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Alguns poemas de Gonçalo M. Tavares

em 6 de set de 2010.

Não escondo de ninguém que Gonçalo M. Tavares é um dos meus autores preveridos. Além de ser um contista excepcional, também é poeta e romancista. Pelo blog, já fiz algumas postagens sobre ele - a mais completa se encontra aqui (se tiverem curiosidade de saber mais sobre o autor). Hoje, decidi colocar alguns poemas dele no blog, para que os leitores possam conhecer também o seu trabalho como poeta. É um estilo bem diferente de se fazer poesia, pelo menos eu acho, com versos bem livres e com uma qualidade quase narrativa às obras. Entretanto, como sempre, Gonçalo nos faz refletir muito sobre as coisas e a vida, o que para mim o torna um dos maiores escritores dessas épocas - quem sabe venha a ser um dos maiores de todos os tempos. Trata-se de um livro publicado pela Bertrand Brasil (de título 1).

Seguem dois poemas para apreciação:


O escritor

É um escritor ou então a mulher partiu com outro,
e o corpo não recuperou a vontade
de se preocupar com a roupa.
Espontâneo, vê-se; tudo o que traz vestido
apareceu-lhe à frente como numa colisão.
No entanto é discreto.
Tem a idade em que já não se desejam os olhares dos outros.
Branco, o cabelo transmite paz e
uma pequena desistência.
Tem cachimbo, óculos,
na mesa revistas francesas sobre a alma e os laboratórios que a
estudam;
pega numa folha e começa a escrever.
Tem ar sóbrio, o corpo não dança,
vê-se que há muito venceu o medo de não ser igual aos outros.
Escreve; passa a mão sobre a orelha.
É um escritor, em definitivo.
A luta não é com a solidão, vê-se que sabe usá-la,
percebe a sua natureza.


O Viúvo

Tem o tempo todo.
Perdeu-o, os dias de desejo, para o trabalho
e para outros assuntos,
e agora que o tem por inteiro caminha muito lento
e quando olha em redor procura olhos
que se lembrem dos seus antigos momentos de pressa.
Tem tempo. Caminha lentamente.
Antes a ambição fazia-o levantar-se,
agora, quase se podia jurar, ser o cachimbo que o mantém de pé,
agarrado ao ar como a nada.
Passa perto e olha para mim; acena a cabeça.
Servem-lhe os dias, pelo menos, para ser educado.
É velho. Atravessa, muito lento, o tempo e a terra,
e vai dizendo adeus às pessoas,
como se exercesse o privilégio de se despedir dos amigos
no seu próprio funeral.

1 Comentários:

marcos nunes

Conheço o cronista, contista e romancista Gonçalo M. tavares, em suma, o prosador. Seus poemas não distam de seus outros textos: dentro da precisão e de uma busca supostamente fanática pela expressão exata ele revela, na verdade, a inadequação das palavras e coisas aos homens e o rascunho de poder que guardam as palavras sobre as coisas e os homens.

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