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O caso da sociedade secreta (Final)

em 19 de set de 2009.

Observação: Esta é a parte final do segundo caso da minha série de contos policiais - lembrando que ela foi iniciada pelo conto policial "O caso Robert Pratt" e faz parte do projeto "O senhor das pistas". Para compreender a parte final do caso sugiro que leiam também a Parte I e a Parte II.

Na manhã seguinte me encontrei novamente com o senhor Fawcets, pai de Natanael. Seguimos para o mesmo escritório da noite anterior, onde poderíamos conversar com mais calma. Ele parecia nervoso, suas mãos tremiam: algo de ruim tinha definitivamente acontecido.

- Mais uma vítima? – perguntei, assim que entramos na sala.

- Sim... mais uma, o mesmo veneno, já entregamos o corpo para a polícia. Você deve imaginar que não trazemos eles aqui, não é? Criamos uma outra cena de crime e levamos a mulher para lá.

Fawcets caminhou até a cadeira que ficava atrás de sua mesa e se sentou.

- Uhm... isso com certeza vai atrapalhar o trabalho deles – comecei. –, mas não se preocupe, enviarei uma carta. É muito provável que eles percebam a marca novamente, desta vez chegarão mais perto da sociedade nas investigações.

Ele se debruçou sobre a mesa.

- Não se preocupe com isso. Não temos o que esconder, o importante é saber quem está cometendo os assassinatos, okay?

Concordei com a cabeça e prossegui.

- Então vou precisar perguntar algumas coisas para você, imagino que não vá se incomodar.

- De maneira alguma. – ele riu. – Já me adiantei, fui atrás de umas informações que achei que você ia precisar.

Apenas sorri. Era interessante ver como um homem sério como era o senhor Fawcets podia ficar tão excitado com uma investigação. Creio que a curiosidade e a vontade de viver aventuras seja algo que esteja dentro de todos nós. Imagino que você, minha cara Mary Ann, há de concordar, afinal, foi provavelmente por isso que escolheu a profissão de investigadora. Eu sou apenas um amador.

- Bem, as garotas vivem aqui com a esperança de se casar com algum dos clientes, essa é a idéia, não é? Corrija-me se eu estiver errado.

Fawcets permanceu quieto.

- Então. Essas que foram assassinadas, tinham algum pretendente em especial, talvez um pretendente em comum?

Ele riu.

- Tinham sim. Já me adiantei a você, meu amigo, já me adiantei! O conde Barnes costumava sair com todas elas.

- Interessante... e ele possui algum membro da família, amigo, amiga, enfim, que possa ter algum motivo para matar suas preferidas?

- Não... sua esposa morreu faz alguns anos, ele não tem filhos, os pais também já faleceram.

- Uhm... – me levantei e comecei a andar pela sala, faço isso quando preciso pensar. – Nos restam apenas as meninas daqui, então. Creio que nenhum de seus criados teria motivos para assassinar as mulheres com quem Barnes poderia se casar, logo, só sobram as garotas.

Ele riu ainda mais alto.

- É, amigo detetive, parece que já fiz o seu trabalho.

Eu parei.

- Como assim?

- Barnes tinha uma outra pretendente, uma que ainda não foi assassinada, a única que se beneficiaria com a morte das outras três.

- E quem seria esta?

- Ludmilla, caro Michel, ela foi selecionada para cá poucos dias antes da primeira morte, veio a pedido de Barnes. Só começou a trabalhar aqui de fato alguns dias depois, depois da festa de iniciação de meu filho, você estava lá, ela ficou com você, não foi?

- Ahm... Ludmilla? – cheguei a vacilar. – Não, creio que não foi ela, você deve estar errado, ou melhor, está errado.

- Mas só pode ser! Os fatos se encaixam perfeitamente!

- Uhm... não. Já investigo essas mortes faz um tempo, foi ela quem me avisou da segunda, não faria sentido que ela contasse isso a um estranho, alguém que nem conhecia o bordel. Não foi ela, tenho certeza. Mas preciso investigar melhor isso. Me espere aqui, logo estarei de volta.

Fui até a minha casa o mais rápido que pude. Não estava tão certo assim de que Milla era inocente, eu gostava dela, tinha medo de que meus sentimentos atrapalhassem minha capacidade de julgar. Agora que escrevo a carta, percebo o quão tolo fui; era lógico que não podia ser ela, realmente não fazia sentido. Mas na hora não consegui pensar assim tão friamente, um erro que não pretendo voltar a cometer. Quando cheguei em casa, ela me esperava, tomava ainda o café da manhã. Eu não perdi tempo, logo parti para o interrogatório:

- Você era uma das pretendes do conde Barnes, não era?

- Sim. – ela me fitou com um olhar surpreso, porém sincero, profundamente sincero. – Ele me pediu em casamento uns dias atrás.

Eu fiquei atônito, a resposta tinha me desarmado, apenas ela tinha essa capacidade.

- Como assim?

- Ele me pediu em casamento, eu recusei, temos o direito de recusar.

- Mas por quê?

Ela desviou o olhar, nunca o fazia, sempre me olhava nos olhos; aquilo me deixou feliz, mas feliz do que eu esperava.

- Preciso lhe contar algo sério. – disse enquanto me sentei ao seu lado.

- O que aconteceu?

- Mais uma mulher foi assassinada.

Ela baixou a cabeça.

- Todas elas mantinham relações com Barnes. Fawcets acha que foi você quem as matou, para eliminar a competição.

Ela se levantou assustada, apertou os braços contra o peito.

- Não! Mas não fui eu, você sabe, eu estava aqui. Barnes pode confirmar que me pediu em casamento. Eu não tinha motivo para matar ninguém.

Eu sorri.

- Calma... calma... eu sei. Isso que você acaba de me dizer é muito importante, já sei como podemos resolver o caso, é muito simples. Venha comigo, preciso te levar até o senhor Fawcets.

Não demorou muito e chegamos ao bordel. Eu segui até o escritório e pedi para que o pai de Natanael chamasse o mordomo e o restante dos criados da casa. Só tomei a palavra quando todos estavam presentes.

- O assassino está aqui, dentro desta sala. – fiz uma longa pausa e encarei todos a minha volta, pareciam assustados, e deveriam estar, pelo menos eu ficaria.

- Como assim?! – retrucou Fawcets.

Eu sorri.

- Me desculpem, me desculpem... foi só uma brincadeira; sempre quis fazer isso.

Alguns riram comigo, a maioria ficou irritada.

- Por favor, senhor Moulen, ou seja lá qual for seu verdadeiro nome, diga logo o que você quer. – falou Fawcets.

- O crime se resolve facilmente. Ninguém nesta sala matou aquelas mulheres, isso posso garantir. Basta que olhemos quarto por quarto, pertence por pertence, de cada uma das mulheres que trabalham aqui e certamente acharemos o veneno. Mas podemos fazer isso de uma maneira mais rápida!

- E como? – perguntou Fawcets, voltando a mostrar um tom de entusiasmo em sua voz.

- Ludmilla. No dia em que você foi escolhida para trabalhar neste lugar, talvez alguns dias depois disso, alguma das mulheres que trabalham aqui pareceu irritada com a sua escolha? Quem sabe inconformada?

Ela respondeu quase de imediato.

- Sim! Teresa! Quase brigamos no meu primeiro dia. Ela dizia que todas tinham trabalhado muito para chegar onde chegaram e que era ridículo eu ser escolhida por ser a preferida de um conde.

Eu sorri. Estava satisfeito, confesso, sou orgulhoso, muito orgulhoso, foi um prazer notar que minha teoria estava correta.

- Ah, caros amigos, está ai nossa resposta! Os crimes não foram cometidos por alguém que queria casar com Barnes, não, de maneira alguma. Foram cometidos para ferir Ludmilla. A criminosa sabia que matar as mulheres vinculadas ao conde deixaria nossa querida Milla assustada. Sabia também que o senhor Fawcets aqui iria fazer sua investigação particular e deduziria, inevitavelmente, que ela tinha cometido os crimes. Foi o que aconteceu, não foi?

- É, sim, foi. – respondeu Fawcets, um pouco desconsertado.

- E você a entregaria às autoridades, não é? Daria a eles as pistas de que precisavam.

- Sim.

- Bem, se formos agora olhar os pertences da senhorita Teresa, garanto que encontraremos nossa arma do crime, o veneno.

- Por que ela simplesmente não me matou? – perguntou Milla.

- Ela não queria a ver simplesmente morta, queria que você sofresse.

Como já pode deduzir, cara Mary Ann, fomos todos até os aposentos de Teresa e encontramos o veneno. Em anexo a esta carta, seguem outras informações que comprovam o que aqui disse (as fichas de algumas testemunhas, alguns depoimentos assinados e etc...). Vá até o endereço anexado e encontrará não só Teresa como Fawcets e os criados da casa, eles lhe darão o resto das evidências de que necessita. Espero poder entrar em contato em breve.

Um abraço,
M.M., colaborador.



- Então foi assim que você prendeu a mulher? – perguntou o inspetor-chefe.

- Exato. Tudo estava pronto, só precisei ir buscá-la. – respondeu Mary Ann.

- Você checou todas as evidências?

- Claro!! Ora... foi a primeira coisa que fiz. Não confio neste colaborador, você sabe.

O inspetor-chefe bateu com os papéis na mesa, esboçou um sorriso.

- Ele é muito bom.

Mary Ann o fitou um pouco irritada.

- Mas é verdade, ele é. Você procurou falar com esta tal de Milla? Eles pareciam íntimos.

- Ela desapareceu antes que eu chegasse na casa, ninguém soube me dizer o paradeiro. Não encontrei nada sobre ela também. Ou ele apagou as informações ou Ludmilla não era o verdadeiro nome dela.

O inspetor riu.

- Bem... caso encerrado. Parece que você e seu amigo fazem uma bela dupla.

Mary Ann não respondeu, apenas se virou e andou até a porta. O inspetor a chamou novamente, desta vez soava sério.

- Tem certeza de que não quer proteção especial? Este colaborador parece querer nos ajudar, mas não tenho como negar que ele parece especialmente interessado em você, pode ser perigoso.

Ela não chegou a se virar, apenas fez um sinal de negativo com a cabeça e saiu.

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Já era madrugada, Mary Ann continuava em seu escritório. Lia e relia as cartas enviadas pelo tal colaborador, pesquisava na internet, revisava anotações; precisava descobrir alguma coisa. Levantou-se para pegar um café. Quando voltou, tomou um susto: no computador, ela ainda não sabia como, havia um pedido de chat. Numa janela, haviam as seguintes informações:

Michel Moulen deseja iniciar uma conversa com você:
"Finalmente podemos nos comunicar com eficiência!"

5 Comentários:

Marcela

Caraca! Ficou muito bom, tbm qru mais. O primeiro ficou muito legal tbm, mas achei esse segundo caso ainda melhor.

Anônimo

caramba cara, você é bom...
adorei os contos.
meus parabens pelo blog, virou um de meus favoritos.

M.M, O colaborador.

hehe to brincando, Vilson...

Leonardo Schabbach

Legal cara, legal mesmo que gostou. Eu meio que deixei os contos policiais parados, mas sempre fico com vontade de retomar essa série, fazendo algumas melhorias nesses textos antigos e pequenas modificações, talvez demarcar exatamente a cidade em q se passa já nesses contos iniciais, enfim, não sei.

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