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Resenha do livro Ensaio sobre a Cegueira, de José Saramago

em 16 de set de 2009.

Hoje falarei um pouco sobre o livro Ensaio sobre a cegueira, do autor português José Saramago. Imagino que alguns estejam pensando que o tema já é meio batido, o que não deixa de ser verdade, já que há milhares de resenhas sobre o livro pela internet. Acontece que eu não irei falar tanto do livro em si, mas de algumas coisas que pensei a respeito e, principalmente, de como a obra se encaixa na pesquisa que desenvolvo no mestrado sobre ficção - quem estiver interessado em mais detalhes, pode conferir esta postagem ou ler as postagens da série "Notas sobre a ficção".

Primeiro, vou falar sobre o livro em si, uma rápida resenha. Como quase todo mundo já sabe, a obra começa quando uma doença misteriosamente deixa as pessoas cegas, uma cegueira branca altamente contagiosa. No decorrer do livro, a sociedade aos poucos se dissolve, assim como os princípios morais (a começar pelo lugar onde as personagens principais da história são isoladas). A partir dai se desenvolve um cenário apocalíptico em que todas as pessoas daquela sociedade ficam cegas e passam, por isso, a precisar se relacionar de maneira diferente, seguindo princípios diferentes dos anteriores, outras regras, outras noções de verdade, logo, como diria Foucault, também outras relações de poder. No final, as pessoas voltam a enxergar e o livro termina.

Como prometi mais acima, não vou entrar em detalhes, não vou falar das características da escrita do Saramago ou de peculiaridades na construção das personagens (o fato do autor não lhes atribuir nomes e etc...). O que quero ressaltar é que o livro, através da criação de uma outra realidade, de uma produção de realidade, portanto, consegue nos fazer questionar as relações de verdade e poder da nossa sociedade. Isto é, Saramago cria uma outra realidade por meio da ficção, uma realidade em que todos começam a ficar cegos sem qualquer explicação científica, e nós, ao a observarmos, ao lermos o livro, somos capazes de refletir sobre as nossas condições de vida.

O que se destaca então é que, normalmente, os diversos discursos (histórico, político, jornalístico e etc...) costumam falar da nossa sociedade, costumam representá-la, e por isso carregam as noções ideológicas, de verdade e poder, presentes nela. Por este motivo, é muito difícil para estes discursos não produzir algo que poderia ser chamado de "alienante", mesmo que com boas intenções. Já a ficção, por meio da produção de um realidade segunda - e é o que faz o livro Ensaio sobre a cegueira -, é capaz de se despir dessas noções de verdade e poder e criar outras, afinal, é capaz de criar outros mundos. O que Saramago faz é justamente isso: nos apresenta outra realidade. Nós é que, ao a observarmos, fazemos uma reflexão através de processos metafóricos e analógicos, até porque é assim que se forma a nossa consciência.

Quando eu li o livro, pensei já em uma crítica à sociedade da informação. Em um mundo em que todos pensam apenas "em seu umbigo" nos tornamos cada vez menos capazes de ver os outros. E mesmo quando queremos, somos bombardeados por tanta informação que acabamos "cegos". Talvez seja até por isso que a cegueira seja branca (como uma amiga minha, a Lídia, bem observou), pois o branco é justamente o excesso de informação, a união de todas as cores. Inclusive, pensar no livro como uma crítica à sociedade da informação nos faz compreender também o fato de a mulher do médico não ter ficado cega. Afinal, ela é a única que desde o início se preocupou muito mais com os outros do que consigo, sem temer de maneira alguma que a doença a cegasse.

Enfim, acabei falando um pouco da minha visão do livro, mas acho que deixei claro a questão da produção de realidade que queria ilustrar. Espero que tenham gostado da leitura, se tiverem alguma dúvida é só comentar. E também deixo uma provocação. O que vocês pensaram ao ler (ou assistir no cinema) a obra?

Observação: Quem não leu o livro pode encontrá-lo com um bom desconto no submarino.




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7 Comentários:

Marcela

Confesso que não li o livro. Mas acho que o filme me passou mais ou menos as mesmas coisas que você falou. Achei o filme muito bem feito. Ouvi dizer que o Saramaog gostou.

Bruno Ramalho

Boa tarde, Léo! Você sabe que sou grande fã, não só desta obra, como do escritor José Saramago, não é mesmo? Pra mim, este livro é um clássico e, sem dúvida nenhuma, um dos melhores livros que já lí. Tenho a mesma interpretação sobre a cegueira que você detalhou; mas também vejo Saramago nos mostrando como viveríamos como animais se perdessemos somente um de nossos sentidos.

Parabéns pelo texto e pela inteligente interpretação.
Abração.

PH Pereira

Achei o filme milhçoes de vezes pior do que o livro e mesmo assim ainda acho bom. A história é fantástica, concordo com o comentário de cima, um dos melhores livros que já vi, concordo tbm com suas idéias sobre ele.

ri.ventura

sem dúvidas a linguagem literária, no caso da referida obra, superou o resultado da linguagem cinematográfica. ainda assim achei bem interessante a tentativa em transformar em imagens todo aquele turbilhão de frases e situações.

Leonardo Schabbach

Eu também achei o filme muito pior do que o livro. Mas concordo, o filme é muito bom mesmo assim, e é realmente difícil transformar tudo aquilo que tinha no livro em imagem.

E o Saramago aprovou o filme sim. No youtube tem (ou tinha) um vídeo dele começando meio que a chorar no final do filme, com o Fernando Meireles do lado, dizendo que ao terminar de ver o filme ele terminou com a mesmo sensação de quando finalizou o livro. Ou seja, aprovado! =D

brunabora

Baixar o Filme - Ensaio Sobre a Cegueira - Adaptação da obra de José Saramago - http://mcaf.ee/eaznd

Carlos Monteiro

Fantástico o livro. O filme nem tanto. Veja a minha resenha do mesmo...

https://bagaceiradaartis.wordpress.com/2015/09/05/resenha-ensaio-sobre-a-cegueira/

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