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A volta do guerreiro - Carlos Drummond de Andrade

em 18 de ago de 2009.

Os homens que voltaram da guerra traziam feridas e pesadelos. Encontraram suas amadas indiferentes. Passara tanto tempo que algumas nem se lembravam deles, e muitas tinham estabelecido novos amores.

Uma, entretanto, permaneceu lembrada e fiel, e atirou-se com fúria passional aos braços do ex-guerreiro. Ele a repeliu, dizendo:
― Não quero mais ver a guerra diante de mim.
― Eu não sou a guerra, sou o amor, querido ― respondeu-lhe a mulher, assustada.
― Você é a imagem da guerra, você me agarrou como o inimigo na luta corpo a corpo, eu não quero saber de você.
― Então farei carícias lentas e suaves.
― O inimigo também passa a mão de leve pelo corpo do soldado caído, para tirar o que houver no uniforme.
― Ficarei quieta, não farei nada.
― Não fazer nada é a atitude mais suspeita e mais perigosa do inimigo, que nos observa para nos atacar à traição.

Separaram-se para sempre.


Comentário: Este é mais um texto do livro "Contos Plausíveis" de Carlos Drummond de Andrade - você pode checar, se quiser, o conto "A Opinião em Palácio", postado no blog anteriormente. Sei que numa leitura rápida muitos podem achar o texto sem sentido e até mesmo bobo. Mas é por isso que eu o escolhi. Numa primeira leitura, superficial e desinteressada, a única coisa que sobressai, além da linguagem do autor, é o tom bem-humorado do texto. Entretanto, há mais coisas a serem lidas, coisas que requerem uma segunda, terceira ou até mesmo quarta leitura. Acho que a importância desse conto - foi por isso que postei - é esta. Cada vez mais, os leitores se acostumam a textos em que o sentido já vem inteiramente mastigado, às vezes até como uma grande lição de moral. Talvez, inclusive, seja por isso que muitas produções que recorrem a lugares comuns - ao Kitsch, como alguns diriam - têm alcançado grande sucesso.

Na minha opinião, este pequeno conto de Drummond nos mostra o exato oposto. Ele é curto, mas você pode retirar dele inúmeras lições, pode perceber diversas situações e conflitos diferentes em tão poucas linhas - talvez seja o lado poético do autor tomando conta de sua prosa.

2 Comentários:

agarota

Pois é, achei bem legal essa coisa do conto trazer significados tão diferentes depois de cada releitura. Ainda estou relendo mais algumas vezes, vamos ver quantas acontecerão :)
E, sim, aquele trecho no blog é uma estrofe da Cecília Meireles, do "A última cantiga". Eu sou meio viciada em Cecília...

E que bom que vc achou o blog legal :D

Beijos!

Leonardo Schabbach

Cecília Meireles é fantástica. Gosto muito. Tem várias postagens sobre ela por aqui. Inclusive estou devendo fazer um post maior sobre ela, havia prometido que faria isso, e farei, ainda não sei quando.

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