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Sobre o Jabuti, Portugal Telecom e etc... (Vamos discutir!)

em 27 de nov de 2010.

Já faz um tempo que queria fazer uma postagem sobre este assunto, que relaciona as últimas confusões envolvendo grandes prêmios literários brasileiros. Infelizmente, por estar viajando (estou em Paris hoje - e acho que farei umas postagens sobre a viagem por aqui, não sei se interessa aos leitores, vou pensar sobre), talvez a postagem não tenha a profundidade que deveria, afinal, é um assunto sério e importante. Para isso, conto muito com os leitores do blog. Acho que vocês podem acrescentar muito à discussão a respeito deste assunto através dos comentários (mais uma vez, pode ser que eu demore um pouco a aprová-los em função da viagem).

A idéia para o post surgiu de uma conversa com o amigo @cizenando_, colaborador eventual do blog, e também de um comentário do Marcos Nunes sobre a vitória do Chico Buarque no Jabuti e, se não me falha a memória, no Portugal Telecom. Enfim, a discussão com o Cizenando e com o Marcos tocaram neste mesmo assunto, dos prêmios literários.

Para quem não sabe direito da situação, o Chico venceu, por exemplo, a categoria Livro do Ano no último Jabuti, embora o seu livro não tenha sequer ganho a categoria da qual realmente participava: ficção. Diante dessa questão, já se colocou no ar um pouco de dúvida. Afinal, as sucessivas vitórias (acho que já é o terceiro Jabuti do Chico) se dão apenas pela qualidade literária ou também pela presença midiática do cantor? Eu, particularmente, prefiro não me posicionar efetivamente sobre o assunto por não ter lido os livros do Chico.

Por isso, trago a vocês esta discussão. E acrescento ainda algumas informações interessantes. A Editora Record, após, mais uma vez, ter visto um livro seu vencedor de uma categoria (neste ano Ficção), perder o título de Livro do Ano para uma obra que foi derrotada em uma categoria que a editora havia ganho (o livro do Chico não venceu a categoria ficção, mas foi eleito livro do ano), declarou que não pretende mais inscrever obras suas no próximo Jabuti, o que pode afetar sim a credibilidade da premiação, até por toda a discussão que esta tomada de posição da Record vem gerando.

Enfim, gostaria de ouvir um pouco a opinião de vocês sobre estes assuntos. O que me dizem? (desculpem se o texto não estiver tão claro ou com alguns erros, mas queria trazer esta discussão ao público e estava numa correria intensa – queria ter buscado uns links de matérias que li sobre o assunto e colocá-los aqui, mas ficou meio difícil).

15 Comentários:

Paul Law

Leonardo, você sempre apresenta assuntos interessantes aqui no blog. Minha opinião é de que o autor não deve se preocupar com premiações, pois elas não são nada mais do que algo feito para promover quem a está realizando. Algumas não, claro, como tudo na vida.
Acho que é preciso se preocupar com leitores.
Um abraço.

marcos nunes

Toda e qualquer premiação deriva de uma politicagem de conchavos, de influências, ou, no mínimo, de critérios muito subjetivos. Eu, por exemplo, jamais daria o Nobel ao Llosa, pois, se Conversa na Catedral (ou NO Catedral) de fato era um tremendo livro, depois suas boas incursões literárias foram rareando até descer à mediocridade, onde ele está a no mínimo 10 livros. As justificativas para seu prêmio foram as mais banais possíveis, como de regra; hoje, existem pelo menos 3 dezenas de escritores vivos em constante disputa pelo Nobel, mas a escolha final não tem, como todos os demais prêmios, transparência alguma.

Chico Buarque compôs boas canções, e só. Seu nome é boa publicidade, e só. Os responsáveis pelas premiações estão sujeitos a pressões de editoras e simpatias. Aos aconchegos das amizades, para ser elegante. Isso não mudará no Brasil ou no exterior. Umas tantas vezes, vemos que, "pô legal, esse cara bem que merecia, o livro dele é mesmo super legal", etc., mas essas tantas vezes são poucas. Escritores não devem se iludir: sem participar dos joguinhos políticos de baixa extração a chance de um prêmio é praticamente nula. Assim tem sido nos últimos 500 anos, desde que mecenas investiram em poetas e depois em romancistas, acreditando na qualidade de um e outro por afinidades eletivas eleitoras, influências nefastas e algumas vezes benevolentes, e por aí vamos.

A literatura, afinal, não é nada tão importante assim. Leio que Umberto Eco lançou na Itália um livro em edição de apenas 2.000 exemplares. para ele, os italianos leem pouco ou nada. A grande maioria não lê um livro por ano, e outra parte lê só um. Logo, ficar brigando por posição no mundo editorial é mourejar por um fiado de favores do capitalismo financeiro, sonhando em ser um intelectual orgânico, porta voz dos insensatos recobertos do bom senso que o dinheiro traz.

Sou um leitor de exceção: leio, no mínimo 50 livros por ano. Sou um escritor de regra: escrevo um livro por ano e sigo como anônimo. Conheço melhores que eu que assim também são. É a vida, prioridades, contingências, carências. Nada é tão aborrecido assim. Chato é ver o sorriso do Chico ao receber seus prêmios, quando deve ser do conhecimento dele próprio que, enquanto escritor, ele é pouco além de um Marcos Nunes da vida. E isso é muito, muito pouco. Na verdade é nada.

Anônimo

Marcos,

Não sei como você é como escritor, mas adoro ler seus comentários.

Patricia.

marcos nunes

Cara Patricia,

Não sou grande coisa não... inclusive nos comentários, exageradamente mau humorados e taxativos, e que nem correspondem assim tanto àquilo que penso, mas provocar é preciso e, se alguém precisa ser chato, o chato sou eu...

Ah, se você quiser de presente de Natal meu livro de contos eu te mando um. É só mandar teu endereço para marcosaugustonunes@hotmail.com. Peço que os demais não se animem: é só para a Patricia mesmo (porque ela tem o mesmo nome de uma ex-namorada que eu nunca tive, lá nos finados dias da minha juventude, oh, dor!)

Anônimo

Por falar em prêmio literário,ninguém levou o prêmio Leya 2010!Será que dos 325 inscritos não havia realmente nada que valesse a pena publicar?

Estou decepcionada!!!!!!!!!!!!!

Patricia.

Vicente Reckziegel

Fica meio claro, que, no caso do Jabuti, os prêmios são dados em função do nome/artista Chico Buarque, e não do escritor Chico Buarque, não depreciando suas obras, mas ganhar seguidas vezes o referido prêmio, faz com que ele perca muito da sua credibilidade. mas vivemos num meio dominado pela mídia.
É meio deprimente, para alguém que escreve como eu, lutar tanto por um lugar ao sol num mercado tão pequeno(uma contradição em comparação ao tamanho do pais)e ver sub-celebridades como a tal Geisy Arruda, autografando sua biografia em grandes livrarias, uma visão quase inalcançavel para a maioria dos novos escritores.
Enfim, um prêmio desses nunca será conquistado por um "ser humano comum", sem este ser um nome político ou artístico no nosso Brasil.
Sad, but true...

Leonardo Schabbach

Patrícia esse prêmio da Leya, tinha de pagar inscrição? Pq se eles cobraram a inscrição para depois não publicar ninguém a coisa fica meio suspeita, hehehe.

marcos nunes

Leonardo,

Não houve custo de inscrição para o prçemio Leya, só aquele referente aos custos de envio de livro para Portugal. O site deles deixou de fazer menção ao mesmo; creio, ainda assim, que sairá um vencedor, como sempre, quer dizer, algum amigo, jornalista, relacionado, indicado, patronado, etc., como foi nos últimos dois anos, sem desmerecer romances que, afinal, não li (o do ano retrasado mereceu, contudo, críticas ruins em O Globo, o título é algo comoO salto do jaguar ou As garras do Jaguar, sabe-se lá, e eu, como refratário a Guimarães Rosa, tive o cuidade d enão me interessar, uma vez que o próprio autor se diz devedorda "tradição" roseana... fazer o que). O Leyapode ser divulgado até o último dia de dezembro, a não ser que eles tenham declinado da premiação por falta de qualidade dos tais 325 (eu incluído) ou tenham, em tempo de crise, guardado seus capitais...

Quanto aos demais comentários, pô, não acho deprimente perder espaço na mídia para a tal Geisy Arruda ou que tais. Quem a lê (ou seu escritor-fantasma) não quer literatura, mas revista Capricho.

Penso não caber ao escritor brigar por esse espaço, mas outro, que lhe é próprio, o da inserção nos currículos escolares, mesmo que ele mesmo não seja indicado em tais currículos. Ao formar leitores, escritores como Machado de Assis ou Graciliano Ramos instilam interesse nos novos leitores por todas as literaturas, inclusive aqueles de seu próprio tempo, e nessa nós entramos. Ou não.

Os prêmios, assim, são pontos luminosos para visão do público mais geral, que não é, particularmente, de meu interesse, e sim aqueles que, educados nas escolas, querem discutir envoltos em textos novos e antigos, conjugar russos do século XIX com brasileiros do século XXI, sem descurar da literatura latino-americana do século XX. Esse é o nosso campo de batalha.

marcos nunes

Desculpe o retorno mas, diante do que li anteriormente, fui ao site da Leya, onde está:

"Prémio Leya 2010: comunicado do júri
29 Nov 2010

Segunda-feira, 29 de Novembro - 18:00

O Júri do Prémio LeYa reuniu esta tarde na sede da editora, em Alfragide, para deliberar sobre a atribuição do Prémio relativo a 2010.

Perante originais que, apesar de algumas potencialidades, se apresentam prejudicados por limitações na composição narrativa e por fragilidades estilísticas, o Júri entendeu que as obras a concurso não correspondem à importância e ao prestígio do Prémio LeYa no âmbito das literaturas de língua portuguesa. Em consequência, e de acordo com a alínea f) do art.º 9 do respectivo Regulamento, decidiu por unanimidade não atribuir o Prémio LeYa referente ao ano de 2010.


Alfragide, 29 de Novembro de 2010"


Claro, é uma prerrogativa da editora. Creio, porém, que a questão econômica deve ter falado mais alto. Afinal, o "grande prêmio" seria de coisa de 250 mil reais... Embora creia que meu livro se encaixe na descrição acima, difícil crer que outros 324 tenham seguido pelo mesmo caminho.

Anônimo

Oi Léo,

como bem disse o Marcos Nunes,não houve custo para a inscrição.Porém não saiu de graça o SEDEX. De graça penas a propaganda para a tal editora.Se o objetivo dela ela promoção ela conseguiu.Tenho certeza que como eu muitos nunca tinham ouvido falar da dita cuja.

Abç,

Patricia.

Anônimo

OLá, Marcos Nunes!

Mau humorado?

Depende do ponto de vista de cada um.Eu sempre me divirto com o ácido vindo dos seus escritos e como sou completamente "analfabeta" no assunto literário(sou apenas curiosa e intrometida) me aproveito desses momentos para aprender alguma coisa!

Ah!

Muito obrigada pelo livro.Mais adiante a gente se fala.

abç,

Patricia.

Anônimo

E se o escritor não quiser participar de nada, mas tiver a divina necessidade de escrever?

Abs,

Knight-13

Leonardo Schabbach

Bem, aí acho que ele tem de sentar e escrever, afinal, essa é uma necessidade boa de se satisfazer =)

Luis Narval

Julgar com relativo acerto o mérito de uma obra qualquer, a despeito do que possa parecer, não é tarefa nada fácil. É necessário antes de tudo
que o avaliador em questão conheça em profundidade o que é ou não literatura e seja completamente isento ao emitir seus pareceres.

Conhecer literatura estribado apenas no que é produzido atualmente (me refiro aos últimos 50 anos), de pouco ou nada adianta. É preciso ser um estudioso/praticante da escrita clássica. A qual mescla uma alta filosofia e uma não menor poesia com uma profunda tradição humanística, e
isso sem falar de uma forte percepção metafísica
do que de fato consiste a realidade da vida. Coisa essa hoje em dia, infelizmente, tão ausente, não só nos livros, mas no próprio pensar, agir e falar. Portanto, qualquer deficiência desse tipo da parte do avaliador comprometerá seriamente seu julgamento.

Recentemente fui convidado pela Secretaria de Cultura de minha cidade para avaliar projetos na área da literatura, cujo prêmio (significando a publicação do original, com o qual, modestamente, fui agraciado no último ano)oscila na faixa dos 22 mil reais.
Portanto, um belíssimo prêmio. Ainda não recebi os originais, o que se dará a partir de janeiro, e devo dizer que estou bastante apreensivo, pois como mencionei acima é preciso alguns pré-requisitos fundamentais da parte de quem julga, e reconheço não possuí-los na medida que gostaria. Enfim espero, sinceramente, não cometer (mas já prevendo que cometerei) nenhuma injustiça.

Carlos Maduro

Permitam a intromissão. Fui concorrente ao prémio Leya no ano de 2008 e um dos 8 finalistas, dois portugueses e seis brasileiros.
Li os publicados, o Rastro, a Rainha do Cine Roma e o Eu Profírio do Alaor Barbosa. Eu pessoalmente gostei do Alaor, aí sente-se algo de Guimarães Rosa, meu escritor de culto aí no Brasil.
Mas só estes foram publicados, o meu romance, intitulado a Corda de Judas Iscariotes começou por entrar na lista do esquecimento, facto que me levou a romper com a Leya, publicar noutra editora e a lançar na primeira pessoa todas as desconfianças em relação aos verdadeiros motivos que estão por detrás deste prémio, no meu entender, unicamente jogo publicitário.

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