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O caso da sociedade secreta (Parte 1)

em 11 de set de 2009.

Observação: Este conto policial faz parte da série "O senhor das pistas" que comecei aqui no blog. É o segundo. Aconselho a quem não leu, ler o primeiro conto policial da série: O caso Robert Pratt. Além disso, quero avisar que esta segunda história será dividida em duas ou três partes, assim evito que o volume de leitura seja muito grande na postagem. Na segunda ou terça-feira coloco a parte dois deste caso. Leiam e, por favor, dêem suas opiniões!

Ela foi golpeada por uma chuva de flashes e perguntas tão logo deu sua última palavra na coletiva de imprensa. Tornara-se uma investigadora popular. Acabara de anunciar o fechamento de um caso que se desenrolava por meses; assassinatos que inicialmente pareciam não ter qualquer relação um com o outro, mas que tinham sido praticados por um assassino serial.

Também era muito bonita, o que agradava os olhos da mídia. Ela, é claro, não ligava para isso. Muito pelo contrário, estava irritada. Não pelo assédio, mas por levar crédito por algo que de fato não realizara. Entrou no gabinete de seu chefe a passos pesados, precisava tirar aquilo a limpo.

- Eu não posso assumir esse caso como meu, não fui eu que o resolvi. Eu não fiz nada, você sabe. Foi ele.

- Eu sei, eu sei, Mary Ann. Mas também sei que, embora você não tenha resolvido esse caso, você é uma excelente detetive. A mídia a adora, as pessoas também, isso é muito bom para nós. E qual é o problema, não custa nada levar o crédito. Foi você quem fez a prisão, não foi?

Ela se calou, teve algum trabalho em conter a raiva que sentia. Não adiantava discutir. Era assim que as coisas funcionavam. Teria de aceitar aquilo que seu chefe determinara.

- Mas não pense que irei fazer um relatório. Tome aqui. Fique com a carta dele e leia, os detalhes do caso estão ai. – disse enquanto jogava algumas folhas de papel sobre a mesa.

Seu chefe apenas riu, parecia se divertir com sua revolta. Depois, pegou lentamente as folhas com as mãos e começou a ler.


Cara inspetora Mary Ann Becket,
Venho, por meio desta carta, falar do caso mais difícil em que me envolvi até hoje. Me perdoe por não ter me correspondido com você nesses últimos meses, mas tenho trabalhado diariamente neste último caso.

Também não tive a oportunidade de dizer o quanto me sinto triste pelo que aconteceu ao seu mentor. Sei que deve ter sido muito difícil para você, mas a lei deve ser cumprida por todos. Espero que já se sinta um pouco melhor.

Agora vou falar sobre o nosso último caso, surpreendentemente cansativo, eu diria. Você deve saber do que falo. Os últimos homicídios que investigou começaram a apresentar características semelhantes, não é mesmo? As marcas de queimado nos pulsos das vítimas logicamente indicam alguma coisa, certo?

É claro que sim, como não indicariam? Acontece que você nunca soube de algo que eu sei. Não sabe sobre sociedades secretas. Sim, elas existem, estão por toda parte. Algumas formadas por loucos, outras nem tanto. Algumas são muito poderosas, inclusive.

O símbolo feito com uma ponta de cigarro acesa no pulso das vítimas é marca de uma dessas sociedades. Como eu sei disso? Talvez faça parte dela, talvez você deva investigar isso melhor: pode ser uma pista sobre minha identidade. Quem sabe não cometi um erro ao colocar esta informação aqui?

Enquanto isso, prossigo com a minha história. Tenho aparência jovem, por isso resolvi me infiltrar. É mais fácil quando somos escolhidos ainda quando universitários, as suspeitas sobre nosso passado são quase nulas. Preparei meus disfarces, criei uma história familiar, consegui alguns documentos, nada que me custasse muito tempo ou dinheiro.

Três meses atrás, mais ou menos quando o caso do primeiro corpo encontrado com a marca foi arquivado, fui aceito dentro da sociedade. As notas que apareciam nos meus históricos, o dinheiro de minha suposta família e minhas habilidades atléticas me tornaram uma escolha certa para eles.

Já no primeiro dia de iniciado, fiz amizade com um jovem chamado Natanael. Era também de família rica, de bom porte atlético, mas era tímido, andava um pouco curvado, gaguejava diante de mulheres bonitas. Achei este comportamento estranho para um rapaz atraente como ele, ainda mais para um atleta, um nadador, como me disse. Ele fazia direito, estudava em minha sala. Era o único da sociedade que eu conhecia. Afinal, uma sociedade secreta não é uma fraternidade, quase ninguém sabe quem são os membros. Eu precisava encontrar alguma lista
ou alguém – que pudesse me levar a identificar alguns suspeitos. Um membro tinha cometido o crime, isso era fato. Eu só precisava descobrir quem era.

Recebi uma mensagem no terceiro dia como iniciado, dizia que eu devia ir a um bordel de luxo não muito longe de minha casa. Quando cheguei, Natanael já estava lá, a sociedade tinha contratado algumas mulheres para nos entreter. Era um presente de boas-vindas.

Antes de ter com elas, sentei com Natanael para beber e conversar. Ele parecia precisar da bebida para tomar coragem, mesmo se tratando de mulheres pagas para tratá-lo bem.

- E então? Gostando de ter sido iniciado? – perguntei.

- Ah, eu não sei. Espero não fazer nada de errado, sabe. Meu pai ficaria muito decepcionado.

- Sim, entendo. Você é muito apegado aos seus pais, não é? Eles devem ser pessoas muito boas, cuidadosas.

Esta pergunta era crucial. Natanael vinha de família rica, tinha um bom porte físico. A única coisa que poderia explicar seu excesso de timidez era a sua criação. Uma família exageradamente protetora certamente prejudicaria suas habilidades sociais, sua capacidade de enfrentar o mundo de frente, com naturalidade.

- É, eles são. Mas meu pai agora quer que eu seja como ele. – Natanael tomou um longo gole de cerveja – Disse que preciso seguir o caminho dele, o caminho de meu vô também, começar a me tornar independente.

- Uhm... e seu pai também faz parte da sociedade?

- Faz sim, mas é melhor fingir que eu não te falei isso. Não sei se eu já podia ter comentado.

- Não, tudo bem. Pode confiar em mim – arrisquei um sorriso enquanto levantava meu copo. – Vamos brindar e nos divertir! É hora de conhecermos melhor as mulheres.

Natanael pareceu engolir em seco, ainda um pouco amedrontado. A bebida, porém, já tinha o deixado um pouco mais relaxado, ele se levantou. As mulheres logo nos cercaram, começaram a dançar a nossa volta, eram boas, mas prefiro não entrar em muitos detalhes, imagino que você, cara Mary Ann, não vá se interessar muito por isso. O importante mesmo é que uma delas possuía uma marca no pulso, a marca da sociedade. Achei um pouco estranho, era definitivamente algo incomum: resolvi me aproximar. No final da noite, paguei uma quantia extra e a convenci a ir até a minha casa. Nós nos deitamos e você pode imaginar o que fizemos por algum tempo. Na manhã seguinte, tentei colher algumas informações.

- Você foi incrível. – sussurrei em seu ouvido.

Ela apenas sorriu.

- Queria saber se a gente pode fazer isso mais vezes, digo, outras noites.

- Eu não posso. Ontem foi minha última noite naquele lugar. De hoje em diante, vou trabalhar num lugar diferente.

- Lugar diferente?

- É. Mas não posso contar onde. Eles pedem exclusividade, não vou poder fazer trabalhos por fora.

- Ahm, entendo. E isso tem a ver com essa marca? – perguntei enquanto tocava carinhosamente o seu pulso com o dedo indicador, não queria assustá-la. – É da nossa sociedade, não?

Ela se encolheu um pouco.

- Eu não posso falar, me desculpe. É a minha chance de mudar de vida.

- Não, não, tudo bem. Eu entendo. Só quero poder continuar te vendo. Eu prometo que pago bem, ninguém precisa ficar sabendo.

Ela sorriu novamente e me olhou nos olhos, era uma mulher doce, gentil.

- Tudo bem, mas vamos ter que ser cuidadosos.

- Não se preocupe, ninguém é mais cuidadoso do que eu. – disse enquanto a abraçava e lhe dava um beijo na testa.


-- Continua --


Pequeno trecho da parte seguinte: Quase dois meses depois, apareceu o segundo corpo. Talvez vocês da polícia ainda não tenham o conectado ao anterior, não há a presença de qualquer marca no pulso. Eu mesmo não tinha percebido qualquer ligação entre os dois homicídios até que ela me fez uma visita, a mulher com quem dormia desde a minha noite de iniciação.

5 Comentários:

Márcia

Muito interessante.. fiquei bem curiosa... aguardo o próximo capítulo.. (risos)

PH Pereira

Legal esse blog hein. AChei os contos muito maneiros! VÊ se poae o resto segunda ou terça msm.

Marcos Paulo

Nossa Leo, muito legal este projeto de contos. Como a Mariana afirmou em um comentário no primeiro conto...a dinâmica deste seu projeto é muito cinematográfica, inclusive me fez lembrar os contos do Stephen King, pois eles também são ótimos argumentos para curta-metragem, mas confesso que prefiro a sua escrita à de Stephen King, porque ela é menos terror/trash. Tô esperando a próxima parte ancioso. Ah, você já pensou em escrever roteiros audiovisuais? Deveria.

Leonardo Schabbach

Já tive vontade de fazer um roteiro audiovisual sim. Tenho alguns amigos que mexem com isso, mas não sei. Veremos =D

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