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O caso da sociedade secreta (Parte 2)

em 14 de set de 2009.

Observação: Decidi dividir este segundo caso em mais do que duas partes. Provavelmente colocarei aqui no blog a parte três na quinta ou sexta-feira. Enfim, espero que gostem e fiquem curiosos para ler o restante. Quem não leu o primeiro caso, sugiro que leia "O caso Robert Pratt", pois esses contos fazem parte da série de contos policiais "O senhor das pistas".

Leia a Parte I do "Caso da sociedade secreta".

Quase dois meses depois, apareceu o segundo corpo. Talvez vocês da polícia ainda não tenham o conectado ao anterior, não há a presença de qualquer marca no pulso. Eu mesmo não tinha percebido qualquer ligação entre os dois homicídios até que ela me fez uma visita, a mulher com quem dormia desde a minha noite de iniciação.

- O que houve, Milla?

Ela chorava.

- A mulher que morreu, ela trabalhava comigo, trabalhava comigo. É a segunda que foi assassinada onde eu trabalho.

- Calma, calma. Fique tranqüila, eu posso te ajudar. – disse enquanto a abraçava. – Entre, pode sentar no sofá, vou pegar alguma coisa para bebermos.

Ela aceitou o convite e andou vagarosamente até a sala, soluçando. Parecia muito abalada. Pelo que me dizia, era o segundo assassinato, o segundo em um mesmo lugar. Quando falamos de crime, você bem sabe, Mary Ann, não há coincidências, era óbvio que havia algo importante por trás desta segunda morte. Eu preparei um drink e levei para ela.

- A primeira mulher que foi assassinada possuía uma marca como a sua, não é?

- Sim, tinha sim. Como você sabe?

- Bem, eu li sobre o caso nos jornais. Como você também tem uma, achei que podia ter alguma coisa a ver.

Ela pegou o drink com as mãos e se sentou no sofá. Eu me coloquei ao seu lado.

- É... tinha... quer dizer... tem. Todas nós temos a marca, lá, onde trabalho.

- Uhm... e essa garota... o que aconteceu com ela?

Milla baixou os olhos por algum tempo, fitava o copo já vazio. Pude perceber que tinha certo receio em falar sobre o assunto. Não era de se estranhar também. O tipo de sociedade em que ela tinha se envolvido exigia completo sigilo, ameaçava quem sequer cogitasse revelar qualquer segredo.

- Fique calma. – peguei em sua mão enquanto fitava seus olhos. – Pode ficar tranqüila. Prometo que pode confiar em mim, ninguém vai lhe fazer mal. Eu sou da sociedade também.

Ela olhou para baixo novamente, ponderava, as mãos tremiam.

- É... essa mulher... a que morreu... era nova, mal tinha sido escolhida.

- Uhm... nova? Então ainda não tinha a marca? Se tivesse creio que a polícia já teria ligado o primeiro ao segundo caso.

Ela apenas concordou com a cabeça.

- Estranho. E você tem medo de quê?

- Eu não sei... e se acontecer a mesma coisa comigo?

- Você sabe de algum motivo que possa ter levado alguém a matar essas suas colegas?

- Ah, não sei... é melhor não falar mais sobre isso, melhor não... melhor não, é muito arriscado...

Eu respondi com um sorriso. Ela tinha passado por uma situação de grande estresse, era compreensível que preferisse evitar o assunto, ainda mais se houvesse detalhes que não devessem ser revelados, detalhes perigosos.

- Tudo bem, vamos descansar. Mas eu quero te ajudar, se puder me dizer o lugar onde você trabalha talvez eu possa investigar isso melhor. Fique tranqüila, não vou revelar como descobri o endereço. Só preciso que você entenda que é importante pra mim e pra você que eu possa saber mais sobre esses assassinatos. Só assim vou poder te proteger.

Ela relutou um pouco, mas acabou escrevendo o endereço em um pedaço de papel. Depois, levei-a para minha cama. Ela estava muito nervosa, assustada, precisava descansar. Esperei até que ela adormecesse e segui para o endereço indicado. Tratava-se de uma casa, grande e luxuosa, as luzes estavam acesas e uma música suave emanava das janelas. Aproximei-me confiante, passos firmes, coluna reta; precisava convencer quem quer que encontrasse de que tinha sido convidado a estar ali.

Logo, atravessei os jardins da casa e me encaminhei à entrada. Um homem mais velho, de cabelos brancos, vestido como mordomo, abriu a porta da frente.

- Senhor, será que pode se apresentar?

- Sim, claro. – falei com falsa timidez. – Sou Michael Moulen, a sociedade me mandou vir até aqui, não sei muito bem o porquê, falaram que era uma surpresa.

O homem riu discretamente.

- Sim, claro, meu senhor. Garanto que ficará positivamente surpreendido. Acompanhe-me, por favor, e irei lhe mostrar as instalações.

Apenas concordei com a cabeça e entrei. Não esperava por uma recepção daquele tipo, ainda mais sabendo se tratar de um bordel, mas continuei a andar confiante, deixando transparecer apenas um leve ar de curiosidade.

- Como pode ver, a casa está cheia de mulheres. Elas são belas, tem uma boa formação cultural, creio que não irá ficar desapontado. Pode escolher qualquer uma, quantas quiser, espero que, em breve, possa selecionar sua futura esposa, mesmo ainda sendo tão jovem.

Eu me virei para o mordomo um pouco surpreendido. Esposa? Depois sorri.

- Ah... claro, claro. Obrigado por sua recepção. Agora vou, ah, conhecer melhor as mulheres.

O homem assentiu com a cabeça e retornou vagarosamente até a porta de entrada. Eu parei por alguns instantes para olhar melhor o lugar. Estava surpreso. Esposas... era estranho. Já tinha ouvido falar de sociedades que faziam algo parecido, mas confesso que não esperava por isso. Pela casa, mulheres andavam semi-nuas, sempre sorrindo, havia alguns homens também, eram tratados como reis. Para aquelas moças, representavam o futuro, um futuro mais seguro, quem sabe mais feliz. Era uma cena triste, poderia ficar horas descrevendo o que passou por minha cabeça, mas não acho que isso seja de alguma relevância para o caso. Em determinado momento, senti um leve tapa em meu ombro e me virei.

- Michel?!

Era o pai de Natanael, o único amigo dentro da sociedade que eu tinha até então.

- Ah, senhor?

- O que você faz aqui? Como chegou até aqui?

Ele parecia irritado.

- Ahm... segui o senhor!

- Me seguiu? – retrucou ele um pouco desconsertado.

- Sim... queria saber mais sobre sociedade, então o segui.

Ela não respondeu, apenas me encarou por um longo tempo. Continuei.

- Quer dizer que nós temos que escolher nossas esposas aqui?

- O que você acha?

- Foi o que o mordomo me disse.

Andei vagarosamente para o lado, deslizando a mão por uma das mesas da casa.

- Você não é um garoto qualquer, é?

- Claro que não. Se fosse um garoto qualquer, vocês não tinham me escolhido para entrar na sociedade, não é mesmo?

- Isso não foi o que eu quis dizer. Por favor, me siga até o meu escritório.

- Você trabalha aqui?!

Ele riu discretamente.

- O que você acha?

Não respondi, senti que não devia. Nós caminhamos até um quarto no terceiro e último andar da casa. Ele se sentou em uma poltrona confortável, atrás de uma luxuosa mesa de madeira. Eu fiquei de pé. Era melhor escolher uma posição em que pudesse me movimentar rápido caso fosse necessário.

- Quem é você? Sei que não é uma pessoa comum, não pode ser. Não estava mesmo interessado em entrar para a sociedade, não é?

Eu o fitei por um longo tempo. Tomei uma decisão muito arriscada. Disse-lhe a verdade. Contei que era o famoso homem que ajudava os investigadores de polícia de que tanto falavam no jornal, revelei alguns detalhes do que sabia sobre o caso e da ligação entre os dois assassinatos. Achei que dar tais informações me ajudaria a saber qual era a posição do pai de Natanael diante do que havia acontecido. Naturalmente, eu estava armado; seria loucura revelar tudo que revelei se não estivesse, afinal, poderia muito bem estar falando com o assassino.

Ao contrário do que pode ter imaginado, ele não reagiu com rispidez, pareceu até mesmo aliviado. Disse que era importante para ele poder contar com alguém como eu, que podia o ajudar a resolver os crimes sem envolver a polícia de fato. A conversa então se prolongou por um bom tempo, entramos em detalhes que não posso revelar aqui, ele me pediu, imagino que compreenda, mas saí da casa mais confiante, sabia que agora tinha um aliado. Fiquei algumas horas andando pelas ruas, estava frio, um clima agradável para se pensar. Os crimes se complicavam, mas pelo menos agora eu tinha alguns possíveis suspeitos. Os arquivos da polícia indicavam que as duas mulheres tinham sido envenenadas: em ambos os casos o veneno utilizado fora o cianureto, a morte era rápida e inevitável. Como fazer as vítimas digerirem o veneno não era tarefa para qualquer estranho, os suspeitos se reduziam ao mordomo – e como poderíamos descartá-lo, não é mesmo? -, às outras mulheres que trabalhavam no lugar e, claro, aos membros da sociedade. A lista ainda era grande, mas reduzí-la seria uma tarefa razoavelmente fácil.

1 Comentários:

Márcia

Ta muito bom Leo, pena q pára no bom da história qdo a gente fica super curioso.. hehehe aguardo a parte III. Bjs

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