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Cap. 9 - O Segredo das Montanhas (Parte II)

em 1 de nov de 2010.

Os três caminharam pelo estranho túnel de terra por algum tempo. James continuava levemente incomodado. Tinha se certificado de que a caverna não tinha uma saída quando ali fora jogado; mas, então, como explicar aquele túnel? Estava confuso. Também lhe incomodava o fato de que Lanir conhecesse aquele ser medonho e esquisito, que, de algum modo, demonstrava conhecer as montanhas com uma perícia sobrenatural. Os dois pareciam ter alguma espécie de rixa, algum motivo que os levava a brigar.

O caminho era convenientemente reto, sem desvios ou relevos, quase como que construído para levar diretamente a algum lugar. James, desconfiado e curioso como sempre, sentia-se quase sufocado pelas sucessivas perguntas que tomavam conta de sua cabeça. O que era aquele ser? Como ele e Lanir se conheciam? Onde eles estavam? Enfim, como o maldito túnel tinha aparecido? Mas, por precaução, preferiu não perguntar. Era novo, ainda pouco corajoso; sentia mais medo do que curiosidade e, por isso, optou por se manter calado.

- Cheghamosh... é aquí que discansamos hoche, voxcês prexcisam dormir. – afirmou a criatura, assim que os três entraram em uma espécie de salão subterrâneo, não muito extenso, mas capaz de abrigar com algum conforto o pequeno grupo. No centro, havia uma mesa de pedra com cinco pequenos bancos.

- Ele tem razão. – disse Lanir enquanto se sentava num dos cantos do salão, com as costas apoiadas na parede. – É melhor dormirmos mesmo por aqui. Procure um canto para você, James. Eu ainda tenho um pouco de água e alguns suprimentos comigo, pegue o que quiser, mas não em muita quantidade, precisaremos economizar o que restou.

O garoto se sentou ao lado de Lanir, preferia se manter próximo ao mensageiro; ainda não confiava naquela estranha criatura. Timidamente, pegou um pouco de pão e tomou alguns goles de água do cantil que ele mesmo carregava.

- Tem certeza de que estamos seguros? As criaturas podem nos seguir até aqui.

Lanir o olhou lateralmente, já com a cabeça apoiada na parede de pedra, em uma posição bem relaxada, como a de quem se prepara para dormir.

- Como? Eles não têm como chegar até aqui, o túnel foi fechado.

James franziu a testa e virou o rosto automaticamente para fitar o caminho por onde tinham chegado. Para sua surpresa, o salão formava um círculo perfeito, sem uma caverna sequer por onde alguém pudesse entrar – ou sair, era o que ele pensava, com uma certa aceleração nos batimentos cardíacos que lhe causava uma sensação muito estranha, uma agonia que começava no estômago e terminava em um nó na garganta.

- Mas... mas... como? Como? O qu... O que é-é vo-cê? – James gaguejou enquanto apontava incrédulo para a criatura, que agora estava sentada em um dos cinco bancos do salão e o fitava com curiosidade, mais uma vez se esforçando para deixar todos os seus dentes amostra; era como se tentasse exibir um sorriso simpático, ou ao menos assim parecia.

- Irgh ri! Menino curiosso. Só pedi pra montanhia um caminho e a montanhia nos deu.

James balançava a cabeça negativamente.

- É bem difícil de acreditar que é só isso. Me diz: quem você é realmente?

A criatura alargou os lábios o máximo que pôde, mostrando ainda mais dentes; parecia rir da situação, embora sua expressão pudesse também causar certo temor.

- Eu qsou Lhrianhorviktiziz.

- O quê? – o garoto perguntou, sem compreender quase nada do que a criatura falara.

Lanir deixou escapar um riso alto e deu um tapa de leve na perna de James.

- O nome dele é Lianor Vikti, o rei do Povo das Fadas. É uma pena que ele não consiga falar nem o próprio nome direito. – o mensageiro gargalhou enquanto a criatura lhe lançava um olhar de irritação.

- Rei do Povo das Fadas? Fala do povo que vive depois do Grande Rio, por trás daquelas cadeias montanhosas?

- Maxxx é claro! – exclamou Lianor Vikti, ao dar um salto do banco em que estava para a mesa. James recuou, temendo que ele finalmente atacasse.

- Você não vai começar a cantarolar, não é mesmo? – perguntou Lanir, sem muitas esperanças, ao deixar escapar um longo suspiro de cansaço.

A criatura imediatamente começou a recitar alguns versos, em um ritmo épico de balada; a voz era belíssima, muito diferente do som agudo e incômodo utilizado nas conversas; a dicção era precisa e imponente, melhor do que a dos mais grandiosos bardos.


Nas colinas rochosas,
na Cidadela Encantada,
nasce Lianor Vikti,
o destino a sua jornada.

Ele é o Rei dos Reis,
que carrega um nome passado.
Transmitido de rei para rei,
a quem comanda o nosso Reinado.

Poderoso e destemido!
Temido, bem-aventurado!
É Lianor Vikti,
o rei do Povo Encantado.


Neste momento, ecos surgidos de toda a parte do salão pareciam invocar uma música pesada, quase como uma marcha de milhares de pessoas a recitar com a criatura. As paredes vibravam. A música crescia e diminuía conforme o ritmo dos versos, causando um efeito que provocou calafrios por todo o corpo de James.


Criado pelo destino.
Marcado logo menino.
Treinado desde nascido:
incrível menino-prodígio!

Marcado por Deuses Sagrados.
Tem origem desconhecida.
Seu poder é sacramentado
e seu controle é sobre a Vida!


De repente, um silêncio total tomou conta de todo o salão e tudo ficou na mais completa escuridão. Aos poucos, uma luz amarelada de tochas retornou, ainda fraca, permitindo que James vislumbrasse uma sombra tênue de pé sobre a mesa. A apresentação fora incrível – os sons pareciam ter se multiplicado – e a entonação dos cânticos era, ao mesmo tempo, perfeita e assustadora, quase como numa grande marcha de guerra.

- Exste sou eu.

O garoto continuou calado, ainda sem reação. Como esperar uma canção tão bela e assustadora de uma criatura que até ali mostrava grandes dificuldades em sequer falar? Pior ainda era pensar no que dizia a letra. Rei dos Reis... poderes sobre a vida... aquilo de fato era estranho... até um pouco absurdo.

- Isso tudo que contou... é verdade? – James sibilou, sem muita confiança.
Lanir, que escutara a música ainda recostado na parede de pedra, com uma expressão cansada, como a de quem já a ouvira por mais vezes do que gostaria, novamente deixou escapar um riso alto antes de tomar a palavra.

- Bem... não fique assustado. Em parte é verdade sim, mas não se deixe enganar por essa conversa de controlar a vida!

Lianor Vikti saltou para o banco por mais uma vez, sentou-se e cruzou as pernas. Depois, passou a mão no queixo enquanto analisava o garoto.

- Ele é mesmo o rei do Povo das Fadas. – continuou Lanir. – Na realidade, nem sei o que ele faz aqui, tão longe do reino deles. Deve estar aprontando algum golpe...

- O quê?! Max que absudo! Eu os ajudo e ganho isso em troca. – retrucou a criatura enquanto soltava um longo suspiro e sacudia os ombros.

James se levantou, um pouco ansioso; as perguntas que passavam por sua cabeça o tinham deixado muito agitado.

- E por que vocês brigam tanto?

Lanir e Lianor Vikti se olharam por um bom tempo, indicando que a história, definitivamente, deveria ser grande. Após alguns segundos, o mensageiro se levantou e começou a andar pelo salão enquanto falava.

- Bem... acho que você é muito novo para saber disso mesmo, é coisa antiga. Digamos que... uhm... o Povo das Fadas não é muito confiável. Desde tempos remotos que eles tentam acabar com todos os dragões. Não sei, devem pensar que poderão tomar o continente todo assim.

- Irgh ri! Issso é menthira. Nem thodos zomos assim.

- Nem todos? – perguntou James, ainda mais curioso do que anteriormente.

A criatura saltou do banco e começou a andar pela sala; as mãos novamente no queixo, como se pensasse. O silêncio completo imperava, uma vez que Lanir também ficara quieto, esperando por uma resposta de Lianor Vikti, que caminhava de um lado para o outro bem lentamente, em ritmo quase hipnótico.

- Bem, garoto, vou lhe contar – iniciou ele, novamente falando em tom de balada, com uma voz grave e cativante, que crescia conforme a melodia seguia seu desenvolvimento. – uma história sobre o meu povo.


A cada lua que passa,
depois de vinte oito anos,
nasce um ser novo,
na terra encantada das Fadas.

Alguns nascem com asas,
Outros mesclados com touros,
Alguns guardam tesouros,
Outros buscam jornadas.

Somos muitos que andam no mundo.
Somos tantos em número e raça.
Somos um povo intranqüilo e difuso.
Nos espalhamos feito a fumaça.


Lanir colocou as mãos nos ombros de Lianor Vikti, como indicando que ele parasse, e olhou para James:

– Compreende? Chamamos todos de O Povo das Fadas, mas são muitas raças, muitos seres diferentes. Acontece que todos nasceram no mesmo lugar, o Lago Azul. Todos são criaturas mágicas, alguns de raças muito antigas, mais antigas do que a própria cordilheira que hoje cerca aquela terra.

O garoto fitou o mensageiro e a criatura por algum tempo, ainda espantado com todas aquelas informações; a aventura tinha finalmente começado, ou pelo menos era isso que ele sentia.

- Mas... é... por que dizem ser só um povo, então?

- Eles sentem uma forte ligação por causa do lago, por causa de sua origem. Há uma língua que todos falam também, embora cada raça também possua uma língua própria. Mas, como deve imaginar, todo rei de um povo como este, tão fragmentado, enfrenta grandes problemas...

- Xsim, há aquheles que querem uma coixsa e outros outras. – interrompeu Lianor Vikti enquanto novamente saltava para um dos bancos do salão. – É terrível! Terrível!

Lanir se aproximou de James lentamente e se sentou novamente ao seu lado.

- Mas ainda não lhe contei o que há de pior nisso tudo...

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