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Diga talvez aos períodos curtos

em 2 de dez de 2009.

Ultimamente tenho lido em muitos lugares diferentes "regras" para se escrever bem. Uma coisa que tem me chamado a atenção e da qual discordo inteiramente é a famosa regra do "fazer períodos curtos". Lembro aqui que, quando me refiro a "escrever bem", não falo de produzir textos sem erros gramaticais e bem estruturados, falo do fazer literário. Esta questão do tamanho dos períodos é perfeitamente aceitável - e até aconselhável - quando você escreve um jornal ou um texto argumentativo; tudo bem, ela realmente facilita a compreensão do leitor e pode evitar alguns erros por parte de quem escreve.

Ainda assim, escrever sem muitas vírgulas e de forma mais direta é, numa maneira geral, uma forma de proteger quem escreve. Esta dica, na verdade, foi criada para ajudar aqueles que têm dificuldade em dominar a língua. Alguém que tem o domínio completo da gramática e das estruturas pode sim, com alguma facilidade, produzir textos com períodos extremamente longos e perfeitamente compreensíveis e agradáveis (talvez o José Saramago seja o maior exemplo disso).

Por outro lado, como o título da postagem já nos mostra: diga talvez aos períodos curtos. Quando indico que escrever bem não necessariamente passa por essa regra, não quero dizer que a utilização de uma linguagem mais seca, mais direta, não possa produzir textos de grande valor literário. Um dos meus contistas favoritos, o português Gonçalo M. Tavares (confira uma postagem sobre ele), utiliza este tipo de linguagem e, para mim, pode ser apontado como um dos grandes nomes da literatura contemporânea.

Em resumo, o que quero dizer é que os períodos curtos são, sem sombra de dúvida, uma excelente ferramenta para quem quer informar, principalmente quando o produtor do conhecimento que está a ser transmitido não é um exímio escritor. O grande problema, para mim, é que cada vez mais, mesmo no meio literário, pensa-se que escrever bem obrigatoriamente passa por uma linguagem seca e direta, uma linguagem objetiva e curta. Particularmente, eu acho que esta postura desvaloriza o leitor, considera-o burro, considera a "massa" burra - como eu já disse na postagem A nova geração literária e as massas. Por isso, escrevo aqui no blog apenas para dizer que os períodos curtos podem sim gerar um prazer literário enorme, mas há outros caminhos que também são válidos; está na hora de desvalorizarmos um pouquinho o ponto final e darmos a devida atenção a diversos outros tipos de pontuação que também podem enriquecer um texto.

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