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Cirurgiões - Poesia e experimento

em 30/06/2009.
| Comentários: (3)
Ontem, sugeriram a mim um tema para um poema e acabei escrevendo "Cirurgiões". Enquanto escrevia, conversava com uma amiga minha (que tem um poema publicado aqui no blog). Ela gostou muito da poesia e resolveu fazer uma experiência. Utilizou algumas das frases originais, capturou a idéia e modificou o texto original, fazendo algumas adições. O resultado foi bem legal, por dois motivos. O primeiro pelo retrabalho feito com o poema e o segundo por mostrar duas visões sobre poesia diferentes. Eu sou um escritor mais racional, portanto a própria estrutura dos meus poemas costumam ser bastante racionais. Já ela é mais emotiva em relação aos versos e passa essa emoção também para a forma, mesmo que isso implique quebrar com uma estrutura mais tradicional. Enfim, vejam o resultado.


Cirurgiões (versão original)

Somos responsáveis por uma operação constante
que envolve a todos,
que a tudo consome.
Somos filhos desta operação enorme
que nos modifica,
e que modificamos,
para depois darmos nome.
A chamamos de vida.

Somos cirurgiões,
com toda pompa e respeito
Somos os guardiões
da causa e do efeito

desta coisa mutável
sobre a qual trabalhamos,
incansáveis e irredutíveis.
Essa coisa agradável
de material humano
da qual sequer dominamos
as mais simples diretrizes!


Cirurgiões (versão da Júlia)

Somos que se envolvem
somos que consomem
somos neste lento
e constante operando.
Filhos da gigante
esta operação
de modificarmos,
que modificamos,
e ao chamarmos vida,
o nome que damos,
com pompa e respeito,
à causa e ao efeito,
pelos que zelamos.

Somos coisa mutável
em qual trabalhamos.
a qual nem incansáveis
ou irredutíveis
a qual que jamais
ou sequer dominamos
as mais simples ou
quaisquer diretrizes!
Essa coisa agradável
de material humano
essa coisa de sermos
às vezes felizes
essa coisa que é nossa
esse corte de sangue.
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Novo projeto - Notas sobre a ficção

em .
| Comentários: (2)
Inauguro hoje um novo projeto aqui no blog, um projeto relacionado a minha tese de mestrado. Estudo uma nova forma de se perceber a ficção que ocorre nos dias atuais; como as fronteiras entre ficção e real são cada vez mais tênues e como os mundos ficcionais se tornaram também produtores de realidade. Por este motivo, eles passam a ter uma grande influência na sociedade, pois são usados pelos indivíduos como base para suas noções do que é certo e o que é errado, o que é importante, portanto. Como nos diz Muniz Sodré, no livro "Antropológica do espelho",“ninguém vota em um político ‘televisivo’ porque a tevê manda (...) e sim porque fez sua escolha a partir de um cenário – que a tevê cria por notícias convenientemente editadas, dramas, espetáculos, entrevistas, comentários” (SODRÉ: 2002; 28)

Naturalmente, essa incorporação das verdades apresentadas numa ficção não acontece de forma direta. Ela ocorre através de processos analógicos e metafóricos. O que farei por aqui, mais como um exercício, é analisar alguns produtos midiáticos, como filmes, novelas e livros por intermédio desta visão; isto é, tentando mostrar como as realidades construídas nestes mundos ficcionais podem alterar a realidade em que nós vivemos, como podem modificar as relações de verdade e poder na sociedade. Enfim, será uma análise de filmes e livros através de um método um pouco diferente e, ao meu ver, mais interessante.

Pretendo começar com uma análise de dois filmes, o novo filme do "Incrível Hulk" e também do "Homem de ferro". Eu os assisti faz pouco tempo e percebi algumas coisas interessantes a serem comentadas. Espero que gostem das futuras análises.


Para esclarecer um pouco mais a proposta, aqui segue um outro texto meu:

Qual seria a posição da ficção em um mundo em que muitos afirmam, com cada vez mais veemência, que o real já não mais existe? Esta é a questão principal desta tese. Num período em que o próprio real é visto como simulacro, a ficção se liberta da obrigatoriedade de representá-lo, torna-se uma produtora de realidade, sendo capaz de influenciar as relações de verdade e poder na sociedade, assim como as construções de identidade e consciência.

Num mundo globalizado e permeado pela tecnologia, esta ficção atua por intermédio da mídia. É justamente através dos produtos midiáticos – de um bios midiático – que esta ficção chega até as pessoas, transformando a mídia em uma arena em que ocorre a luta pela verdade e pelo poder na sociedade.
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Poemas de Cecília Meireles - Canção

em 29/06/2009.
| Comentários: (4)
Pus o meu sonho num navio
e o navio em cima do mar;
- depois, abri o mar com as mãos,
para o meu sonho naufragar

Minhas mãos ainda estão molhadas
do azul das ondas entreabertas,
e a cor que escorre de meus dedos
colore as areias desertas.

O vento vem vindo de longe,
a noite se curva de frio;
debaixo da água vai morrendo
meu sonho, dentro de um navio...

Chorarei quanto for preciso,
para fazer com que o mar cresça,
e o meu navio chegue ao fundo
e o meu sonho desapareça.

Depois, tudo estará perfeito;
praia lisa, águas ordenadas,
meus olhos secos como pedras
e as minhas duas mãos quebradas.


Comentário: Resolvi finalmente postar aqui poemas de Cecília Meireles, com comentários é claro. A poesia acima se resume em uma palavra: linda. Só o que posso dizer, simplesmente linda. A beleza das imagens poéticas criadas por Cecília, as metonímias, a sinceridade, são tocantes. É como sempre costumo dizer: Cecília traz para a poesia brasileira um grau de introspecção que só a poesia feminina consegue expor. Ela e Clarice Lispector são as mais conhecidas por trazerem mais esse elemento para a literatura nacional. Fico grato por isso, e faço aqui a minha homenagem.

Escolhi o poema acima justamente por ser um dos que mais me marcou, especialmente o último verso, e por ser um dos mais conhecidos da autora. Acho que é um excelente poema para ser colocado como o primeiro - de muitos, imagino - da autora no blog. Espero que gostem e que fiquem tão fascinados pelos versos acima quanto eu fiquei.


Rapidinha - Aconselho a quem gosta dos poemas da autora o livro "Os melhores poemas de Cecília Meireles".

Editado - Confira uma visão sobre a obra de Cecília Meireles aqui.




Gostou do blog? Gostou dos textos? - o autor Leonardo Schabbach, que produz o conteúdo do Na Ponta dos Lápis lançou recentemente sua primeira obra literária, O Código dos Cavaleiros. Ajude-o a continuar produzindo! Informações sobre a obra (como comprar - autografada -, capítulos para degustação, capa, sinopse e muito mais) podem ser encontradas neste super hotsite (clique para acessar).

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Pequeno cartão

em 28/06/2009.
| Comentários: (1)


Carrego o mundo comigo.
Aqui, bem próximo do peito...

Ah, sim... carrego no lado esquerdo,
porque a camisa não tem bolso direito.


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João Cabral de Melo Neto: o poeta íntimo da bola

em .
| Comentários: (2)
Aproveitando que o Brasil decide a Copa das Confederações hoje contra a seleção dos EUA, coloco por aqui algo muito interessante sobre o poeta João Cabral de Melo Neto. Achei uma reportagem muito boa sobre a relação dele com o futebol, o que inclui uma poesia sobre o grande Ademir da Guia, do qual os palmeirenses devem se lembrar muito bem. Vejam abaixo:


João Cabral: o poeta íntimo da bola

Por Regina Rocha

Cores vibrantes, ritmo, movimento... as imagens do futebol foram traduzidas em verso por um time de grandes poetas brasileiros - Carlos Drummond de Andrade, Vinícius de Moraes e Ferreira Gullar, entre outros, que dedicaram poemas a jogadores, lances ou mesmo à bola.
Mas, apenas um deles conseguiu, durante uma fase da vida, conciliar as duas vocações, escritor e jogador: o poeta pernambucano João Cabral de Melo Neto (1920-1999), autor do clássico “Morte e Vida Severina”, que virou canção de Chico Buarque.

João Cabral ocupava a posição de center-half, ou, como se diz hoje, a posição de volante, e foi uma promessa do futebol pernambucano. Nele, disposição física e apuro intelectual conviveram sem crises ou antagonismos. Na adolescência, jogou pelos times América do Recife e Santa Cruz. Em 1935, aos 15 anos, foi campeão juvenil pelo Santa Cruz Futebol Clube. E um dos motivos que o levou a se afastar dos gramados foi a terrível dor de cabeça que o torturou a vida inteira e à qual dedicou até um poema (“Num Monumento à Aspirina” - prometo por em breve no blog)


É da lavra deste João as estrofes que traduzem ‘sensorialmente’ o estilo de jogar do craque Ademir da Guia:

Ademir da Guia
Ademir impõe com seu jogo
o ritmo do chumbo (e o peso),
da lesma, da câmara lenta,
do homem dentro do pesadelo.

Ritmo líquido se infiltrando
no adversário, grosso, de dentro,
impondo-lhe o que ele deseja,
mandando nele, apodrecendo-o

Ritmo morno, de andar na areia,
de água doente de alagados,
entorpecendo e então atando
o mais irrequieto adversário.
(do livro: Museu de Tudo, 1975)

Poeta e jogador de futebol...

Já nos primeiros versos, o poeta iria transferir a recordação da bola rolando no gramado para seu companheiro de time, Newton Cardoso, expressa nos seguintes versos:

(...) Depois saías
no seu encalço
como lembrança
que se persegue.
Depois saltavas
para alcançá-la
como a uma fruta
alta num galho (...)”
(do poema “A Newton Cardoso”, do livro: O Engenheiro)

Em 1988, perguntado sobre de onde vinha a sua poesia, João Cabral respondia assim à reportagem do Correio Braziliense:


“Meus poemas não têm origem. Eu vejo uma coisa que me interessa e escrevo. Eu não fiz um poema sobre a aspirina? Escrevi também muito sobre o Recife e sobre Sevilha, os dois lugares que mais me marcaram. O que faz ou não está na minha poesia é o acaso. De repente um objeto, ou uma obra de arte, um jogador de futebol, um fato, faz com que eu me interesse e escreva um poema... Eu não acredito em inspiração e nem sou poeta inspirado. O ato de criação para mim é intelectual. Minha poesia trabalha a criação e a construção".

Confira o resto da reportagem, que inclui mais dois poemas sobre futebol e uma pequena entrevista, direto no site de origem! Clique aqui.

Comentário: para finalizar, eu pergunto, será que por ter sido um bom jogador de futebol João Cabral levava vantagem ao produzir suas poesias sobre o tema? Os versos mais conhecidos sobre futebol no Brasil são de Carlos Drummond de Andrade, inclusive quando disse: "O difícil, o extraordinário não é fazer mil gols, como Pelé. É fazer um gol como Pelé".

Fica ai a discussão =D

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A pureza da alma

em 27/06/2009.
| Comentários: (2)
Ela era uma menininha muito doce, de olhos claros, vestido caro e cabelos muito bem cuidados. Caminhava feliz, usava o seu vestidinho de seda costumeiro e trazia uma casquinha de sorvete na mão. Aproximou-se de sua mãe aos saltos. Queria muito falar com ela, pois ficara curiosa a respeito de algo que ouvira.

- Mamãe, mamãe... O que é pureza da alma, mamãe? – perguntou ela, em tom animado e carinhoso.

A mãe olhou para a filha assustada. Onde uma criança teria ouvido tal expressão? E como ela poderia responder a tal a pergunta? Sabia que precisava dar uma resposta, afinal, sempre fora à Igreja, então naturalmente deveria saber o que era a pureza da alma.

A menininha esperava, fitando-a com olhos atentos. A mãe pôs-se a pensar... e pensar... e pensar... entretanto, nada lhe ocorria.

Após fitar por alguns minutos a face ansiosa por informações de sua filha, ela encontrou uma boa relação a se fazer.

- Bem, querida, a pureza da alma é algo muito especial, algo que todos devem buscar para ter uma vida boa, feliz e saudável.

A menininha continuou olhando para a mãe, com uma expressão de quem não havia compreendido. Ela, então, continuou:

- A pureza da alma faz de você uma pessoa especial, alguém muito querido pelos outros.

Ela franziu a testa, já parecendo compreender algo do que a sua mãe lhe dizia.

- Enfim, é algo que faz as pessoas gostarem de você e se encantarem por você. Faz com que você atraia amigos e se destaque no meio da multidão.

A menininha deixou escapar um sorriso satisfeito e fez um leve aceno com a cabeça. A mãe, percebendo que a filha finalmente tinha compreendido o que ela queria lhe dizer, perguntou:

- E, então, filhinha. Já sabe o que é pureza da alma?

- Já sim, mamãe... é o dinheiro!


Comentário: Dedico o post ao meu grande amigo Thiago Salama que me fez prometer que este conto carregaria o nome dele =D.
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A questão dos sujeitos na pós-modernidade [2]

em 25/06/2009.
| Comentários: (1)
Após pensar mais um pouco e considerar algumas coisas que li nos comentários, tenho mais algumas considerações a fazer sobre a questão do sujeito com o intuito de tentar explicar um fenômeno que tenho observado com cada vez mais frequência.

Antes disso, entretanto, quero fazer umas considerações. Primeiro, explicar que quando me referi a uma linha de pensamento pós-moderna no post anterior, falava justamente dos pensadores que afirmam o fim de todos os fundamentos, de um real como simulacro, e não necessariamente do estilo de vida pós-moderno. Portanto, quando falo de um sujeito real me refiro a um sujeito que existe, podendo ser uma "essência" ou um sujeito histórico, mas ainda assim existente.

Posto isso, também gostaria de acrescentar mais um argumento para a não-existência do sujeito, que seria o argumento da eficácia. Ou seja, de que um sujeito é o que faz, e é um aos olhos de uma pessoa X, outro aos olhos de uma pessoa Y, outro aos olhos de uma pessoa Z e assim sucessivamente. Isso, portanto, descaracterizaria a possibilidade de existência de um sujeito, pois seríamos aquilo que os outros pensam que somos; logo, seríamos muitos, não haveria um "eu" verdadeiro.

Se considerarmos estes argumentos e os argumentos do post anterior, deparamo-nos com um paradoxo. Estamos em um mundo em que haveria uma não-existência do sujeito, por todos os argumentos já colocados, ao mesmo tempo em que este sujeito existe, pois - como anteriormente explicado - nós pensamos e a cada conceito formulado adcionamos um pouco de nossa subjetividade, somos sujeitos, portanto. Este é, inclusive, o grande paradoxo a ser resolvido na atualidade. Afinal, vivemos em meio a dois paradigmas opostos - isto é, em que uma teoria exclui a outra - à espera de um novo paradigma que possa dar um fim a tal relação conflituosa.

O fenômeno que gostaria de comentar surge justamente desta relação. Refiro-me a um fato bastante comum, o de pessoas mais velhas que se comportam como se tivessem uma idade muito menor do que a idade que tem. Esse tipo de comportamento surge justamente de tal paradoxo. Afinal, num mundo sem história (como afirmam os pensadores pós-modernos) não haveria as distinções de faixa etária, logo não haveria problema algum em se comportar de tal maneira. A grande questão é que, além de algumas situações que muitos considerariam embaraçosas (mas que facilmente podem ser ignoradas em termos de argumentação), na maioria das vezes o próprio corpo mostra o paradoxo de que estamos falando e as limitações impostas pela idade, deixando explícita a historicidade do ser humano, mesmo que apenas a biológica.

Não se pretende, porém, fazer qualquer juízo de valor. Só gostaria de destacar que tal comportamento evidencia esta angústia dos sujeitos na pós-modernidade; sujeitos que se vêem, de alguma maneira, perdidos entre dois "mundos" diferentes que, paradoxalmente, ainda coexistem, embora estejam para entrar em colisão a qualquer momento.

Como uma última observação, gostaria de apontar como o virtual aparece, em algum nível, como o lugar onde essas pessoas encontram um ambiente capaz de comportar esta não-historicidade do sujeito. Numa sala de bate-papo, num fórum ou em jogos como o Second Life, é possível agir e falar como se realmente não existissem as divisões de faixa etárias, até porque nesses lugares não existem as limitações reais para o indivíduo.
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Diálogo de todo dia - Carlos Drummond de Andrade

em 24/06/2009.
| Comentários: (4)
Alô, quem fala?
- Ninguém. Quem fala é você que está perguntando quem fala.
- Mas eu preciso saber com quem estou falando.
- E eu preciso saber antes a quem estou respondendo.
- Assim não dá. Me faz o obséquio de dizer quem fala?
- Todo mundo fala, meu amigo, desde que não seja mudo.
- Isso eu sei, não precisava me dizer como novidade. Eu queria saber é quem está no aparelho.
- Ah, sim. No aparelho não está ninguém...

- Como não está, se você está me respondendo?
- Eu estou fora do aparelho. Dentro do aparelho não cabe ninguém.
- Engraçadinho. Então, quem está fora do aparelho?
- Agora melhorou. Estou eu, para servi-lo.
- Não parece. Se fosse para me servir, já teria dito quem está falando.
- Bem, nós dois estamos falando. Eu de cá, você de lá. E um não conhece o outro.
- Se eu conhecesse não estava perguntando.
- Você é muito perguntador. Note que eu não lhe perguntei nada.
- Nem tinha que perguntar. Pois se fui eu que telefonei.
- Não perguntei nem vou perguntar. Não estou interessado em conhecer outras pessoas.
- Mas podia estar interessado pelo menos em responder a quem telefonou.
- Estou respondendo.
- Pela última vez, cavalheiro, e em nome de Deus: quem fala?
- Pela última vez, e em nome da segurança, por que eu sou obrigado a dar esta informação a um desconhecido?
- Bolas!
- Bolas digo eu. Bolas e carambolas. Por acaso você não pode dizer com quem deseja falar, para eu lhe responder se essa pessoa está ou não aqui, mora ou não mora neste endereço? Vamos, diga de uma vez por todas: com quem deseja falar?
Silêncio.
- Vamos, diga: com quem deseja falar?
- Desculpe, a confusão é tanta que eu nem sei mais. Esqueci. Chau.

Comentário: Este é um conto de Carlos Drummond de Andrade, em "Contos plausíveis". Bom conto para ler a noite, saborear um pouco o bom-humor e a ironia do autor. Boa leitura!
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Alguns projetos interessantes na internet

em .
| Comentários: (0)
Esses dias descobri alguns sites e projetos muito interessantes pela internet. Como imagino que posso ser de interessa de algumas pessoas conhecer esses projetos, resolvi fazer uma rápida lista, com alguma explicações.

Amálgama - Trata-se de um blog, praticamente um site, em que o leitor pode escrever artigos, resenhas, crônicas e etc... e ser publicado. É um blog muito bem montado, de boa qualidade e com uma quantidade bem razoável de visitantes. É uma opção interessante para quem tem um texto de qualidade (não podendo ser conto nem poesia) e quer um lugar para publicar com alguma visibilidade. Caso o seu texto seja inédito e você tenha um blog, eles fazem a divulgação, colocando um link no final do artigo, resenha ou crônica enviado. Se interessou? Entre aqui.

Arquivo Pessoa - É legal ver que, quando dividimos alguma coisa, às vezes recebemos muito mais em troca. Coloquei aqui ontem umas poesias inéditas do Fernando Pessoa e um dos leitores - vidaseverina - postou um link muito interessante em seu comentário. Trata-se de um site com uma quantidade enorme (senão todos, não tenho como checar) de textos de Fernando Pessoa. Definitivamente é um site a se checar. Clique aqui.

E-blogue - É uma revista artística eletrônica, já em sua 22 edição. É curta e bem interessante. Vale dar uma olhada. Se quiser lê-la basta clicar aqui.

Escritores S.A. - Um blogue ainda em seu início. Tem um projeto legal, de publicar textos enviados por seus leitores. Cheguei a enviar uma poesia para lá. Provavelmente enviarei outras. Clique aqui para entrar.
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Poemas de Fernando Pessoa

em 23/06/2009.
| Comentários: (6)
Aqui seguem dois incríveis poemas inéditos de Fernando Pessoa. O que gostaria de comentar é que poucos escritores conseguem criar tanta beleza poética quanto o autor português. Escolhi essas duas poesias em especial exatamente pelo fato de ilustrarem como ele consegue construir seus versos de uma maneira muito particular, em que as rimas soam totalmente naturais - algo altamente complexo de ser feito - e ainda construam um poema leve, cheio de um lirismo e uma beleza quase incomparáveis. Espero que apreciem os poemas.


Dói viver, nada sou que valha ser.

Dói viver, nada sou que valha ser.
Tardo-me porque penso e tudo rui.
Tento saber, porque tentar é ser.
Longe de isto ser tudo, tudo flui.

Mágoa que, indiferente, faz viver.
Névoa que, diferente, em tudo influi.
O exílio nado do que fui sequer
Ilude, fixa, dá, faz ou possui.

Assim, noturno, a árias indecisas,
O prelúdio perdido traz à mente
O que das ilhas mortas foi só brisas,

E o que a memória análoga dedica
Ao sonho, e onde, lua na corrente,
Não passa o sonho e a água inútil fica.



Náusea. Vontade de nada

Náusea. Vontade de nada.
Existir por não morrer.
Como as casas têm fachada,
Tenho este modo de ser.

Náusea. Vontade de nada.
Sento-me à beira da estrada,
Cansado já no caminho
Passo pra o lugar vizinho.

Mas náusea. Nada me pesa
Senão a vontade presa
Do que deixei de pensar
Como quem fica a olhar...
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Fragilidade

em .
| Comentários: (4)
Comentário: No meio de uma conversa, veja como são essas coisas, acabei lembrando deste poema e percebi que ele tinha ficado jogado num canto, quase esquecido, e então decidi postá-lo. É um poema bom demais para acabar no esquecimento, ao menos em minha modesta opinião; é um de meus poemas favoritos, não sei como quase a perdi.


Fragilidade

O mundo treme,
falta-lhe estrutura.
Falta-lhe arame,
falta-lhe forma.

Já não há mais aquela linha que o contorna
e o transforma em uma coisa,
dá-lhe o status de lugar.

O mundo é viscoso,
prende.
E louco é aquele que o compreende,
pois para isso é preciso se afogar.

E por mais que dominá-lo seja o desejo,
o mundo nos escapa,
por entre os dedos,

sem formas,
sem normas,
sem mudar.
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Poemas de João Cabral e de Drummond

em 21/06/2009.
| Comentários: (2)
Coloco aqui duas poesias de dois grandes poetas brasileiros, talvez meus favoritos. Coloco-as aqui para fazer breves comentários sobre seus autores: João Cabral de Melo Neto e Carlos Drummond de Andrade.


A rede ou o que Sevilha não conhece

Há uma lembrança para o corpo,
a tua: é a de um abraço de rede,
esse abraço de corpo inteiro
de qualquer rede do Nordeste,
da rede que tua Andaluzia,
que é tão da sesta, não conhece,
e mais que abraço, é o abraçar
de tudo o que pode estar nele;
é abraço sem fora e sem dentro,
é como vestir outra pele
que ele possui e que o possui,
uma rede nas veias, febre.


Comentário: Essa poesia é muito interessante, pois mostra o João Cabral nordestino - uma grande marca de sua literatura - que, obrigado a viver no exterior por motivos profissionais (era um diplomata), presta homenagem à sua terra-natal. Como sempre, a poesia é sempre muito pensada e também detalhada. Interessante como ele expressa um certo saudosismo e apreço pela cultura do nordeste descrevendo algo aparentemente tão simples.

- Esta poesia foi retirada da "Obra Completa" do autor (compre aqui), mais especificamente do livro "Agrestes") -


A um ausente

Tenho razão de sentir saudade,
tenho razão de te acusar.
Houve um pacto implícito que rompeste
e sem te despedires foste embora.
Detonaste o pacto.
Detonaste a vida geral, a comum aquiescência
de viver e explorar os rumos de obscuridade
sem prazo sem consulta sem provocação
até o limite das folhas caídas na hora de cair.

Antecipaste a hora.
Teu ponteiro enlouqueceu,

enlouquecendo nossas horas.
Que poderias ter feito de mais grave
do que o ato sem continuação, o ato em si,
o ato que não ousamos nem sabemos ousar
porque depois dele não há nada?

Tenho razão para sentir saudade de ti,
de nossa convivência em falas camaradas,
simples apertar de mãos, nem isso, voz
modulando sílabas conhecidas e banais
que eram sempre certeza e segurança.

Sim, tenho saudades.
Sim, acuso-te porque fizeste
o não previsto nas leis da amizade e da natureza
nem nos deixaste sequer o direito de indagar
porque o fizeste, porque te foste.


Comentário: Esta é uma poesia de Carlos Drummond de Andrade. Mais do que comentar a poesia em si, gostaria de falar sobre o livro da qual foi retirada: Farewell. É a última obra publicada do autor; obra que possui praticamente apenas poemas inéditos. Drummond conseguiu nela sintetizar grande parte das temáticas que envolveram as suas obras, tornando o livro quase que uma síntese de sua produção, um índice que pode levar o leitor ao encontro dos outros livros publicados por ele. Enfim, como o próprio título diz (Farewell significa "adeus" em inglês), a obra é uma despedida, um último agrado do poeta aos seus ávidos leitores e admiradores. Vale a pena uma leitura.
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O espelho da verdade

em 20/06/2009.
| Comentários: (2)
É uma poesia mais antiga. Tem lá o seu valor, passa uma mensagem legal, pelo menos eu acho, é uma questão que me faz pensar de vez em quando. Além disso, gosto do ritmo mais solto, bem musical. Como já devem ter notado, sou um grande fã dos poemas mais musicais, mesmo que possam parecer mais simples do que outros mais truncados e rebuscados. Espero que gostem e comentem!


O Espelho da Verdade

Conheçam agora o espelho da verdade.
Espelho que foi o primeiro da humanidade.
Entretanto, o que o espelho refletia
o homem já sabia,
mas não queria admitir.

E o pior é que o reflexo era tão claro
que o homem, em seu desespero,
deu, certeiro, um rápido disparo
e acabou-se o verdadeiro espelho.
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A questão do sujeito da pós-modernidade

em 19/06/2009.
| Comentários: (7)
Nos últimos dias me deu uma certa vontade de dissertar um pouco a respeito da questão do sujeito na pós-modernidade. Escrevo aqui, portanto, para colocar algumas coisas que penso sobre o assunto - de uma forma mais coloquial e menos profunda, é claro, mas ainda assim dando a minha visão sobre o tema.

Tenho pensado muito sobre a linha pós-moderna de pensamento, em que se alega o fim de todos os fundamentos e, como consequência, o fim também dos sujeitos. Os argumentos para sustentar tal tese são fortes e simples de serem percebidos. Se pensarmos que a nossa consciência é formada por um conjunto de experiências vividas - como a educação dada pelos pais, o convívio com os amigos, regras sociais e etc... - o que se nota é que grande parte do que somos, senão a totalidade do que somos, como alguns diriam, é na realidade construída por essas experiências. Isso sem contar com o fato de que uma pessoa tem comportamentos totalmente diferentes dependendo do ambiente em que se encontra, sendo uma pessoa quando está sozinha, outra quando está acompanhada e outra quando está no trabalho. Logo, um "eu" verdadeiro, um sujeito, portanto, não existiria realmente, pois seria determinado por uma série de situações, seria um simulacro de um sujeito real.

Eu discordo, embora não totalmente, de tal tese. É claro que somos determinados em grande parte por elementos externos (tanto que volta e meia repetimos discursos que ouvimos de professores, interiorizamos as regras ensinadas por nossos pais, mudamos de comportamento conforme o meio social e etc...), mas é inegável que há um sujeito por trás disso tudo. Embora esteja dissimulado por trás de uma série de signos absorvidos e reaplicados, muitas vezes de uma forma mitificada, ele ainda exerce papel fundamental na definição do que somos; isto é, ainda somos sujeitos reais. Por mais que vivamos em um mundo em que é cada vez mais complicado discernir o que é verdadeiro do que é falso, o que é real do que é virtual, ainda temos diante dele um papel ativo, podemos ainda apreendê-lo e modificá-lo.

Naturalmente, a frase "penso, logo existo", já tão batida e desgastada, de Descartes vem à cabeça. Argumento razoavelmente nesta direção. Não acho que a garantia para o mundo existir se encontre apenas no sujeito, porém. Mas a capacidade de pensar certamente garante a existência do sujeito real, de um "eu" verdadeiro.

É claro que muitas das coisas que pensamos não são necessariamente nossas. Inclusive, na maioria dos casos, o que pensamos é em grande parte formado por elementos externos. A grande questão é que, em cada conceito que formamos, embora os formemos tendo como base uma série de elementos externos a nós, adcionamos sim algo de subjetivo. E essa subjetividade, em minha opinião, vem justamente do método de Descartes; isto é, vem da capacidade de duvidar, vem da capacidade de formular perguntas (e essa é a chave da filosofia). Por mais que você seja influenciado e formado por elementos externos, você sempre pode duvidar destes elementos, pode questioná-los, pode formular perguntas entre milhares de conceitos diferentes que irão contribuir para a geração dos seus próprios conceitos, de sua própria consciência. Isso significa dizer que tudo o que somos e pensamos advém de nosso contato com o mundo, mas quem dá sentido a isso tudo somos nós, na qualidade de sujeitos.

Ou seja, realmente muitas das coisas que pensamos, senão todas, não são necessariamente nossas, mas são, ao menos, parcialmente nossas. Somos como uma obra construída pela interação entre o mundo e um sujeito real, um "eu verdadeiro", portanto.

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Site de literatura e Gonçalo Tavares

em 18/06/2009.
| Comentários: (0)
Encontrei pela internet um site excelente sobre literatura, espécie de revista eletrônica. Traz contos semanais e um time de cronistas fantástico, aconselho a todos que passem a acompanhar, vale muito a pena.

Link para o site, clique aqui.

Descrição do projeto no site - PNETliteratura é um espaço vivo e plural de diálogo com a realidade literária em língua portuguesa. Há três aspectos que sobressaem na actualização diária do novo site: a dimensão crítica, a publicação de inéditos e um acompanhamento permanente da vida literária.

Neste site, Gonçalo M. Tavares, escritor do qual já falei muito bem aqui, é cronista. Ele segue no site a mesma veia lúdica e não tão pesada que apresenta nos livros da coleção "O Bairro". Lá, desenvolve um dicionário, digamos assim, de literatura, algo interesantíssimo. Confira um dos verbetes - http://www.pnetliteratura.pt/cronica.asp?id=909

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Fotografia – As palavras não devem fazer turismo. Cada frase que tire fotografias de uma cidade ou de uma pessoa perde linguagem e ganha máquina fotográfica. Uma frase não pode ser uma fotografia. Antes de as máquinas fotográficas existirem uma frase poderia fazer o que elas fazem, mas agora se o fizer faz pior: para quê fazê-lo?

Descrever o aspecto físico de uma pessoa ou de uma casa? Tudo o que pode ser fotografado não deve entrar na linguagem.
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Os vizinhos - por João Cabral de Melo Neto

em 17/06/2009.
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Muito cuidado com os vizinhos
e mais com o que quer ser teu íntimo.

A morte usa muito o vizinho,
mais, o prestativo e o bonzinho.

Ao cruzá-lo no elevador
cruzá-lo como um cobrador,

sem bons-dias, sem boas-tardes,
como se pedras se cruzassem.

Do vizinho que diz bom-dia
nenhum boa-morte ouvirias,

que os votos dele ou da vizinha
estarão mais aquém da linha.


Essa é uma poesia curta e bem-humorada do sempre excelente João Cabral. Ele é de fato um dos maiores poetas do Brasil e do mundo. Esta poesia mostra por um lado um certa simplicidade na escrita, mas ainda assim uma escrita extremamente bem pensada e trabalhada, inclusive com a criação de palavras como "boa-morte". Enfim, aproveitem.

Aos que gostam do poeta, aconselho a compra do livro "O cão sem plumas" (clique para conferir). Ele contém alguns de meus livros favoritos do João Cabral. Também é valido checar o livro "Melhores poemas de João Cabral", acho que o título é auto-explicativo.
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Programação Off-Flip

em 15/06/2009.
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Para aqueles que, como eu, estarão na Festa Literária Internacional de Paraty deste ano e que querem saber um pouco mais do que acontecerá na cidade, decidi trazer algumas informações que encontrei sobre a Off-Flip, que sempre traz atrações bem interessantes.

Além da entrega do esperado Prêmio Off-Flip, haverá diversas outras atividades para se acompanhar, como cafés literários com a presença de autores, lançamentos de livros, shows e etc...

Aqui segue a pré-programação:


DIA 02 DE JULHO - QUINTA-FEIRA

15 às 18h - Café Literário com vários autores no Restaurante O Café.

18h - Lançamento do livro Vivências de Saberes, sobre a comunidade quilombola do Campinho da Independência, organizado por Patricia Solari, no Lado B.

19h30 - Conversa de Botequim com vários autores no Bar do Dinho.

20h - Dias de Caiçara - lançamento de livro, cd, dvd e exposição de Vito D'Alessio na Nova Sede do Silo Cultural, no Centro Histórico.

22h30 - Show de Luis Perequê, na Casa da Cultura.


DIA 03 DE JULHO - SEXTA-FEIRA

15 às 18h - Café Literário com vários autores no Restaurante O Café.

20h30 - Sarau em homenagem a Marina de Mello e Souza no Salão Nobre da Câmara.



DIA 04 DE JULHO - SÁBADO

15 às 18h - Café Literário com vários autores no Restaurante O Café.

19h - Nhandeva e Campinho em debate na Pousada Villas de Paraty.

19h30 - Entrega do PRÊMIO OFF FLIP de Literatura 2009 na Pousada Villas de Paraty.

20h30 - Lançamento da Coletânea Prêmio OFF FLIP de Literatura 2008 na Pousada Villas de Paraty seguido de Sessão coletiva de autógrafos com autores da OFF FLIP 2009.



DIA 05 DE JULHO - DOMINGO

13h - Sarau de encerramento no Restaurante La Luna.

DE 01 A 05 DE JULHO pelas ruas da cidade

Ciranda Poética - grupo do RJ

O Escritor na Praça - vários autores

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Novo layout

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Estou arriscando sair de um layout padrão do blogspot para um novo. Acho que este novo layout ficou até razoável. Se alguém quiser expressar sua opinião caso tenha achado ruim para ler ou algo do gênero, por favor, avise.

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Poesia - Sinceridade

em 09/06/2009.
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Para continuar a movimentar o blog, aqui vai uma poesia simples, rápida e irônica; bem bonitinha e com aquele tom musical de que gosto muito. Acabei fazendo também uma pequena modificação, cortando a parte inicial que achava desnecessária - e que, de acordo com o próprio poema, deveria ser cortada, não é mesmo? Leiam e julguem vocês, espero que gostem.


Sinceridade

Não existe um verso mais perfeito
do que aquele repetido ano a ano.
Aquele verso que a gente diz sem jeito.
Aquele verso que se chama "Eu te amo".
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Artigo - Livros de Auto-ajuda

em 08/06/2009.
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Este é um artigo que defendi no último Intercom Regional: "Livros de auto-ajuda: objetos de consumo pós-modernos. Alguns pedaços dele foram retirados do meu livro "A nova posição da ficção na pós-modernidade e a mídia", que será publicado nos próximos meses. Segue abaixo o resumo do artigo para quem estiver interessado. Para ver o artigo completo, clique aqui.


Resumo

O presente artigo pretende refletir sobre as razões do sucesso dos chamados “livros de auto-ajuda”. Propõe-se que, por intermédio de uma visão focada no modo de vida pós-moderno, é possível observar o grande apelo que os livros do gênero possuem na atualidade. Somente desta maneira se pode percebê-los como produtos de consumo altamente adaptados à pós-modernidade; como são produzidos para atender, de maneira eficaz, uma demanda típica deste período. Em uma época em que os indivíduos se vêem perdidos em meio a uma multiplicidade de escolhas e a inúmeras incertezas geradas por um mundo de quase infinitas possibilidades, os livros de auto-ajuda aparecem como espécies de projetos seguros para a tomada dessas escolhas, como uma fonte de certezas em meio a uma sociedade incerta.


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Poesia - Lá fora

em 03/06/2009.
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Segue mais um poema que gostaria de dividir com vocês. Acho que tem um tom legal, foi escrito enquanto eu tinha aula no Campus da minha faculdade. Sabem como é. A janela fica aberta, o Campus é arborizado, bonito (em alguns pontos, claro, em outros é terrível), então a gente olha para fora e viaja. Foi disso que saiu pelo menos a inspiração para o poema, depois ele meio que se encaminhou sozinho.


Lá Fora

Quero estar lá fora,
quando estou no trabalho,
quando a aula demora,
quero estar lá fora.

Quando a vida se acalma,
quando se inquieta a alma
é quando eu conto as horas.
Quero estar lá fora.

De quando em quando,
o tempo todo,
quero viver solto,
do outro lado da janela.

Mas fico por aqui,
olhando as coisas a passar,
porque lá fora é frio,
venta,
chove e faz sol.

Enfim, lá fora...
lá fora... não é o meu lugar.
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