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Considerações sobre o fazer poético (e algumas coisas a mais)

em 6 de mai de 2010.

Ultimamente, tenho pensado muito no fazer poético - tudo bem, eu geralmente penso sempre neste assunto, mas nesses dias venho refletindo ainda mais. Isso porque, claro, não tenho conseguido produzir muito. De uma maneira geral, gosto de postar textos meus com alguma frequência no blog, para que vocês leiam e opinem. Nesta semana, não tenho o que colocar, pelo menos até agora. A questão é: tenho uns dois poemas semi-prontos que não consigo finalizar, de modo algum, as palavras certas simplesmente não vêm. Foi por isso que parei um pouco para pensar. Talvez a poesia seja uma questão de estar presente, de foco. Explico.

Nas últimas semanas, os meus dias têm sido bem corridos, no sentido de que sempre tenho alguma coisa para resolver, e sempre há coisas que acabam ficando para o dia seguinte. Então, mesmo quando estou parado, quando tenho um tempo para descansar, a cabeça já faz planos, já pondera, já me leva para um outro lugar, um outro assunto a ser resolvido. Acho que é por isso que não me vêm a poesia, por esta falta de foco, pelo fato de a cabeça estar sempre em outro lugar e não realmente onde o corpo está naquele momento. E acho que isso vale para muita gente.

Quanto mais temos o que fazer, quanto mais corrido for o dia-a-dia, em mais lugares estamos ao mesmo tempo. Nos falta, portanto, aquele momento de silêncio, do afastamento necessário ao pensar. E tudo piora com a conectividade. Agora, mesmo quando estamos no ônibus (confessem, quem nunca parou para pensar na vida enquanto ia de um lugar para o outro), podemos nos ocupar com celulares que se conectam à internet (isso eu ainda não tenho), jogos eletrônicos, Ipods e etc... Então nunca estamos de fato isolados, focados, em "silêncio". Não sei se isso é positivo. Eu, particularmente, preciso deste afastamento, de um momento de descanso. Como eu disse, acho que é por isso que tem sido difícil terminar os poemas. Escrever poesia é um ato de solidão, mas uma solidão positiva, é se entregar àquele específico momento; o instante de pensar o poema, trabalhar o poema e, finalmente, escrever o poema. Não podem haver interferências, nem de problemas sobre os quais temos de nos debruçar, nem dos nossos queridinhos aparelhos eletrônicos.

Sei que este não é um texto muito comum para o blog, mas era algo que eu imaginei que devesse ser dito, só algumas ponderações sobre alguns assuntos. Gostaria de poder dividir com vocês um poema - ou até mesmo um conto -, mas não foi possível, como puderam perceber durante a postagem. Enfim, espero que este texto agrade e que suscite discussões!

10 Comentários:

Mônica Lima Falsarella

Gostei!

O tempo, às vezes, é nosso inimigo, mas continue nos presenteando também com escritos assim!!

=)

Mônica

Luiz dreamhope

Eu tenho um colega que é a contradição de sua postagem, Léo. Ele sabia escrever poemas na bagunça da sala de aula. O barulho parecia nem incomodá-lo. Eram poemas eram razoaveis, mas o fato é que ele levava jeito pra coisa. Ele é até bem criativo, mas acredite, ele não gosta muito de ler ou escrever. Hehe, é o tipo de cara estranho e do contra.

Mas acho que isso acontece com não só poema, mas outros textos que necessitem de uma atenção máxima para serem escritos. Eu mesmo não escrevo há quase uma semana devido a uma sequencia de acontecimentos que rolou parece que exclusivamente para tirar todo o meu foco. Recuperar o nosso "silêncio" é que é difícil. Mas um belo dia, ele vem.

TS Bovaris

Acredito que a grande diferença competitiva das próximas décadas será justamente esta: quem conseguirá gerir seu tempo vencerá.

Infinitas opções levarão a grande massa a se perderem nos labirintos virtuais, e os poucos que se focarem poderão vencer e produzir.

Leonardo Schabbach

Luiz, é, interessante você falar isso. Na verdade, essa pessoa não é o oposto de mim, é o mesmo. Eu também sempre escrevi na bagunça de sala de aula. A questão é que na aula você justamente faz o que eu falei acima. Você não está lá e está pensando em outro lugar, você está de fato na aula, sem se preocupar com mais nada, em mais lugar nenhum. Você está ali, com a mente e o corpo, se opta por não prestar atenção na aula pra se dedicar a outra coisa, como um poema, você faz =)

Marcos Paulo

Os poemas e todo e qualquer tipo de ato criativo pode sair quando a gente menos espera. O post não tem nada de extraordinário, é mais um conversa, uma proposta de debate, algo corriqueiro, no entanto, há uma frase que me chamou muito a minha atenção, pela sua construção estética:

"Escrever poesia é um ato de solidão, mas uma solidão positiva, é se entregar àquele específico momento; o instante de pensar o poema, trabalhar o poema e, finalmente, escrever o poema. Não podem haver interferências, nem de problemas sobre os quais temos de nos debruçar, nem dos nossos queridinhos aparelhos eletrônicos."

Se tirarmos a citação aos aparelhos eletrônicos, a frase se torna atemporal e com isso -até por trazer carregada um valor emotivo - sob os meus humildes padrões, adquire um tom poético, ou seja, no post, há sim, uma poesia embutida de forma -talvez até inconsciente- implícita.

Cristiano Hackl

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Estou na mesma condição.
Havia prometiro a mim mesmo escrever um poema por dia até o meu aniversário, dia 22 de maio. Detalhe, parei no 18, no dia 18 de abril. A hora que saio do trabalho, todos os afazeres, me afastaram do momento de 'reclusão criativa'.

Isso me deixa um pouco perturbado, pq senti que é como se eu estivesse renegando minhas inspirações. O banho, sempre um momento de rascunho, virou apenas banho, rápido e prático.

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Bruna Maria

São tantas preocupações, tantos prazos da vida cotidiana, tanta coisa pra resolver que, infelizmente, a criação fica prejudicada, fica para depois (consiente ou insconscientemente).
Acredito que vale para qualquer tipo de escrita, como bem alguém falou, ou ainda, para qualquer processo criativo. É muito difícil. Seria bom haver mecenas que nos bancassem e nos permitissem a única dedicação e foco ao fazer artístico, não é? rs
Concordo com a necessidade de haver silêncio, dentro e fora de nossas ideias. E te desejo dias mais calmos, para que você possa se dedicar aos seus poemas...

Leonardo Schabbach

Valeu. Um bom final de semana para você também. E pra todo mundo. Que tenhamos um tempo pra descansar =P

E Bruna seria ótima se tivessemos os mecenas mesmo, que maravilha seria, hehehe. Espero poder me dedicar mais aos poemas mesmo, é o que eu mais gosto de fazer dentro da literatura.

E Marcos valeu pelo elogio. Acho que é minha maneira de argumentar mesmo, mesmo nos livros acadêmicos. Acabo sempre utilizando alguns recursos poéticos de linguagem dentro da argumentação, acho que eles explicam a idéia de uma maneira muito melhor, muito mais profunda e muito mais convincente. Pelo menos é assim que penso.

Ana Karenina

Olá Leonardo

O fazer poético exige de nós uma introspecção mesmo, um silêncio, uma calma necessária para trazer a tona não só palavras, mas sentimentos. Eu só consigo escrever versos quando estou assim mais recolhida, mais melancólica, parece-me assim que todos os grandes poetas da literatura foram pessoas tristes, parece que a tristeza , a solidão e o silêncio foi o que inspirou a eles.

Quanto a escrever, é preciso estar com a mente livre, o corpo disposto e a vontade grande, ainda mais para blogar, é melhor aguardar do que vir aqui e postar qualquer coisa sem sentido, ou vir só pra dizer que está sem ideia de post como muita gente faz, melhor respeitar nossos limites e desejos, assim é mais sincero conosco e com nossos leitores.

Admiro sua postura!

Abraços

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