Uma tentativa de explorar o mundo através de uma visão mais literária
5 Poema de Amigo - Sobre a Estrutura
Sobre a estrutura
Em nossas armaduras,
tão cheias de buracos,
vazamos a tintura,
desses sonhos opacos.
Começamos em forma.
Quimeras em perfeição.
Tudo então deforma
lágrimas, lama, chão!
Nossa estrutura cai.
Não se sustenta,
a rima tenta,
mas rui em emoção.
O poema, o poeta,
a métrica, a razão,
tudo frágil, desaba:
lama, lágrimas....
Solidão.
Comentário: Eu achei o poema muito bom. Gostei especialmente da primeira estrofe. Algo que me lembra um estilo levemente simbolista. Pareceu-me um estilo que leva um toque de Cecília Meireles, mas em versão masculina. E vocês, o que acham?
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5 Em Aletheia - As profissões
Nos primórdios de Aletheia houve um grande simpósio para discutir quais deveriam ser as profissões oficiais do país. Pensar era de fato a atividade mais importante, era na verdade a única atividade que deveria ser praticada. Que se trocasse informação por riquezas, diziam os sábios. Inventaremos um novo tipo de comércio, a era do conhecimento e da informação. Mas pensar nem sempre é uma tarefa teórica, diziam outros. Sem o contato direto com os seres concretos é impossível alcançar a iluminação, desvendar a essência das coisas. É preciso se aventurar pelo país e pelo mundo para desenvolver ainda mais conhecimento. Criemos, então, três profissões: os contempladores, os aventureiros e os outros. Ninguém sabe o que estes últimos farão, mas como em qualquer explicação é preciso enumerar sempre três objetos para que a frase não soe de maneira estranha, precisaremos, por uma questão de estética, criar uma terceira ocupação.Continue lendo...
5 Espelhos e espelhos
Estava relaxado em sua sala, olhava-se no espelho. Havia algo estranho, porém; alguma coisa o incomodava. Havia mais alguém no reflexo... alguém que o encarava, que se aproximava. Ele se levantou, olhou para trás: a sala estava vazia. Voltou os olhos para o espelho mais uma vez; o outro homem estava ali, parado, encarando-o. Um frio subiu-lhe a espinha. Seria aquilo alguma brincadeira de seus colegas de trabalho? Será que ele se enganara? Será que as pessoas não gostavam tanto dele como pensava?
Olhou para trás novamente, a sala continuava vazia. O homem estranho só aparecia no espelho, aproximava-se vagarosamente. Ele virou de costas, fitava com um olhar nervoso cada canto da sala. Só podia ser uma piada... tinha de ser uma piada. Virou-se para o espelho por uma vez mais. O homem estranho estava ainda mais perto, cada vez mais perto... ameaçadoramente próximo.
Não conseguia mais desviar o olhar, sentia-se quase hipnotizado. Havia algo ali que começava a compreender. Deu dois passos para a frente... esticou os braços, agarrando o ar inutilmente. O homem estranho continuava a encará-lo, os olhos fixos nos seus. Ele sentiu-se desesperado, mais um pouco e o homem o tocaria... mataria-o talvez... meu Deus, quem era aquele homem?
Sentiu algo tocar-lhe a face; era frio... e sólido... era o espelho. O estômago revirou-se, uma ânsia de vômito atacou-lhe a garganta. O homem estranho... era ele.
Comentário: Este conto é baseado em um curta bem antigo que eu vi faz muito tempo. Eu não sei o título, nem o autor, mas quando vi o curta tive a idéia do conto.
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2 Contos Plausíveis - Carlos Drummond de Andrade
Conforme eu postar uns contos por aqui, vocês perceberão que "Contos Plausíveis" traz várias histórias bem pequenas (150 no total, se não me engano - todas publicadas na antiga coluna do autor no Jornal do Brasil), mas sempre muito irônicas e com muita informação. A um leitor mais descuidado, podem parecer meio sem pé nem cabeça, mas na realidade trazem muitas reflexões. Eu gosto muito, como já disse, por apreciar a própria escrita do Drummond e também a sua capacidade única de colocar um pouco de ironia e bom humor em quase todas as suas produções. Enfim, leiam o texto e desfrutem. "Contos Plausíveis" vale muito à pena; se puderem, comprem.
A OPINIÃO EM PALÁCIO
O Rei fartou-se de reinar sozinho e decidiu partilhar o poder com a Opinião Pública.
― Chamem a Opinião Pública ― ordenou aos serviçais.
Eles percorreram as praças da cidade e não a encontraram. Havia muito que a Opinião Pública deixara de freqüentar lugares públicos. Recolhera-se ao Beco sem Saída, onde, furtivamente, abria só um olho, isso mesmo lá de vez em quando. Descoberta, afinal, depois de muitas buscas, ela consentiu em comparecer ao Palácio Real, onde Sua Majestade, acariciando-lhe docemente o queixo, lhe disse:
― Preciso de ti.
A Opinião, muda como entrara, muda se conservou. Perdera o uso da palavra ou preferia não exercitá-lo. O Rei insistia, oferecendo-lhe sequilhos e perguntando o que ela pensava disso e daquilo, se acreditava em discos voadores, horóscopos, correção monetária, essas coisas. E outras. A Opinião Pública abanava a cabeça: não tinha opinião.
― Vou te obrigar a ter opinião ― disse o Rei, zangado. ― Meus especialistas te dirão o que deves pensar e manifestar. Não posso mais reinar sem o teu concurso. Instruída devidamente sobre todas as matérias, e tendo assimilado o que é preciso achar sobre cada uma em particular e sobre a problemática geral, tu me serás indispensável.
E virando-se para os serviçais:
― Levem esta senhora para o Curso Intensivo de Conceitos Oficiais. E que ela só volte aqui depois de decorar bem as apostilas.
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0 O mito nos Reality Shows
Na modernidade os indivíduos liam livros de antropologia para conhecer a cultura de determinado local, aprender os seus costumes e ouvir as suas histórias. Este era um interesse de fato pelo real, pela realidade daquele povo. A curiosidade por conhecer as particularidades da cultura do outro era o que impulsionava o indivíduo moderno; a vontade de conhecer o mundo, de desbravá-lo: a busca pela verdade, única e imutável.
Hoje, entretanto, quando um nordestino, por exemplo, entra na casa de um show como o Big Brother, ninguém está interessado em observar através dele a cultura do nordeste. As pessoas querem saber o que ele fará ali dentro, que tipo de personagem irá representar, se será bom ou mal, se ficará ou não com alguém. Ou seja, todo o significado real que a cultura nordestina tem é jogado fora, porém o signo do nordestino continua presente. Ele acaba sendo reconstruído, integrado a novos significados; significados que serão absorvidos pelos indivíduos que acompanham o programa. Este é o mito do qual fala Roland Barthes.
A grande questão é que em uma sociedade em que os indivíduos se vêem perdidos, desprovidos de qualquer projeto coletivo maior a seguir (como foi o Estado e a política), este mito se torna ainda mais perigoso. Como já explicitado, os Reality Shows, assim como os produtos ficcionais em geral, tornam-se um abrigo no mundo pós-moderno, um lugar no qual as certezas podem existir com toda a sua potência. É por isso que as pessoas assistem a esses programas, para poderem se sentir, ao menos por algum tempo, em um mundo em que não há o espaço para dúvida; um lugar em que aquilo que é certo e errado tem definições claras.
O problema é que, uma vez tomando este espaço de lugar das certezas, programas como os Reality Shows se transformam em grandes armas ideológicas. Se as regras comportamentais presentes em tais programas são copiadas e importadas por cada indivíduo, a própria sociedade se modifica ou se petrifica conforme estas regras. Basta uma olhada mais meticulosa para grande parte dos Reality Shows para se perceber que, de uma maneira geral, eles apenas reproduzem a ideologia dominante. Os homens e mulheres sempre devem exibir determinados padrões de beleza, os participantes favoritos em geral possuem uma forte ligação com a família e etc...
Os Reality Shows aparecem, portanto, como grandes disseminadores de mitos, o que logicamente os torna também grandes armas ideológicas na luta por hegemonia. Como todo o mito, são também alienantes, pois retiram dos signos toda a sua história e todo o seu significado para integrarem a eles um significado novo, mais adaptado às vontades das classes dominantes.
Rapidinha - Um link não relacionado ao post, mas para uma postagem bem legal sobre o ato de escrever que contém entrevista com Raimundo Carrero. Vale a pena checar. É só clicar aqui.
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4 Cadernos do Homem Comum - Roberto
Pela janela, notou uma aglomeração de pessoas na rua; um ônibus derrapara e batera violentamente em um muro. Ele fitava o acidente com olhos indiferentes, preferia prestar atenção à musica que inundava os seus ouvidos. Aumentou o volume, o tempo passou mais depressa. Ele nada tinha a ver com o que acontecera.
Na faculdade, não podia ouvir música, mas ainda assim não se interessava muito pelas palavras do professor; preferia olhar pela janela. Trocar algumas mensagens por celular também não era ruim: podia marcar algo para fazer no final de semana.
Voltou para casa de metrô, seu mp3 deixava todo o mundo mais silencioso. Quando chegou na praça Saens Pena, já era quase meia-noite. Estranhamente, as ruas não estavam vazias, havia uma aglomeração mais ou menos no centro da praça. Mais um acidente... não, dessa vez parecia assassinato. Viu três crianças estateladas no chão... baleadas... aumentou o volume; sentia um pouco de fome, estava mais preocupado com o que teria para a janta.
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5 No bar com os amigos
é quando a solidão eu espanto,
é quando me deixo levar pelo encanto
e esqueço dos medos,
ignoro os perigos.
Feliz é aquele que tem amigos,
aquele que pode conversar,
que tem com quem contar,
que pode falar de outra coisa
que não seja de seu próprio umbigo.
Feliz por saber que amizade
é quando um precisa do outro
e o outro precisa do um
e ambos sabem de cor
que a amizade verdadeira
precisa mesmo é existir;
não levar a lugar algum.
Comentário: Uma homenagem em cima da hora ao dia do amigo! Só um pequeno rascunho que eu fiz, ficou legal. Parabéns a todos os meus amigos =P
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2 Ferreira Gullar fala sobre a FLIP
Editado: só para colocar a minha opinião sobre as declarações do Ferreira Gullar. Acho que ele teve a intenção de dizer que a FLIP é um evento muito importante para a literatura. Pode apresentar alguns problemas, como a questão da relação com o excesso de mídia, mas mesmo assim, mesmo podendo ser prejudicada em qualidade por esta relação, é um evento de grande importância e que deve ser estimulado.
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3 Em Aletheia - Os rios
Os rios - Em Aletheia não é possível beber água das nascentes, nem lavar as roupas e, muito menos, banhar-se nas águas de um rio. Lá, as coisas são como realmente são, revelam seu caráter verdadeiro. Os rios, portanto, não passam de metáforas.
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7 Acidente na sala - poema inédito de Ferreira Gullar
Inauguro uma série de postagens relacionadas ao bate-papo sobre literatura que eu e os membros do blog Pau na mesa e Bloguinéfilo tivemos com o grande poeta Ferreira Gullar. No final da entrevista, pedimos para ele ler um poema e fomos presenteados com uma obra inédita. Ele leu "Acidente na sala", do livro "Em alguma parte alguma", o primeiro de poemas do autor desde o lançamento de "Muitas Vozes", em 1999.
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3 Novo projeto - Em Aletheia
Comentário: Um novo projeto que devo desenvolver aqui. Um exercício de imaginação. Espero que gostem, é apenas um experimento.
Aletheia - Um país pacífico no qual todos procuram a verdade. É o menor de seu continente, mas de grande influência. Um povo pequeno com grandes moradores. Filósofos. É irritante como eles estão sempre certos, dizem os vizinhos.
O povo - Pensadores desde pequenos. O mundo deve possuir algo de verdadeiro; é preciso investigá-lo. Ele é um grande livro, existe para ser estudado. Desistir do mundo e da verdade é tarefa para os tolos... e preguiçosos!
Comida - Mente sã e corpo são. Não é possível filosofar de barriga vazia. Antes de iniciar qualquer linha de raciocínio é preciso saciar a fome e a sede. As necessidades do corpo atrapalham o julgamento imparcial das coisas. São fãs de cachorro quente e salaminho. Para beber... cerveja.
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1 Entrevista com Ferreira Gullar e poema
Editado: A conversa com o poeta Ferreira Gullar foi excelente; durou cerca de 2h. Ao longo dos próximos dias irei, juntamente com meus amigos do blogueiros, fazer diversos posts sobre os diversos temas abordados. Talvez amanhã já coloque aqui um vídeo com o grande poeta lendo um de seus poemas inéditos.Há coisas sobre o fazer poético, sobre a FLIP e muito mais. Aguardem!
Na próxima segunda terça-feira (14/07/09) irei me sentar junto com alguns amigos blogueiros para conversar com o grande poeta Ferreira Gullar sobre literatura. Pretendemos perguntar a ele sobre o fazer poético, a sua visão sobre o que é produzido hoje em termos literários e muito mais. A idéia é tentar colher bastante material para fazer algumas postagens aqui no blog (quem sabe uma "Semana Ferreira Gullar"). Por isso, peço a ajuda de vocês, caros leitores. Enviem suas idéias (e perguntas) para o meu e-mail - leoschabbach@gmail.com - via twitter - http://twitter.com/leoschabbach - ou aqui mesmo nos comentários. Caso idéias e perguntas interessantes apareçam, iremos utilizá-las. Portanto, participem!
Agora, só para dar um gostinho, aqui vai um poema de Ferreira Gullar:
Poema brasileiro
No Piauí de cada 100 crianças que nascem
78 morrem antes de completar 8 anos de idade
No Piauí
de cada 100 crianças que nascem
78 morrem antes de completar 8 anos de idade
No Piauí
de cada 100 crianças
que nascem
78 morrem
antes
de completar
8 anos de idade
antes de completar 8 anos de idade
antes de completar 8 anos de idade
antes de completar 8 anos de idade
antes de completar 8 anos de idade
Comentário: Gosto muito deste poema dele. Primeiro por trazer a característica pela qual muitos de nós o conhecemos; a sua poesia social. Além disso, o poema também traz um outra grande característica do poeta, o poema concreto. Enfim, desfrutem.
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5 A Superloja
com mil e um produtos
com mil e uma utilidades.
Finalmente aberta ao público,
com preços módicos,
com setores diversificados,
com o ambiente controlado
pelo mais caro sistema
de ar-condicionado.
Todos no bairro correram,
assim que foram convocados.
E por lá permaneceram,
um dia por produto comprado.
Após o periodo de um ano,
a Superloja já estava cheia.
As pessoas por ali ficavam,
desde o primeiro café
até a longa última seia.
E todo o restante do bairro,
tranqüilo e arborizado,
ficou para os desavisados
que, por demais presos à realidade,
acabaram ficando de fora
do advento da modernidade.
Comentário: É uma poesia minha que achei legal dividir. É um pouco simples até na construção, mas eu, particularmente, gosto muito da musicalidade, do clima do poema e, especialmente, da mensagem que tentei passar. Considero essa poesia um pequeno conto. Espero que gostem!
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0 Obra completa (ou quase) de Castro Alves
No site também é possível ler excelentes críticas literárias a respeito do escritor, como podemos ver nestes trechos do artigo "Romântico e Libertário", publicado por Leo Schalafman no Jornal do Brasil em 07/03/97.
a poesia, mas foram as mulheres que
o inspiraram nos poemas de euforia"
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1 Poemas de Cecília Meireles
Hoje, que seja esta ou aquela,
pouco me importa.
Quero apenas parecer bela,
pois, seja qual for, estou morta.
Já fui loura, já fui morena,
já fui Margarida e Beatriz,
Já fui Maria e Madalena.
Só não pude ser como quis.
Que mal fez, essa cor fingida
do meu cabelo, e do meu rosto,
se é tudo tinta: o mundo, a vida,
o contentamento, o desgosto?
Por fora, serei como queira,
a moda, que vai me matando.
Que me levem pele e caveira
ao nada, não me importa quando.
Mas quem viu, tão dilacerados,
olhos, braços e sonhos seus,
e morreu pelos seus pecados,
falará com Deus.
Falará, coberta de luzes,
do alto penteado ao rubro artelho.
Porque uns expiram sobre cruzes,
outros, buscando-se no espelho.
Rapidinha - Aconselho a quem gosta dos poemas da autora o livro "Os melhores poemas de Cecília Meireles".
Editado - Confira uma visão sobre a obra de Cecília Meireles aqui.
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3 Criação
Rabiscava de um lado
rabiscava do outro;
enfim, rabiscava sem parar.
Num desses rabiscos percebi haver me perdido.
Havia me perdido no meio do fio... da meada?
Não. Havia subido no meio fio!
Foi quando percebi que dirigia um carro.
Comentário: Às vezes é bom uma poesia para descontrair!
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1 Eventos pós-FLIP
editado: O escritor português Antônio Lobo Antunes (grande atração da FLIP deste ano) também participará de um evento no Rio. Nesta terça-feira, às 19h, no Palácio São Clemente (Rua São Clemente 424, Botafogo) ele irá autografar seus dois mais recentes livros lançados no Brasil pela editora Alfaguara. Fonte: O Globo Online
O Fórum de Ciência e Cultura da UFRJ realiza na terça, 7 de julho, o encontro Depois da FLIP com escritores brasileiros que participam da sexta edição da Festa Literária Internacional de Paraty. A escritora Tatiana Salem Levy e os jornalistas Arnaldo Bloch e Sérgio Rodrigues vão retomar o tema da mesa de Paraty, Verdades inventadas, e discutir as peculiaridades do processo de produção literária. Além de grandes romancistas, os três são ex-alunos da UFRJ. A mesa começa às 16 horas.
Já Bernardo Carvalho, que este ano lançou sua 10a obra de ficção, o livro O filho da mãe, vai falar sobre seu trabalho e sobre temas abordados na mesa O avesso do realismo da FLIP, a partir das 18 horas.
A mediação de ambas as apresentações será feita por Beatriz Resende, escritora, professora da Uni-Rio e coordenadora do Fórum.
Tatiana Salem Levy venceu o Prêmio São Paulo de Literatura na categoria estreante e foi finalista do Jabuti de 2008. Arnaldo Bloch, colunista do jornal O Globo e escritor, publicou Os irmãos Karamabloch em 2007, livro sobre a história de sua família à frente da Rede Manchete. Sérgio Rodrigues, autor do Todoprosa, um dos blogs de literatura mais visitados do país, é jornalista e crítico literário.
Para aqueles que não puderem comparecer ao evento, haverá transmissão ao vivo pelo endereço eletrônico tv.ufrj.br/fcc. A entrada é franca e não é preciso se inscrever para assistir às discussões. O Fórum de Ciência e Cultura da UFRJ fica na av. Pasteur, 250 – Urca. Para maiores informações sobre a localização, consultar o site www.forum.ufrj.br.Sobre as palestras de Gay Talese:
Palestras com Gay Talese
Luiz Fernando Cardoso - 06/07/2009
Depois de sua participação na Feira Literária Internacional de Paraty (FLIP), o jornalista estadunidense Gay Talese fará duas palestras gratuitas. Em São Paulo, o evento ocorre no Masp - Museu de Artes de São Paulo (Grande auditório - av. Paulista, 1.578, Bela Vista, tel.: ![]()

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11 ...
), no dia 7 (terça-feira), às 19h30, com moderação do jornalista Ilan Kow. Na quarta-feira, dia 8, o encontro acontece no Rio de Janeiro, no Instituto Moreira Salles - IMS (r. Marques de São Vicente, 476, Gávea, tel: ![]()

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21 ...
), às 20h30, com mediação de jornalista Arthur Dapieve. Os ingressos para participar das palestras devem ser retiradas com uma hora de antecedência no dia e local dos eventos. Gay Taleses irá falar de sua carreira e da experiência como jornalista do The New York Times.
O jornalista Gay Talese é autor dos livros Vida de escritor (2009), Fama e anonimato (2004) e O reino e o poder (2000). Todos publicados pela Companhia das Letras.
Fonte: Folha Online.
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2 Análise do homem de ferro e do Hulk - algumas similaridades
Estas similaridades das quais falei se encontram no âmbito das noções de verdade presentes nas obras. É claro que nem todos as verão da maneira como aqui serão apresentadas, mas creio que esta seja a idéia (mesmo que não intencional) carregada pelos filmes. Como disse em meu primeiro post, a ficção hoje é uma produtora de realidade. Nós lemos, assistimos ou escutamos esta ficção e absorvemos as verdades apresentadas por ela por meio de analogias e metáforas. Deste modo, pretende-se analisar quais noções de verdade nos são apresentadas pelos dois filmes.
Como todos sabemos, o Hulk é na realidade uma tentativa de se criar um super-soldado; ele representa a ânsia pelo desenvolvimento, a supervalorização da técnica que nos leva a consequências catastróficas (algo que poderia lembrar a relação energia nuclear vs. bomba atômica). Ele é também uma metáfora de uma sociedade voltada para ter sempre melhores resultados, para a exploração; uma sociedade que não se importa com os danos que o progresso pode causar. Este é o mesmo problema com o qual Tony Stark se depara em "O homem de ferro". Ele descobre que as armas produzidas por ele são usadas por bandidos, que estão causando mortes e injustiça ao redor do mundo. Ou seja, depara-se com uma sociedade de um captalismo exacerbado, um sistema danoso e insustentável.
Neste aspecto, o que os filmes fazem é nos passar uma idéia de oposição aos sistemas econômicos e sociais da atualidade; eles nos fazem perceber como eles são perigosos e como é necessário agir de alguma forma. Entretanto, esta ação não deve ocorrer por intermédio da destruição de tal sistema. O que se deve fazer é utilizar a sua própria força, suas riquezas e sua técnica para resolver os problemas do mundo. Ainda melhor do que trocar o sistema é usá-lo de uma maneira mais sábia, pois assim poder-se-ia salvar um número ainda maior de pessoas.
Estas afirmações acima ficam explícitas quando, ao longo do filme, o Hulk consegue controlar a fera que é libertada dentro dele e a direciona para uma ação que não envolve apenas destruir, mas lutar contra o inimigo e salvar a cidade. Isto é, ele é capaz de controlar aquela força infreável e utilizá-la para um bem maior.
Ainda mais clara fica tal afirmação no filme "O homem de ferro". Ao perceber que suas armas causam sofrimento e dor, Tony Stark não as destrói; não transforma sua empresa em uma instituição filantrópica. Ele cria com as próprias armas, com toda aquela tecnologia que traz o mal para o mundo, uma armadura de titânio que o transforma em uma super-herói capaz de salvar milhares de vidas. Ou seja, ele luta com as próprias armas do sistema.
Neste sentido, os filmes transmitem a idéia de que o sistema é sim danoso, mas que não é possível substituí-lo; é preciso apenas modificá-lo. Em termos políticos, poderiamos até dizer que fazem uma apologia a um capitalismo sustentável.
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3 As relações interpessoais na pós-modernidade
Na pós-modernidade não se olha mais para a essência, aquilo que antes dizíamos sentir verdadeiramente, que apenas nós éramos capazes de saber. Hoje, se alguém não é capaz de mostrar seus sentimentos através de atos concretos, é como se eles simplesmente não existissem. Num mundo em que impera o modelo da eficácia, é assim que se dão as relações de amor e também de amizade.
Talvez o "regime do eficaz" sobre o qual falo não tenha ficado tão claro, mas o fato é que ele predomina em todos os níveis da sociedade, o que inclui também as relações humanas. Fica mais fácil de compreendê-lo quando pensamos em termos mais econômicos; isto é, quando falamos de consumo. Se compramos um tênis, não pensamos, em geral, em como ele foi produzido, se causou desmatamento, poluição ou se, até mesmo, explorou mão-de-obra infantil (como podemos ver neste vídeo). Basta que o tênis seja confortável, que seja bonito e responda eficazmente aos nossos anseios para que o troquemos por outro.
Da mesma maneira se dão as relações sociais na atualidade. Não importa se a outra pessoa nos ama. Se ela não demonstrar tal sentimento por intermédio de atos concretos, consideramos que o sentimento não existe e simplesmente terminamos a relação; procuramos então outra pessoa, uma pessoa que possa responder eficazmente aos nossos anseios, exatamente como faríamos com um produto. É assim que a maioria das relações humanas têm se desenvolvido na pós-modernidade: como objetos de consumo. Basta uma noite em uma boate, uma mensagem de celular, para que nossas necessidades de consumidor sejam satisfeitas de maneira rápida e superficial, extramamente eficaz, portanto.
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0 Poemas de Cecília Meireles - Retrato
assim calmo, assim triste, assim magro,
nem estes olhos tão vazios,
nem o lábio amargo.
Eu não tinha estas mãos sem força,
tão paradas e frias e mortas;
eu não tinha este coração
que nem se mostra.
Eu não dei por esta mudança,
tão simples, tão certa, tão fácil:
— Em que espelho ficou perdida
a minha face?
Editado - Confira uma visão sobre a obra de Cecília Meireles aqui.
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1 A história das coisas - Importante
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2 Entrevista com Clarice Lispector
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