Em primeiro lugar, gostaria de pedir desculpas pela demora na atualização do blog. Os últimos dias, porém, foram muito ocupados, então ficou bem difícil de colocar novas atualizações por aqui. Mas prometo que o Na Ponta dos Lápis continuará com publicações interessantes e constantes. Tentarei preparar para as próximas semanas, inclusive, algumas entrevistas com novos autores brasileiros; creio que conhecermos as histórias desses autores que batalham por um espaço no mercado seja sempre bom, é algo que sempre nos trará novas idéias e nos mostrará que, algumas vezes, correr atrás pode valer muito.
Enfim, conforme alguns haviam me pedido, começo a tentar escrever uma série de postagens aqui sobre Criação Literária. Não sei exatamente sobre o que falar, portanto me guiarei por aquilo que os próprios leitores do blog sugeriram. Aviso, porém, que tudo o que eu falar aqui não deve ser encarado como uma regra a ser seguida; são só minhas impressões sobre como produzir um bom texto, são opiniões pessoais que podem, ou não, ajudar cada um a moldar o seu próprio estilo de escrever. De fato, não há uma fórmula para se tornar um excelente escritor, necessita-se de muito trabalho, além de um conhecimento grande sobre si, para que se possa produzir narrativas de acordo com um estilo próprio, um modo de escrever que não copie os de autores já consagrados. Além disso, eu, como qualquer autor, também estou sempre tentando aperfeiçoar a minha escrita. Imagino, por este motivo, que discutir, por intermédio do blog, com outros autores possa me ajudar a melhorar ainda mais a minha narrativa.
Decidi nesta primeira postagem falar sobre a criação de personagens. A idéia veio de uma pergunta feita no Formspring (veja a pergunta aqui) para o livro que irei lançar, O Código dos Cavaleiros. A grande questão, porém, foi que, ao pensar sobre como tratar deste assunto de uma maneira mais geral, não tive como escapar de dissertar também sobre a própria criação das histórias. Isso porque, para se construir um personagem (ou alguns personagens), é necessário saber que tipo de narrativa quer se fazer, que tipo de gênero, até mesmo, será trabalhado. Por exemplo, nos romances policiais, de uma maneira geral, a história é montada antes dos personagens. Cria-se a trama, como o assassino agiu, quem ele é e etc... Deste modo, é como se cada personagem exercesse uma função dentro da história para que ela se desenrole; o que irá acontecer, normalmente, já está bem definido antes mesmo que se comece a narrar a história. Neste cenário, os personagens, embora possam ser incríveis e ter grandes personalidades (como Sherlock Holmes), não costumam "guiar a história", como acontece em alguns outros gêneros. Nos romances policiais (com várias exceções, é claro), a história tende a guiar as ações dos personagens.
Já em outros tipos de obra, como em muitos livros de Realismo Fantástico - ou Realismo Mágico -, o meu gênero favorito, os personagens têm uma força tal que, a partir deles, a história vai sendo criada. Nestes casos, como dizem muitos autores, é como se eles tivessem vida, fossem capazes de construir os cenários e agir com tal grau de independência que os autores se tornam incapazes de prever exatamente o que irá acontecer. No caso do Realismo Fantástico, sempre gosto de citar Ensaio sobre a cegueira, do Saramago, e A Metamorfose, do Kafka. Em ambos os casos, um acontecimento estranho coloca os personagens em uma situação surreal que os faz passar por inúmeros problemas. Entretanto, a história vai se construindo justamente a partir do modo como estes personagens lidam com aquela situação, com aqueles problemas, como se as escolhas e reflexões feitas por eles carregassem e dessem valor à história.
Particularmente, eu prefiro este segundo tipo de construção de personagem. Normalmente, crio os nomes, imagino eles fisicamente (mesmo que não venha a descrevê-los com detalhes no livro) e lhes dou uma determinada personalidade. Porém, isso tudo é bem tênue. Gosto exatamente dos livros que fazem com que os personagens se modifiquem, para melhor ou para pior, de modo a instigar o leitor, a fazê-lo refletir junto com a história que vai se construindo. Neste tipo de criação, tento me imaginar mesmo no lugar dos personagens e pensar da mesma maneira que eles pensariam, tento resolver as situações do mesmo modo que eles resolveriam; e isso, geralmente, faz com que a história tome rumos que, inicialmente, não tinham sido por mim previstos.
Aconteceu algo assim quando escrevi O Código dos Cavaleiros. Tracei uma descrição rápida dos quatro personagens principais e de suas características físicas e psicológicas mais importantes. No decorrer do livro, embora estas características base tenham permanecido, cada um deles passou por grandes mudanças de pensamento. É quase como se a obra, além dos tons cômicos, da sátira e da aventura, falasse também sobre o amadurecimento de cada um dos personagens.
Todavia, como disse anteriormente, este é só um modo de trabalhar - há outras formas de lidar com este tipo de criação. Agora, mesmo nos casos em que é a história, a trama, que dá o tom do livro, criar personagens com grande profundidade é extremamente importante. Afinal, mesmo que não sejam eles os responsáveis por puxar as sequências narrativas, serão eles os responsáveis por conquistar o leitor. Mesmo num romance policial, por melhor que seja a trama, se não tivermos personagens realmente atrativos, o leitor acabará se chateando e se sentindo desestimulado a continuar lendo.
Enfim, o texto já está bem grande, acho que já deu para passar algumas das coisas que penso sobre o assunto. Mas gostaria de fazer um convite a todos os escritores e blogueiros que acompanham o Na Ponta dos Lápis:
Escrevam sobre suas experiências em criação de personagens e enviem o link das postagens para mim por twitter (@leoschabbach). Assim, daqui a alguns dias, crio um post aqui apenas para divulgar bons artigos sobre este assunto.
Espero que tenham gostado das minhas opiniões e que decidam aderir à campanha!
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Enfim, conforme alguns haviam me pedido, começo a tentar escrever uma série de postagens aqui sobre Criação Literária. Não sei exatamente sobre o que falar, portanto me guiarei por aquilo que os próprios leitores do blog sugeriram. Aviso, porém, que tudo o que eu falar aqui não deve ser encarado como uma regra a ser seguida; são só minhas impressões sobre como produzir um bom texto, são opiniões pessoais que podem, ou não, ajudar cada um a moldar o seu próprio estilo de escrever. De fato, não há uma fórmula para se tornar um excelente escritor, necessita-se de muito trabalho, além de um conhecimento grande sobre si, para que se possa produzir narrativas de acordo com um estilo próprio, um modo de escrever que não copie os de autores já consagrados. Além disso, eu, como qualquer autor, também estou sempre tentando aperfeiçoar a minha escrita. Imagino, por este motivo, que discutir, por intermédio do blog, com outros autores possa me ajudar a melhorar ainda mais a minha narrativa.
Decidi nesta primeira postagem falar sobre a criação de personagens. A idéia veio de uma pergunta feita no Formspring (veja a pergunta aqui) para o livro que irei lançar, O Código dos Cavaleiros. A grande questão, porém, foi que, ao pensar sobre como tratar deste assunto de uma maneira mais geral, não tive como escapar de dissertar também sobre a própria criação das histórias. Isso porque, para se construir um personagem (ou alguns personagens), é necessário saber que tipo de narrativa quer se fazer, que tipo de gênero, até mesmo, será trabalhado. Por exemplo, nos romances policiais, de uma maneira geral, a história é montada antes dos personagens. Cria-se a trama, como o assassino agiu, quem ele é e etc... Deste modo, é como se cada personagem exercesse uma função dentro da história para que ela se desenrole; o que irá acontecer, normalmente, já está bem definido antes mesmo que se comece a narrar a história. Neste cenário, os personagens, embora possam ser incríveis e ter grandes personalidades (como Sherlock Holmes), não costumam "guiar a história", como acontece em alguns outros gêneros. Nos romances policiais (com várias exceções, é claro), a história tende a guiar as ações dos personagens.
Já em outros tipos de obra, como em muitos livros de Realismo Fantástico - ou Realismo Mágico -, o meu gênero favorito, os personagens têm uma força tal que, a partir deles, a história vai sendo criada. Nestes casos, como dizem muitos autores, é como se eles tivessem vida, fossem capazes de construir os cenários e agir com tal grau de independência que os autores se tornam incapazes de prever exatamente o que irá acontecer. No caso do Realismo Fantástico, sempre gosto de citar Ensaio sobre a cegueira, do Saramago, e A Metamorfose, do Kafka. Em ambos os casos, um acontecimento estranho coloca os personagens em uma situação surreal que os faz passar por inúmeros problemas. Entretanto, a história vai se construindo justamente a partir do modo como estes personagens lidam com aquela situação, com aqueles problemas, como se as escolhas e reflexões feitas por eles carregassem e dessem valor à história.
Particularmente, eu prefiro este segundo tipo de construção de personagem. Normalmente, crio os nomes, imagino eles fisicamente (mesmo que não venha a descrevê-los com detalhes no livro) e lhes dou uma determinada personalidade. Porém, isso tudo é bem tênue. Gosto exatamente dos livros que fazem com que os personagens se modifiquem, para melhor ou para pior, de modo a instigar o leitor, a fazê-lo refletir junto com a história que vai se construindo. Neste tipo de criação, tento me imaginar mesmo no lugar dos personagens e pensar da mesma maneira que eles pensariam, tento resolver as situações do mesmo modo que eles resolveriam; e isso, geralmente, faz com que a história tome rumos que, inicialmente, não tinham sido por mim previstos.
Aconteceu algo assim quando escrevi O Código dos Cavaleiros. Tracei uma descrição rápida dos quatro personagens principais e de suas características físicas e psicológicas mais importantes. No decorrer do livro, embora estas características base tenham permanecido, cada um deles passou por grandes mudanças de pensamento. É quase como se a obra, além dos tons cômicos, da sátira e da aventura, falasse também sobre o amadurecimento de cada um dos personagens.
Todavia, como disse anteriormente, este é só um modo de trabalhar - há outras formas de lidar com este tipo de criação. Agora, mesmo nos casos em que é a história, a trama, que dá o tom do livro, criar personagens com grande profundidade é extremamente importante. Afinal, mesmo que não sejam eles os responsáveis por puxar as sequências narrativas, serão eles os responsáveis por conquistar o leitor. Mesmo num romance policial, por melhor que seja a trama, se não tivermos personagens realmente atrativos, o leitor acabará se chateando e se sentindo desestimulado a continuar lendo.
Enfim, o texto já está bem grande, acho que já deu para passar algumas das coisas que penso sobre o assunto. Mas gostaria de fazer um convite a todos os escritores e blogueiros que acompanham o Na Ponta dos Lápis:
Escrevam sobre suas experiências em criação de personagens e enviem o link das postagens para mim por twitter (@leoschabbach). Assim, daqui a alguns dias, crio um post aqui apenas para divulgar bons artigos sobre este assunto.
Espero que tenham gostado das minhas opiniões e que decidam aderir à campanha!

























