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7

Big Brother Brasil e a questão do preconceito

em 25/01/2010.
| Comentários: (7)
Talvez este seja o meu primeiro e último post a respeito do Big Brother Brasil. Digo talvez, porque, como sou formado em comunicação, o programa muitas vezes suscita questões interessantes, como a que pretendo comentar nesta postagem, então não posso garantir que eu não vá falar sobre ele aqui de novo. Não vou julgar se as pessoas devem ou não assistí-lo ou se ele é ou não é algo de qualidade; não me preocupo nem um pouco com isso. Eu, particularmente, não assisto ao programa, mas não por achar que é horroroso ou uma afronta à intelectualidade como muitos gritam aos quatro ventos, mas por uma simples questão de hábito; estou acostumado a fazer ou assistir outras coisas no horário.

O fato é que, na última terça-feira, acabei assistindo ao programa, vi uma pequena parte de edição e então a prova do líder. O que me chamou a atenção foi a questão da "diversidade" neste Big Brother Brasil, inclusive comentei isso via twitter. Achei engraçado que a Globo anuncie a quem quiser ouvir - e a quem não quiser também - esta edição como a que pretende "quebrar os preconceitos", pois o que eles fazem é justamente o contrário; não tratam a questão com a naturalidade que ela deveria ter, mas a exaltam o tempo inteiro como algo que deve ser exaltado. Isso é um problema, um erro grave que foi cometido.

Vejamos o porquê desta minha afirmação. Se você pretende estimular a aceitação dos homosexuais, você logicamente irá querer que a homosexualidade seja vista como algo natural. Uma pessoa seria advogada, loira e hétero; ou professor, moreno e gay; e assim por diante. Quando você exalta da maneira como o programa faz a sexualidade dos três participantes da Tribo dos Coloridos, quando exalta como característica principal que os define como pessoas a homosexualidade deles, você aponta que há algo de estranho ali, algo que de ser observado e que, por isso, não pode ser natural.

Mostrarei um exemplo em novelas para que a coisa fique mais clara. A Taís Araújo, por exemplo, foi a primeira protagonista negra da história das telenovelas brasileiras. Atualmente, ela é também a segunda, exercendo o papel de Helena na novela de Manoel Carlos. As duas situações em que ela foi protagonista, porém, foram totalmente diferentes se olharmos pela questão racial.

Na primeira novela, a Cor do Pecado, a protagonista possuía o nome de Preta, o próprio título da novela já apontava a questão da cor, e a personagem de Taís Araújo era definida somente por isso. Alguém ai lembra o que ela fazia para viver? Quais eram seus sonhos e etc? Não... toda a novela, todas as questões da vida da personagem principal se envolviam com o fato de ela ser negra, somente isso. Esta é uma maneira ruim de tratar o assunto. Afinal, se você quer que o negro seja visto sem diferenciação de tratamento, faça isso já na criação da personagem. Crie uma protagonista como outra qualquer; com profissão, sonhos e triângulos amorosos como em qualquer outra novela e faça com que ela seja, assim, por um acaso, negra, como poderia ser branca, mulata, loira e etc...

É isto que acontece nesta nova novela. Não acompanho para saber se já houveram episódios que envolvam a questão do racismo, mas esta personagem de Taís Araújo, a Helena, não tem como característica principal e quase única ser negra. Ela é uma pessoa como outra qualquer, uma protagonista como outra qualquer, que também é negra. É desta maneira que você de fato estimula a "quebra de preconceitos" e não da forma como o Big Brother Brasil vem fazendo.
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4

Tempos Modernos

em 21/01/2010.
| Comentários: (4)
Comentário: Este é um poema mais antigo também, é bem curto, simples, mas gosto muito dele. Acho que me traz algumas imagens à cabeça que são agradáveis, uma certa melancolia, não sei bem explicar. Enfim, divido com vocês, espero que gostem.


Tempos Modernos

Um belo dia,
o circo veio à cidade.
E, junto dele, veio toda compania.
Palhaços, mágicos, malabares,
pássaros, pombos e cotovias.

Porém, era ali a cidade grande,
cheia de pompa e também de mordomia.
E era por isso
que ao circo
ninguém ia,
pois em meio a essa vil modernidade,
deixa-se de lado a magia
e opta-se pela racionalidade.
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3

Crítica sobre o novo filme de Sherlock Holmes

em 18/01/2010.
| Comentários: (3)
Como havia criado uma postagem falando das minhas expectativas envolvendo o novo filme do Sherlock Holmes, hoje escrevo para dar a minha opinião a respeito dele. Uma das maiores preocupações que eu tinha era que, por se tratar de uma super produção, acabassem criando um filme com excessivas cenas de ação e romance e se esquecessem do lado inteligente e perspicaz das obras do autor Sir Arthur Conan Doyle.

Felizmente, não foi o que aconteceu. O romance com Irene Adler (personagem de Rachel McAdams), romance que não existe nos livros, não é colocado de maneira tão veemente. Inclusive, o que mais chama a atenção é a relação entre Holmes e seu fiel amigo Watson. As atuações de Robert Downey Jr. e Jude Law, neste sentido, para mim foram perfeitas. Ambos conseguiram passar com perfeição a visão que eu tinha dos personagens no livro. Durante toda a história, é impossível não rir com a relação inusitada entre os dois. E este é um ponto extremamente positivo do filme, pois ele finalmente traz uma visão do Watson muito diferente da que a maioria das pessoas estava acostumada. Nos livros, embora o Dr. Watson conte as histórias de Holmes e, quase que o tempo todo, exalte as suas qualidades intelectuais, há uma relação de amizade e reciprocidade entre os dois. Diferentemente dos outros filmes sobre o detetive, Watson não é visto aqui como um personagem inútil, que serve apenas para exaltar as qualidade de Sherlock Holmes.

A trama também é bem interessante, seguindo mais pelo lado do caso O cão dos Baskerville, em que há todo um clima de sobrenaturalidade rondando a história quase que o tempo inteiro. Ainda assim, o grande atrativo do filme é o persongem, o peculiar e incrível detetive Sherlock Holmes. Talvez por isso a recepção do grande público venha a se dividir. Como trama e clímax, o filme é bom, mas nada excepcional. Agora, o personagem de Holmes está extremamente bem desenvolvido e irá, definitivamente, passar a sensação de que o filme é muito bom para aqueles que conseguirem se identificar com ele. Em realidade, este é mais um aspecto em que a super produção se aproxima do livro. Apesar dos casos criados por Sir Arthur Conan Doyle serem de razoável complexidade e bem interessantes, o grande atrativo de seus contos sempre foi a figura de Holmes, era ela quem causava a fascinação necessária para prender os leitores.

Enfim, de uma maneira geral, achei o filme muito bom e, provavelmente, assistirei-o várias vezes. É claro que ele não consegue ser exatamente como os livros, o que até é um ponto positivo, pois os casos postos na tela do cinema exatamente como contados por Doyle poderiam ficar entediantes.

Nota 1: Há alguns diálogos no filme retirados integralmente dos livros, o que achei muito legal. Por outro lado, em nenhum momento Holmes declama a sua frase mais conhecida: "Elementar, meu caro Watson".

Nota 2: Para quem não sabe, a série House foi inspirada em Sherlock Holmes. Não é de se estranhar, portanto, que a relação entre House e Wilson seja tão parecida com a relação entra Holmes e Watson (inclusive nos nomes). Quem acompanha a série irá perceber.
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4

Dois poemas para crianças, por Cecília Meireles

em 16/01/2010.
| Comentários: (4)
Já postei alguns poemas de Cecília Meireles aqui no blog. Todos sabem a profunda admiração que tenho pelo trabalho da autora, pela profundidade e beleza de seus versos, assim como pelo trabalho com a forma em alguns de seus poemas. Hoje, porém, coloco dois poemas para criança escritos por ela. Vale lembrar que, mesmo sendo infantis, são incrivelmente agradáveis de se ler, não importa a idade. Achei interessante mostrar mais esse lado de Cecília, que sempre se preocupou muito com a produção de uma literatura mais infantil, afinal, tinha consciência de que são as crianças os futuros leitores e escritores do país. Espero que gostem!


Ou isto ou aquilo

Ou se tem chuva e não se tem sol
ou se tem sol e não se tem chuva!

Ou se calça a luva e não se põe o anel,
ou se põe o anel e não se calça a luva!

Quem sobe nos ares não fica no chão,
quem fica no chão não sobe nos ares.

É uma grande pena que não se possa
estar ao mesmo tempo em dois lugares!

Ou guardo o dinheiro e não compro o doce,
ou compro o doce e gasto o dinheiro.

Ou isto ou aquilo: ou isto ou aquilo . . .
e vivo escolhendo o dia inteiro!

Não sei se brinco, não sei se estudo,
se saio correndo ou fico tranqüilo.

Mas não consegui entender ainda
qual é melhor: se é isto ou aquilo.


O menino azul

O menino quer um burrinho
para passear.
Um burrinho manso,
que não corra nem pule,
mas que saiba conversar.

O menino quer um burrinho
que saiba dizer
o nome dos rios,
das montanhas, das flores,
— de tudo o que aparecer.

O menino quer um burrinho
que saiba inventar histórias bonitas
com pessoas e bichos
e com barquinhos no mar.

E os dois sairão pelo mundo
que é como um jardim
apenas mais largo
e talvez mais comprido
e que não tenha fim.

(Quem souber de um burrinho desses,
pode escrever
para a Ruas das Casas,
Número das Portas,
ao Menino Azul que não sabe ler.)


Nota: Quem quiser pode ainda conferir no blog uma postagem sobre as características da obra de Cecília Meireles.
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3

Manuel Bandeira e a questão da forma na poesia

em 14/01/2010.
| Comentários: (3)
Hoje vou dividir com vocês uma história sobre Manuel Bandeira contada por um professor que tive na Escola de Comunicação da UFRJ, Aloísio Trinta. Coloco ela aqui não só por achá-la interessante, por imaginar que traga à luz algumas peculiaridades de um dos maiores escritores brasileiros (ver a postagem curiosos "causos" de grandes autores), mas também pelo fato de ela colocar em discussão um assunto bem interessante e polêmico: a questão da forma na poesia.

****

Segundo meu professor, em sua época de juventude, ele e seus amigos se encontravam sempre para conversar em um mesmo lugar (ele disse na época onde, eu só não me lembro agora). Por coincidência, por ali passava todo dia Manuel Bandeira, já com uma idade bem avançada, fazendo sua caminhada diária. Um belo dia, animado por ser também um poeta, meu professor resolveu falar com Bandeira e pedir para que ele olhasse os seus poemas. O poeta respondeu que sim, mas que, para cada poema que quisesse mostrar, ele deveria lhe entregar dois sonetos.

Meu professor achou estranho e perguntou qual era a razão daquele pedido. Eis que Bandeira respondeu: "a maioria nunca mais me procurar".

****

Enfim, como eu disse, é uma história interessante. Claro que Manuel Bandeira não fazia aquele pedido apenas para se livrar dos almejantes a poeta que o procuravam. Acontece que, naquela época, o modernismo estava em seu auge, era um período em que a forma fora colocada em cheque, em que se experimentavam coisas novas e quase nunca os poetas se utilizavam de modos "mais formais" de poesia. O que Bandeira quer dizer, portanto, é que apesar de ele mesmo romper com esta forma, é preciso que os poetas a conheçam. Só tendo o domínio destas regras formais é que se pode trabalhá-las de maneira diferente - ou até mesmo criar outras formas poéticas.

Eu, particularmente, devo dizer que concordo com esta visão. Gosto muito de alguns aspectos formais, do trabalho com a rima e com a musicalidade principalmente. Como um amigo já me disse, mesmo no modernismo, há uma forma presente, por mais que se queira romper com ela. Ela só não é padronizada, não aparece igual em todos os poemas, o que não significa que não está lá, mesmo quando falamos de versos livres. Inclusive, acho que a grande dificuldade em fazer bons versos livres - pois acho que seja a maneira de se fazer poesia mais difícil - se encontra em construir uma forma em um texto aparentemente desprendido de qualquer regra. Na minha opinião, quando não conseguimos tal feito ao construir os versos livres, acabamos produzindo algo como uma prosa-poética que, para mim, não alcança o mesmo nível artístico de um grande poema.

Esta é minha posição. E vocês, o que acham? Como bônus, segue um poema meu sobre o tema:


Modo e forma

O modo molda a forma
assim como as idéias advém dos pensamentos.
Ele aflora e desabrocha com o tempo,
com o tato,
com o treino
com a vida.

O modo modula o poema,
pois ele o racionaliza.
Já a forma, o modo, concretiza
em figuras, fulguras e funções.

E passam sílabas,
passam palavras,
passam frases e sentenças
e cresce cada vez mais a crença
no modo formal de poesia.

Em cada verso vale de tudo,
falar de coisas, estrutura e conteúdo.
Mas sem a forma,
nada se transforma;
nada se cria.
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5

Confiança (Poemas)

em 11/01/2010.
| Comentários: (5)
Divido mais um poemas com vocês, espero que gostem. Peço desculpa àqueles que estejam esperando pelos contos, especialmente os contos policiais, mas aproveitei que estou numa fase mais poética (até por questão de tempo para escrever, os contos policiais demandam muito) para postar os poemas que vou produzindo. Mas prometo que em muito breve colocarei contos por aqui!


Confiança

Tem dias em que o mundo parece triste,
mais triste do que em todos os outros dias.

As coisas se esvaziam de esperança,
a vida perde um pouco da alegria,
aquele sentimento: a confiança
se quebra como o vidro quebraria.

A vida não existe sem a troca,
sem os laços, sem as pessoas-guia.
O mundo é na verdade coisa nossa,
construção que pavimentamos dia a dia.

Confiar, meus caros, é preciso,
é navegar pelos caminhos mais distantes,
enfrentar o terror do desconhecido
com a certeza dos eternos navegantes.
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6

Avatar: um filme ideologicamente importante

em 10/01/2010.
| Comentários: (6)
Nota: Não me preocupei em evitar spoilers, a resenha é mais para quem viu o filme, para que possa pensar sobre ele, refletir a respeito da história, perceber o que ela traz.

Faz algum tempo que não posto nada relacionado a filmes aqui. Como sei que algumas pessoas gostam (com o @adrianovinagre) - e também por me ajudar a pensar um pouco sobre minha pesquisa - resolvi falar de Avatar. Sei que estou atrasado na onda, pois todo mundo já deu seu pitaco sobre o filme, mas eu pretendo falar de coisas menos cinematográficas e mais focadas em questões como a mensagem e a ficção ali criada, nos parâmetros da série de postagens do blog Notas sobre a ficção.

Para quem não sabe muito bem como funciona essa análise, confiram a série de postagens, como a sobre o Bee Movie e Ensaio sobre a cegueira. A idéia é observar como a ficção pode influenciar a vida em sociedade. Neste aspecto, gostei muito de Avatar. É um filme bom (não achei espetacular), mas que traz também uma mensagem muito legal, uma mensagem a favor da natureza, da preservação. Eu, particularmente, fico muito feliz que uma super produção traga ideais tão positivos, pois certamente fará muita gente pensar um pouco sobre a preservação do nosso meio ambiente.

Isso irá acontecer por quê? Apesar de não se tratar ali efetivamente de nossa sociedade, por uma simples questão de analogias e metáforas, a mensagem presente no filme é levada para nosso mundo. Os humanos destruíram a sua própria terra e agora estão fazendo a mesma coisa em outros planetas. Avatar nos mostra como o ser humano é cruel neste sentido, como destrói aquilo que está a sua volta e que faz parte dele. O ponto negativo, pelo aspecto de minha pesquisa, é que se defende claramente uma idéia: há os homens maus que querem destruir o mundo, há as pessoas boas que querem proteger a natureza. No fim, os protetores vencem e a própria mãe natureza se revela no momento crucial, algo que ficou muito legal na história, foi muito bem construído, mas que, além de meio previsível, deixa evidente o posicionamento do filme. Claro que é um posicionamento positivo - e fico muito feliz com isso -, mas assim como numa produção que tenta passar um ideal lá não muito legal, como o Bee Movie, abre-se pouco espaço, neste aspecto, para a reflexão de cada um. A mensagem é clara, vertical.

Ainda assim, Avatar, embora tenha um posicionamento fixo, pode gerar uma reflexão, uma vez que cria todo um mundo e dá ao espectador mais do que um filme, dá a ele uma experiência (especialmente na versão em 3D). Quando somos levados a viver aquele mundo, aquela natureza exuberante, vivos e soltos nas florestas, em comunhão com tudo a nossa volta, certamente pararemos para refletir. Ao experienciar a vida dos Na'vi (povo que vive no planeta Pandora, um local rico em um valioso minério que os humanos querem explorar), nós entramos em contato com uma vida diferente, uma vida em conexão com o meio ambiente, onde tudo faz parte de tudo. É justamente neste aspecto que Avatar pode sim trazer reflexão e pode alcançar um poder de convencimento ainda maior. Isso acontece, porque não se estará argumentando. Não se coloca a lógica na mesa para falar da preservação ambiental, o que se faz é trazer, por meio da ficção, a experiência de um mundo em que tudo está conectado, todos os seres vivos fazem parte de uma coisa só. E após termos contato com tal mundo, iremos naturalmente levar o que sentimos e vivemos nele para o nosso; faremos a reflexão, exatamente como o personagem principal, Jake Sully, faz, uma vez que passou a viver tanto como humano quanto como Na'vi - e no caso opta pela vida dos Na'Vi.

Enfim, no geral o filme é muito bom, ainda mais com todos os efeitos visuais que tem. Como disse antes, é quase como uma experiência, não é somente uma história. Além disso, como já mencionei algumas vezes, é um filme importantíssimo, pois coloca em evidência uma questão que, para mim, torna-se cada vez mais crucial. A preservação ambiental é sim cada vez mais necessária e fico muito feliz em ver um produto com o alcance de Avatar defendê-la tão veementemente.
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8

Distância (Poema)

em 07/01/2010.
| Comentários: (8)
Vejam como um poema pode sair de qualquer lugar. Este foi gerado de uma troca (com conteúdo claro) de e-mails. Eu, particularmente, gostei muito dele, resolvi jogar um áudio como bônus porque achei interessante mostrar como é a minha versão da leitura dele. Veremos o que vocês acham! (editado: houve um problema com a gravação, em breve, colocarei-a disponível novamente)


Distância

Às vezes tenho inveja da distância,
tenho vontade de fugir de quase tudo.
O tudo se repete numa constância
que me força a tentar parar o mundo.

Quero poder viver na atemporalidade
sem ter o que fazer,
sem saber no que pensar.
Quero ter como compromisso a liberdade,
a potência do viver
e a vontade de negar.

Se o tempo parasse por um segundo,
eu poderia olhar o tudo pela janela.
Compreenderia a minha percepção de mundo
como um pintor quando constrói as suas telas.

Apreciaria a vida toda em silêncio,
os barulhos ecoariam à distância;
não passariam da mais vaga lembrança
de um momento passado e obscuro.

Viver é buscar uma eternidade,
mas não é querer ser imortal.
Não morrer não traz a qualidade
que é ser livre
e ser livre
é vital.



Gostou do blog? Gostou dos textos? - o autor Leonardo Schabbach, que produz o conteúdo do Na Ponta dos Lápis lançou recentemente sua primeira obra literária, O Código dos Cavaleiros. Ajude-o a continuar produzindo! Informações sobre a obra (como comprar - autografada -, capítulos para degustação, capa, sinopse e muito mais) podem ser encontradas neste super hotsite (clique para acessar).

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1

Publicação de livros, a internet e o mercado editorial

em 05/01/2010.
| Comentários: (1)
Chamar a atenção de editoras não é de fato uma tarefa fácil. Nos últimos dias, tenho lido e estudado muito sobre isso, especialmente por ter finalizado meu livro de ficção (vocês podem conferir o primeiro capítulo no blog). Quem sabe, caso consiga algumas informações valiosas, não faça algumas postagens falando sobre isso aqui. Hoje, trago um vídeo bem interessante que o @marcospsreis me passou pelo twitter. É uma entrevista na TV Cultura com a poeta Bruna Beber (confira o blog dela aqui), que iniciou sua carreira no meio literário basicamente por intermédio da internet e, claro, através de muito esforço. Enfim, vale a pena conferir o vídeo, há uma série de informações muito interessantes.


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Cadernos do Homem Comum - Isaac e Bruno

em 04/01/2010.
| Comentários: (0)
Nota: Este conto, embora tenha algumas características diferentes dos outros da série, encerra a primeira fase dos Cadernos do Homem Comum (a "segunda fase" deve começar envolvendo o Horácio novamente). Aconselho a quem lê-lo, que dê uma olhada nos anteriores, basta clicar aqui e checar - especialmente aquele em que Isaac aparece pela primeira vez, mas todos são bem legais, trazem uma abordagem diferente do que eu costumo fazer. Os contos são razoavelmente independentes, mas a leitura dos anteriores revelerá conexões bem interessantes, que dão um sabor a mais às histórias.



Isaac e Bruno


Isaac tinha um irmão mais velho: Bruno. Se dava bem com ele, respeitava-o, fazia quase tudo que ele mandava. Bruno tinha consciência disso, sabia da influência que tinha sobre o irmão. E gostava de usá-la, sempre que possível.

Os dois eram diferentes, Isaac era bobo, ainda ingênuo. Não gostava das coisas que os outros meninos de rua faziam. Não queria roubar, nem ser mal-educado; só pedia esmola quando achava estritamente necessário... preferia arrecadar alguma coisa fazendo pequenos trabalhos. Era pouco dinheiro, mal dava para se sustentar durante o dia, mas ele trabalhava, se orgulhava disso.

Seu irmão o achava um tolo, preferia andar com um outro menino, gostava de assaltar: era o jeito mais fácil de poder comprar comida. Assim se sustentava. A ele e ao irmão, que nunca conseguia o suficiente trabalhando; era um iludido, mas tinha bom coração.

Naquela noite, Bruno decidira sair com seu amigo para realizar pequenos assaltos pela praça. Isaac estava preocupado, sentia um nó na garganta, temia pelo irmão, não sabia o porquê; sabia que nunca sentira nada parecido, uma espécie de intuição. Os três seguiam em direção a um carro parado na esquina. Isaac puxava o irmão pelo braço, sentia que tinha de fazê-lo desistir. Bruno bateu na janela, gritava com o motorista, ameaçava.

Isaac ficou confuso, viu seu irmão e o amigo correrem de repente. O homem no carro tinha uma arma, o nó na garganta apertou: ele sabia que não deveria estar ali. Tentou correr, desperadamente tentava alcançar o outro lado da rua. Não houve tempo. Foram três tiros certeiros. Os três meninos estavam mortos. No dia seguinte, Isaac trabalharia como frentista.
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Sentimento [2]

em 03/01/2010.
| Comentários: (8)
Comentário: Um poema que fiz uns dias atrás, acho que ficou bem legal, decidi declamar e colocar a gravação junto, embora o som esteja meio baixo. Espero que gostem. Hoje é meu aniversário, então fica o poema + áudio como um presente meu pro pessoal que acompanha o blog! (editado: houve um problema com a gravação, em breve, colocarei-a disponível novamente)


Sentimento [2]

Um sopro de vida recebi.
E confesso: foi quando menos esperava.
A musa que agora me sorri,
é a musa que eu antes desdenhava.

Uma fonte infindável de texturas,
de ternura, riqueza e detalhamento.
Uma fonte poética e segura,
a inesgotável força do sentimento.

De raízes tão incertas e tão precisas,
de leveza e de dureza inigualáveis,
tem a proeza e a pureza das coisas vivas
e a natureza intuitiva da verdade.
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