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A crítica literária se divide. De que lado você fica?

em 25 de abr de 2010.

Reli uma matéria do último Jornal Rascunho - aconselho a quem gosta de literatura a assinar, é bem baratinho e você dará seu apoio a um projeto legal, além de receber um produto de qualidade - e fiz algumas reflexões sobre a crítica literária. O texto em questão falava exatamente disso, de uma divisão que começa a ocorrer no meio.

Numa postagem mais antiga, Como escrever bem?, já tratava um pouco desta questão. Ali, já apontava para a problemática da crítica literária brasileira, que cada vez mais vem sendo criticada (irônico, não?). Mas não pretendo falar mal de ninguém; tenho por objetivo discorrer sobre o assunto, principalmente no que se trata desta divisão.

Hoje, a crítica ainda é liderada por um grupo que privilegia o trabalho com a palavra, com a narrativa e assuntos que, de uma maneira geral, não são tão atraentes ao grande público. É como se a literatura se fechasse na própria literatura, sendo retrabalhada e reinventada sem que haja uma preocupação tão grande com a própria história. O prazer na leitura vem da linguagem, muitas vezes da metalinguagem, do texto.

Eu, particularmente, também gosto de livros assim, que tem essa preocupação; de autores que tem esta capacidade. Acho fantástico. Mas não posso deixar de observar que, se levarmos isto ao extremo, de alguma forma, separamos o mundo da literatura; e, para mim, ela deve é se alimentar do mundo, da vida, das coisas, e não se afastar delas. Uma produção voltada apenas para si deixa grande parte da população de fora. Confesso que eu mesmo deixo de ler um livro ou outro da produção atual por achá-los chatos, pomposos demais. O que quero dizer é que um dos bons motivos para a falta de leitores no país também passa pelas escolhas da crítica e das editoras por livros que talvez não sejam tão atrativos assim.

Entretanto, não falo aqui que devemos publicar apenas obras de entretimento - e também ressalto que não tenho nada contra elas, afinal, as pessoas precisam aprender que a leitura pode ser prazerosa. Acho que me coloco com um geração de críticos que começa a olhar com outros olhos as obras que fazem sucesso, que encantam o público por seu conteúdo, além, é claro, de sua qualidade narrativa. No Brasil, costuma-se desvalorizar os autores que fazem grande sucesso entre o público, algo que acontece por considerarem a massa burra; logo, um texto que faça sucesso entre elas não pode ser bom, afinal, elas não sabem o que é bom.

Acho que não preciso dizer o quão ridículo isso soa. É claro que tem muita coisa ruim que é apoiada e comprada pelas massas, sim, mas isso não significa que elas sejam burras; também não significa que devamos julgar as suas escolhas. Mas encarar um livro de um autor que faz grande sucesso com preconceito - já de antemão o definindo como ruim - apenas porque a sua história também entretém é algo que considero muito errado. Portanto, fico com esse lado da crítica, que percebe a possibilidade de termos obras de grande qualidade narrativa e também com grande apelo ao público, com histórias realmente instigantes (e sempre cito Saramago como o exemplo).

19 Comentários:

O Onisciente

Acho que muitas crianças crescem sem gostar de ler por que as escolas (a maioria) as obrigam a lerem obras muito pesadas, tais como as do Machado de Assis e José de Alencar, já na 2ª ou 3ª série. Aquilo pra elas não é diversão, não é interessante! Acho que a leitura, acima de tudo, deve ser PRAZEIROSA! Senão, qual o sentido de se ler?
Abraços...

Leonardo Schabbach

Sim, sim, essa é uma questão importante mesmo. Eu pretendo, inclusive, falar um pouco sobre isso num próximo post, não sei quando. Foi uma questão levantada na entrevisa que fiz com o Felipe Pan aqui. É algo a ser pensado mesmo.

A quem quiser conferir a entrevista: clique aqui.

Ofício Editorial

Oi, Leonardo,

parabéns pelo blog. Está cada vez melhor!
Sobre o tema de hoje, acho complexo. Não creio também que toda literatura de entretenimento seja ruim, assim como não acredito que toda literatura aclamada pelos críticos seja hermética e chata.

O que existe hoje é uma maior quantidade de textos para um público que também se amplia e diferencia. Acho que tem lugar para todos: para os que querem a literatura arte, trabalhando a palavra (menos leitores, acredito); e para os que querem a literatura prazerosa, com uma história envolvente (mais leitores).

Na escola, concordo que a literatura deva cativar o aluno. Mas também acho que ela não deva "chover no molhado". Não é porque os alunos gostem de "Crepúsculo" que a sugestão do professor para leitura deva ser essa. O professor há de ser inteligente o suficiente (e ter tempo o suficiente) para achar a literatura adequada e interessante para os alunos dele. Não é tarefa fácil. Mas nenhuma tarefa responsável e engajada é fácil.

Saudações!

Lilian Honda

De fato, nem toda a literatura de entretenimento é ruim e o grande público consumidor dessa produção não tem nada de burro.
A crítica literária, no entanto, trabalha sobre outro nicho e tem outras propostas. Trabalha com obras que possam ter algum significado para a literatura, dotadas de algum aparato erudito ou intencionalidade estético/poética. Ainda assim, a literatura nunca será separada do mundo porque é a partir desse diálogo com o mundo que ela se constrói.
A leitura de entretenimento não precisa de ajuda da crítica. Me parece que ela anda suficientemente bem sem isso.

Erica

Pensando em literatura de entretenimento, podemos pensar na arte de se contar histórias. Ela sempre existiu nos povos e nunca foi destituída de sentido e significações. Pense nos mitos, pense nas lendas, pense nos teatros gregos. Mesmo se para o entretenimento, não era prescindido a densidade, as significações várias (o que não é em absoluto "moral da história).
A pergunta é: entretenimento de hoje precisa ser mais leve e "sem fazer pensar"? Qual sociedade acharia isso proveitoso?

Leonardo Schabbach

Eu não pretendo fazer uma defesa da literatura de entrenimento por hora não. Mas ela precisa de ajuda sim. O autor desse tipo de literatura no Brasil é muito desrespeitado e, por isso, quase nunca é publicado. Quando você diz que ela não precisa de ajuda, refere-se aos autores estrangeiros que são trazidos para cá. Agora, os autores nacionais tem pouquíssimo espaço.

O que eu justamente queria trazer mais com a postagem era um meio termo. A literatura cultuada pela crítica hoje se fechou tanto em si que é quase impenetrável, a não ser por uma minúscula "elite cultural". Eu defendo, assim como outros críticos pelo que tenho lido, a possibilidade de, sim, você ter um valor artístico e inovador na linguagem, mas também ter uma história que cative, elementos característico de uma literatura de entretenimento (concordando, portanto, com o que a Érica disse).

E sobre as escolas. Também concordo, há de se tomar alguns cuidados, mas acho que a seleção de livros a serem trabalhados poderia ser muito melhor do que é hoje.

Ah, e voltando à literatura de entretenimento: acho que há utilidade também quando o livro apenas entretenha, sem fazer você pensar. Isso pode parecer estranho, já que somos adultos. Mas no mundo de uma criança, um livro que apenas a faça se envolver em um mundo novo tem um valor incrível, pois é o livro que forma leitores. Eu aprendi a gostar de ler com as aventuras de Sherlock Holmes (obras bem escritas, mas sem qualquer tipo de reflexão). Depois que peguei o gosto pela leitura, fui ficando mais velho e, com a idade, interessando-me por livros mais densos.

Ainda hoje, volta e meia, pego um livro apenas de entretimento para ler, é prazeiroso. Melhor fazer isso do que ver um filme =)

May

Realmente, como disseste, o GRANDE problema é o preconceito de "se faz sucesso é ruim", que também acontece com a música. Os grandes fãs de música "rock clássico" ou mesmo clássica, acabam descartando TUDO que é pop, que é novo, pois se faz sucesso "tem" que ser ruim, o que não é verdade.
O mesmo com a literatura. Só porque é moda, não quer dizer que é ruim, pode ser, sim, muitas vezes é, mas só se pode julgar depois que se conhece.
Parabéns pelo texto.

Ernesto Diniz

O problema é quando o gosto pessoal se fantasia de crítica. Estamos em plena era do gosto: grande segmentação dos consumidores de cultura, grande oferta de produtos diversos e inúmeros canais pra multiplicar opiniões. Como dar conta de tudo isso fazendo-se uma crítica como Crítica (com letra maíuscula, institucionalizada, aspirando valor de Verdade)?

Passamos dos blogs às redes sociais, a opinião que suscita identificação vale muito mais que toda a parafernália técnica de um crítico literário. Talvez isso não valha para todos, mas basta ver a proliferação de blogs críticos e a intensidade com que acontecem os debates culturais na Internet hoje. Não é defender a esterilização da crítica, mas a crítica da crítica.

A diversidade, pra mim, será sempre importante: sejam escritores pomposos herméticos, seja livros de listas dos "mais vendidos", há espaço para tudo e é isso que oxigena o mercado e mantém as sub-culturas.

Ficar em cima do muro também não é interessante, mas é sempre complicado rotular e generalizar em defesa de apenas UMA certeza (por mais paradoxal que isso pareça).

Leonardo Schabbach

Sim, acho perfeita sua colocação, perfeita mesma. Eu mesmo, quando resenho os livros por aqui, digo mais ou menos qual a minha posição diante do gênero e qual tipo de público provavelmente gostaria dele. Tento pensar com os olhos do público daquele livro - deixando isso claro na escrita, sendo sincero - e não necessariamente com o meu olhar (quando o falo, deixo claro que é o MEU olhar). Porque esta questão do gosto sempre vai afetar. Não há como um crítico julgar de fato um livro como imparcial. Se for de uma temática que ele adora, um estilo que ele adora, ele adorará o livro. Caso não seja, ele odiará, mas não pode fazer tal afirmação sem deixar claro que é por ele não gostar muito do gênero.

Mas a crítica também no fundo é isso, o crítico dá a sua opinião. Os leitores que é que vão se apegando aos críticos que tem gostos parecidos com os seus.

(E valeu a todos pela participação, os comentários tem sido muito construtivos!)

Israel Teles

Pra quem gosta um pouco de música, sabe que uma das características do Punk nos anos 70 (com seus efeitos que perduram até hoje) era a simplicidade musical, uma espécie de resposta à música "intelectualizada" do período, fechada apenas aos "estudiosos", virtuoses e afins.
Fica aí uma semelhança...

M.F.

Hum, interessante esse debate... Não sou de comentar tanto em blogs, mas achei muito interessante o assunto e quis me pronunciar, rs.

Não tenho exatamente uma opinião formada quanto a isso. Eu, de certa forma, entendo o preconceito que se forma quanto aos livros que fazem sucesso com a massa. Porque a massa no Brasil é, infelizmente, uma maioria sem muita instrução... Então pode-se imaginar que um livro que tem ela como público é, digamos, um pouco "medíocre". É claro que toda generalização é péssima, mas eu posso entender o preconceito criado já que ele - na minha opinião - é baseado em uma certa verdade.

Por outro lado também acho complexo isso de "fazer pensar". Porque é tão subjetivo, né? Quero dizer... o que é que faz pensar? Apenas reflexões profundas e densas? Muitas vezes o entretenimento leve e aparentemente despretensioso também faz pensar. Em outras coisas, por outros caminhos, mas também faz. Não acho que ele deva ser desmerecido realmente, até porque o entretenimento é fundamental. Como disseram aí, a leitura tem que ser - acima de tudo - fonte de prazer.

E, bem, eu não tenho muito conhecimento quanto ao mercado editorial mas sempre pensei que fosse o oposto. Os autores mais voltados para o "entretenimento leve" (sem grandes reflexões ou densidades) fossem mais facilmente publicados já que são mais comerciais e acabariam dando mais lucros às editoras.

Seja como for, achei ótimo o exemplo que deram com relação à música. Tanto nesse meio quanto na literatura há muito preconceito com tudo que é novo e tudo que faz sucesso realmente. E acho que - no fim - isso não importa. Autores que fazem sucesso com a massa podem sim ser de grande qualidade e muito talentosos. Só é preciso que as pessoas abaixem seus pré-conceitos e conheçam para formar uma opinião, né? Há leitura para todos os gostos, talvez a crítica precise aceitar isso melhor.


Adorei seu texto! Aliás, adoro seu blog, mas nunca comento, rs. Quando resolvi comentar escrevi quase um livro aqui, desculpa, rs.
Beijos!

Leonardo Schabbach

Nada. Achei muito legal o comentário, traz mais um visão e mais alguns bons pontos de vista. Sinta-se convidada a comentar mais! E me sinto gratificado por gostar do blog.

Marcelo

Digamos que eu seja fã do Luciano Pavarotti que buscou popularizar a música clássica. Há espaço para todos. Exceto para o preconceito.
Abs
Marcelo

Ana Karenina

Olá Leonardo

Acho que assim como tudo na vida deve-se aliar a diversão com o necessário para que a leitura realmente cative as pessoas a ponto de se tornar um hábito.

Não dá pra ficar totalmente feliz com milhares de crianças lendo somente Harry Potter, mas já é alguma coisa do que a total ausência de leitura, mas há certos prejuizos, depois dê uma lida nesse texto:
http://www.napontadoslapis.com.br/2010/04/critica-literaria-se-divide-de-que-lado.html

Quanto a critica literária eu penso que as obras que fazem sucesso muitas vezes são coisas que as pessoas sentem falta e que gostariam de ter suas necessidades supridas ali, meio que psicologico, reclamam muito que os livros de auto-ajuda não são bons e vendem muito, mas eles vendem muito e são considerados bons por quem precisa daquela leitura pra se confortar, pra se entreter ou ter suas teorias confirmadas ali, isso é o que diria: "escrever o que o povo quer ler", uma leitura bem tendenciosa, mas ainda sim leitura.

Quanto aos criticos eu considero muitos deles muito fechados e bastante ortodoxos, bem tradicionalistas, estão ainda acreditando que as fórmulas antigas ainda servem pro mundo de hoje com aquele jargão, "no meu tempo as coisas erammelhores" será que eram? no tempo deles a informação pouco circulava e não sabiamos de muitas coisas que sabemos hoje com grande velocidade e alcance.

Enfim, acredito que assim como a língua evolui incorporando novos conceitos, assim deve ser os profissionais que trabalham com a língua, devem se modernizar, aprender não só com os livros mas com os leitores, com a vida e com a sociedade.

acho que essa critica mais atrasada tá parecendo o pessoal da turma do pasquale, fiz até um artigo sobre as diferenças de visão na linguistica,http://escritosideologicos.blogspot.com/2010/03/preciso-ser-gramatico-pra-escrever.html

obrigada pelas dicas que tem sido muito valiosas tenho aprendido muito com você.

Bom, é isso, depois que já escrevi um "livro" aqui vou sair a francesa, pra ninguém me notar, rs

Um abraço

Ana Karenina

corrigindo o link anterior:

http://estadonoetico.blogspot.com/2010/04/por-que-os-alunos-nao-entendem-um-texto.html

desculpe!

Snake Eye's [Rebis Kramrisch]

Engraçado como isso soa tão parecido com o sistema educacional, que é falho, por ser sisudo e não entender que o ser humano aprende através do prazer.
Também não vejo porque uma obra de entretenimento não possa conter informação, cultura e aprendizado.
Por que não juntar o dois? O útil ao agradável?
Essa mentalidades antigas precisam ser modificadas. Estamos no século 21, é bom que muita gente se dê conta disso, afinal.
Bjos!

Kleris

Fico dividida também. Fico indo e vindo porque o que falta em um transborda no outro.
Acho que a briga maior é, como comentado, a questão da leitura. Os críticos vão além do que é prazer nessa leitura, investigam minúcias que poucos compartilham. E quando temos que passar isso ao aluno, iniciá-lo na literatura, não dá pra começar do complexo como exigem. É 'fichinha' para nós que temos o costume, mas e eles, que não é bem assim? Resta o professor apelar para dinâmicas que suavizem o assunto e quem sabe conquiste alguém. No meu ensino médio, Literatura era decoreba tal como História.
Gosto de pensar que para cada texto existe um leitor. Se numa sala de uns 30 alunos, 5 encontrarem seu caso, é quase milagre. Porque chegar com aquele material definido e ater-se somente a ele, apresentando Alencar no romantismo, Machado no realismo, Aluísio no naturalismo, Bilac no parnaso... encontrar aquele autor ou texto que identifique-se com o aluno fica difícil. E não dá pra jogar isso só no professor, ele tem que lidar com tantos autores e temas ao mesmo tempo num curto tempo. Aluno vai ler pra passar na prova, se isso lhe der prazer - isso se ele realmente ler e não apenas decorar resumos e análises da internet - é o que professor tem que rezar praticamente. Literatura então não deve ficar somente na escola, cadê nossos pais pra presentear com livros ou comentar deles?
Engraçado é que aqueles que leem ainda sonham com aquela prova de vestibular que contenha análise daquele livro legal que tá correndo na mídia - conheço pessoas que desejavam ter Harry Potter no vest. Daqui uns 100 anos quem sabe, porque crítica se trata do passado, não? - já vi críticos falarem disso. Então essas obras da mídia ainda estão muito no presente; a critica imediata que conheço é a impressionista, mas não é muito levada a sério por não ser 'sistemática'. Mas aí já é outra briga.
Também acredito que pode haver um livro que tenha os valores 'requisitados' pela crítica e que cative o entretenimento. Tava pensando nisso no outro dia e a literatura tem muito disso, de mudar e renovar. Já vi livros que trazem um novo tipo de narrativa, que brincam com a questão da estrutura e tal... será que a crítica vai olhar isso só quando o tempo passar e a literatura manifestar outra face que eles vão fazer cara feia?
Fica aí a impressão de que a crítica exige demais.

Alicia Jaramillo

Harry Potter é uma das minhas sagas favoritas, eu sempre gostei de assistir as performances de Emma Watson e Daniel Radcliffe. Se você é um fã como eu, eu recomendo que você programación HBO para o e retornar para desfrutar de um grande momento, espero que você gosta de minha recomendação e lembre-se novamente algumas cenas.

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