio da propaganda (no caso dos best-sellers).

A minha opinião é de que a "massa" não é tão burra assim: é na verdade inteligente. Ou melhor, burra e inteligente, tudo ao mesmo tempo. Às vezes se contentam com programas e livros de "baixa qualidade", às vezes não. Alguns se contentam com programas e livros de "baixa qualidade", outros não. O que quero dizer é que é possível que um livro tenha alta qualidade intelectual e ainda assim seja bem recebido pelas massas. Entre um programa de baixa qualidade e outro, pode ser que leiam uma obra de qualidade maior, pode ser que queiram uma obra de qualidade maior, que queiram ser desafiados, instigados a pensar. Esta é a minha visão. É por isso que acredito na possibilidade de surgimento de grandes gênios literários. É claro que a tarefa hoje é mais difícil, pois requer uma série de fatores favoráveis, como uma boa publicidade e uma produção tão espetacular que seja inegavelmente boa, por mais sucesso que faça.

Como disse uma certa campanha política de um certo candidato em um certo país quase desconhecido: "sim, nós podemos". E parafraseando o último filme do Peter Pan: eu acredito em um melhor cenário para literatura nacional, acredito... acredito... acredito!

4 Comentários:

Manoel Rodrigues

Raimundo Carrero: autor de um puta livro, Somos pedras que se consomem.

gd abraço, Leo.

Manoel Rodrigues.

oleparido

Leonardo, isso é assunto que dá muito "pano para manga".

Podemos debater que a "massa" da geração anterior, que tinha Clarice, Drummond e tantos outros, tinha um ensino público com qualidade, gerando interesse, realmente, popular nos grandes autores e que, hoje, tal público é reduzido a uma educação particular com qualidade (e nem é tanta qualidade assim).

Podemos também debater que o que disse acima é uma grande bobagem. Sérgio Vaz e sua Cooperifa estão aí para provar que sim, a "massa" tem algo a dizer e a "massa" gosta e faz poesia, e poesia boa.

Mas a "massa" é o "mercado"? Quem lê poesia no Brasil? Quem lê no Brasil? Infelizmente tenho que concordar com Nelson de Oliveira: O "mercado" é a "pequena elite intelectual" que vem se formando. O problema não é falta de quantidade (Internet está aí para provar) nem de qualidade (Internet de novo), o problema mesmo é o interesse mercadológico editorial. Livro não vende, poesia menos ainda. Então o trabalho de pinçar um autor novo "Drummond", por incrível que pareça, fica mais difícil, pois não se debate literatura, não se tem saraus e os editores não vão mais aos poucos que existem. E isso passando, também, pelo comentário do Gullar na entrevista, quando critica o hermitismo poético contemporâneo.

Tô quase fazendo um post aqui e não sei se consegui expressar o que penso sobre o assunto, mas o debate é longo.

Abraço,

Adriano Vinagre

Leonardo Schabbach

A idéia é essa mesmo, discutir. Sem problemas com comentários mais longos. Mas ai que está. A poesia em si não é voltada para o mercado, embora eu acredite que possa ser sim, pelo menos mais voltada do que é hoje.

Quando o Nelson fala de pequena elite intelectual x mercado acho que se refere mais à prosa, a poesia é um caso especial, vamos dizer assim. Ele fala dos livros mais experimentais, de maior qualidade, maior reflexão, contra os livros chamados de best-sellers, que cada vez tem aparecido mais por ai.

A poesia, realmente, é uma questão muito complicada. Só consigo ver alguém fazer um sucesso como Drummond fez na poesia se primeiro tiver grande sucesso com um romance. Assim as pessoas iriam comprar seu livro de poemas mais por causa do nome do autor do que pela poesia em si, infelizmente.

oleparido

Sim, eu sei. Acho que falei da poesia porque é mais o meu 'meio' nessa história rs.

Mas o que eu acho se encaixa no mercado de prosa também, de forma mais branda, claro. Mas tá tarde e estou caindo de sono.

Vou refletir mais a respeito.

Abraço.

Adriano

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