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Donatelo, o escritor - A poltrona verde

em 16 de fev de 2010.

Esta é a continuação da série reiniciada aqui Donatelo, o escritor (clique para ver o primeiro conto). Se alguém acompanha o blog desde tempos mais remotos, talvez se lembre deste texto, a idéia é parecida, embora ele tenha sido reescrito do zero.


Donatelo, o escritor: A poltrona verde


Todos os dias, sem exceções, Donatelo se sentava em sua poltrona verde para olhar o movimento da rua pela janela. E ficava ali, por 131 pessoas. Não importava se teria de esperar horas ou apenas alguns minutos. Sentava-se rigorosamente até que um total de 131 pessoas atravessassem a sua janela. O tempo é uma contagem arbitrária, dizia Donatelo, eu posso medi-lo como quiser, é uma simples questão de escolha.

Sua mulher reclamava. Estava acostumada aos seus hábitos estranhos, mas este particularmente a irritava.

- Não acredito que ainda está sentado nesta poltrona velha! Se demorar muito, seu café irá esfriar. Vê se toma juízo.

Donatelo a ignorava, não podia desviar os olhos da janela a sua frente; as pessoas passavam muito rápido. Trinta e nove... quarenta. Era impressionante. O seguinte sempre parecia mais apressado do que o anterior. Sessenta e seis... sessenta e sete. Às vezes até mesmo os carros pareciam mais lentos do que os pedestres; isso quando não passavam buzinando e tiravam a atenção de qualquer outra coisa. Mas Donatelo não podia se distrair. Oitenta três... oitenta e quatro.

Uma mulher tropeçou em uma pedra da calçada e caiu. Ninguém notou, ou pelo menos preferiram ignorar; tinham compromissos. Donatelo quase se levantou. Cento e três... cento e quatro. Depois, lembrou-se de sua contagem, não podia sair dali.

A mulher ainda não se movera, talvez tivesse se machucado seriamente. Cento e dez... cento e onze. As pessoas passavam como se ela fosse invisível. Pelas variadas expressões, só deviam enxergar dívidas, compromissos, dúvidas; talvez precisassem de óculos, ou de uma nova forma de contar o tempo, como ele felizmente tinha. Cento e vinte... cento e vinte e um. A mulher levantou, tirou o pó das roupas e foi embora. Sequer se sentira embaraçada, tinha certeza de que ninguém notara o seu tombo, era sempre assim: nunca tinham lhe desejado saúde.

Donatelo sorriu. Centro e trinta e um. Decidiu escrever sobre o que tinha acontecido, tinha ficado muito chocado com o comportamento das pessoas: como poderiam ter ignorado a mulher? Muito angustiado, pegou o seu caderno e anotou com detalhes tudo o que tinha percebido, como sempre fazia.

- Bom... agora que já anotei tudo em meu caderno, posso finalmente esquecer do assunto! – exclamou ele enquanto se dirigia à cozinha para tomar o seu café.

3 Comentários:

Gilsa

Olá,Leonardo.
Gostaria de compartilhar a publicação de um artigo meu em que analiso, entre outros, aspectos do teu blog. Gostaria de um comentário seu.
Segue o link:
http://tigrealbino.com.br/texto.php?idtitulo=6803bafe2614adbd6b3d056fdc69e61c&&idvolume=a9ca1602e448bbedfa2b4a5b3fa4f10e

Leonardo Schabbach

Eu li tudo. Como eu faço para comentar por lá? Não estou conseguindo. Quer que eu comente no seu blog? Por e-mail ou algo assim?

E bom que vi, pelo seu texto, que tinha um erro de digitação no comentário sobre a Cecília, o conseguem em vez de consegue, hehe. Agora já consertei.

Gilsa Elaine

Na verdade, o comentário pode ser via o blog ou por e-mail, mesmo. O que eu gostaria era de um retorno, uma posição acerca do trabalho.
Que bom que você leu, espero que tenha achado interessante, mas ainda há muito o que escrever e estudar sobre o assunto.
Um abraço!

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