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Cap. 4 - Partidas (Parte II)

em 1 de nov de 2010.

Lanir retornou à Taverna dos Robinson tão imerso em seus pensamentos que mal notou o intenso movimento do lugar enquanto se deslocava até o seu quarto. Alguns clientes, inclusive, lançaram-lhe olhares incisivos, sem entender o que um homem maltrapilho como aquele fazia em uma taverna bem freqüentada.

Ele pouco se importava; planejava o que faria mais à frente, quando já contaria com a companhia de James e partiria para a Floresta Escura. Era crucial que encontrassem o menino das profecias o quanto antes. O tempo se esgotava, ele sabia disso, sabia que as criaturas estavam cada vez mais próximas, que, a cada dia desperdiçado, elas fechariam mais o cerco ao Reino dos Homens.

- Senhor Lanir... – sussurrou Irina, ao abrir uma pequena fresta da porta do quarto com cuidado. – Podemos entrar?

O mensageiro apenas assentiu com a cabeça. A porta se abriu. Davis, James e Irina entraram lentamente.

- Foi você quem falou com Gabriel, não foi? Eu vi. Lá na praça. – afirmou Davis. – Você falou com ele. Estão dizendo que foi você quem o fez cancelar o torneio.

Lanir respondeu de maneira seca e direta, embora mantivesse ainda um tom agradável.

- Sim, fui eu.

Davis e Irina entreolharam-se, estavam um pouco confusos. O que aquele homem poderia ter a ver com assuntos reais? Apesar dos fatos estarem a favor de sua afirmação, ainda era difícil de acreditar; nunca o tinham visto pela corte ou sequer pela cidade...

- Eu disse a vocês que ele era diferente, que sabia de alguma coisa. Vocês não acreditaram em mim... – James riu.

- Silêncio, querido. – interrompeu a sua mãe enquanto lhe fazia um carinho na cabeça. – Vamos ouvir o que o homem tem a falar.

Lanir se levantou, cruzou os braços por trás das costas e fitou longamente os olhos de cada um. Alguma coisa em sua postura, em sua presença, dava-lhe credibilidade. Não parecia mais um mendigo, um homem maltrapilho, mas um cavaleiro de épocas distantes, das lendas declamadas pelos bardos.

- Eu tenho uma missão importantíssima a realizar em nome de vosso rei, uma empreitada que pode salvar a toda a humanidade. Vossas famílias já sentem o medo imposto pelas criaturas; uma escuridão constante se aproxima, um período de guerras e tristezas. Eu vim para cumprir uma profecia, para ajudar a salvar o Reino dos Homens.

O mensageiro falava com convicção, com chamas nos olhos, com confiança. Por mais absurda que a história parecesse, por algum motivo, Davis e Irina simplesmente não conseguiam deixar de acreditar nela; as palavras de Lanir soavam-lhes extremamente sinceras. E realmente eram. James sempre soubera disso.

- Sei que o que digo parece estranho, mas é a verdade, simples assim. Eu precisava de um companheiro para me acompanhar nas viagens, já o encontrei, não precisamos mais realizar o torneio.

- Você trabalha mesmo para o rei? – perguntou Davis, ainda um pouco receoso e surpreendido. – E se hospedou com a gente?

- Eu queria conhecer a cidade, sabia que ela me mostraria o caminho certo. Encontrei nesta casa meu companheiro. É seu irmão, James. Se ele quiser poderá me acompanhar em minha empreitada, poderá me ajudar em uma missão de suma importância a toda a humanidade.

Lanir sequer piscava. A voz soava calma e poderosa, como anos antes, no dia em que entregara o presente dos dragões a Sir Thomas Brickmond e a Sir Robert Lance. Havia algo de diferente nele, uma espécie de certeza reconfortante. Parecia ser impossível contrariá-lo, opor-se a ele seria tolice; a simples idéia de acreditar no que era dito, no poder de sua voz, trazia uma segurança que a família Robinson não podia recusar. Certamente aquele homem falava a verdade.

- Você vai levar meu filho com você, então? Quando pretende sair? – perguntou Irina, com extrema naturalidade.

Lanir sorriu.

- Vamos agora até o castelo. Lá, tudo será decidido. E ficará provado que não minto para vocês.

Davis e Irina apenas concordaram com a cabeça: não precisavam de provas, mas fariam questão de acompanhá-lo até os aposentos reais, gostavam da idéia de poder encontrar Sir Thomas Brickmond por mais uma vez.

Já James mal podia se conter: seus olhos brilhavam. Era certo que o coração pesava, o medo tentava tirar o gosto daquela notícia, a notícia que ele esperara por toda a sua vida. Seu espírito aventureiro, porém, falava mais alto. Ele sonhava em viajar pelo mundo, conhecer lugares diferentes, lutar para salvar a humanidade; tinha certeza de que isso o faria sentir seu pai mais próximo do que nunca. Às vezes até achava estranho: não sabia como podia amar tanto um pai que sequer conhecera.

A família seguiu o mensageiro até o castelo. Os guardas, já devidamente avisados, deixaram-nos passar. Era estranho como as coisas tinham mudado tão rapidamente, como o caçula da família, de um dia para o outro, parecia destinado aos grandes feitos. Davis e Irinia se sentiam orgulhosos: James sempre se mostrara mais atento aos detalhes do que qualquer pessoa que tivessem conhecido. Era um menino inteligente e corajoso. E por mais que a empreitada parecesse perigosa, eles sentiam que tudo ficaria bem, pelo menos enquanto Lanir estivesse por perto.

- Você atacou aquele guarda, não foi? – perguntou James, assim que os quatro passaram pela porta que dava para o salão do trono.

O mensageiro o fitou com um olhar de curiosidade.

- E como sabe?

- Este bastão com esta navalha na ponta que você carrega, tem uma lasca de metal azul. Só os guardas reais utilizam esta pigmentação nas armaduras. Aquele homem não pareceu muito feliz com sua presença, nos deixou passar com... ahm... um pouco de... desgosto.

Lanir riu.

- Está certo. Foi isso mesmo. Eles não queriam me deixar passar de maneira educada, eu estava com pressa... enfim. Mas ninguém se machucou, fique despreocupado.

- Tudo bem, não achei que fosse nada sério, só fiquei curioso. – retrucou James, feliz por ter acertado em suas conclusões.

- Bom que seja observador, precisaremos disso na viagem.

Assim que o mensageiro terminou sua frase, a família parou diante do trono real, de onde Sir Thomas Brickmond os fitava em silêncio, e fez uma grande reverência. James sentiu o rosto corar, era a primeira vez que ficava tão próximo de um homem tão importante, um homem que, mais até do que ser rei, fora um grande amigo de seu pai.

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