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[Resenha e Indicação] O Nome do Vento e Patrick Rothfuss

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[A Sociedade da Rosa] Boa Vizinhança

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Poema - Precisão poética

em 30/10/2009.
| Comentários: (4)
Queria ter a certeza da matemática,
possuir aquela precisão aritmética,
aquela forma bem talhada e mágica
das eternas revoluções poéticas!

Por mais que o mundo pareça compreensível,
ele é matéria móvel e instável,
uma quantidade de coisas-número infindável
que um poema transforma em coisa-sensível.

Uma, duas, quatro metáforas
se ligam ilogicamente a outras três,
transformam a teoria em coisa-prática
e encerram o mundo todo de uma vez.
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Livros Físicos, e-books e mercado editorial (Parte II)

em 29/10/2009.
| Comentários: (5)
Esta postagem segue os assuntos tratados num artigo anterior também sobre os mesmo temas: Kindle, e-books e mercado editorial (Parte I). Aqui pretendo tratar mais especificamente das razões que me levam a crer que, de modo algum, os e-books substituirão os livros físicos. O que me dá esta convicção é um fato simples, mas que passa muitas vezes despercebido nos exarcebados temores diante dos livros digitais: grande parte das pessoas conhece os livros nas livrarias - ou por amigos que os conheceram nas livrarias.

Afirmação estranha? Vejamos o Brasil, por exemplo. Aqui quase não existem revistas literárias de peso ou real espaço no jornal para os livros. Além disso, é um fato que somente os best-sellers que já fizeram sucesso absurdo lá fora é que são aqui propangadeados em cartazes e etc... A grande parte dos livros - e isto inclui também os best-sellers, claro - vende no boca-a-boca. E geralmente esta corrente de indicações começa quando alguém encontra o livro por um acaso na livraria (ou depois de uma noite de lançamento muito bem sucedida). Este, inclusive, é o grande problema enfrentado pelas pequenas editoras: como colocar os livros nas grandes livrarias de modo que eles tenham visibilidade?

É possível vender online? É. Mas é bem difícil, até mesmo porque as pessoas não costumam procurar por livros aleatoriamente pela internet. Mesmo quem costuma comprar muitos livros pelo Submarino, por exemplo, fica sabendo da existência deles no boca-a-boca ou após esbarrar com o título em alguma livraria.

O grande exemplo desta minha idéia é a Bienal do Livro. A quantidade de livros vendida é gigantesca. E por quê? Pelo fato de que, assim como numa livraria, as pessoas conhecem os livros ali, naquela hora, no estande. Cheguei a discutir com uma amiga sobre isso, sobre o fato de que grande parte dos livros que estavam na Bienal são encontrados na internet por preços muito menores; ainda assim, as pessoas compravam os livros ali, pois era só naquela hora que tomavam conhecimento da existência daqueles títulos.

O fato é que é realmente muito difícil dar visibilidade a um livro unicamente com a internet, mesmo que você consiga uma senhora divulgação com blogueiros (até porque, no Brasil, pouquíssimos são os grandes blogs sobre literatura). Naturalmente, isso vale para pequenas editoras e também para os e-books. Foi justamente por este motivo que apontei - e ainda aponto - como grande caminho para os e-books a venda de livros de grandes autores. Primeiro, porque esses livros serão fatalmente procurados e segundo pelo fato de que muitos deles não demandam mais custo com direitos autorais, permitindo versões a preços baixíssimos (sem quase custo algum para o editor).

O livro físico, portanto, ainda é crucial, ainda mais quando se trata de autores novos ou recentes fenômenos mundiais. Desconsiderando possíveis e prováveis excessões, um e-book de um livro novo só alcançará sucesso caso haja, ao mesmo tempo, um livro físico que esteja dando o reconhecimento que aquele livro merece. E mesmo para os autores já conhecidos, não ter um livro físico exposto nas livrarias significaria uma perda realmente significativa em vendas. É por isso que eu digo: e-books e livros físicos apenas se complementam.
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Conto de Gonçalo M. Tavares - A colher

em 28/10/2009.
| Comentários: (1)
Pela primeira vez, coloco um conto do autor português Gonçalo M. Tavares diretamente no blog. Ele é o meu contista favorito. A sua coleção "O Bairro" é simplesmente fantástica. A quem nunca leu ou ouviu falar, sugiro checar um artigo antigo aqui no blog: Gonçalo M. Tavares - um autor a ser lido. Ele sem dúvida deixará sua marca na literatura portuguesa. Também gostaria de comentar que foi uma frase postada lá no Literatura em conta-gotas que me fez dividir este texto com vocês.


A Colher


PARA TREINAR OS músculos da paciência o senhor Calvino colocava uma colher de café, pequenina, ao lado de uma pá gigante, pá utilizada habitualmente em obras de engenharia. A seguir, impunha a si próprio um objetivo inegociável: um monte de terra (cinqüenta quilos de mundo) para ser transportado do ponto A para o ponto B - pontos colocados a quinze metros de distância um do outro.


A enorme pá ficava sempre no chão, parada, mas visível. E Calvino utilizava a minúscula colher de café para executar a tarefa de transportar o monte de terra de um ponto para outro, segurando-a com todos os músculos disponíveis. Com a colher pequenina cada bocado mínimo de terra era como que acariciado pela curiosidade atenta do senhor Calvino.


Paciente, cumprindo a tarefa, sem desistir ou utilizar a pá, Calvino sentia estar a aprender várias coisas grandes com uma pequenina colher.


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Conto - O segredo de Vinícius

em 27/10/2009.
| Comentários: (14)
Vinícius era sempre expulso de sala. E sua mãe toda a vida reclamava: meu filho, você não tem caderno, não faz os deveres, veja só, desenhos e mais desenhos! Ela gritava enquanto apontava para as folhas inteiramente preenchidas pelo garoto com traços exatos, curvas perfeitas e milhares de truques de perspectiva.

Mas ninguém parecia ligar para a qualidade do que Vinícius desenhava: focavam-se nos desvios, sim, nos desvios de comportamento, como sempre faziam. Uma criança não pode se afastar dos padrões estabelecidos para a sua idade, precisa aprender da exata mesma maneira que seus colegas de escola ou será considerada um objeto estranho, uma fruta podre capaz de contaminar toda uma sexta de prodígios.

O que ninguém sabia era que Vinícius guardava um segredo: não via os traços da mesma maneira que as outras pessoas. Cada linha de um desenho para ele continha informações, ou melhor, um mundo que se abria em sua frente; os traços eram a chave para a sua memória, faziam-no reviver os momentos de modo muito mais intenso do que com qualquer outro tipo de anotação. Diante de uma imagem, Vinícius lembrava-se de tudo, Vinícius sabia. E, com as informações, criava e registrava o mundo por códigos secretos que somente ele podia ler. Mal sabiam os professores que, ao fazer desenhos mais cheios de detalhes, ele desenvolvia teorias tão complexas que só podiam ser codificadas em traços, curvas e imagens; não havia palavras que pudessem explicá-las, a lógica não as abrangia.

Aos poucos, Vinícius se adaptou, aprendeu a escrever longas dissertações em vez de resumir tudo em uns poucos traços. Sabia que precisava jogar de acordo com as regras da sociedade se quisesse sobreviver: tivera uma infância conturbada, marcada pela violência social. Os meninos de sua rua caçoavam dele, os pais e professores não conseguiam o compreender e, por isso, consideravam-no inapto.

Todos eles, entretanto, estavam enganados. Vinícius era muito melhor do que eles; sabia de coisas que eles sequer imaginavam. E com o passar dos anos, ele cresceu e aprendeu a usar o seu dom em benefício próprio. A única vez que teve dúvidas na vida foi quando teve de decidir entre publicidade e arquitetura.

No final das contas, tornou-se arquiteto: imaginou que poderia trazer o bem-estar às pessoas utilizando o seu dom. E realmente conseguiu. Por muitos anos, projetou prédios magníficos, colocou em cada traço das plantas que desenhava secretas mensagens de sucesso e felicidade. Quem morava em suas construções tinha sempre uma vida boa, sem estresse, sem inveja, sem grande parte das doenças que nos impõe a convivência nas grandes metrópoles.

Mas a vida nunca fora fácil para Vinícius, e não seria agora que ele poderia finalmente relaxar. Assim que terminou a construção de seu décimo prédio, veio a notícia: ele estava sob investigação. A sociedade inteira estava em alvoroço. Como podiam as pessoas que moravam nos prédios projetados por ele viver de maneira tão feliz? O que ele fazia para que isso pudesse acontecer?

As pessoas ficaram com medo, pois é assim que acontece, nós temos medo daquilo que não conseguimos compreender. E o medo nos torna estúpidos, arrogantes. Acusaram Vinícius de bruxaria, sim, muitos anos após a inquisição tal punição voltou a ser considerada. Não havia outra explicação. Só poderia ser algum tipo de poder maligno que tornava as pessoas tão felizes; tinha de ser algum tipo de ilusão.

E foi assim que, aos 29 anos, Vinícius teve decretado o seu fim: foi condenado a queimar na fogueira. Quem sabe não teria se saído melhor se tivesse optado pela publicidade?
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Kindle, e-books e mercado editorial (Parte I)

em 26/10/2009.
| Comentários: (4)
Alguns dias atrás recebi um e-mail da Amazon.com que me deixou muito feliz: o Kindle agora funciona internacionalmente e pode ser enviado para qualquer lugar do mundo. Já esperava por isso faz tempo. E infelizmente vou ter de esperar mais um pouco, porque a taxa de importação do produto é absurda. De qualquer maneira, pesquisei um pouco mais sobre os livros à disposição para se baixar no Kindle e comecei a ponderar um pouco a respeito de e-books e do mercado editorial.

Sei que é um assunto também já muito discutido, mas gostaria de expor a minha visão, até porque talvez seja um pouco diferente das outras. Primeiro, para quem não sabe, Kindle é um leitor de e-books da Amazon, pouco mais grosso que um lápis, muito prático e agradável de ler. Através dele, é possível comprar os livros disponíveis no site amazon.com e armazenar no aparelho. Vale lembrar que o Kindle tem conexão 3G, portanto você pode comprar o seu livro estando no shopping, na praia, no meio do mato, enfim... é uma excelente vantagem. Você comprar e carregar obras completas de autores como Freud por míseros três ou cinco dólares e levar para qualquer lugar. Os mais recentes best-sellers também estão lá, por preços mais acessíveis.

Então comecei a pensar nos e-books e também no impacto que a chegada do Kindle terá no Brasil (claro que um pouco mais a frente, uma vez que o aparelho ainda é bem caro por enquanto para quem mora aqui). Não vou, porém, fazer uma apologia exacerbada aos e-books, nem defender com unhas e dentes o livro físico. Consideremos, primeiro, que e-books já existem no país; centenas, milhares. Por que com o Kindle a coisa seria diferente? Simples. Ele pode ser levado para qualquer lugar, a qualidade de leitura é muito maior e você pode ter acesso a muitas obras que não teria com e-books normais da internet. Por outro lado, o livro físico realmente é um produto fortemente estabelecido na sociedade e dificilmente será substituído por versões eletrônicas. Até é possível que perca um pouco de mercado, mas a maior tendência, em minha opinião, é que os e-books aumentem as vendagens das editoras que também publicarem os livros em versões digitais, afinal, quem não gostaria de ter no seu Kindle a obra completa de autores como Freud, Miguel de Cervantes, Flaubert e etc...? É barato e é possível, sem ocupar espaços. Ou seja, gerará, fatalmente, mais vendas. Afinal, a obra completa desses grandes autores, que antes era cara demais ou ocupava espaço demais para ser comprada, passam a ser muito baratas e a não ocupar espaço algum.

O que quero dizer é que, se eu fosse uma editora com potencial de produzir e-books, procuraria os títulos acadêmicos e também os grandes autores do passado. Esses são livros que certamente venderão bem em formatos digitais (assim como, creio eu, livros de auto-ajuda; imagino que seu público prefereria ler em e-book por preços mais baixos). E isso se torna claro quando analisamos os preços na Amazon. Enquanto posso comprar a obra completa de um grande autor do passado por três dólares, um livro novo da lista dos mais vendidos do NY Times sai por doze, um preço não muito distante do livro físico que, neste caso, sairia em vantagem diante do consumidor.

Já os livros acadêmicos parecem ter um potencial bom de vendagem digital pelo fato de que, muitas vezes, eles são a ferramenta de trabalho de um pesquisador. Logo, como toda ferramenta de trabalho dos dias atuais, a velocidade de manuseio é importante. Nada melhor do que ter todos os livros de que você precisa à mão e, o que é ainda mais eficiente, com um mecanismo de busca para encontrar aquela parte daquele livro de que você estava precisando. Fora isso, vejamos no Brasil por exemplo, quantos autores perdem inúmeras vendas de exemplares possíveis para as famosas xerox de livros? Com a presença do Kindle (quando ele for popularizado) estas xerox serão convertidas em vendas, pois será mais barato comprar o livro inteiro pela internet.

Enfim, espero que tenham gostado da postagem e coloquem aqui suas opiniões. Daqui a alguns dias pretendo fazer um outro post falando sobre mercado editorial e e-books, desta vez procurando mostrar o porquê da minha certeza na manutenção dos livros físicos como líderes de mercado quando se trata de leitura.
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Poemas - Fernando Pessoa (Parte I)

em 24/10/2009.
| Comentários: (3)
Hoje coloco mais alguns poemas de Fernando Pessoa no blog e aproveito para falar um pouco das características de sua obra. Tenho de admitir que talvez ele tenha se tornado meu poeta favorito. Ele, Drummond e Cabral estão, para mim, entre os três melhores; geralmente a preferência varia um pouco com o momento e as leituras. Acontece que Pessoa tem duas características que combinam perfeitamente com o que eu gosto na poesia: um trabalho excelente com a forma, extremamente musical também, e uma forte base filosófica nos poemas. Racionalmente, ele deveria mesmo ser meu poeta predileto. Enfim, antes de falar mais um pouco sobre a sua obra, vejamos alguns poemas que selecionei.


Basta Pensar em Sentir (Poesias Inéditas)

Basta pensar em sentir
Para sentir em pensar.
Meu coração faz sorrir
Meu coração a chorar.
Depois de  parar de andar,
Depois de ficar e ir,
Hei de ser quem vai chegar
Para ser quem quer partir.

Viver é não conseguir.


Às vezes entre a tormenta  (Cancioneiro)

Às vezes entre a tormenta,
quando já umedeceu,
raia uma nesga no céu,
com que a alma se alimenta.

E às vezes entre o torpor
que não é tormenta da alma,
raia uma espécie de calma
que não conhece o langor.

E, quer num quer noutro caso,
como o mal feito está feito,
restam os versos que deito,
vinho no copo do acaso.

Porque verdadeiramente
sentir é tão complicado 
que só andando enganado
é que se crê que se sente.

Sofremos? Os versos pecam.
Mentimos? Os versos falham.
E tudo é chuvas que orvalham 
folhas caídas que secam.


Escolhi dois poemas não tão conhecidos, mas muito musicais e, como disse anteriormente, com uma forte base de pensamento por trás. Aproveito então para falar dos poemas de Pessoa reunidos sob o título "Cancioneiro". O próprio autor diria que tais obras poderiam estar reunidas sob qualquer outro nome, pois não seriam nada mais do que os seus poemas mais soltos, aqueles que ele não conseguia qualificar. Entretanto, podemos observar uma característica marcante em "Cancioneiro": os poemas têm uma musicalidade, ritmo e rima incríveis. São obras que fazem uma homenagem à tradição lírica lusitana (Cancioneiro é a designação dada ao conjunto de poesias líricas portuguesas ou espanholas) e revivem um pouco das antigas cantigas medievais. Para quem não sabe, o poema Autopsicografia (que colocarei no final da postagem), um dos mais famosos do autor português, faz parte da coleção "O Cancioneiro".

Enfim, para não me alongar muito, deixarei para falar dos heterônimos de Pessoa (Alberto Caeiro, Ricardo Reis e Álvaro de Campos) em outras postagens.


Autopsicografia

O poeta é um fingidor.
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.

E os que lêem o que escreve,
Na dor lida sentem bem,
Não as duas que ele teve,
Mas só a que eles não têm.

E assim nas calhas de roda
Gira, a entreter a razão,
Esse comboio de corda
Que se chama coração.


Vocês podem querer conferir ainda alguns poemas inéditos de Fernando Pessoa ou então uma análise mais longa que fiz de uma de suas obras.

Também podem conferir a obra completa do autor no site Jornal de Poesia.
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Poema de Amigo - Desencontro e Zoológico

em 23/10/2009.
| Comentários: (1)
Após um bom tempo enrolado com alguns afazeres finalmente posso colocar aqui dois poemas que já gostaria de ter posto faz algum tempo. São de um amigo poeta que fiz pelo twitter, Paullo Phirmo, que me enviou o seu livro para dar uma lida e dizer minha opinião (ainda estou devendo escrever um e-mail com ela). Enfim, o livro, "Ato 1º", é de leitura muito agradável, e alguns poemas me chamaram muito a atenção. Aqui vão dois deles, espero que vocês gostem tanto quanto eu.


Desencontro

e no relatório
deu
contraditório


resultado
a priori
insatisfatório


humano
insano


no seu
cotidiano
pseudo-ilusório.


Zoológico

fechar porta
trancar vida

carnificina neandertal

sofrimento
sobrevida
animal


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Podcast sobre livros e Revista Cultural

em 21/10/2009.
| Comentários: (1)
Faço uma postagem rápida para falar de duas iniciativas bem interessantes - e também para dar um recado importante. Primeiro ao recado. Aparentemente, alguns leitores do blog estão clicando nos anúncios adsense para me "ajudar". Peço para pararem. Sei que a intenção é ajudar, mas ocorre justamente o contrário, pois cliques das mesmas pessoas geram cliques inválidos que podem cancelar a minha conta. Agora vamos ao assunto principal da postagem: o podcast com dicas de livros e a revista cultural.

O escritor e poeta Rodrigo Capella, autor de “Transroca, o navio proibido“, que será adaptado para o cinema pelo diretor Ricardo Zimmer, acaba de lançar o PodCast Virando a Página. Toda semana, o autor irá apresentar uma nova dica de livro. Se quiser conferir é só visitar a página clicando aqui.

Também gostaria de indicar a leitura da revista cultural da Editora Novitas (@editoranovitas no twitter). O site deles está muito legal e agora eles estão com esta excelente iniciativa. A revista tem uma leitura bem agradável. Na última edição até colocaram um poema aqui do meu blog (Humanidade) - teve alguns probleminhas com as quebras de linha, mas tudo bem. Enfim, espero que gostem das dicas, sempre fico feliz em poder ajudar iniciativas culturais.

Ah, e àqueles que querem ajudar, em vez de clicarem nos links adsense, sempre que forem comprar algo no Submarino, podem o fazer clicando no icone que tem ai do lado, desta maneira ganharei uma comissão e ficarei muito feliz, hehe.
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Mario Quintana - O problema

em 20/10/2009.
| Comentários: (1)
Continuo a colocar aqui histórias sobre os grandes autores. Como comprei na bienal um livrinho com várias sobre o Mario Quintana, suas histórias têm sido presença constante no blog. Eu gostei particularmente dessa, acho que me identifico um pouco, ao menos em partes. Quem nunca leu as pequenas histórias de Quintana pode conferir na série de postagens Curiosos "causos" de grandes autores. Há também uma análise antiga minha de um dos poemas do autor em que aponto algumas características de suas obras.


O PROBLEMA

DEPOIS de construir a fama de recluso e avesso a exposições, por volta dos 70 ele se deixou descobrir explicitamente. Virou atração turística, como avalia o jornalista Ivo Stigger. "Sou a falta de assunto predileta das professoras de Português da Grande Porto Alegre", divertia-se. Quando não podia fugir, desaparecendo nos corredores do prédio da Caldas Júnior ou enfiando-se num cinema, aceitava o sacrifício estoicamente.

Naquela tarde, um bando de normalistas do Instituto de Educação (ainda usavam o uniforme tradicional, saia plissada azul-marinho, blusa listrada em vermelho e branco, gravatinha) invadiu a redação e foi direto à mesa do poeta, tema involuntário de um trabalho em grupo.

Apegando-se ao fato de que ele sempre vivera sozinho, uma magrelinha loira faz a primeira pergunta:

- O senhor poderia falar sobre o problema da solidão?

Ele, dirigindo-se ao grupo:

- O maior problema da solidão, minhas filhas, é preservá-la.
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Convicções - Contos

em 19/10/2009.
| Comentários: (5)
Nota: Este é um conto que eu já havia colocado no blog faz muito tempo atrás. Acontece que eu o retirei do ar para reescrevê-lo, já que achava a idéia boa, mas a execução (forma escrita) que eu tinha utilizado nem tão boa assim. Enfim, gostei do resultado do conto refeito e divido-o, agora, com vocês. Vamos ver o que vocês acham.

Ele caminhava por uma pequena vila situada no coração de uma grande cidade. Estava atrasado para o trabalho e resolvera cortar caminho por ali. Era um lugar calmo e simples, de ritmo muito diferente do vivido nas grandes metrópoles.

Ele gostou muito de poder presenciar tudo aquilo. Era como se pudesse, mesmo que por apenas alguns instantes, ser transportado para uma realidade diferente, um lugar em que não precisava se preocupar com a velocidade da vida urbana.

Naquele dia, o clima na vila era ainda mais propício a um estado de letargia. A alta umidade no ar e o calor criavam um ambiente ainda mais lento do que o normal. As ruas estavam quase totalmente vazias. Somente de vez em quando alguém podia ser avistado caminhando ou conversando pela calçada. Nada que perturbasse demais o silêncio - um silêncio praticamente inexistente nos grandes centros do país.

Em um banco de madeira mais adiante, uma voz rouca destoava daquele ambiente tranqüilo. Uma senhora de idade avançada gritava alguma coisa para as poucas pessoas que passavam; ninguém lhe dava atenção. Mas ela não parecia disposta a desistir e continuava a gritar aos que estavam na rua: não sigam, não sigam. Se escondam, pois já vem o arrastão.

Sem hesitar, insistia em dar o seu recado; a cada um que passava, repetia a sua mensagem. As pessoas a ignoravam. Ele teve compaixão. Era notável que a vida fora impiedosa com aquela senhora.

Ele se aproximou e se sentou ao lado dela no banco. Primeiro, ofereceu-lhe dinheiro, mas ela se manteve imóvel; observava o movimento na rua. Depois, tentou iniciar uma conversa, mas ela o ignorou; continuou a dar o seu aviso a quem quer que passasse.

Quando ele já havia desistido, tomado para si que aquela senhora era um caso perdido, ela lhe dirigiu a palavra: me diga, por que eles não escutam? Por que nunca escutam?

Ele a fitou por alguns instantes. Percebeu naqueles olhos já desgastados pelo tempo um desespero genuíno, uma angústia inegavelmente verdadeira. Era como se todos os esforços daquele corpo estivessem voltados para aquela única mensagem. Ele não conseguia se manter indiferente, precisava dar a atenção que aquela senhora merecia. Explicou-lhe que as pessoas da cidade eram assim mesmo, que costumavam não dar ouvido aos outros, que era perda de tempo, mas que ele a tinha escutado. Em seguida, perguntou o que deveriam fazer. Ela lhe respondeu: precisamos sair daqui, a minha casa é logo ali. Se sairmos agora, poderemos nos esconder em tempo.

Ele se levantou e estendeu a sua mão para ajudar a velha senhora. Decidira a levar para casa, assim poderia garantir que ela iria descansar. Sentia-se muito bem com isso. Sentia que recuperava um pouco de sua humanidade, uma virtude que deixara de lado por causa da vida agitada dos grandes centros urbanos.

Os dois andaram até uma pequena casa amarela na esquina. A velha senhora passou por um portão de metal enferrujado, que dava para um velho quintal, tirou as suas chaves do bolso e lentamente abriu a porta. Ele esperava pacientemente. Só se mexeu quando ela lhe fez um sinal para entrar. O interior da casa era mal iluminado, possuía um aspecto antigo, povoado por móveis do início do século.

Ela esperou que ele passasse, fechou a porta, andou vagarosamente até uma cadeira de balanço colocada em frente à janela e se sentou. Naquele lugar, parecia ainda mais velha e cansada. Os móveis, a iluminação e um cheiro de madeira antiga certamente ajudavam a aguçar esta sensação. Ele se sentiu um pouco incomodado. Fez menção de se virar e ir embora, mas parou ao ouvir um barulho intenso vindo do lado de fora.

Correu até a janela, o sangue lhe subiu à cabeça. Na rua, ocorria um arrastão... Um grupo de pessoas surgiu do nada e começou a roubar todos que estavam no caminho. Ele observou a cena, surpreendido e assustado. Por algum tempo, manteve-se imóvel. Uma série de perguntas o impedia de pensar claramente. Sem perceber, entretanto, sorria. Não podia deixar de sorrir. A sua boa ação tinha sido mais do que bem recompensada.

Ele voltou seus olhos para a velha senhora. Ela repousava em silêncio, adormecida em sua cadeira de balanço. Preferiu não a incomodar. A imagem dela sentada, iluminada pelos tênues fios de luz que cruzavam a janela, agora o fascinava. Assim que o arrastão terminou, decidiu deixar a casa em silêncio, prometendo nunca mais duvidar de algo em sua vida após tudo o que testemunhara.

Ela suspirou satisfeita, finalmente acertara. Por anos se sentara no mesmo banco da vila, por anos avisara as pessoas sobre um arrastão que nunca acontecia. Naquele dia, enfim, as suas previsões tinham se concretizado, e seu desejo final se tornara completo.

Assim que percebeu que o jovem saíra da casa, ajeitou-se por mais uma vez, deixou que seus muitos anos de vida abatessem o seu corpo frágil e faleceu, sentada na cadeira de balanço, com uma expressão tranqüila e um contente sorriso no rosto.
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Maneiras de amar - por Drummond (Contos Plausíveis)

em 16/10/2009.
| Comentários: (4)
O jardineiro conversava com as flores, e elas se habituaram ao diálogo. Passava manhãs contando coisas a uma cravina ou escutando o que lhe confiava um gerânio. O girassol não ia muito com sua cara, ou porque não fosse homem bonito, ou porque os girassóis são orgulhosos de natureza.

Em vâo o jardineiro tentava captar-lhe as graças, pois o girassol chegava a voltar-se contra a luz para não ver o rosto que lhe sorria. Era uma situação bastante embaraçosa, que as outras flores não comentavam. Nunca, entretanto, o jardineiro deixou de regar o pé de girassol e de renovar-lhe a terra, na ocasião devida.

O dono do jardim achou que seu empregado perdia muito tempo parado diante dos canteiros, aparentemente não fazendo coisa alguma. E mandou-o embora, depois de assinar a carteira de trabalho.

Depois que o jardineiro saiu, as flores ficaram tristes e censuravam-se porque não tinham induzido o girassol a mudar de atitude. A mais triste de todas era o girassol, que não se conformava com a ausência do homem. "Você o tratava mal, agora está arrependido?" "Não", respondeu "estou triste porque agora não posso tratá-lo mal. É a minha maneira de amar, ele sabia disso e gostava".

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Comentário: Este é mais um conto de Carlos Drummond de Andrade, do livro Contos Plausíveis. Como já disse antes, é um dos melhores livros que tenho. Embora o poeta seja conhecido justamente por suas poesias (quem diria, não?), os seus contos são absolutamente espetaculares. São de uma simplicidade incrível, mas são sempre profundos, poéticos até mesmo.

Nota: Quem não viu, pode saber um pouco mais sobre o livro Contos Plausíveis na primeira postagem de contos de Carlos Drummond de Andrade.




Gostou do blog? Gostou dos textos? - o autor Leonardo Schabbach, que produz o conteúdo do Na Ponta dos Lápis lançou recentemente sua primeira obra literária, O Código dos Cavaleiros. Ajude-o a continuar produzindo! Informações sobre a obra (como comprar - autografada -, capítulos para degustação, capa, sinopse e muito mais) podem ser encontradas neste super hotsite (clique para acessar).

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Em Aletheia - Felicidade

em 14/10/2009.
| Comentários: (4)
Em Aletheia todos eram felizes, todos tinham a completa consciência de sua felicidade. Deveria ser um dom daquele lugar, especulavam os moradores de fora. Mas eles estavam errados, e disso todos sabiam em Aletheia; eram ignorantes, ou melhor, pouco sabiam sobre a ignorância. Desconheciam o fato de que ela é a razão da felicidade, é uma bênção, mas não como os estrangeiros costumam pensar. O homem feliz é aquele que é capaz de ignorar as pressões sociais e se satisfazer com a felicidade pura e simples, aquele que ignora qualquer tentativa de afirmação social.


Comentário: Volto com a série sobre Aletheia, conforme algumas pessoas pediram por e-mail ao participarem da promoção do meu livro. Para quem não conhece, é um país imaginário que eu vou construindo e descrevendo no blog, sempre trazendo algumas idéias imbutidas no mundo imaginário, um país de filósofos.

Também aproveito para informar a vocês leitores que provavelmente sortearei mais exemplares do livro aqui. A noite de autógrafos foi muito bem sucedida e, como tudo ocorreu de uma maneira positiva, devo poder sortear mais alguns livros por cá.
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Harry Potter, lembrete e poeminha

em 13/10/2009.
| Comentários: (0)
Primeiramente, gostaria de me desculpar com os leitores deste espaço. Esses últimos dias têm sido extramemente corridos, então não consegui atualizar o blog da maneira como queria. Como todos devem saber, hoje faço a noite de autógrafos do meu livro (mais informações aqui). Espero poder contar com a presença de alguns de vocês por lá. E já que meu tempo é curto e não terei muito tempo para elaborar uma postagem mais complexa, utilizo este espaço para falar de uma promoção fantástica da submarino para os livros do Harry Potter. Só falo da promoção aqui porque realmente é algo fora do comum. Todos os sete livros da séria + o livro "Contos de Beedle o Bardo" de R$385,00 por apenas R$79,00. Gostou? Clique aqui e faça a compra.

E como um bônus, aqui vai um poeminha bem de brincadeira. Espero que gostem, hehe.


Linguagem Poética

Essa eu não conto,
eu poesia.

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Resultado do sorteio do livro

em 12/10/2009.
| Comentários: (2)
Fico muito feliz em escrever hoje o resultado do sorteio do livro. A participação de todos foi realmente muito boa e gostei de saber mais um pouco do que acham do blog. Como eu sempre destaco, a participação de quem lê aqui é fundamental e, caso haja a possibilidade de mais promoções como esta no futuro, não hesitarei em fazer. É claro que um livro de teoria não atrai tanta atenção dos leitores quanto um de literatura, ainda assim tivemos a participação de 29 pessoas, algumas de portugal inclusive, bem legal. Imagino que, caso se tratasse de um livro de literatura, a participação seria ainda maior. Aos que se inscreveram, pode ser que ainda haja mais sorteios, tudo vai depender do que vai acontecer nos próximos dias.

Como o número de inscrições foi bom, resolvi sortear dois livros. Depois, como gostei muito das mensagens, resolvi sortear mais um. Sei que tem um programa online para isso, mas como não sabia usar direito acabei fazendo manualmente mesmo. Também peço desculpa a vocês por ainda não ter colocado mais um caso da série de contos policiais que iniciei no blog, muitos consideraram esta série uma de suas coisas favoritas (os últimos dias foram cheios, então ficou complicado).

Finalmente - e provando como o twitter é também uma excelente mídia para estabelecer o contato com as pessoas - o resultado. Os três vencedores são pessoas que seguem o blog basicamente via twitter. Eles são: Paulo (@pauloexperience), Lívia Mantovani (@lihmantovani) e a Meire Ribeiro (@meireribeiro). Irei entrar em contato com os três para ver como preferem receber os exemplares. Só para relembrar, a noite de autógrafos do livro ocorrerá amanhã a noite no Fórum de Ciência e Cultura da UFRJ (clique aqui para mais informações).
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Manuel Bandeira e Sorteio

em 11/10/2009.
| Comentários: (2)
Selecionei hoje, por causa de um comentário na postagem anterior, o poema Trem de Ferro do Manuel Bandeira (em conjunto com Tom Jobim). Nunca consegui declamá-lo muito bem, mas ele é, como quase todo poema de Bandeira, extremamente musical. Gosto de lê-lo imaginando realmente o ritmo de um trem, aquele barulho metálico ritmado. Além disso, posto também para falar do sorteio do livro. O dia será meio cheio, mas pretendo fazer o sorteio hoje e divulgar o resultado amanhã pela manhã, logo que o fizer entro em contato com os vencedores (decidi sortear dois exemplares). Agora confiram o poema!


Trem de Ferro

Café com pão
Café com pão
Café com pão

Virge Maria que foi isso maquinista?

Agora sim
Café com pão
Agora sim
Voa, fumaça
Corre, cerca
Ai seu foguista
Bota fogo
Na fornalha
Que eu preciso
Muita força
Muita força
Muita força
(trem de ferro, trem de ferro)

Oô...
Foge, bicho
Foge, povo
Passa ponte
Passa poste
Passa pasto
Passa boi
Passa boiada
Passa galho
Da ingazeira
Debruçada
No riacho
Que vontade
De cantar!
Oô...
(café com pão é muito bom)

Quando me prendero
No canaviá
Cada pé de cana
Era um oficiá
Oô...
Menina bonita
Do vestido verde
Me dá tua boca
Pra matar minha sede
Oô...
Vou mimbora vou mimbora
Não gosto daqui
Nasci no sertão
Sou de Ouricuri
Oô...

Vou depressa
Vou correndo
Vou na toda
Que só levo
Pouca gente
Pouca gente
Pouca gente...
(trem de ferro, trem de ferro)


Nota: Caso não tenha visto e queira ler mais um pouquinho sobre o autor - e a poesia Testamento - pode conferir na postagem poemas de Manuel Bandeira.
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Dois poemas de Augusto dos Anjos declamados

em 08/10/2009.
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Como a minha postagem do poema Canção do Sono foi bem recebida e a idéia de colocar, volta em meia, algo declamado por aqui também, resolvi me arriscar com dois poemas de Augusto dos Anjos, a musicalidade deles é muito boa. É interessante colocá-los no blog para mostrar as variações de leitura. Como comentei anteriormente, declamar um poema nada mais é do que uma performance, então cada um pede um jeito diferente de entonação de voz, velocidade de leitura e etc... Com estes dois poemas de Augusto dos Anjos e o que eu já havia postado (Canção do Sono), creio que já da para se ter um idéia dessas diferenças. Enfim, como sempre, espero que gostem da experiência.

Os dois poemas que selecionei já foram postados e comentados aqui no blog faz algum tempo - confira Vandalismo e A Árvore da Serra. São os meus favoritos entre as obras de Augusto dos Anjos.



Vandalismo

Meu coração tem catedrais imensas,
Templos de priscas e longíncuas datas,
Onde um nume de amor, em serenatas,
Canta a aleluia virginal das crenças.

Na ogiva fúlgida e nas colunatas
Vertem lustrais irradiações intensas
Cintilações de lâmpadas suspensas
E as ametistas e os florões e as pratas.

Como os velhos templários medievais
Entrei um dia nessas catedrais
E nesses templos claros e risonhos...

E erguendo os gládios e brandindo as hastas,
No desespero dos iconoclastas
Quebrei a imagem dos meus próprios sonhos!



Há uma pequena inversão que eu fiz ao ler o primeiro verso. É coisa simples, favor relevar, hehe.

A árvore da serra

— As árvores, meu filho, não têm alma!
E esta árvore me serve de empecilho...
É preciso cortá-la, pois, meu filho,
Para que eu tenha uma velhice calma!

— Meu pai, por que sua ira não se acalma?!
Não vê que em tudo existe o mesmo brilho?!
Deus pos almas nos cedros... no junquilho...
Esta árvore, meu pai, possui minh'alma! ...

— Disse — e ajoelhou-se, numa rogativa:
«Não mate a árvore, pai, para que eu viva!»
E quando a árvore, olhando a pátria serra,

Caiu aos golpes do machado bronco,
O moço triste se abraçou com o tronco
E nunca mais se levantou da terra!
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Motivo - poema de Cecília Meireles

em 06/10/2009.
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Eu canto porque o instante existe
e a minha vida está completa.
Não sou alegre nem sou triste:
sou poeta.

Irmão das coisas fugidias,
não sinto gozo nem tormento.
Atravesso noites e dias
no vento.

Se desmorono ou se edifico,
se permaneço ou me desfaço,
— não sei, não sei. Não sei se fico
ou passo.

Sei que canto. E a canção é tudo.
Tem sangue eterno a asa ritmada.
E um dia sei que estarei mudo:
— mais nada.


Comentário: Gosto muito deste poema da Cecília Meireles. Além de ter um ritmo excelente e rimas também muito bem colocadas, algo que eu particularmente aprecio muito nas poesias - a musicalidade e a forma são realmente características que me chamam a atenção -, acho a primeira estrofe deste poema incrível. Como poeta, não poderia deixar de gostar dela, não é mesmo?

Enfim, espero que gostem. E quem gosta de Cecília também pode conferir uma postagem sobre as características de suas obras.
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Canção do Sono - poema declamado

em 05/10/2009.
| Comentários: (6)
Eu me reservo a fazer algumas experimentações aqui no blog de vez em quando. Hoje resolvi fazer mais uma, veremos o que vocês, caros leitores, irão achar. Ontem eu escrevi um poema bem musical, talvez inspirado pelos poemas de Manuel Bandeira que tenho lido recentemente. Quando pensei em postá-lo aqui achei que poderia ser interessante colocar um áudio dele declamado por mim. E o fiz. Acho que a leitura passa bem a musicalidade do poema, imagino que seja um experimento interessante. Confiram! (editado: houve um problema com a gravação, em breve, colocarei-a disponível novamente)



Canção do Sono

Claro, claro, claro!
Só poderia ser!
Claro que é o escuro,
meu caro,
prestes a me vencer.

É noite que chega mansa,
noite que amansa e cansa,
noite de abundância,
de encantos e cores e cheiros.

É o sono que chega ligeiro,
sono etéreo e real,
sono que, tão verdadeiro,
nos protege de todo o mal.

Sono, sono, sono,
que mais poderia ser?
Nada melhor do que o sono,
meu caro,
pra me restabelecer!

No sono, eu sonho, eu sonho,
com o que eu projeto pra mim.
Triste é saber que o sonho,
meu caro,
o sonho possui um fim.
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Promoção - Sorteio de exemplar do meu livro

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Atualizando: Quem ainda não participou da promoção, ainda tem até sábado para participar. O sorteio deve ocorrer, caso não haja problemas, no próximo domingo. Coloco esta postagem no topo hoje para lembrar os esquecidos.

Para os que ainda não sabem, a noite de autógrafos do meu livro A nova posição da ficção na pós-modernidade e a mídia ocorrerá no próximo dia 13 de outubro, de 18:30 até 21:30, no Salão Vermelho do Fórum de Ciência e Cultura da UFRJ (Palácio Universitário da Praia Vermelha - Av. Pasteur, 250 - 2º andar - Urca,RJ - Cep 22995-900). A postagem de hoje é para falar de uma promoção que farei do meu livro. Sortearei um ou dois exemplares para o pessoal que acompanha o Na Ponta dos Lápis. Se você quiser concorrer a um exemplar do livro com dedicatória, basta me enviar um e-mail - para leoschabbach@gmail.com ou pelo formulário de contato - dizendo o que você mais gosta no blog e o porquê.

Achei a idéia de pedir essas informações legal porque assim terei uma noção melhor do que vocês leitores mais querem ver por aqui. Não precisam ser muito específicos, podem até mesmo utilizar os marcadores do blog como referência. É claro que uma descrição mais detalhada seria melhor, até pelo fato de que em "Matérias sobre literatura", por exemplo, existem postagens de natureza bem diferente, assim como dentro das minhas produções, que são dividas basicamente entre poemas e diversos tipos de contos diferentes (seria interessante nomear qual tipo de conto você prefere). Enfim, é bem simples. Nas próximas semanas receberei os e-mails de inscrição na promoção e irei sortear o exemplar - ou os exemplares, conforme o número de inscritos - em uma data próxima a da noite de autógrafo. Caso o vencedor seja do Rio, pode pegar o seu livro lá, caso não, envio pelo correio. Naturalmente, se um vencedor morar no Rio mas não puder ou não quiser ir à noite de autógrafo envio o livro pelo correio também.

Quem quiser saber mais sobre o livro pode conferir nesta postagem e também nas aplicações práticas da minha tese que faço na série Notas sobre a ficção.

Também coloco aqui uma imagem de um marcador de livro exclusivo do blog que vou entregar junto com os livros na noite de autógrafo e também com os da promoção - agradecimentos a Leonardo Meirelles, que projetou o marcador.

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Mais duas histórias sobre Mario Quintana

em 04/10/2009.
| Comentários: (4)
Faço mais uma postagem aqui contando um "causo" de um grande autor. Novamente, retiro do pequeno livro que comprei na bienal Ora Bolas - O humor de Mario Quintana. Sei que no primeiro post com histórias sobre o autor falei que só colocaria uma história por vez, mas estas do Quintana são tão pequenas que acabei não me contendo e colocando duas de novo. São bem engraçadas e, como disse anteriormente, criam na nossa cabeça a imagem do grande autor, suas peculiaridades. É deste tipo de coisa, definitivamente, que se alimenta a literatura. Espero que gostem e, claro, dêem risada.


SORTE

ERA UM JOGADOR inveterado. Jogo do bicho, loto, sena, loteria- certamente seria "cliente" dos futuros bingos. Tinha até assinatura de bilhetes em uma tabacaria e agência lotérica da Rua Marechal Floriano. Acabou fazendo amizade com a balconista da tabacaria, Mara.

Algum tempo depois do atropelamento, precisou de alguém para cuidar dele o dia todo. Lembrou de Mara. Elena Quintana foi sondá-la, pois afinal seria um trabalho completamente diferente. Mas Mara topou na hora, e permaneceu ao lado do poeta durante mais de dez anos.

Ele costumava apresentá-la aos outros com a seguinte informação:

- Essa foi a única coisa que eu ganhei na loteria...


NO ESCURO

NOS ÚLTIMOS tempos gostava de ficar deitado no escuro, quieto, e queria que sempre alguém ficasse com ele. Um dia Elena protestou:

- Mas tio, o que que eu vou ficar fazendo aqui, nesta escuridão?

- Senta ai e simplesmente me adora...
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Cidade Grosseira

em 02/10/2009.
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Comentário: Eu jurava que já tinha colocado este poema aqui no blog. Entretanto, procurei, procurei, procurei e não o encontrei. Então resolvi postar. E não, não é uma ironia pelo Rio de Janeiro ter sido escolhido sede das Olimpíadas 2016. Espero que gostem, é um poema bem antigo, do tempo do A palavra-homem. Tem um tom mais leve, mais rápido, talvez mais cordel, mas acho que ficou bom, sempre gostei dele.


Cidade Grosseira

Cidade Grosseira,
tão cheia de olheiras,
cansada de brigas,
almas intrometidas.
E há tanta mágoa
nessa luta contínua
entre as pessoas amadas
e as que são excluídas.

Cidade grosseira
tão vil, tão cruel,
de fresco e macio
só tens o teu véu
que encobre a disputa
entre a terra e o céu.

Cidade grosseira.
Cidade desigual.
Cidade brasileira,
ou cidade mundial?
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Noite de autógrafos e convite

em .
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Convido a todos que acompanham o blog a participar da noite de autógrafo do meu livro A nova posição da ficção na pós-modernidade e a mídia. O evento acontecerá no dia 13 de Outubro, no Fórum de Ciência e Cultura do Rio de Janeiro (Palácio Universitário da Praia Vermelha - Av. Pasteur, 250 - 2º andar - Urca,RJ - Cep 22995-900). Quem quiser saber um pouco mais sobre o livro, pode conferir nesta postagem. Vocês ainda podem conferir esta outra postagem para saber como concorrer a um exemplar autografado. Logo abaixo está o convite/flyer do evento, ficou bem legal. Enfim, confiram!


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