Após algum tempo sem postar periodicamente no blog, creio que agora posso voltar, com algumas coisas já mais encaminhadas, a escrever por aqui com a constância com a qual os leitores já estavam acostumados. Desta vez, aproveito para falar sobre um assunto sobre o qual venho pensando muito, até por causa da abertura da minha editora.
Recentemente, foi divulgada uma pesquisa anual da
ANL, Associação Nacional de Livrarias, sobre a situação das livrarias no país (infelizmente não estou encontrando o link para o PDF que contém os resultados). A pesquisa em questão traz números muito interessantes no que se refere às pequenas livrarias, mostrando que, apesar de a maioria ter um faturamento médio de 300 mil, este faturamento paga por muito pouco os custos de manutenção e compras de livro, o que pode provocar o fechamento de muitos destes estabelecimentos. Na contramão deste processo, estão as grandes redes livreiras, especialmente as megastores, que têm alcançado lucros milionários todos os anos.
Quando estava com estes assuntos na cabeça, ainda li um artigo muito interessante no blog Livros, Livrarias e Livreiros sobre
O início do fim das pequenas livrarias. E de fato este me parece ser o caminho que o mercado livreiro, infelizmente, começa a tomar. Embora ainda haja nichos a serem explorados pelas livrarias independentes - o que inclui a própria internet, pouco usada atualmente - a situação fica cada vez mais difícil para elas. Se uma pequena livraria não estiver em uma localidade onde o mercado de rua, de lojas de rua, seja muito forte e um hábito para a população, dificilmente ela irá conseguir sobreviver sem dificuldades, ainda mais se se encontrar próxima a um Shopping Center, onde provavelmente haverá uma ou mais lojas de grandes redes livreiras. Ao que parece, maioria das pessoas, por uma questão talvez de preço e comodidade, tem comprado seus livros nestes locais.
Então, fiquei com esta questão, que é de fato muito importante. Estaríamos mesmo vendo o início do fim das pequenas livrarias? Como poderíamos mudar essa situação?
Depois, ainda me veio uma outra pergunta. Se as grandes redes livreiras ganham cada vez mais força e dominam, de forma cada vez mais imponente, o mercado de livros, o que acontecerá com a distribuição?
Esta me parece uma questão realmente muito delicada, algo que requere muita reflexão, especialmente por quem trabalha com o livro. Ainda não sei ao certo como me posicionar, mas tenho algumas idéias. Certamente, com a redução do número de pequenas livrarias, será ainda mais difícil para uma pequena editora, por exemplo, dar uma boa visibilidade nas lojas para seus títulos, afinal, a concorrência por espaços nas estantes ficará ainda mais acirrada. Talvez isso faça com que estas editoras dependam ainda mais de uma boa relação com distribuidores fortes, que consigam colocar as obras nas principais livrarias do país. Porém, há também, ao meu ver, uma segunda possibilidade, que pode inclusive diminuir a relação distribuidora/editora. Afinal, se houver a necessidade de se negociar apenas com 4 ou 5 redes livreiras para que se coloque um título nas estantes, exatamente pelo fato de que a fragmentação é menor, é mais fácil para uma pequena editora lidar diretamente com todos os seus clientes. Isso significa dizer que elas podem tentar uma negociação direta com as grandes redes. Entretanto, esta não é uma tarefa fácil, uma vez que normalmente este tipo de negociação só ocorre com as editoras de grande porte.
Enfim, como eu disse, é uma questão delicada, mas se uma pequena editora for capaz de traçar algumas estratégias interessantes de divulgação de seus livros, o que pode incluir custos com marketing, algo que normalmente não é valorizado, o que é um erro, pode ser que a negociação direta com as grandes redes seja possível, o que pode também facilitar a divulgação e vendagem dos novos títulos.
Ou seja, num mercado cada vez mais acirrado, parece-me que será cada vez mais necessário criar meios para que uma obra ganhe seu devido destaque, para que ela possa, quem sabe, ter pelo menos uma pequena chance de lutar por um espaço nas vitrines.
Nota: um dos leitores do blog me passou um artigo bem interessante, falando um pouco de marketing literário. Vale conferir:
Evangelismo Literário.