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Big Brother Brasil e a questão do preconceito

em 25 de jan de 2010.

Talvez este seja o meu primeiro e último post a respeito do Big Brother Brasil. Digo talvez, porque, como sou formado em comunicação, o programa muitas vezes suscita questões interessantes, como a que pretendo comentar nesta postagem, então não posso garantir que eu não vá falar sobre ele aqui de novo. Não vou julgar se as pessoas devem ou não assistí-lo ou se ele é ou não é algo de qualidade; não me preocupo nem um pouco com isso. Eu, particularmente, não assisto ao programa, mas não por achar que é horroroso ou uma afronta à intelectualidade como muitos gritam aos quatro ventos, mas por uma simples questão de hábito; estou acostumado a fazer ou assistir outras coisas no horário.

O fato é que, na última terça-feira, acabei assistindo ao programa, vi uma pequena parte de edição e então a prova do líder. O que me chamou a atenção foi a questão da "diversidade" neste Big Brother Brasil, inclusive comentei isso via twitter. Achei engraçado que a Globo anuncie a quem quiser ouvir - e a quem não quiser também - esta edição como a que pretende "quebrar os preconceitos", pois o que eles fazem é justamente o contrário; não tratam a questão com a naturalidade que ela deveria ter, mas a exaltam o tempo inteiro como algo que deve ser exaltado. Isso é um problema, um erro grave que foi cometido.

Vejamos o porquê desta minha afirmação. Se você pretende estimular a aceitação dos homosexuais, você logicamente irá querer que a homosexualidade seja vista como algo natural. Uma pessoa seria advogada, loira e hétero; ou professor, moreno e gay; e assim por diante. Quando você exalta da maneira como o programa faz a sexualidade dos três participantes da Tribo dos Coloridos, quando exalta como característica principal que os define como pessoas a homosexualidade deles, você aponta que há algo de estranho ali, algo que de ser observado e que, por isso, não pode ser natural.

Mostrarei um exemplo em novelas para que a coisa fique mais clara. A Taís Araújo, por exemplo, foi a primeira protagonista negra da história das telenovelas brasileiras. Atualmente, ela é também a segunda, exercendo o papel de Helena na novela de Manoel Carlos. As duas situações em que ela foi protagonista, porém, foram totalmente diferentes se olharmos pela questão racial.

Na primeira novela, a Cor do Pecado, a protagonista possuía o nome de Preta, o próprio título da novela já apontava a questão da cor, e a personagem de Taís Araújo era definida somente por isso. Alguém ai lembra o que ela fazia para viver? Quais eram seus sonhos e etc? Não... toda a novela, todas as questões da vida da personagem principal se envolviam com o fato de ela ser negra, somente isso. Esta é uma maneira ruim de tratar o assunto. Afinal, se você quer que o negro seja visto sem diferenciação de tratamento, faça isso já na criação da personagem. Crie uma protagonista como outra qualquer; com profissão, sonhos e triângulos amorosos como em qualquer outra novela e faça com que ela seja, assim, por um acaso, negra, como poderia ser branca, mulata, loira e etc...

É isto que acontece nesta nova novela. Não acompanho para saber se já houveram episódios que envolvam a questão do racismo, mas esta personagem de Taís Araújo, a Helena, não tem como característica principal e quase única ser negra. Ela é uma pessoa como outra qualquer, uma protagonista como outra qualquer, que também é negra. É desta maneira que você de fato estimula a "quebra de preconceitos" e não da forma como o Big Brother Brasil vem fazendo.

7 Comentários:

Adriano Vinagre

A Globo, no caso, só faz o que quem sofre discriminação quer: que as diferenças sejam exaltadas.

Quem sofre discriminação (em regra e falo de vivência que já passei e já sofri) não quer que sejam considerados iguais e sim diferentes, mas aceitos com as diferenças deles.

Exemplo: Um gordo não quer, em um primeiro momento, ser considerado normal, "magro", o que ele quer é que a cadeira no cinema seja do tamanho dele.

OBS.: Na minha opinião não há diferença entre negros e brancos, pois a raça é uma só.

Abraço.

Leonardo Schabbach

Eu entendo o que você está falando. Eu trabalhei no IBDD (Instituto Brasileiro dos Direitos da Pessoa com Deficiência) e entendo quando você fala de querer que sejam reconhecidos como diferentes. Não é para tratar um cadeirante da mesma maneira que se trata uma pessoa que pode andar, no sentido de adaptar os locais com rampas de acesso e etc...

O que eu coloco é que o homosexual é diferente do caso do deficiente, por exemplo. É mais parecido com o caso do negro. Negros e brancos são iguais, assim como heteros e homosexuais deveriam ser num mundo sem preconceitos, pq é só uma questão de opção sexual, mas ninguém se torna diferente por causa disso. É exatamente essa a idéia que se passa de errado, de que o gay é diferente quando de fato ele é tão normal quanto qualquer outra pessoa, o fato de ser gay deveria ser visto como irrelevante, no sentido de que seria tão normal quanto ser hétero, ai sim não haveria preconceito.

Adriano Vinagre

Até concordo contigo quando o homossexual quer ser considerado um igual, conheço alguns que são assim: vida normal, trabalho normal, etc. E ninguém incomoda.
Agora, não vi BBB, mas ao que parece os de lá são os do tipo "afetados", que adoram aparecer e jogar aos quatro ventos que são diferentes, dando gritinhos, etc.

Leonardo Schabbach

Pelo que eu vi, tem um que é assim, o outro é mais ou menos, a mulher é ainda menos.

Inclusive, ao pensar sobre seu comentário eu tive uma idéia até pra outra postagem. Pq no caso de alguém muito gordo ou de um deficiente por exemplo, você respeita as diferenças, tem conhecimento delas, para poder então dar a essas pessoas uma condição igual. Rampas para que o cadeirante possa ir e vir para qualquer lugar como qualquer pessoa; cadeiras maiores para a pessoa obesa poder se sentir confortável também em qualquer lugar.

Mas veja no caso dos homosexuais. Num mundo ideal, digamos assim, sem preconceitos, você iria numa boate e heteros estariam ficando uns com os outros, gays tbm e tudo seria normal. Quando se prega essa tal diferença, o que acontece? Há bares para gays, boates gay e etc... Ou seja, ao em vez de haver a convivência, o que acontece é justamente a segregação. É um caso que até lembra um pouco os EUA faz muitos anos, quando havia banheiros para negros e banheiros para brancos, pois brancos e negros eram considerados diferentes.

Então o preconceito pode ter duas fontes. Uma é não respeitar a diferença. A outra é criar uma diferença onde não deveria haver. Mal ou bem, esse segundo caso foi o que aconteceu no próprio Nazismo. Criou-se uma diferenciação que não existe entre a raça "ariana" e todas as outras.

Jéssica

Acredito que o Big Brother deu um grande passo de mostrar a diversidade de sexualidade que existe. Entretanto, concordo com você Léo, no sentido que de houve um passo pra frente e um passo pra trás, ao dividir os participantes em grupos(rótulos) de acordo com características superficiais. Na verdade o programa está interessado em personagens e em padronizações e o que os gays, negros e qualquer outra "mninoria" precisa é que sejam reconhecidos como cidadãos, pessoas do dia a dia que trabalham, consomem, que pode ser meu filho, meu vizinho, parente e etc.

Bjs

Ashley Trindade,

Olá,
Desculpe-me o comentário fora do contexto, mas acompanho o seu Blog a algum tempo e acabei colocando-o na lista de recomendados do meu Blog.

Se Puder dar uma olhada,
Ainda é tempo de Morangos
http://www.aindaetempodemorangos.blogspot.com/

Abraços
se quiser entrar em contato?
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Ps.: Não consegui postar o seu banner.

N. Mazotte

Oi,Leo. =) Tava dando uma passeada no blog e queria deixar minha opinião neste post. Eu entendi a sua visão, mas acho que o problema é que no caso de novelas e do bbb é que buscam personagens estereótipos pra meio que "representar" as diferenças e isso acaba aprofundando-as. Mas acho que diferenças devem existir sim para equilibrar as diferenças existentes em razão de preconceitos. Se o negro é discriminado, acho que pra atuar em seu favor é preciso afirmar essa diferença para que ela não cresça sob o veu da hipocrisia. Por isso sou a favor das ações afirmativas, por mais controversas que elas sejam. Acho que o equilíbrio deve vir de alguma forma, e se o peso ta maior para um lado, vc não pode colocar a mesma quantidade nos dois para igualá-los. Enfim, Aristóteles, vc deve saber melhor que eu. ;) Só não da pra dizer que Globo, novela e BBB pensam nisso e não no "target da diferença" que é cada vez maior... Adoro o blog. Bjão

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