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(Não) Tenho medo do escuro, por Igor Ventura

em 21/10/2010.
Volta e meia trago alguns textos de outros autores que me contactam por e-mail ou que eu conheço, que me mostram alguns textos, aqui para o blog. Este poema eu achei bem legal, é de um amigo meu, que inclusive já teve outras obras postadas por aqui (veja Sobre a Estrutura). Espero que gostem e deixem seus comentários para o autor!


(Não) Tenho medo do escuro
Por Igor Ventura

Amo a escuridão inerte
que vem logo me abraçar
seus braços
seus lábios
seu cheiro
seus medos
seus ares
meu lar.

Sua imobilidade me acalma,
me acolhe,
me aquieta.
Me cobre devagar,
me deixa leve,
me faz poeta.


Mergulhado,
nesse silêncio emprestado,
posso finalmente respirar.
Pois o peito é pesado,
me enlouquece,
nunca
para
de
gritar.

3 Comentários:

Tay

Muito lindo! Tem uma leveza que ao final se torna contraditória. Gostei muito. Parabéns Igor! =D

marcos nunes

O que vem a seguir é um comentário em forma de poema-resposta-complemento:

(Não) Tenho medo (de tudo)

Na escuridão
tudo se move
devagar
enquanto no meu peito
o coração
dispara em sopros
de assombro

Não sonho
não
fecho os olhos
não
limpo o suor
frio
na testa

Não se sabe
se
em pleno sol
uma faca
brilhante
poderá ferir-nos
de morte

A luz
leva o medo
para fora
enquanto
a penumbra
encontra
em nós
o outro
em nós

Receio brincar
com esse sentido
de paranóia
receio que ele
brinca comigo
e que esse jogo
acaba no escuro

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