O Legado dos Dragões [E-book gratuito]

Acompanhe esta história épica de aventura fantástica, no estilo "O Senhor dos Anéis". Baixe aqui o livro gratuitamente e participe deste universo em construção!

Leia Mais

[Resenha e Indicação] O Nome do Vento e Patrick Rothfuss

Hoje falo sobre um dos melhores livros de literatura fantástica que já li (senão o melhor). Coloco, inclusive, a resenha marcada como livros de cabeceira, pois de fato trata-se de uma obra incrível...

Leia Mais

[A Sociedade da Rosa] Boa Vizinhança

Acompanhe essa série de mistérios, com um certo ar de romance policial, aventuras e ação. Descubra também tudo sobre esta estranha sociedade secreta

Leia Mais



5

Mini-Concurso Drummond de Poemas e promoção

em 31/05/2010.
| Comentários: (5)
Hoje pretendia colocar no ar a resenha do livro As Cidades, de Francisco Pipio, e iniciar as participações para o sorteio de um exemplar; porém, devido a uns problemas com a entrevista, resolvi esperar pelo menos até amanhã (quando postarei a resenha até mesmo sem entrevista, se for o caso - editado: estou pensando em deixar esta postagem para semana que vem por causa do feriado). Aproveito o espaço vago para falar de uma super iniciativa nesta Semana de Poesia (que poderá ser uma "semana" de mais de sete dias, afinal, tem muita coisa boa). Para abrir a série, falo de um concurso de poemas que realizarei neste período: trata-se do Mini Concurso Drummond de Poesia. Explico.

[Nota: saiba mais sobre a programação da Semana de Poesia (entrevistas, sorteios e concursos): confira aqui. ]

Esta é uma iniciativa que se tornou possível graças ao apoio da Editora Record (@Editora_Record). Como me foi sugerido, decidi receber dos leitores do blog os seus poemas, para selecionar alguns e postá-los durante a Semana. Aquele que eu achar melhor (procurarei consultar outras pessoas), poderá selecionar entre os livros de Carlos Drummond de Andrade publicados pela Editora Record - e são muitos, alguns deles já citados várias vezes aqui no blog, como o livro Contos Plausíveis (veja minha postagem sobre ele aqui) e também Farewell - qual irá querer receber. Então, além do estímulo de ver sua obra publicada, o poeta ainda pode sair com um livro de altíssima qualidade nas mãos. E tem mais!

Como nem todos são assim tão habilidosos na arte de criar versos, a Editora Record também me permitiu fazer um sorteio. Naturalmente, por estarmos em época de Copa do Mundo, por que não selecionar um livro de poemas de Drummond que fale de futebol? Pois é. Vocês poderão concorrer, até o final da Semana de Poesia (que ainda não tem data definida para acabar) a um exemplar do livro Quando é dia de futebol.

Para participar, é só tuitar a seguinte mensagem: Concorra ao livro "Quando é dia de futebol", de Carlos Drummond de Andrade (@Editora_Record), no blog do @leoschabbach. http://migre.me/KAoj

Para enviar seu poema para uma possível publicação, utilizem o e-mail leoschabbach@uol.com.br - qualquer temática é valida, mas as obras não podem passar de 30 linhas, contando as que não contenham versos.
Leia Mais...
11

1ª Semana de Poesia no Blog

em 29/05/2010.
| Comentários: (11)
Interessante o título, não? Explico. Todos aqui sabem que eu gosto muito de poesia, que é talvez o que eu mais goste na literatura. Todos sabemos também que muitos dos leitores daqui têm a mesma opinião. E, por fim, todos sabemos que o mercado trata muito mal os poetas, assim como os próprios suplementos literários. Não há tanto espaço, até porque não há muitos suplementos literários de grande alcance no país, infelizmente. Por todos esses motivos, resolvi que na próxima semana (ou nos próximos nove, dez dias), pela primeira vez, o blog se voltará unicamente para a poesia.
[Nota: saiba mais sobre a programação da Semana de Poesia (entrevistas, sorteios e concursos): confira aqui]

Começarei com a resenha, entrevista e promoção do livro As Cidades, do poeta Francisco Pipio, publicado pela 7Letras (se possível, publicarei alguns  poemas do livro num segundo dia para vocês apreciarem); devo também fazer uma postagem sobre o mercado literário, blogs e poesia. É provável que apareça um poema meu, já que estou para terminar alguns - se eu achar que algum é bom o suficiente para ser publicado, posso acabar postando. Além disso, gostaria de perguntar a vocês quais autores (conhecidos ou não) vocês gostariam de ver aqui, posso postar alguns poemas, se for possível, dos poetas escolhidos. Se tiverem outras idéias para a semana, por favor, deixem nos comentários, assim podemos dar início a uma iniciativa bem legal. Por isso, peço a participação de todos. E no último dia de nossa 1ª Semana de Poesia tentarei uma entrevista com alguém especial, só não vou prometer nada para não decepcionar o pessoal caso não consiga.

Agora alguns bônus. Já que estamos dando um semi-pontapé inicial nesta semana voltada para poemas, coloco alguns links interessantes para vocês:

Uma matéria no Prosa e Verso deste sábado interessantíssima sobre Carlos Drummond de Andrade. Vocês sabiam que ele começou se auto-publicando? Pois é, às vezes pode dar certo, até mesmo para os poetas! (é preciso abrir o blog do Prosa e Verso e descer até a matéria, não foi possível fazer o link direto, pois só assinantes conseguiriam acessar)

Também coloco aqui duas matérias do blog, para os distraídos que ainda não viram:
Uma entrevista exclusiva com Ferreira Gullar, com áudio video e etc... há várias postagens sobre.

Uma entrevista com Paulo Henriques Britto, um dos maiores nomes da poesia nacional.
Leia Mais...
5

Concurso Novo Milênio de Literatura

em 27/05/2010.
| Comentários: (5)
Recebi por e-mail esta indicação de concurso, dei uma apurada e achei que valia postar. Na minha opinião é um concurso literário muito atraente, promovido pela Faculdade Novo Milênio, do Espírito Santo. Atraente, porque culminará na publicação de uma antologia com uma tiragem de mil exemplares, coisa rara neste tipo de produção. Segundo o regulamento, cinco contos e cinco poesias serão selecionados para formar o livro. Não há limitação de páginas ou versos, você pode entregar o que achar melhor. Os dez vencedores irão receber 50 exemplares do livro. Caso as obras premiadas não sejam o suficiente para fechar a antologia (convenhamos que, dificilmente, elas serão), os organizadores irão selecionar mais textos, como menções honrosas, com os escolhidos recebendo cinco exemplares cada. Enfim, acho uma excelente iniciativa. O autor não gasta nada para participar e ainda pode levar uma boa quantidade de livros para casa. Seguem mais informações:


O concurso tem prazo final de entrega marcado para 21 de julho. Os textos selecionados, que, pelo regulamento, devem ser inéditos - ou seja, não podem ter sido publicados por meio físico e nem eletrônico -, farão parte do livro Novo Milênio de Literatura. Podem se inscrever os autores com mais de 16 anos e de qualquer parte do território nacional. Para saber mais informações (o que inclui a leitura do Edital, não vá se esquecer, é importante) é só clicar: Concurso Novo Milênio de Literatura.

Enfim, espero que tenham gostado da dica, é um concurso realmente muito interessante!
Leia Mais...
6

O Bêbado, por Carlos Alberto Affonso. (mais o resultado da última promoção)

em 26/05/2010.
| Comentários: (6)
Segue mais um conto enviado por leitores do Na Ponta dos Lápis. Gostei muito deste e resolvi publicar. A linguagem é bem legal, o ritmo é legal e a história tem aquela característica surpreendende de um bom conto. Espero que o pessoal aprecie.

Carlos Alberto Affonso, 61 anos, é formado em ciências físicas e biológicas. Contista por afinidade, com várias de suas obras publicadas no site Recanto das letras e em outros. Este conto faz parte de uma trilogia de nome "Aparências". Confiram mais textos do autor na sua página do Recanto.


O Bêbado
Ele estava bêbado fisicamente, mas mentalmente sóbrio. Havia proposto um acordo com a garrafa de bebida de trocar os conteúdos: o líquido volátil - promessa de alívio - por suas lembranças sólidas, pungentes. Ele cumpriu a sua parte, mas a garrafa, assim que vazia, eximiu-se, traidora. Enraivecido, atirou-a contra a parede, despedaçando-a. Ah, se assim pudesse fazer com as pessoas que também o traíram.

Suas pernas trôpegas tropeçavam em nada. Suas mãos se apoiavam no que via, mas não existia. Seu corpo tolo esborrachava-se no chão. O rosto esfacelava-se no atrito com o chão duro e áspero. O sangue, exalando álcool, escorria, embaçando-lhe a visão e tingindo a calçada de vermelho. Quem o via assim, o imaginava um bêbado inveterado; porém, nunca bebera, era a primeira vez. Bebera porque sempre ouvira dizer que a embriaguez entorpece os sentidos e nos faz esquecer de tudo. Mentirosos, fingidos; enganam-se a si próprios para se desculparem aos outros.

A sua mente lúcida repassava a todo instante a cena que destruiu sua vida e que queria esquecer. Esquecer não, que era pouco. Desejava não ter visto, mas isso também não adiantava: não deixava de ser aquilo que não via. Mais dias, menos dias, aconteceria, era só uma questão de tempo. Poderia ser um pesadelo, um sonho ruim, do qual acordaria como o fim de uma embriaguez. Ficaria apenas a ressaca ou a indisposição de uma noite mal dormida, nada que um banho gelado e um café reconfortante não eliminassem.

O seu rosto ferido sangrava. As dores eram reais: a dor física causada pelos tombos e a dor moral de ter visto o que não queria ver, ou melhor, que não deveria ser. Arrastou-se até o muro de uma casa e soergueu-se, apoiando as mãos nas grades do portão. O seu peso abriu o portão que estava só encostado. Sem apoio, caiu para dentro do quintal da casa causando um grande alvoroço. Os cachorros da redondeza latiram em uníssono. As luzes da casa acenderam-se e uma mulher em trajes de dormir apareceu para averiguar o que estava acontecendo. Vendo aquele homem caído e sangrando abundantemente no rosto, apiedou-se dele e, ingenuamente, carregou-o para dentro de casa, acomodando-o, por não haver outro lugar, em sua própria cama para cuidar-lhe os ferimentos.

Enquanto assistia ao bêbado, sentada na beirada da cama, debruçada sobre ele, limpando-lhe o rosto com água oxigenada, seu marido chegou. Vendo o que imaginou ser uma cena de traição, armado de um revólver, atirou na pobre mulher que caiu morta ao lado da cama. O bêbado arregalou os olhos e antes de morrer, vítima da mesma arma, reconheceu naquele homem o mesmo que tinha visto na cama com a sua mulher, razão dos seus tormentos e da sua bebedeira.

O sangue encharcado de álcool escorria do seu corpo, tornando-o sóbrio. As lembranças esvaiam-se de sua mente, deixando-a vazia. Não sentia mais dores: física e moral. Uma luz branquíssima e suave iluminou aquele pequeno quarto. Levantou-se e saiu para a rua. Suas pernas já não mais tropeçavam em si mesmas e o conduzia ereto, acompanhando a luz. Sua mente, livre dos pensamentos ruins, exalava tranqüilidade. Uma música suave lhe transmitia paz e felicidade.

As vidas daqueles que lhe fizeram sofrer, estavam despedaçadas: espiariam a culpa da morte de quem traíram, achando, terrivelmente, que por eles foram traídos.


____________________________

Resultado da promoção do livro "A Lenda de um Beatlemaníaco"


Como se sabe, a última promoção foi escolhida por sorteio e também pela resposta mais criativa. Pelo sorteio, o vencedor foi @Israelteles (confiram em http://sorteie.me/mR8). A resposta considera de que mais gostei (normalmente peço para outras pessoas julgarem, desta vez, não deu) foi a da @BiancaBriones. Achei a frase simples, achei também que soou muito bem:

"O grande charme dos romances policiais é que após lermos as primeiras páginas nos tornamos escravos do livro e só nos libertamos ao desvendarmos os seus segredos".
Leia Mais...
17

Editoras comerciais: a compra de exemplares

em 24/05/2010.
| Comentários: (17)
Falarei na postagem de hoje sobre algo levantado no meu texto anterior, em que dava dicas sobre o envio de originais para editoras. Algumas pessoas tiveram algumas dúvidas em relação à compra de exemplares exigidas por algumas editoras comerciais, como a 7Letras (leia no blog uma entrevista com o dono da editora) e o selo Novos Talentos da Literatura Brasileira, da Novo Século. Nos dois casos, o autor, quando escolhido após uma seletiva leitura de originais, deve comprar determinado número de exemplares de uma determinada tiragem para que o lançamento do livro seja possível. As questões que ficam são: quantos exemplares precisamos comprar? Fica muito caro? Quais as vantagens?

Como não conheço a fundo os dois sistemas, falarei com base em entrevistas e em algumas informações que recebi de alguns autores, que prefiro não mencionar aqui.


SOBRE O SISTEMA DA 7LETRAS

Na 7Letras, posso afirmar que o número de exemplares a ser comprado é relativo. Varia com o tamanho do livro e, pelo que entendi da entrevista com o Jorge Viveiros de Castro, editor e dono da 7Letras, pode variar também conforme as necessidades do autor. Como eles têm uma capacidade maior de fazer tiragens menores sem aumentar tanto o custo, há uma maior flexibilidade neste sentido, o que pode tornar o preço da publicação mais acessível. Já recebi informação de um autor que teve uma tiragem de 600 exemplares, tendo de comprar 300 livros e recebendo 30 a mais para divulgação. Os livros que ficam com a editora são disponibilizados nos sites das grandes livrarias e a 7Letras tem uma boa distribuição, o que dá visibilidade e a possibilidade de vender todos os exemplares. A vendagem dos livros que ficaram com o autor já são mais complicadas, mas uma boa noite de autógrafos pode ajudar muito neste aspecto, assim como os contatos via internet. Entretanto, pelo que entendi, acho que a editora não produz, não em todos os casos pelo menos, um lançamento mais movimentado para o autor; isto seria algo a ser feito por ele mesmo.

Agora falarei das vantagens. Quem quer de fato se tornar um escritor, alguém que sabe ter capacidade para isso (algo difícil de se medir, mas os blogs podem ajudar; leia mais aqui), deve pensar neste tipo de coisa como um investimento. Primeiro, porque, com um bom trabalho feito na internet e em eventos em que você possa participar, dá para vender uma boa parte, senão todos, os seus exemplares e recuperar parte ou todo o dinheiro gasto; num cenário muito positivo, é possível até lucrar. Segundo, e mais importante, como disse, isso é um investimento na sua carreira (mas tenha certeza de que é isso que quer fazer). Numa editora como a 7Letras, seu livro irá chegar aos mais importantes meios de comunicação do país, a vários críticos literários, o que lhe dá a possibilidade de ser visto pela crítica, de ser notado e, quem sabe, bem recebido por ela, o que lhe abrirá muitas portas no mercado editorial, iniciando assim sua carreira como escritor mesmo. Há vários casos de autores da 7Letras que foram bem recebidos - e até mesmo premiados - e seguiram dali para vôos maiores. Inclusive, é essa a imagem do selo: um descobridor de novos talentos.

Entretanto, mesmo com toda a flexibilidade, uma publicação pela editora custará um preço razoavelmente alto ao autor. Não tenho como precisar aqui, mas creio que os valores girem em torno de cinco mil, dependendo do tamanho do livro (podendo custar menos ou mais); é um valor razoavelmente alto, mas que inclui uma excelente distribuição, que custaria muito mais se você tentasse fazer sozinho, um bom trabalho de divulgação e o respeito angariado pelo selo; além disso, se você vender metade dos exemplares que comprou, o que não é difícil, recupera mais da metade do dinheiro. Mas, lembro aqui, que o valor dado é só uma estimativa que faço comparando com o que sei do processo da Novo Século, que é similar, e será descrito abaixo:


SOBRE O SISTEMA DA NOVO SÉCULO

Enquanto a 7Letras me parece mais aberta aos autores que fazem uma literatura que alguns poderiam chamar de mais "alta", aquela que provavelmente será mais apreciada pela crítica, obras que trazem um trabalho maior com a linguagem ou reflexões, o selo Novos Talentos da Literatura Brasileira, da Novo Século, abre mais espaço também para os autores de boas histórias. Vejo como um selo mais visionário, mais aberto principalmente à Literatura Fantástica, o que é raro de se ver hoje. Acho interessante essa posição, pois mostra que a editora já percebeu que este é um gênero que vem crescendo muito no país e que tem um forte espaço já na internet, algo que facilita a vendagem por parte de seus autores. Além disso, é um preconceito sem tamanho da crítica nacional, um preconceito que vem diminuindo, de que a literatura fantástica não é uma literatura a ser assim tão considerada.

No selo Novos Talentos da Literatura Brasileira, a Novo Século tem uma preocupação muito grande com a qualidade física dos livros: as capas em geral são muito bem trabalhadas, a edição é bem legal também, você terá algo de real qualidade em mãos caso opte por publicar com eles. Além disso, há também, pelos autores com que falei, uma preocupação maior com o lançamento do livro, que muitas vezes acontece em locais de grande movimentação, o que permite uma vendagem inicial grande, algo que pode ser crucial para impulsionar a obra. Afinal, com uma vendagem inicial boa, caso o livro seja realmente bom, ele poderá vender muito mais no boca a boca.

As obras também são vendidas nos melhores sites sobre livros, mas dificilmente têm uma exposição grande nas livraria físicas. Até agora, isso pode mudar, também não vejo muitos livros do selo sendo comentados por muitos meios de comunicação e crítica que não blogs na internet. Isso pode tornar a vida do autor mais difícil, uma vez que, embora os blogs possam realmente ajudá-lo a vender todos os exemplares e recuperar seu dinheiro, ele pode acabar não fincando o seu pé de vez no mercado, tornando-se um escritor com as portas abertas em outras editoras.

Por outro lado, se ocorrer uma vendagem rápida e excepcional, é possível que a própria Novo Século aposte no autor, já que ele estará sendo observado mais de perto. Caso se surpreendam com a venda, acho bem possível que apostem no livro pelo selo Novo Século mesmo, que é capaz de dar uma exposição muito maior, com tiragens maiores e sem custo para o autor. É por isso que, em minha opinião, o selo pode ser útil aos autores de fantasia, que, com muito esforço, podem aproveitar os espaços já bem definidos sobre o tema na internet para conseguir uma vendagem grande e rápida.

O grande problema, grande mesmo, é que, pelo menos com alguns autores com que pude conversar sobre isso, nem todos se sentiram confortáveis em falar sobre os números, a tiragem inicial é muito alta. Nos casos com que tive contato, foram de mil exemplares, com o autor precisando comprar 500. Os valores variavam, dependendo do tamanho do livro, de 12 mil até 18 mil reais. Como falei, é muito dinheiro. Mesmo para quem tem certeza de que seu trabalho é bom, pode ser complicado apostar tão alto, por mais que as perspectivas de recuperar o dinheiro possam ser boas. Enfim, é um negócio arriscado, mas que pode valer muito a pena; cada caso é um caso.


EDITORAS POR DEMANDA E MULTIFOCO

Como nem sempre temos tanto dinheiro assim, há algumas alternativas. Existem as editoras por demanda, mas não vou falar muito delas agora, prefiro deixar para uma postagem futura, onde poderei colocar mais detalhes. Essa questão das editoras por demanda é muito, muito complicada; pois, maioria das vezes, os livros ficam encalhados com o autor, a visibilidade é muito baixa, ou nula, e, basicamente, joga-se o dinheiro fora.

Uma alternativa às editoras que publicam novos autores é, como sempre digo aqui, a Multifoco (leia mais sobre a editora aqui). É uma editora que vem crescendo e conseguindo dar uma visibilidade um pouco melhor aos seus autores. Ainda assim, a visibilidade é bem pequena, mas existe, pode ajudar quem publica a se estabelecer no mercado, ou chamar atenção. A vantagem é que eles bancam todo o custo de publicação. Então, com esforço do autor, o custo é zero e a possibilidade de ir conquistando o mercado aos poucos existe. Além disso, para quem estiver disposto a investir em si, há a possibilidade de gastar algum dinheiro com estratégias de marketing, uma vez que você não gasta com a publicação. Não precisa ser muito, mas já seria alguma coisa.

Bem, a postagem foi grande, mas tem muita informação e algumas opiniões. Espero que tenho sido o suficiente para tirar as dúvidas levantadas na postagem anterior!
Leia Mais...
18

Envio de originais para editoras (dicas)

em 21/05/2010.
| Comentários: (18)
Editado: Conheçam a Mutuus Editora.

A primeira dica para qualquer um que queira enviar o seu original para uma editora é: o processo ainda é válido? Foi uma das questões que já abordei aqui no blog (confiram a postagem aqui), algo de extrema importância. Acontece que, além de ser um processo, em geral, muito demorado, já que muitas vezes ficamos 6 meses ou mais sem receber notícias de nossos originais, acabamos recebendo o famigerado não sem que o livro de fato tenha sido lido. Ouvi de um editor da Ediouro (que hoje não recebe originais, só os aceita perante agentes literários) que o motivo desta decisão foi o fato de ele nunca ter escutado de seus colegas de trabalho, que tem cargos em editoras grandes e médias, uma história sobre um livro retirado desta pilha de originais que tenha feito sucesso. Na realidade, poucas vezes ele ouviu de um editor que tenha publicado um livro desta pilha. Então, temos um problema.

[Nota: a dúvida apontada pelo pessoal nos comentários foi retirada em outra postagem - leia Editoras Comerciais: a compra de exemplares]

Sabemos, com este tipo de declaração (e também com outras declarações que li por ai), que as grandes e até mesmo algumas médias editoras, embora recebam originais, de fato não os lêem. Por isso, a primeira e mais importante dica, antes de sabermos como preparar um original, antes de sabermos quais editoras têm a linha do nosso livro, é sabermos em quais realmente um autor iniciante tem chance de ser publicado, em quais há de fato a análise dos originais enviados.

Dentre as editoras comerciais, posso indicar algumas. Uma delas, como já mencionei em outras postagens é a Editora Multifoco (clique aqui e saiba mais sobre ela); a editora 7Letras, que cobra a publicação de seus autores, mas dá uma boa divulgação e tem credibilidade diante da crítica literária (saiba mais aqui); e o selo Novos Talentos da Literatura, da Editora Novo Século, que também cobra de seus autores, um preço, em geral, muito alto, mas são um dos poucos selos que abrem um espaço grande no mercado a autores de livro de fantasia, por exemplo. Além disso, a Novo Século ainda recebe originais para publicação normal, sem a necessidade de pagamento por parte do autor; esta análise, segundo o site, leva até seis meses (o dobro do tempo do outro selo). Entretanto, como há na editora uma triagem específica para novos talentos, acho muito difícil que eles de fato considerem a publicação de um novo autor pelo selo normal, embora, quem sabe, possa acontecer.

Fora essas, não tenho muito como falar sobre o sistema de outras editoras. A Rocco parece ter uma vontade maior de analisar os originais. Ela tem um sistema bem explicado e coloca um banner no alto de seu site para atrair novos autores. Este tipo de comportamento sugeriria que eles de fato analisam, de alguma maneira, o original. E o prazo que dão é só de dois meses, então pode ser bom arriscar.

Entretanto, de uma maneira geral, é melhor procurar por editoras de porte menor (como os selos indicados anteriormente). Elas provavelmente analisarão os originais e terão um cuidado muito maior com eles. E para enviar seus livros de forma correta, aqui vão algumas dicas:

- Essa é a regra de ouro. Antes de enviar qualquer obra para uma editora, leia com muita atenção a maneira como ela costuma receber os originais; se por e-mail ou de maneira física. Observe também se eles pedem currículo, sinopse e etc... caso eles não tenham tais exigências, é bom, ainda assim, enviar uma carta de apresentação; falarei disso adiante.

- Escolha bem, dentre as editoras que lêem originais, em geral as de menor porte, para qual irá enviar, é bom que se saiba se a linha editorial delas realmente combina com o seu livro, isso ajudará na dica seguinte. Para saber sobre este tipo de coisa, pesquise nos sites e, principalmente, vasculhe as livrarias (não somente as grandes, como Saraiva e etc..). Lá, você poderá descobrir editoras de porte médio e pequeno que publicam livros parecidos com o seu e ainda conseguem uma exposição legal no mercado, algo bem raro.

- Envie seu original com uma carta de apresentação. Não precisa ser super formal, mas seja educado; tente mostrar a razão pela qual seu livro pode ser publicado por aquela editora, mostre porque ele se encaixa na linha editorial. Isso passará a impressão de que você realmente pesquisou para enviar sua obra e leva o processo a sério. Também fale um pouco das qualidades de seu livro, do que ele traz de diferente, com breve sinopse (em um parágrafo, no máximo dois); e no final coloque de maneira reduzida (também em um parágrafo) um pequeno currículo. A carta deve ser pequena, de preferência ocupando no máximo uma folha; isto é, uns quatro parágrafos. Agora, veja se a editora possui exigências específicas quanto à carta de apresentação e sinopse - veja a regra de ouro acima - para não cometer erros; eles podem querer tudo o que falei de forma diferente.

- Veja como a editora recebe os originais, se por e-mail ou de maneira física, qual a formatação (tamanho da fonte, espaçamento entre linhas e etc...) e respeite todas as exigências. Se cometer algum erro aqui, as chances do livro nem ser lido aumentam muito.

- Não recebi resposta e já se passaram muitos meses, posso ligar ou enviar um e-mail para perguntar sobre a avaliação? Eu diria que sim, mas não seja chato, só o faça depois de muito tempo, e mesmo assim da forma mais profissional possível, é um direito seu. Mas se a editora disser que não tem como informá-lo, aceite numa boa.

- Devo registrar a obra antes de enviá-la? Não necessariamente. Se estiver enviando suas obras para editoras comerciais, não se preocupe com o plágio, nenhuma arriscaria sua imagem por isso. Já as editoras por demanda são mais difíceis de se medir a credibilidade, então pode ser bom registrar. Ainda assim, isso de fato não é preciso. Basta enviar o seu original lacrado e registrado para você mesmo. O lacre deve conter a data de postagem. Em caso de problemas judiciais, é só abrir o original na frente de um juiz. Essa é uma prática que já vem sendo aceita como evidência.

Enfim, acho que é isso, conforme eu pense em mais coisas, ou apareçam mais dúvidas, faço outras postagens. Espero que esta aqui já tenha sido útil.



Gostou do blog? Gostou dos textos? - o autor Leonardo Schabbach, que produz o conteúdo do Na Ponta dos Lápis lançou recentemente sua primeira obra literária, O Código dos Cavaleiros. Ajude-o a continuar produzindo! Informações sobre a obra (como comprar - autografada -, capítulos para degustação, capa, sinopse e muito mais) podem ser encontradas neste super hotsite (clique para acessar).

Leia Mais...
4

A Loteria da Babilônia - de Jorge Luis Borges

em 19/05/2010.
| Comentários: (4)
Nascido em Buenos Aires, em 1899, Jorge Luis Borges é um dos maiores escritores de todos os tempos. Sem sombra de dúvida, um de meus favoritos. Ele costuma abordar assuntos muito complexos em suas obras, falando de Deus, filosofia, mitologia e etc... É um escritor fantástico, que admiro muito. Hoje, resolvi colocar um conto dele para a apreciação de você leitores do Na Ponta dos Lápis. É um de seus mais conhecidos textos, A Loteria da Babilônia, de um de seus livros mais conhecidos: Ficções. Escolhi-o também por se encaixar perfeitamente na temática proposta pela antologia que estou organizando aqui em parceria com a Editora Multifoco; portanto, fica como referência a quem queira participar. O conto é magnífico, carregado de muitos conceitos filosóficos, tanto que o li pela primeira vez para uma aula de filosofia. Vale conferir!


A Loteria da Babilônia

Como todos os homens da Babilônia, fui pro-cônsul; como todos, escravo; também conheci a onipotência, o opróbrio, os cárceres. Olhem: à minha mão direita falta-lhe o indicador. Olhem: por este rasgão da capa vê-se no meu estômago uma tatuagem vermelha: é o segundo símbolo, Beth. Esta letra, nas noites de lua cheia, confere-me poder sobre os homens cuja marca é Ghimel, mas sujeita-me aos de Alep, que nas noites sem lua devem obediência aos de Ghimel. No crepúsculo do amanhecer, num sótão, jugulei ante uma pedra negra touros sagrados. Durante um ano da Lua, fui declarado invisível: gritava e não me respondiam, roubava o pão e não me decapitavam. Conheci o que ignoram os gregos: a incerteza. Numa câmara de bronze, diante do lenço silencioso do estrangulador, a esperança foi-me fiel; no rio dos deleites, o pânico. Heraclides Pôntico conta com admiração que Pitágoras se lembrava de ter sido Pirro e antes Euforbo e antes ainda um outro mortal; para recordar vicissitudes análogas não preciso recorrer à morte, nem mesmo à impostura.

Devo essa variedade quase atroz a uma instituição que outras repúblicas desconhecem ou que nelas trabalha de forma imperfeita e secreta: a loteria. Não indaguei a sua história; sei que os magos não conseguem por-se de acordo; sei dos seus poderosos propósitos; o que pode saber da Lua o homem não versado em astrologia. Sou de um país vertiginoso onde a loteria é a parte principal da realidade: até o dia de hoje, pensei tão pouco nela como na conduta dos deuses indecifráveis ou do meu coração. Agora longe da Babilônia e dos seus estimados costumes, penso com certo espanto na loteria e nas conjecturas blasfemas que ao crepúsculo murmuram os homens velados.

Meu pai contava que antigamente — questão de séculos, de anos? — a loteria na Babilônia era um jogo de caráter plebeu. Referia (ignoro se com verdade) que os barbeiros trocavam por moedas de cobre, retângulos de osso ou de pergaminho adornados de símbolos. Em pleno dia verificava-se um sorteio: os contemplados recebiam, sem outra confirmação da sorte, moedas cunhadas de prata. O procedimento era elementar, como os senhores vêem.

Naturalmente, essas "loterias" fracassaram. A sua virtude moral era nula. Não se dirigiam a todas as faculdades do homem: unicamente à sua esperança. Diante da indiferença pública, os mercadores que fundaram essas loterias venais começaram a perder dinheiro. Alguém esboçou uma reforma: a intercalação de alguns números adversos no censo dos números favoráveis. Mediante essa reforma, os compradores de retângulos numerados expunham-se ao duplo risco de ganhar uma soma e de pagar uma multa, às vezes vultosa. Esse leve perigo (em cada trinta números favoráveis havia um número aziago) despertou, como é natural, o interesse do público. Os babilônios entregaram-se ao jogo. O que não adquiria sortes era considerado um pusilânime, um apoucado. Com o tempo esse desdém justificado duplicou-se. Eram desprezados aqueles que não jogavam, mas também o eram os que perdiam e abonavam a multa. A Companhia (assim começou então a ser chamada) teve que velar pelos ganhadores, que não podiam cobrar os prêmios se nas caixas faltasse a importância quase total das multas. Propôs uma ação judicial contra os perdedores: o juiz condenou-os a pagar a multa original e as custas, ou a uns dias de prisão. Todos optaram pelo cárcere, para defraudar a Companhia. Dessa bravata de uns poucos nasce todo o poder da Companhia: o seu valor eclesiástico, metafísico.

Pouco depois, as informações dos sorteios omitiram as referências de multas e limitaram-se a publicar os dias de prisão que designava cada número adverso. Esse laconismo, quase inadvertido a seu tempo, foi de capital importância. Foi o primeiro aparecimento, na loteria, de elementos não pecuniários. O êxito foi grande. Instada pelos jogadores, a Companhia viu-se obrigada a aumentar os números adversos.

Ninguém ignora que o povo da Babilônia é devotíssimo à lógica, e ainda à simetria. Era incoerente que se computassem os números ditosos em moedas redondas e os infaustos em dias e noites de cárcere. Alguns moralistas raciocinaram que a posse das moedas não determina sempre a felicidade e que outras formas de ventura são talvez mais diretas.

Inquietações diversas propagavam-se nos bairros desfavorecidos. Os membros do colégio sacerdotal multiplicavam as apostas e gozavam de todas as vicissitudes do terror e da esperança; os pobres (com inveja razoável ou inevitável) sabiam-se excluídos desse vaivém, notoriamente delicioso. O justo desejo de que todos, pobres e ricos, participassem por igual na loteria, inspirou uma indignada agitação, cuja memória os anos não apagaram. Alguns obstinados não compreenderam (ou simularam não compreender) que se tratava de uma ordem nova, de uma necessária etapa histórica... Um escravo roubou um bilhete carmesim, que no sorteio lhe deu direito a que lhe queimassem a língua. O código capitulava essa mesma pena para o que roubava um bilhete. Alguns babilônios argumentavam que merecia o ferro candente, na sua qualidade de ladrão; outros, magnânimos, que se devia condená-lo ao carrasco porque assim o havia determinado o azar... Houve distúrbios, houve efusões lamentáveis de sangue; mas a gente babilônica finalmente impôs a sua vontade, contra a oposição dos ricos. O povo conseguiu plenamente os seus generosos fins. Em primeiro lugar, conseguiu que a Companhia aceitasse a soma do poder público. (Essa unificação era indispensável, dada a vastidão e complexidade das novas operações.) Em segunda etapa, conseguiu que a loteria fosse secreta, gratuita e geral. Ficou abolida a venda mercenária de sortes. Iniciado nos mistérios de Bel, todo homem livre participava automaticamente dos sorteios sagrados, que se efetuavam nos labirintos do deus de sessenta em sessenta noites e que demarcavam o seu destino até o próximo exercício. As conseqüências eram incalculáveis. Uma jogada feliz podia motivar-lhe a elevação ao concílio dos magos ou a detenção de um inimigo (conhecido ou íntimo), ou a encontrar, nas pacíficas trevas do quarto, a mulher que começava a inquietá-lo ou que não esperava rever; uma jogada adversa: a mutilação, a infâmia, a morte. Às vezes, um fato apenas — o vil assassinato de C, a apoteose misteriosa de B — era a solução genial de trinta ou quarenta sorteios. Combinar as jogadas era difícil; mas convém lembrar que os indivíduos da Companhia eram ( e são) todo-poderosos e astutos. Em muitos casos, teria diminuído a sua virtude o conhecimento de que certas felicidades eram simples fábrica do acaso; para frustrar esse inconveniente, os agentes da Companhia usavam das sugestões e da magia. Os seus passos e os seus manejos eram secretos. Para indagar as íntimas esperanças e os íntimos terrores de cada um, dispunham de astrólogos e de espiões. Havia certos leões de pedra, havia uma latrina sagrada chamada Qaphqa, havia algumas fendas no poeirento aqueduto que, conforme a opinião geral, levavam à Companhia; as pessoas malignas ou benévolas depositavam delações nesses sítios. Um arquivo alfabético recolhia essas notícias de veracidade variável.

Por incrível que pareça, não faltavam murmúrios. A Companhia, com a sua habitual discrição, não replicou diretamente. Preferiu rabiscar nos escombros de uma fábrica de máscaras um argumento breve, que agora figura nas escrituras sagradas. Essa peça doutrinal observava que a loteria é uma interpolação da casualidade na ordem do mundo e que aceitar erros não é contradizer o acaso: é confirmá-lo. Salientava, da mesma maneira, que esses leões e esse recipiente sagrado, ainda que não desautorizados pela Companhia (que não renunciava ao direito de os consultar), funcionavam sem garantia oficial.

Essa declaração apaziguou os desassossegos públicos. Também produziu outros efeitos, talvez não previstos pelo autor. Modificou profundamente o espírito e as operações da Companhia. Pouco tempo me resta; avisam-nos que o navio está para zarpar; mas tratarei de os explicar.

Por inverossímil que seja, ninguém tentara até então uma teoria geral dos jogos. O babilônio é pouco especulativo. Acata os ditames do acaso, entrega-lhes a vida, a esperança, o terror pânico, mas não lhe ocorre investigar as suas leis labirínticas, nem as esferas giratórias que o revelam. Não obstante, a declaração oficiosa que mencionei instigou muitas discussões de caráter jurídico-matemático. De uma delas nasceu a seguinte conjectura: Se a loteria é uma intensificação do acaso, uma periódica infusão do caos no cosmos, não conviria que a casualidade interviesse em todas as fases do sorteio e não apenas numa? Não é irrisório que o acaso dite a morte de alguém e que as circunstâncias dessa morte — a reserva, a publicidade, o prazo de uma hora ou de um século — não estejam subordinadas ao acaso? Esses escrúpulo tão justos provocaram, por fim, uma reforma considerável, cujas complexidades (agravadas por um exercício de séculos) só as entendem alguns especialistas, mas que intentarei resumir, embora de modo simbólico.

Imaginemos um primeiro sorteio que decrete a morte de um homem. Para o seu cumprimento procede-se a um outro sorteio, que propõe (digamos) nove executores possíveis. Desses executores quatro podem iniciar um terceiro sorteio que dirá o nome do carrasco, dois podem substituir a ordem infeliz por uma ordem ditosa (o encontro de um tesouro, digamos), outro exacerbará (isto é, a tornará infame ou a enriquecerá de torturas), outros podem negar-se a cumpri-la... Tal é o esquema simbólico. Na realidade o número de sorteios é infinito. Nenhuma decisão é final, todas se ramificam noutras. Os ignorantes supõem que infinitos sorteios requerem um tempo infinito; em verdade, basta que o tempo seja infinitamente subdivisível, como o ensina a famosa parábola do Certame com a Tartaruga. Essa infinitude condiz admiravelmente com os sinuosos números do Acaso e com o Arquétipo Celestial da Loteria, que os platônicos adoram... Um eco disforme dos nossos ritos parece ter reboado no Tibre: Ello Lampridio, na Vida de Antonino Heliogábalo, refere que este imperador escrevia em conchas as sortes que destinava aos convidados, de forma que um recebia dez libras de ouro, e outro, dez moscas, dez leirões, dez ossos. É lícito lembrar que Heliogábalo foi educado na Ásia Menor, entre os sacerdotes do deus epônimo.

Também há sorteios impessoais, de objetivo indefinido; um ordena que se lance às águas do Eufrates uma safira de Taprobana; outro, que do alto de uma torre se solte um pássaro, outro, que secularmente se retire (ou se acrescente) um grão de areia aos inumeráveis que há na praia. As conseqüências são, às vezes, terríveis.

Sob o influxo benfeitor da Companhia, os nossos costumes estão saturados de acaso. O comprador de uma dúzia de ânforas de vinho damasceno não estranhará se uma delas contiver um talismã ou uma víbora; o escrivão que redige um contrato não deixa quase nunca de introduzir algum dado errôneo; eu próprio, neste relato apressado, falseei certo esplendor, certa atrocidade. Talvez, também, uma misteriosa monotonia... Os nossos historiadores, que são os mais perspicazes da orbe, inventaram um método para corrigir o acaso; é de notar que as operações desse método são (em geral) fidedignas; embora, naturalmente, não se divulguem sem alguma dose de engano. Além disso, nada tão contaminado de ficção como a história da Companhia... Um documento paleográfico, exumado num templo, pode ser obra de um sorteio de ontem ou de um sorteio secular. Não se publica um livro sem qualquer divergência em cada um dos exemplares. Os escribas prestam juramento secreto de omitir, de intercalar, de alterar. Também se exerce a mentira indireta.

A Companhia, com modéstia divina, evita toda publicidade. Os seus agentes, como é óbvio, são secretos; as ordens que distribui continuamente (talvez incessantemente) não diferem das que prodigalizam os impostores. Para mais, quem poderá gabar-se de ser um simples impostor? O bêbado que improvisa um mandato absurdo, o sonhador que desperta de súbito e estrangula a mulher a seu lado, não executam, porventura, uma secreta decisão da Companhia? Esse funcionamento silencioso, comparável ao de Deus, provoca toda espécie de conjecturas. Uma insinua abominavelmente que há séculos não existe a Companhia e que a sacra desordem das nossas vidas é puramente hereditária, tradicional; outra julga-a eterna e ensina que perdurará até a última noite, quando o último deus aniquilar o mundo. Outra afiança que a Companhia é onipotente, mas que influi somente em coisas minúsculas: no grito de um pássaro, nos matizes da ferrugem e do pó, nos entressonhos da madrugada. Outra, por boca de heresiarcas mascarados, que nunca existiu nem existirá. Outra, não menos vil, argumenta que é indiferente afirmar ou negar a realidade da tenebrosa corporação, porque a Babilônia não é outra coisa senão um infinito jogo de acasos.


Nota: como já mencionado, mais textos como este podem ser encontrados no livro Ficções.
Leia Mais...
27

HELP! A Lenda de um Beatlemaníaco, por Sérgio Pereira Couto (resenha + promoção)

em 17/05/2010.
| Comentários: (27)
Trago mais uma resenha e uma promoção aqui no blog. Como queria postá-la hoje e tive de reservar meu tempo para a leitura, não consegui entrevistar o autor, algo que geralmente faço (para compensar, você pode conferir um bate-papo dele com o Jô Soares). Mas pretendo entrevistá-lo se for possível, acho que pode ser uma conversa proveitosa. Falo do romance policial HELP! A Lenda de um Beatlemaníaco, do escritor Sergio Pereira Couto (confira aqui o seu blog), publicado pela Editora Idea (@ideaeditora). O autor, que tem um vasto currículo como editor e repórter, algo que certamente lhe ajudou na pesquisa para esta e outras obras, é muito bem sucedido nacionalmente, tendo vendido mais de 150 mil exemplares de seus mais de 30 livros publicados.

Como dito anterioramente, Help! se trata de um romance policial. A história se passa na cidade de Liverpool e envolve uma série de assassinatos que começam a ocorrer na Beatle Week. As mortes mais envolvidas com o caso principal, porém, só começam a acontecer no decorrer do livro. Primeiro, somos apresentados a um caso envolvendo um atentado a George Harrison e depois passamos a conhecer diversos personagens, começamos a compreender um pouco mais sobre eles e também sobre a relação entre eles. Prefiro não entrar em muitos detalhes para não estragar alguma surpresa a quem for ler a obra. Mas há alguns toques interessantes de mistério neste começo e também uma pitada de sobrenatural - embora não se tenha tanta certeza disso, nem durante a leitura, nem após.

Algo que deixa o livro bem interessante também são as informações a respeito de Liverpool, da mania dos Beatles e das informações sobre a banda (com citações espalhadas ao longo de vários capítulos). Quem é fã, pode gostar. O autor também aproveitou de forma inteligente a mania dos seriados americanos baseados em ciência forense, criando os CSAs, que durante o livro inteiro quebram a cabeça para desvendar a série de assassinatos. Eu, como apreciador dos romances policias, gostei muito da trama. Ela se desenrola bem devagar no começo, dando todas as bases para os momentos mais emocianantes que virão do meio para o final. Você consegue compreender bem os personagens e se envolve com eles, sempre curioso em relação ao que vai acontecer e sempre duvidando de todos os envolvidos no caso. Como um romance policial, que em geral tem seu grande atrativo na história, naquilo que acontece, o livro é realmente muito bom. Quem for fã do gênero certamente irá gostar muito, embora tenha de ignorar alguns probleminhas.

Refiro-me aqui ao fluxo narrativo e alguns erros que permeiam o livro. É normal que erros aconteçam, mas em alguns momentos há um excesso de palavras ou pontuações que faltam ou que sobram, coisas que poderiam ter sido consertadas na revisão (em geral são "erros de digitação" mesmo). No início do livro são mais contantes, do meio para frente eles se tornam mais raros. Como eu disse, são coisas normais, que o leitor envolvido com a trama saberá ignorar.

Já a narrativa do livro é bem simples, o que é até bom, em vista do gênero do qual estamos falando; é fácil se envolver com as histórias e os diálogos. De vez em quando, porém, cheguei a ficar um pouco incomodado com o excesso de repetição de algumas palavras ou expressões. Foram partes em que a narrativa não fluiu muito bem, mas são esparsas. No geral, a leitura, ignorando essas pequenas coisas, acaba se tornando bem agradável, embora não seja uma narrativa de encher os olhos. O que importa é que a complexidade da trama, a qualidade da história, da pesquisa e das informações trazidas pelo autor, prenderão grande parte dos leitores que gostam do gênero, os farão desconsiderar erros e querer saber logo como a história termina.

De um modo geral, como deixei claro no início da resenha, gostei do que li. Gosto muito de romances policiais e posso dizer que A Lenda de um Beatlemaníaco é uma história muito bem elaborada e muito boa de se ler, do início ao fim. É uma obra que aconselho a quem gosta do gênero, com as ressalvas que já coloquei acima. Quem é fã de seriados americanos do estilo, como Bones, CSI e outros (ou dos Beatles, principalmente) ainda sentirá um gostinho especial.
 
Se interessou? Compre o livro aqui.


CONCORRA A DOIS EXEMPLARES DO LIVRO

Como cortesia da Editora Idea (@ideaeditora - sigam no twitter), tenho dois exemplares deste livro para dar aos leitores do blog. É uma excelente oportunidade para quem gosta de um bom romance policial, é uma ótima história. Novamente, farei a promoção com o envolvimento do blog e do twitter. Portanto, para participar, deverão twitter uma mensagem E postar um comentário aqui. Leiam as regras com bastante atenção!

- Um exemplar será sorteado entre as pessoas que postarem a seguinte mensagem no twitter: RT @leoschabbach concorra a dois exemplares do romance policial "Help! A Lenda de um Beatlemaníaco", da @ideaeditora - http://migre.me/FNOX

- O outro exemplar será dado a quem der nos comentários a resposta mais interessante à seguinte pergunta: Qual o grande charme dos romances policiais?

*Lembrando, é preciso fazer as duas coisas, mensagem no twitter e comentário no blog, para concorrer a qualquer um dos livros. Se fizer uma coisa só, a participação será desconsiderada. A promoção será válida até a meia-noite da próxima segunda-feira, dia 24/05.
Leia Mais...
11

Da xícara e do café - por Bruna Maria

em 15/05/2010.
| Comentários: (11)
Volta e meia, abro o espaço do blog para alguns autores que me enviam contos e poemas via e-mail. Hoje, publico um texto bem legal enviado pela Bruna Maria, que costuma comentar por aqui. É um conto muito interessante e, definitivamente, muito bem escrito, com um bom valor literário, pelo menos em minha opinião. Espero que vocês apreciem. E quem quiser me enviar os seus para divulgar (caso não se enquadrem em nossa antologia) é só enviarem suas obras para meu e-mail (leoschabbach@uol.com.br). Abaixo segue o uma breve biografia da autora, com links para seu blog e twitter, e o conto. Confiram e comentem!

Bruna Maria é carioca, mas não chega a ser muito fã de dias de sol. Formada em Letras, já cultivou uma média de três blogs pela rede, deletando os dois últimos por ter embirrado com a escrita. Para ela, o ato de escrever pode ser muito cruel e pouco redentor e, por isso, vive tentando desistir de se meter com as palavras. Mas não consegue. Confiram o seu blog. Sigam-na no twitter.


Da xícara e do café


Vou jogar pela janela o café que ainda resta na xícara. Doce, extremamente doce, naquela ânsia, angústia anterior e extremada pelos torrões de açúcar. Vou jogar, então, as gotas derradeiras, as gotas restantes e negras, a precedência do borrão revelador no fundo da louça branca, alva, claríssima. Virando a xícara com um leve gesto de quem cumpre um movimento de dança... Assim darei fim ao líquido já frio. Agora intragável. E posso imaginar a sua queda, de olhos abertos imagino a sua queda livre e líquida, direta e sem escalas, até o mórbido nível do mar.

Talvez este restante café caia sobre algum veículo; ou, ainda, sobre um transeunte desavisado. Tendo sorte, o líquido cairá sobre o cachorro irritante e implicante da vizinha, que por essa hora, geralmente, está passeando pelo jardim frontal do prédio. E se isso realmente acontecer, se a coincidência se mostrar ativa neste universo, eu lamentarei, silenciosamente, que o teor do café já esteja tão frio, e não pelante na queda por sobre o pelo do bichano insuportável.

Mas apesar de todas as fabulações, ações, gestos e descrições, me mantenho aqui, segurando esta xícara com seu conteúdo macilento, nauseante, velho. Nada faço, por mais que tenha todo o plano formado.

Nenhum passo dou em direção à janela. Meus músculos estão parados, meus ossos não ensaiam nenhum movimento. Minhas mãos sustentam a louça fina e meus olhos se debruçam congelados como que para um abismo, entrando pela xícara, vencendo sua borda e caindo, caindo, caindo... caindo lá para dentro do negrume adocicado, frio, detestável.

Então creio que sei que é hora de agir, e intenciono – apenas intenciono – sair da estática contemplação do precipício e me dirigir ao fim, ao defenestrar derradeiro. Sim, seria hora. Finalmente seria a hora. No entanto. No entanto.

Acho que não quero, acho que não quero nenhum movimento. E fico parada aqui, segurando, cheia de palavras que se substituem umas às outras, formando anomalias da ação, me prendendo como correntes e cadeados bem arranjados, de cuja chave ninguém nunca teve ou terá notícia.

Se eu não pensasse tanto, talvez por essa hora eu tivesse afinal um cachorro de vizinha chamuscado, e tudo seria diabolicamente risível.

Mas tudo o que faço, por fim, é apenas levar covardemente a xícara aos meus lábios e virar o desprezível e intragável conteúdo todo em minha boca.

E sorvo. Sorvo como se fosse sangue de um corpo de verdade, esperando reter alguma origem ou DNA que justifique esse estar aqui tão condescendente, tão obscenamente imóvel e, simultaneamente, movediço.

Sorvo. E também como se fosse seiva ou veneno – uma das duas; porque, por um lado mais palavras teimam em borbulhar e, por outro... morre, definitivamente, a ação.
Leia Mais...
15

Conheça a 7Letras, uma editora que revela novos talentos - Entrevista com Jorge Viveiros de Castro

em 13/05/2010.
| Comentários: (15)
Sigo aqui tentando apresentar boas possibilidades a todos os novos autores que possam acompanhar o blog. Numa postagem mais antiga, apresentei a Editora Multifoco (leia o texto + a entrevista), uma ótima opção a quem ainda não foi publicado. Hoje, falarei da 7Letras, uma editora que costuma revelar bons talentos, sendo muito bem vista e posicionada no mercado. É uma empresa série, que faz uma divulgação muito boa de seus autores, enviando releases para os principais meios de comunicação e se esforçando para que as obras recebam algum reconhecimento em território nacional. Trago aqui, além de mais algumas informações, uma entrevista com Jorge Viveiros de Castro, dono e editor da 7Letras.

Para aqueles que não sabem, de uma maneira geral, como poderão observar nas respostas abaixo, a editora cobra do autor publicado uma parcela da tiragem, para que possa assim arcar com os custos de produção, distribuição e divulgação. Apesar de muitos acharem ruim pagar para publicar o primeiro livro, não acho que, neste caso, realmente o seja. A 7Letras tem uma distribução boa, seu livro estará acessível na maioria dos sites das grandes livrarias, e ainda estará presente em uma quantidade boa de livrarias físicas. Além disso, a editora costuma realizar uma excelente divulgação de seus autores, que são, normalmente, bem recebidos pela crítica, recebendo inclusive, resenhas em alguns jornais. Então, a publicação pela 7Letras seria quase como um investimento do autor em si. Vale lembrar também que eles não publicam qualquer um; fazem a análise dos originais como de costume, o que garante a qualidade de suas publicações.

A vantagem da 7Letras em relação a algumas outras editoras que fazem o mesmo serviço, como a Novo Século com o selo Novos Talentos da Literatura Brasileira, é sua maior flexibilidade em realizar tiragens menores e mais em conta para quem quer publicar.  Além disso, a credibilidade do selo 7Letras também pode ajudar mais quem está começando. Entretanto, aos que produzem literatura fantástica, o selo da Novo Século me parece mais receptivo. Enfim, confiram abaixo a entrevista!


ENTREVISTA COM JORGE VIVEIROS DE CASTRO


Primeiro, gostaria de pedir para falar um pouco dos objetivos da Editora 7Letras. A idéia de procurar por novos talentos e etc...

R: Desde o início de sua trajetória, a 7Letras abriu as portas para escritores inéditos, poetas, ficcionistas, e procurou selecionar os melhores autores entre os originais que recebíamos. Aos poucos, a editora se firmou como uma descobridora de talentos. Nosso objetivo é o de realizar um trabalho editorial de qualidade, desde a seleção de títulos até a edição dos textos e o projeto gráfico, mesmo com poucos recursos e em pequenas tiragens.


Como vocês costumam divulgar os seus autores?

R: Enviamos exemplares dos livros, acompanhados de release, aos principais suplementos literários do país. Hoje em dia, estamos tentando aprimorar a divulgação na internet, em nossa página e nas redes sociais.


Um dos grandes problemas para toda a editora é a distribuição. A 7Letras, embora aposte em novos autores, tem uma boa visibilidade nas livrarias. Qual a política de vocês em relação à distribuição? Os autores novos da editora também tem uma boa visibilidade?

R: Acho que conseguimos alguma visibilidade em função do grande número de títulos que lançamos e do respeito que o selo conquistou ao longo do tempo. Mas de fato é difícil conseguir um bom espaço nas livrarias em escala nacional – temos dificuldades em alguns estados. Para os autores estreantes, o problema é ainda maior. Procuramos trabalhar com bons distribuidores locais, e também atendemos diretamente algumas livrarias. Em última instância, dependemos do discernimento dos livreiros – até pelo fato de trabalharmos com produtos menos comerciais – e de uma boa divulgação na mídia, com resenhas que chamem atenção para a qualidade dos autores ainda não estabelecidos.


Como funciona o recebimento de originais pela 7Letras? Em quanto tempo vocês costumam dar uma resposta?

R: Estamos sempre abertos ao recebimentos de originais, até pelo e-mail. Atualmente são quase duzentos por mês. É impossível responder a todos os autores – entramos em contato com os autores das obras selecionadas, à medida que sejam indicadas para publicação pelo nosso conselho editorial.


Pelo que me informaram, a 7Letras cobra do autor um valor correspondente a uma determinada parcela de uma determinada tiragem inicial. Quanto exemplares tem geralmente esta tiragem inicial? E quantos os autores precisam comprar?

R: Esses números variam muito, de acordo com o tamanho do livro etc. A tiragem normalmente é discutida com o autor, pois de fato dependemos de uma compra mínima inicial para viabilizar os custos de produção, uma vez que a venda nas livrarias (especialmente com a estrutura atual, em que os livros saem consignados, sem nenhuma garantia de venda ou mesmo de uma boa exposição) dificilmente sustenta o investimento em títulos e gêneros menos comerciais.


Há casos em que a editora não exige a compra dos exemplares?

R: Sim, mas em geral os investimentos exclusivamente da editora se dão em títulos de autores mais consagrados (como nas traduções de alguns clássicos) ou em projetos mais comerciais.


Alguns autores da 7Letras participam de grandes eventos, como a FLIP, isso se dá por contatos do próprio autor ou com o auxílio da editora?

R: No caso da FLIP, os autores são convidados pela organização do evento; não há participação da editora. Em geral, como temos um grande elenco de autores, inclusive no âmbito acadêmico, é natural que muitos deles participem de eventos em diversas áreas.


Que dicas você daria para os novos autores?

R: Leiam, leiam, leiam. E escrevam sem a preocupação de seguir alguma fórmula ou estilo e sem nenhuma preocupação comercial, mas sim exercitando a liberdade e criatividade para desenvolver um estilo próprio. Só assim se faz a verdadeira literatura.
Leia Mais...
10

Uma nova "ficção científica"? (mais o resultado da última promoção)

em 11/05/2010.
| Comentários: (10)
Nota: resultado da promoção do livro Múltipla Escolha, da Lya Luft no final da postagem.

Hoje quero trazer uma nova discussão para o pessoal, para saber qual a opinião geral sobre o assunto. Também é uma postagem interessante por tratar de um tema vinculado a nossa antologia de contos (saiba aqui como participar). Quero falar um pouco da ficção trabalhada por autores como Kafka (em A Metamorfose), Calvino, Borges, Saramago e etc... A questão que gostaria de colocar é a seguinte, poderíamos qualificá-los como produtores de ficção científica?

Talvez o questionamento seja por demais estranho, especialmente para os fãs de ficção científica, mas pretendo explicar melhor o que quero falar com isso, até por ser a área de meus estudos acadêmicos. Penso aqui na palavra "científica" no sentido de que a ciência trabalha por experimentos e, através deles, chega a uma série de conclusões. Quando o Saramago, por exemplo, propõe que uma estranha doença comece a deixar todos cegos, ele exerce, durante a obra, uma espécie de investigação. É quase como se ele realizasse, por intermédio da criação ficcional, um experimento em que pessoas fossem colocadas naquela situação e dali ele conseguisse aprender mais sobre o homem. Ensaio sobre a cegueira se desenvolve mais nas relações da humanidade do que na estranha doença, que é, na verdade, uma grande metáfora. Ainda assim, é quase como se, por intermédio da criação de uma outra realidade, Saramago pudesse investigar cientificamente o ser humano.

E o mesmo vale para obras deste mesmo gênero, que para mim teve o seu grande começo com Kafka. Em A Metamorfose (estou com vontade de fazer uma postagem só sobre este livro), o personagem principal, Gregor Samsa, acorda metamorfoseado em um inseto gigante. Não há explicações, simplesmente acontece, já nas primeiras linhas do livro. Deste momento em diante, novamente se entra de maneira profunda na essência do humano em Gregor, nas suas relações com os parentes, que agora precisam lidar com a espécie de monstro em que ele se transformara. E a história se desenrola, sempre nos fazendo refletir e pensar mais sobre a questão humana, podendo ver, pela história, onde aquilo irá dar, o que irá acontecer, justamente como ocorreria em um experimento científico.

Eu, particularmente, adoro este tipo de ficção, por isso também escolhi como temática para a antologia de contos. Acho que são sempre muito criativas e nos enriquecem muito, tanto pessoal como filosoficamente; fazem pensar. É claro que a ficção científica tradicional também apresenta todos estes tipos de característica, e, confesso, tem lá seu charme - adoro autores como Júlio Verne e Aldous Huxley, embora não conheça os mais novos do gênero. Agora, o que queria colocar aqui é se autores como Saramago (em livros como Ensaio sobre a cegueira, Ensaio sobre a lucidez e Intermitências da morte) não estariam produzindo um novo tipo de ficção científica, uma literatura capaz de criar hipóteses e testá-las em suas próprias realidades, para que assim todos nós possamos aprender com elas. Enfim, são só algumas idéias, gostaria de saber o que mais gente pensa sobre o assunto!


RESULTADO DA PROMOÇÃO

As duas sorteadas foram @bruninhamorales e @biancabriones. Entrarei em contato via twitter para que me enviem o endereço, repassarei para a Record e eles mandarão os livros. Podem ver a url do sorteio no sortei.me - http://sorteie.me/jly. Aviso também que em breve teremos mais resenhas com promoção e, se possível, entrevista, de livros muito legais, muito legais mesmo. Espere e verão!
Leia Mais...
4

Poema: A Chuva (com áudio e mais alguns versos)

em 10/05/2010.
| Comentários: (4)
Quem acompanhou a minha postagem Considerações sobre o fazer poético sabe que já há algum tempo eu não consigo escrever um poema (tinha alguns semi-prontos, mas que não finalizava). Nesse final de semana, consegui descansar um pouco e acabei escrevendo um, do zero. Talvez não seja um dos meus melhores, não acho que tenha ficado sensacional, mas ainda assim gostei do resultado, gostei da sonoridade e das imagens poéticas. Enfim, vamos ver o que vocês acham. Além disso, aproveitei para colocar um áudio dele declamado, para mostrar como imaginei a leitura. Também disponibilizei um trecho de um poema muito velho, um antigo projeto em que faria pequenos "aforismos poéticos" sobre várias sensações. Nunca levei o projeto adiante, mas cheguei a fazer o primeiro trecho falando da chuva. Como o poema de hoje é sobre este assunto, achei que cabia colocá-lo aqui, só por colocar mesmo. Espero que gostem! (editado: houve um problema com a gravação, em breve, colocarei-a disponível novamente)


A Chuva

Adoro o barulho da chuva,
é silencioso;
traz poesia.
E a gota de chuva fria
reascende memórias
e reconstrói o passado.

A chuva é um poema disfarçado,
o mistério da vida,
que renova o ciclo.

A chuva traz de volta os vícios,
bons e ruins
e também a saudade.

A chuva é naturalidade,
do pensamento,
num instante,
de água cristalina
ou barrosa,
mas água de verdade,

viva
e poderosa...

Como é grandiosa a presença da chuva!



Agora, segue o trecho do meu outro projeto de poema (era para ser uma obra grande e tudo mais, talvez um dia eu continue)


Sensações

[1]

A chuva,
como é bonita.
Caindo sobre a cidade,
como uma cortina,
simples e vertical.

Algum tempo depois, ela some
e deixa as memórias assentarem-se,
como sombras escondendo-se da luz.
Leia Mais...
9

Poemas de Vinícius de Moraes

em 08/05/2010.
| Comentários: (9)
Geralmente, gosto de colocar boas leituras para o pessoal do blog nos finais de semana, especialmente para o pessoal que assina o Feed (ou recebe o blog por e-mail) e acaba lendo domingo de manhã. Hoje, coloco dois poemas super conhecidos, que não sei como ainda não tinha colocado aqui. Entretanto, como sempre gosto de fazer, irei comentar. Isso porque as escolhas não são assim tão casuais. Ambos são de Vinícius de Moraes, que faz sua primeira aparição aqui no Na Ponta dos Lápis. Gosto do autor, acho ele um dos mais talentosos poetas brasileiros, sempre colocando muita rima e musicalidade em seus versos, e queria destacar alguns pontos de sua obra. Então, apreciem os poemas e, se estiverem interessados, leiam os comentários, acho que trazem uma visão interessante


Soneto de Fidelidade

De tudo, ao meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento.

Quero vivê-lo em cada vão momento
E em louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento.

E assim, quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama

Eu possa me dizer do amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure.


Comentário: Provavelmente muita gente aqui já leu ou ouviu algo deste poema alguma vez, é uma das obras mais conhecidas - senão a mais conhecida - de Vinícius de Moraes. O comentário que irei fazer talvez também já tenham ouvido, é sobre a ironia do poema, desde o título até o conteúdo. Sei que muita gente ama o Soneto de Fidelidade por achá-lo super romântico e coisa e tal. O que ele diz, na verdade, não é bem isso; é o oposto. Vinícius de Moraes sempre foi um poeta boêmio e mulherengo, algo que deixou fluir neste poema, embora muita gente possa interpretá-lo como romântico.  Os dois versos finais, definitivamente muito conhecidos, revelam exatamente isso. Fala de paixão, que é chama, intensa, surge do nada, que seja infinita enquanto dure; ou seja, é coisa de momento, deve-se aproveitar aquele instante, mas em breve partir para outra, para outros amores, como o próprio Vinícius fez durante a vida. Algo similar vale para o poema que colocarei abaixo, A mulher que passa. Ele revela aquela vontade de termos justamente aquilo que não podemos ter, a pessoa que não podemos, e como a idealizamos e desejamos, desde que seja a pessoa que passa, e não aquela que permanece, aquela que fica. Por sinal, acho o último verso simplesmente sensacional, a imagem poética que ele traz é fantástica; e se encaixa ainda na métrica e na rima.


A Mulhe Que Passa

Meu Deus, eu quero a mulher que passa
Seu dorso frio é um campo de lírios
Tem sete cores nos seus cabelos
Sete esperanças na boca fresca!
Oh! como és linda, mulher que passas
Que me sacias e suplicias
Dentro das noites, dentro dos dias!

Teus sentimentos são poesia
Teus sofrimentos, melancolia.
Teus pelos leves são relva boa
Fresca e macia.
Teus belos braços são cisnes mansos
Longe das vozes da ventania.

Meu Deus, eu quero a mulher que passa!

Como te adoro, mulher que passas
Que vens e passas, que me sacias
Dentro das noites, dentro dos dias!
Por que me faltas, se te procuro?
Por que me odeias quando te juro
Que te perdia se me encontravas
E me concontrava se te perdias?

Por que não voltas, mulher que passas?
Por que não enches a minha vida?
Por que não voltas, mulher querida
Sempre perdida, nunca encontrada?
Por que não voltas à minha vida
Para o que sofro não ser desgraça?

Meu Deus, eu quero a mulher que passa!
Eu quero-a agora, sem mais demora
A minha amada mulher que passa!

Que fica e passa, que pacífica
Que é tanto pura como devassa
Que bóia leve como a cortiça
E tem raízes como a fumaça.



Gostou do blog? Gostou dos textos? - o autor Leonardo Schabbach, que produz o conteúdo do Na Ponta dos Lápis lançou recentemente sua primeira obra literária, O Código dos Cavaleiros. Ajude-o a continuar produzindo! Informações sobre a obra (como comprar - autografada -, capítulos para degustação, capa, sinopse e muito mais) podem ser encontradas neste super hotsite (clique para acessar).

Leia Mais...
10

Considerações sobre o fazer poético (e algumas coisas a mais)

em 06/05/2010.
| Comentários: (10)
Ultimamente, tenho pensado muito no fazer poético - tudo bem, eu geralmente penso sempre neste assunto, mas nesses dias venho refletindo ainda mais. Isso porque, claro, não tenho conseguido produzir muito. De uma maneira geral, gosto de postar textos meus com alguma frequência no blog, para que vocês leiam e opinem. Nesta semana, não tenho o que colocar, pelo menos até agora. A questão é: tenho uns dois poemas semi-prontos que não consigo finalizar, de modo algum, as palavras certas simplesmente não vêm. Foi por isso que parei um pouco para pensar. Talvez a poesia seja uma questão de estar presente, de foco. Explico.

Nas últimas semanas, os meus dias têm sido bem corridos, no sentido de que sempre tenho alguma coisa para resolver, e sempre há coisas que acabam ficando para o dia seguinte. Então, mesmo quando estou parado, quando tenho um tempo para descansar, a cabeça já faz planos, já pondera, já me leva para um outro lugar, um outro assunto a ser resolvido. Acho que é por isso que não me vêm a poesia, por esta falta de foco, pelo fato de a cabeça estar sempre em outro lugar e não realmente onde o corpo está naquele momento. E acho que isso vale para muita gente.

Quanto mais temos o que fazer, quanto mais corrido for o dia-a-dia, em mais lugares estamos ao mesmo tempo. Nos falta, portanto, aquele momento de silêncio, do afastamento necessário ao pensar. E tudo piora com a conectividade. Agora, mesmo quando estamos no ônibus (confessem, quem nunca parou para pensar na vida enquanto ia de um lugar para o outro), podemos nos ocupar com celulares que se conectam à internet (isso eu ainda não tenho), jogos eletrônicos, Ipods e etc... Então nunca estamos de fato isolados, focados, em "silêncio". Não sei se isso é positivo. Eu, particularmente, preciso deste afastamento, de um momento de descanso. Como eu disse, acho que é por isso que tem sido difícil terminar os poemas. Escrever poesia é um ato de solidão, mas uma solidão positiva, é se entregar àquele específico momento; o instante de pensar o poema, trabalhar o poema e, finalmente, escrever o poema. Não podem haver interferências, nem de problemas sobre os quais temos de nos debruçar, nem dos nossos queridinhos aparelhos eletrônicos.

Sei que este não é um texto muito comum para o blog, mas era algo que eu imaginei que devesse ser dito, só algumas ponderações sobre alguns assuntos. Gostaria de poder dividir com vocês um poema - ou até mesmo um conto -, mas não foi possível, como puderam perceber durante a postagem. Enfim, espero que este texto agrade e que suscite discussões!
Leia Mais...
13

Ajude a divulgar nossa antologia! (Banners)

em 04/05/2010.
| Comentários: (13)
Como prometido na postagem sobre a antologia que será organizada pelo Na Ponta dos Lápis em parceria com a Editora Multifoco (veja em Concursos Literários - Antologia de Contos) , coloco aqui alguns banners para que vocês possam nos ajudar a divulgar a iniciativa; é só copiar o código e colar. Lembro que, quanto mais divulgação, maiores serão as opções que teremos no livro, o que nos ajudará a criar uma obra de qualidade, que seja capaz de conquistar seus leitores. Ficarei muito grato aos amigos blogueiros que puderem ajudar. Mais uma vez, ponho-me à disposição para responder perguntas e ajudar aqueles que queiram fazer postagens para divulgar a iniciativa. Desde já, obrigado!


Tamanho 120x60
Poemas



Tamanho 210x100
Poemas



Tamanho 250x250
Poemas



Tamanho 468x60
Poemas


Quem quiser algum tamanho diferente de banner, peça nos comentários que posso ver com quem fez estes se é possível criar em outros tamanhos em tempo hábil. Enfim, espero que os Banners agradem, a idéia foi fazer com que eles pudessem se misturar com quase qualquer tipo de template.
Leia Mais...
39

Múltipla Escolha, por Lya Luft - resenha e promoção!

em 03/05/2010.
| Comentários: (39)
Hoje, trago uma resenha e uma promoção bem especiais para os leitores do blog: trata-se do novo livro da autora Lya Luft, Múltipla Escolha, que acaba de chegar às livrarias de todo o país. Nos últimos anos, a autora se tornou uma das mais lidas do Brasil, alcançando um sucesso raro entre os escritores nacionais. Romancista, contista e poeta Lya Luft iniciou sua carreira como tradutora na década de 60 e, em pouco tempo, começou a lançar livros de sua própria autoria; o primeiro romance, porém, só veio em 1980, com a obra As Parceiras.

[Nota: o livro está bem barato no Submarino: confiram aqui! e na Livraria Saraiva: confiram aqui!]

A autora, que durante toda a sua carreira recebeu diversos prêmios, tanto por suas traduções quanto por seus livros, hoje divide os críticos. Desde a publicação de Perdas & Ganhos, lançado em 2003 pela Editora Record e um sucesso em vendas, ela é vista com algumas ressalvas, sendo às vezes tachada quase como autora de auto-ajuda. Logo, quando peguei o livro Múltipla Escolha para ler, tinha esta divisão em mente (algo que até remete às postagens recentes do blog sobre crítica literária). Em primeiro lugar, todavia, é necessário deixar claro que tachar Lya Luft de tal maneira é um erro grave. Pode até ser que determinado livro tenha este aspecto - e isso nos levaria a outra discussão, que devo tomar mais adiante -, mas ultimamente tenho lido pessoas a classificarem "quase como autora de auto-ajuda e ponto", não importa o que ela fez antes ou depois.

No caso do livro Múltipla Escolha, posso até ver de onde saem essas críticas. É um ensaio em que a autora fala sobre diversas questões que afligem a nossa sociedade. O tom dela é menos racional e filosófico e mais emocional, falando diretamente com as pessoas, tocando nos assuntos que as incomodam praticamente, tratando de coisas do dia-a-dia, como família, pressões sociais, excesso de informação, incertezas e etc...  Ainda assim, o livro denuncia uma problema crucial dos dias atuais, algo trabalhado também por acadêmicos, como Bauman: a questão dos medos, da insegurança, da dificuldade hoje de se manter uma identidade e de se tomar decisões. A diferença é que Lya Luft caminha pelo lado prático, tratando desses assuntos por intermédio de sua própria vivência e de exemplos seus, sem dar um caráter acadêmico ao texto e levando o livro em um tom de conversa, quase como se fizesse uma "auto-entrevista".

É por isso que não acho que o livro possa ser tachado, como talvez venha a ser por alguns, como uma obra de auto-ajuda. Em Múltipla Escolha, não há uma tentativa de se dizer às pessoas uma única maneira de lidar com determinados assuntos ou dar um conforto ilusório; a intenção da autora é de fazer refletir, de apontar os grandes problemas enfrentados pelos indivíduos hoje e, por intermédio de suas idéias e de sua experiência, dar as bases para que as pessoas pensem. Aqui há um trecho que realça bem esta característica:

"O olho do outro está grudado em mim e me sinto permanentemente avaliado, nem sempre aprovado: se eu não for como sugerem ou exigem meu grupo, família, sociedade, se não atender às propagandas, aos modelos e ideais sugeridos, serei considerado diferente. Como adolescentes queremos ser iguais à turma, como adultos queremos ser aceitos pela tribo: a pressão social é um fato inegável" (Pag. 23)

Como acadêmico, já li alguns livros que tratam exatamente desses assuntos (posso mencionar aqui Bauman, de novo, e também Foucault). Talvez para mim e para outras pessoas do meio, o trecho não traga nada de muito novo, embora fale de uma questão essencial hoje, algo que deve ser discutido e trabalhado. Por outro lado, os livros não devem ser fechados para uma pequena elite; e Lya Luft, neste em específico, traz essas questões ao público não-acadêmico e os discute de uma maneira diferente, por intermédio de sua própria visão de mundo. Inclusive, este é um outro fato interessante. Ler Múltipla Escolha é quase como ler uma longa entrevista com a autora, saber a sua opinião sobre uma série de coisas, o que pode ser um atrativo a mais da obra.

De uma maneira geral, é um livro bem interessante, que aborda questões importantes. Há momentos, como no trecho destacado, em que achei a maneira da autora escrever e colocar as coisas excelente, com algumas idéias e argumentações muito boas. Há também partes em que senti o livro muito didático, alguns momentos em que achei o modo como os assuntos foram descritos meio clichê. Então, para mim, o livro variou um pouco entre esses altos e baixos. Ainda assim, acho que muita gente irá se maravilhar com o que ler, já que há reflexões importantes com as quais maioria das pessoas não tem contato; o público de Perdas & Ganhos definitivamente não sairá decepcionado e, ao mesmo tempo, boa parte dos críticos que passaram a ter ressalvas a respeito da Lya Luft devem continuar a criticá-la - alguns, talvez, mudem de opinião.


Compre o livro por um excelente preço no Submarino.com

Compre o livro por um excelente preço na Saraiva


CONCORRA A DOIS EXEMPLARES (promoção finalizada)

Em parceria com a Editora Record (@Editora_Record, sigam no twitter), o Na Ponta dos Lápis irá sortear dois exemplares do livro Múltipla Escolha, de Lya Luft. É a chance que os fãs da autora têm de colocar suas mãos nesta obra que acaba de chegar nas livrarias. A premiação se dará por sorteio novamente (prometo que a próxima envolverá a competição entre os melhores comentários). Aqui seguem as regras, leiam com atenção!!

- Para participar do sorteio, você deve deixar um comentário no blog falando de suas expectativas em relação ao livro, principalmente depois de ler a resenha, E ainda postar a seguinte mensagem no twitter:

RT @leoschabbach concorra a um exemplar de Múltipla Escolha, o novo livro de Lya Luft, lançado pela @Editora_Record - http://migre.me/BqeS

* Não esqueçam de assinar seus comentários com o seu nome no twitter. Exemplo: @leoschabbach

**A promoção será válida até o dia 10/05 (próxima segunda-feira) e o resultado será divulgado na terça-feira.



Gostou do blog? Gostou dos textos? - o autor Leonardo Schabbach, que produz o conteúdo do Na Ponta dos Lápis lançou recentemente sua primeira obra literária, O Código dos Cavaleiros. Ajude-o a continuar produzindo! Informações sobre a obra (como comprar - autografada -, capítulos para degustação, capa, sinopse e muito mais) podem ser encontradas neste super hotsite (clique para acessar).

Leia Mais...
51

Dicas de sites (e blogs) literários. Indique os seus!!

em 01/05/2010.
| Comentários: (51)
De vez em quando eu gosto de colocar alguns links aqui para as pessoas conheceram, é sempre bom indicar alguns bons sites. Hoje, colocarei alguns que estão no menu da direita do blog, mas que, muitas vezes, passam despercebidos ao olhar dos visitantes (procurarei não repetir muitas indicações que eu já tenha feito antes). E desta vez ainda farei uma coisa diferente: você tem um blog sobre literatura ou, até mesmo, sobre assunto que permeia a literatura? Quer fazer uma indicação? Então deixe o link nos comentários para que todos vejam (para o link aparecer de forma clicável escrevam <.a href="LINK DO SITE".>Nome do site<./a> - mas retirando os pontos finais (.) que coloquei). Depois, quem sabe, compilo uma lista com os melhores que apareceram. Confiram agora as minhas indicações!

Jornal de Poesia - não sei se o site ainda é atualizado, mas o acervo de poemas e contos que existe por lá é absurdamente grande. Há também vários artigos da crítica literária sobre os autores mais conhecidos que estão por lá. Para quem gosta de acompanhar as obras de autores consagrados, esse é o lugar.

PNET Literatura - é um site excelente sobre o tema. Também tem sua versão brasileira. Mas gosto muito da portuguesa especialmente por podermos acompanhar a coluna do Gonçalo M. Tavares, um de meus autores favoritos (leia aqui uma postagem sobre ele).

Jornal Rascunho - volta e meia faço postagens aqui no Na Ponta dos Lápis inspiradas em coisas que li no Jornal Rascunho. É um site muito bom para se acompanhar e um jornal ainda melhor. A assinatura é bem barata, por 15 meses, e a qualidade do material que será entregue a sua casa é fantástica. Dá para acompanhar pelo site boa parte das coisas? Dá. Mas, para quem pode, não custa assinar; receberá ainda mais conteúdo e com mais comodidade. 

O Bule - tive de editar a postagem, pois havia esquecido de colocar "O Bule" aqui. Foi um blog que conheci após a entrevista com Geraldo Lima, autor do romance UM (confiram entrevista com o autor). É um espaço bem legal - e cooperativo - de literatura. Vale acompanhar.

Blog da Babi Dewet - um blog que conheci faz pouco tempo, mas que traz muita coisa sobre literatura. Também traz postagens sobre outras coisas, mas na maioria das vezes elas envolvem livros, volta e meia com promoções, o que pode ser interessante para alguns leitores.

Por fim, aproveito para indicar de novo o Criando Testrálios e o Viagem Literária aos fãs de Literatura Fantástica (conheçam também o meu Fórum de Literatura Fantástica). São dois sites excelentes, que também trazem suas informações, com atualizações constantes. O Viagem Literária, inclusive, possui algumas resenhas muito interessantes trazidas pela autora do blog.
Leia Mais...
 
Copyright© 2010 Na Ponta dos Lápis
Apoio: Literatura Fantástica
Tema original "Solitude" Modificado por Mundo Blogger