Quer meu livro de graça? Assine minha newsletter e venha conversar comigo!

Além disso, a newsletter é para ser algo mais pessoal, nela vocês podem responder e conversar diretamente comigo. E eu ainda pretendo enviar uma série de textos exclusivos por lá, sendo alguns mais pessoais, alguns capítulos antecipados de livros que serão lançados, assim como alguns e-books gratuitos.

Leia Mais

4

Dois poemas de Augusto dos Anjos declamados

em 8 de out de 2009.

Como a minha postagem do poema Canção do Sono foi bem recebida e a idéia de colocar, volta em meia, algo declamado por aqui também, resolvi me arriscar com dois poemas de Augusto dos Anjos, a musicalidade deles é muito boa. É interessante colocá-los no blog para mostrar as variações de leitura. Como comentei anteriormente, declamar um poema nada mais é do que uma performance, então cada um pede um jeito diferente de entonação de voz, velocidade de leitura e etc... Com estes dois poemas de Augusto dos Anjos e o que eu já havia postado (Canção do Sono), creio que já da para se ter um idéia dessas diferenças. Enfim, como sempre, espero que gostem da experiência.

Os dois poemas que selecionei já foram postados e comentados aqui no blog faz algum tempo - confira Vandalismo e A Árvore da Serra. São os meus favoritos entre as obras de Augusto dos Anjos.



Vandalismo

Meu coração tem catedrais imensas,
Templos de priscas e longíncuas datas,
Onde um nume de amor, em serenatas,
Canta a aleluia virginal das crenças.

Na ogiva fúlgida e nas colunatas
Vertem lustrais irradiações intensas
Cintilações de lâmpadas suspensas
E as ametistas e os florões e as pratas.

Como os velhos templários medievais
Entrei um dia nessas catedrais
E nesses templos claros e risonhos...

E erguendo os gládios e brandindo as hastas,
No desespero dos iconoclastas
Quebrei a imagem dos meus próprios sonhos!



Há uma pequena inversão que eu fiz ao ler o primeiro verso. É coisa simples, favor relevar, hehe.

A árvore da serra

— As árvores, meu filho, não têm alma!
E esta árvore me serve de empecilho...
É preciso cortá-la, pois, meu filho,
Para que eu tenha uma velhice calma!

— Meu pai, por que sua ira não se acalma?!
Não vê que em tudo existe o mesmo brilho?!
Deus pos almas nos cedros... no junquilho...
Esta árvore, meu pai, possui minh'alma! ...

— Disse — e ajoelhou-se, numa rogativa:
«Não mate a árvore, pai, para que eu viva!»
E quando a árvore, olhando a pátria serra,

Caiu aos golpes do machado bronco,
O moço triste se abraçou com o tronco
E nunca mais se levantou da terra!

4 Comentários:

Chris

Comento aqui melhor o que falei no twitter. Ficou muito boa a declamação e a gravação. Interessante perceber a variação linguística. Teu sotaque de carioca (estou certa?) com os /s/ chiados deu uma beleza peculiar ao Vandalismo. Eu declamei pra mim do lado de cá da tela e como meu /s/ é de gaúcho, quebra um pouco.
Eu amo o "café com pão, café com pão, maquinista, café com pão". Adoro o barulho do trem. (sugestão pra tua próxima declamação)
Abraços

Leonardo Schabbach

Uhum. É o sotaque carioca mesmo, eu percebi que o S tinha causado um efeito legal depois que ouvi. Sobre o poema do Bandeira, acho legal, vou colocar no blog, mas nunca consegui "acertar a mão" nele. Tenho um ritmo na cabeça e tudo mais, mas declamando nunca achei q ficou legal.

Postar um comentário

Participe você também. Sinta-se convidado a postar as suas opiniões. Com a sua ajuda, o blog se tornará ainda melhor!

 
Copyright© 2010 Na Ponta dos Lápis
Apoio: Literatura Fantástica
Tema original "Solitude" Modificado por Mundo Blogger