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Cap. 5 - A Estrada dos Reinos (Parte II)

em 1 de nov de 2010.

- Bem na hora, cavaleiros! – disse o general enquanto já colocava Duna em uma marcha lenta e imponente. – Não esperava nada de diferente de soldados treinados por Robert.

Os guardas da cidade olharam para Gabriel com orgulho. Receber elogios de um lendário combatente como ele não era coisa que acontecesse todos os dias.

- E por que veio até aqui? – perguntou um dos homens.

- Meu Rei me enviou, tenho uma mensagem para Sir Lance.

- Oh... certo, então é melhor levarmos você logo para dentro da cidade. Venha, venha.

Naturalmente, os soldados tinham algumas dúvidas sobre como Gabriel encontrara aquelas criaturas, não esperavam que elas já estivessem tão próximas dos dois reinos, mas preferiram não fazer mais perguntas. Primeiro, por se tratar de um general, alguém que não lhes devia satisfação. E segundo, por saberem que a mensagem que ele trazia devia ser de suma importância. Se Sir Brickmond tinha enviado o seu braço direito, seu principal amigo e guerreiro, era porque a situação deveria realmente ser muito delicada.

A pequena milícia rapidamente retornou à cidade, o imenso portão de ferro fora novamente fechado. O reino de Sir Lance era uma fortaleza, a cidade humana mais bem guarnecida de todo o continente. As muralhas eram altas e largas, feitas de puro concreto; as casas dos nobres e o castelo ainda ficavam em um nível separado, também por de trás de espessas fortificações.

Os soldados escoltaram Gabriel, que era observado com olhos atentos por toda a população: era a primeira vez que o Cavaleiro Negro pisava naquela cidade, algo de muito ruim deveria ter acontecido. A população, àquela altura, já sabia bem do ataque feito pelas criaturas; o medo, portanto, crescia a cada segundo, ainda mais quando notavam o braço de Gabriel, que ainda exibia cortes profundos, apesar de todo o seu esforço em costurar corretamente os ferimentos.

Em pouco tempo, o general já se via em frente a Sir Robert Lance, que, assim como ele, fora um dos heróis e sobreviventes da batalha na Planície da Grande Guerra. Apesar de muitos anos terem se passado, ele ainda mantinha um vigor físico impressionante. Os músculos ainda proeminentes, os cabelos negros e fartos. Os anos tinham sido muito mais gentis com Robert do que com Sir Brickmond.

- O que o traz aqui? – perguntou ele, sentado em seu trono, enquanto Gabriel lhe fazia uma reverência respeitosa. – Vejo que está machucado.

- Sim, fui atacado por algumas criaturas enquanto vinha para cá. – respondeu o general, um pouco vacilante; este era exatamente o tipo de informação que poderia atrapalhar os seus planos. Thomas queria convencer Robert de que fugir do continente era uma escolha ruim. Admitir que as criaturas já estavam tão próximas certamente não traria benefícios.

Sir Lance se levantou imponente. Era um homem grande, forte, sempre vestindo a sua armadura; uma cota de malha toda feita em prata e perfeitamente conservada. Ele parecia, de algum modo, satisfeito.

- Eu falei a vocês. Elas já estão muito perto, muito perto, não podemos arriscar nosso povo assim, você sabe disso, garoto.

- Senhor, - iniciou Gabriel, com muita cordialidade. – será que pode dispensar os outros guardas, acho que devemos discutir este assunto sozinhos.

Sir Lance aceitou a sugestão e fez um gesto para que todos se retirassem.

- Com todo o respeito, senhor, acho que está enganado.
Robert se sentou.

- Por que diz isso? – seu tom de voz era calmo, como se realmente quisesse escutar o que Gabriel tinha a dizer.

- Foram, no total, cinco criaturas que me atacaram. Três me emboscaram no cânion, as outras me alcançaram depois, provavelmente sabendo que eu escapei. Você sabe como elas funcionam.

Robert apenas assentiu com a cabeça.

- São muitas, criaturas demais, mesmo se elas já estivessem de fato próximas. Se estivessem próximas o suficiente para que cinco delas me avistassem, já teríamos sido avisados pela Grande Torre Vigia, o senhor sabe disso.

- Sim... é verdade, não tinha pensado nisso...

- Pois então, eram batedores, vieram investigar. Acho até muito estranho que tenham me pego sozinho.

- De fato... de fato... então... elas não estão assim tão próximas. – iniciou Sir Lance enquanto se levantava e andava vagarosamente na direção de Gabriel. – Mas isso não significa que mudarei minha posição. – disse, ao passar pelo general e continuar caminhando até o centro do salão.

Gabriel suspirou.

- Thomas está morrendo, senhor... talvez já tenha até morrido.
Sir Lance parou abruptamente, não arriscou mover um músculo sequer.

- Mo... morrendo?

- Sim, senhor. – o general se virou.

- Como assim?

- Ele está doente já faz algum tempo, imagino que já saiba disso. As coisas pioraram, por isso ele me enviou.

Robert se virou para fitar Gabriel.

- E ele está tão mal assim?

- Infelizmente, senhor.

- Eu não esperaria por isso, não agora, num momento como esses, não Thomas, logo ele... – Sir Lance parecia desnorteado; tateava o ar inutilmente como se procurasse por alguma coisa em que se apoiar.

- Ele quer ver você. Me enviou aqui, porque ele quer vê-lo por uma última vez. – o general soava sério, procurava conter a própria tristeza. – Não pode atrasar um pouco seus planos de partida para vê-lo?

Robert fitou o nada por um tempo, ainda sem saber como reagir; pensava. Sir Brickmond talvez fosse o único verdadeiro amigo que tivera em toda a sua vida. Era muito triste saber que em breve ele poderia morrer, ou que já até tivesse morrido; era a pior notícia que recebera em anos.

- É claro, como não. As... criaturas... elas... não estão tão próximas... acho que posso sim... ou melhor... eu vou. Mandarei que preparem a escolta real e partiremos, o quanto antes! – afirmou Sir Lance, convicto, ao se recuperar do baque causado pela notícia e tomar a sua decisão.

- Como quiser, senhor. – respondeu Gabriel, não conseguindo esconder um sorriso de satisfação, enquanto novamente cumprimentava o rei com uma reverência tradicional. – Parto junto com seu exército assim que ordenar.

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