Talvez este seja o meu primeiro e último post a respeito do Big Brother Brasil. Digo talvez, porque, como sou formado em comunicação, o programa muitas vezes suscita questões interessantes, como a que pretendo comentar nesta postagem, então não posso garantir que eu não vá falar sobre ele aqui de novo. Não vou julgar se as pessoas devem ou não assistí-lo ou se ele é ou não é algo de qualidade; não me preocupo nem um pouco com isso. Eu, particularmente, não assisto ao programa, mas não por achar que é horroroso ou uma afronta à intelectualidade como muitos gritam aos quatro ventos, mas por uma simples questão de hábito; estou acostumado a fazer ou assistir outras coisas no horário.
O fato é que, na última terça-feira, acabei assistindo ao programa, vi uma pequena parte de edição e então a prova do líder. O que me chamou a atenção foi a questão da "diversidade" neste Big Brother Brasil, inclusive comentei isso via twitter. Achei engraçado que a Globo anuncie a quem quiser ouvir - e a quem não quiser também - esta edição como a que pretende "quebrar os preconceitos", pois o que eles fazem é justamente o contrário; não tratam a questão com a naturalidade que ela deveria ter, mas a exaltam o tempo inteiro como algo que deve ser exaltado. Isso é um problema, um erro grave que foi cometido.
Vejamos o porquê desta minha afirmação. Se você pretende estimular a aceitação dos homosexuais, você logicamente irá querer que a homosexualidade seja vista como algo natural. Uma pessoa seria advogada, loira e hétero; ou professor, moreno e gay; e assim por diante. Quando você exalta da maneira como o programa faz a sexualidade dos três participantes da Tribo dos Coloridos, quando exalta como característica principal que os define como pessoas a homosexualidade deles, você aponta que há algo de estranho ali, algo que de ser observado e que, por isso, não pode ser natural.
Mostrarei um exemplo em novelas para que a coisa fique mais clara. A Taís Araújo, por exemplo, foi a primeira protagonista negra da história das telenovelas brasileiras. Atualmente, ela é também a segunda, exercendo o papel de Helena na novela de Manoel Carlos. As duas situações em que ela foi protagonista, porém, foram totalmente diferentes se olharmos pela questão racial.
Na primeira novela, a Cor do Pecado, a protagonista possuía o nome de Preta, o próprio título da novela já apontava a questão da cor, e a personagem de Taís Araújo era definida somente por isso. Alguém ai lembra o que ela fazia para viver? Quais eram seus sonhos e etc? Não... toda a novela, todas as questões da vida da personagem principal se envolviam com o fato de ela ser negra, somente isso. Esta é uma maneira ruim de tratar o assunto. Afinal, se você quer que o negro seja visto sem diferenciação de tratamento, faça isso já na criação da personagem. Crie uma protagonista como outra qualquer; com profissão, sonhos e triângulos amorosos como em qualquer outra novela e faça com que ela seja, assim, por um acaso, negra, como poderia ser branca, mulata, loira e etc...
É isto que acontece nesta nova novela. Não acompanho para saber se já houveram episódios que envolvam a questão do racismo, mas esta personagem de Taís Araújo, a Helena, não tem como característica principal e quase única ser negra. Ela é uma pessoa como outra qualquer, uma protagonista como outra qualquer, que também é negra. É desta maneira que você de fato estimula a "quebra de preconceitos" e não da forma como o Big Brother Brasil vem fazendo.
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O fato é que, na última terça-feira, acabei assistindo ao programa, vi uma pequena parte de edição e então a prova do líder. O que me chamou a atenção foi a questão da "diversidade" neste Big Brother Brasil, inclusive comentei isso via twitter. Achei engraçado que a Globo anuncie a quem quiser ouvir - e a quem não quiser também - esta edição como a que pretende "quebrar os preconceitos", pois o que eles fazem é justamente o contrário; não tratam a questão com a naturalidade que ela deveria ter, mas a exaltam o tempo inteiro como algo que deve ser exaltado. Isso é um problema, um erro grave que foi cometido.
Vejamos o porquê desta minha afirmação. Se você pretende estimular a aceitação dos homosexuais, você logicamente irá querer que a homosexualidade seja vista como algo natural. Uma pessoa seria advogada, loira e hétero; ou professor, moreno e gay; e assim por diante. Quando você exalta da maneira como o programa faz a sexualidade dos três participantes da Tribo dos Coloridos, quando exalta como característica principal que os define como pessoas a homosexualidade deles, você aponta que há algo de estranho ali, algo que de ser observado e que, por isso, não pode ser natural.
Mostrarei um exemplo em novelas para que a coisa fique mais clara. A Taís Araújo, por exemplo, foi a primeira protagonista negra da história das telenovelas brasileiras. Atualmente, ela é também a segunda, exercendo o papel de Helena na novela de Manoel Carlos. As duas situações em que ela foi protagonista, porém, foram totalmente diferentes se olharmos pela questão racial.
Na primeira novela, a Cor do Pecado, a protagonista possuía o nome de Preta, o próprio título da novela já apontava a questão da cor, e a personagem de Taís Araújo era definida somente por isso. Alguém ai lembra o que ela fazia para viver? Quais eram seus sonhos e etc? Não... toda a novela, todas as questões da vida da personagem principal se envolviam com o fato de ela ser negra, somente isso. Esta é uma maneira ruim de tratar o assunto. Afinal, se você quer que o negro seja visto sem diferenciação de tratamento, faça isso já na criação da personagem. Crie uma protagonista como outra qualquer; com profissão, sonhos e triângulos amorosos como em qualquer outra novela e faça com que ela seja, assim, por um acaso, negra, como poderia ser branca, mulata, loira e etc...
É isto que acontece nesta nova novela. Não acompanho para saber se já houveram episódios que envolvam a questão do racismo, mas esta personagem de Taís Araújo, a Helena, não tem como característica principal e quase única ser negra. Ela é uma pessoa como outra qualquer, uma protagonista como outra qualquer, que também é negra. É desta maneira que você de fato estimula a "quebra de preconceitos" e não da forma como o Big Brother Brasil vem fazendo.























