O Legado dos Dragões [E-book gratuito]

Acompanhe esta história épica de aventura fantástica, no estilo "O Senhor dos Anéis". Baixe aqui o livro gratuitamente e participe deste universo em construção!

Leia Mais

[Resenha e Indicação] O Nome do Vento e Patrick Rothfuss

Hoje falo sobre um dos melhores livros de literatura fantástica que já li (senão o melhor). Coloco, inclusive, a resenha marcada como livros de cabeceira, pois de fato trata-se de uma obra incrível...

Leia Mais

[A Sociedade da Rosa] Boa Vizinhança

Acompanhe essa série de mistérios, com um certo ar de romance policial, aventuras e ação. Descubra também tudo sobre esta estranha sociedade secreta

Leia Mais



1

No Interior da Baleia (Contos de Carlos Drummond de Andrade)

em 30/09/2010.
| Comentários: (1)
Como minha última postagem falou sobre os conectores na hora de se produzir uma boa narrativa (ou melhor, o cuidado que devemos ter ao usá-los - leia: O perigo dos conectores), decidi colocar mais um conto de Carlos Drummond de Andrade no blog para o pessoal acompanhar. Acho que a linguagem simples mostrará bem as coisas de que falei no meu último texto. Além disso, é exatamente o tipo de conto que eu gosto: surpreendente e apelando um pouco para o absurdo, sempre com bons toques de humor. Acho que vocês irão gostar!

Nota: a obra foi retirada do livro Contos Plausíveis (se quiser saber mais sobe a obra, clique aqui)


No Interior da Baleia

Havendo a lei de Moisés autorizado que se comessem, dentre os animais habitantes das águas, aqueles providos de barbatanas, o pobre pescador, ao divisar uma baleia, dispôs-se a ingeri-la. Guardaria em seu casebre o que sobrasse da refeição, e devia ser muito, para ulterior aproveitamento.

A baleia, aparentando ser de boa índole, mostrou-se disposta a satisfazê-lo, mediante contrato. Ela também sentia fome, e por isso começaria comendo o pescador, que, já no seu ventre, a iria comendo pouco a pouco. A proposta foi aceita, e o animal, atenciosamente, evitou mastigar a carne do contratante, que por sua vez prometeu ser gentil na manducação interna.

O ventre da baleia era tenebroso, atravancado de volumes que incomodavam o pescador. Eram formas que se moviam, e ele distinguiu entre elas seres vivos, homens e peixes ansiosos por libertação. Estavam todos reduzidos a cativeiro, por haverem prestado fé à palavra da baleia. O pescador percebeu que devia incorporar-se ao grupo na tentativa de buscar o caminho de saída, fosse ele qual fosse. Mas os que estavam lá dentro havia muito tempo, declarando-se sem forças para agir, acharam de bom aviso devorar o pescador, para que melhor enfrentassem a situação. O que foi feito, apesar de seus protestos.
Leia Mais...
26

Técnicas narrativas: o perigo dos conectores

em 27/09/2010.
| Comentários: (26)
Hoje decidi escrever um pouco sobre os conectores. Creio que todos nós, que lidamos com a escrita, seja lendo ou escrevendo, já ouvimos falar muito deles, mesmo que apenas na época de redações do vestibular. Acontece que, uma das primeiras coisas que nos dizem, é que nas narrativas nós devemos utilizar os conectores, que eles dão unidade ao texto e às frases, que eles são responsáveis pela passagem do tempo e etc...

Eu, porém, tenho um sério problema com conectores. É uma questão bem simples: eu não gosto deles. Os melhores textos são sempre aqueles que não possuem essa conexões artificiais para dar continuidade às frases. Esta é minha opinião pessoal, nem todos precisam concordar, mas realmente me incomoda quando leio um texto em que o tempo inteiro apareça este tipo de conexão. É como se a fluidez da narrativa fosse interrompida, dá um ar de didaticidade muito grande, como se o leitor não pudesse pular etapas lógicas e precisasse o tempo inteiro do autor, que passa a exercer, portanto, um papel de "guia".

Novamente, ressalto que esta é uma opinião pessoal, mas tive vontade de a dividir com os leitores do blog e de mostrar mais concretamente do que estou falando, quem sabe as pessoas passam a concordar comigo. Quem sabe também não coloquem novas questões. Também é necessário lembrar que falo de um tipo específico de "conectores", não de todos; falo daqueles que muitos de nós acabamos utilizando como "apoio", quando deveríamos pensar com mais cuidado nas frases e na relação entre elas.

Vamos a um exemplo simples - talvez ele seja insuficiente, já que posso ter exagerado no número de conectores, mas é só para ilustrar como o corte deles pode tornar o texto muito mais interessante e, na minha opinião, bem escrito.


Valéria estava sozinha em casa, pois sua mãe acabara de sair. Nestes momentos, ela sentia muito medo, como se algo ruim estivesse para acontecer. Desde que tinham se mudado para aquele lugar, era assim, uma sombra parecia observá-la pelos cantos.


Poderíamos modificar o texto para cortar alguns conectores (nem sempre é possível cortar todos); deste modo, além de o texto ficar com uma leitura mais agradável, muitas vezes somos forçados a aprofundar mais nossas informações, tornando a cena ou a personagem mais atraente.


Valéria estava sozinha em casa, sua mãe acabara de sair. Ela odiava quando a deixavam só; sentia medo, como se algo ruim estivesse para acontecer. Desde que tinham se mudado para aquele lugar, era assim, uma sombra parecia observá-la pelos cantos.


Veja como a segunda opção é muito mais interessante - e observe também como o porque e o pois, na maioria dos casos, são dispensáveis. Claro que, naturalmente, não falo aqui dos conectores que remetem à ação, esses são até mais difíceis de serem cortados, ou aos que indicam contradição (como o Mas, Entretanto e por aí vai), mas falo dessas espécies de "conectores bengala" que utilizamos para dar coesão ao texto quando uma solução melhor não nos vem à cabeça. Geralmente é em situações assim que recorremos ao Por este motivo, Neste momento, Dessa forma, Assim sendo e algumas outras variações com um maior número de palavras (normalmente puxadas pelo Enquanto...). Como falei, é uma observação minha, pessoal, mas geralmente essa conexão, ao meu ver, forçada, acaba deixando o texto muito didático e diminui consideravelmente seu potencial dramático (no sentido de causar efeito, mesmo que de comédia).

Sei que talvez devesse me aprofundar mais nesta questão, mas queria colocá-la no blog apenas superficialmente para ver o que o pessoal acha. Eu sinceramente penso que se nós, autores, estivermos atentos a estes "conectores" que nos servem apenas como suporte em momentos difíceis, seremos capazes de produzir narrativas com uma qualidade muito maior. Eu mesmo, sempre que reviso meus textos literários, procuro reduzir ao extremo o uso de tais elementos de conexão. E, devo admitir, sempre que faço uma mudança, noto que a narração daquela determinada parte modificada passa a ter uma qualidade muito maior.

Um jeito de reduzir bem o número de conectores é utilizar um técnica que eu já apresentei aqui no blog. Se quiserem conferir, basta clicar aqui.
Leia Mais...
5

A pausa e o percurso - por Luis Narval

em 22/09/2010.
| Comentários: (5)
Trago um outro conto aqui que me foi enviado por e-mail por um dos leitores do blog. Gostei do ritmo narrativo, das palavras escolhidas na narração. Creio que o conto, apesar de não conter muita ação, traz um tipo de narrativa interessante, com um pulso interessante, quase como uma conversa entre leitor e narrador. O final acaba esclarecendo o conto e traz, como na maioria dos pequenos textos, alguma surpresa. Enfim, achei interessante.

Além disso, o autor lançou também um livro com os seus textos. Este, inclusive, faz parte da obra, que se chama A Mansão da Rue Lafayette (saiba mais sobre o livro aqui). No caso, o autor me passou somente a capa, o conto e falou sobre o livro, mas não sei exatamente onde comprá-lo. Como sei que algum leitor do blog pode ficar interessado, entrarei em contato com o Luis Narval por e-mail para obter mais informações. Bom, agora, segue o conto.


A pausa e o percurso

Fazia um tempo abafado. Mesmo assim, um vento inesperado, que não aliviava em nada a opressiva sensação de calor, deslizava pelas sinuosidades da noite, como que a procura de planícies amplas, de céus abertos, de uma convergência que a face multifacetada do concreto, que a convulsa simetria da fachada urbana lhe negava. Estrépitos, vociferações, gargalhadas; sons aparentemente desordenados preenchiam de rumores os passadiços, as calçadas, as avenidas, os estabelecimentos comerciais.

Uma multidão que a pressa animava conduzia-se rumo a seus afazeres e preocupações com espantosa diligência, como encarregada fosse, dir-se-ia, de prestar informes urgentes acerca de questões capitais, nas quais estaria em jogo nada mais nada menos que a vida e a morte. “É sempre assim”, refletia um homem alto, jovem, de boa aparência, elegantemente trajado, que cortava como uma barbatana de tubarão o mar encapelado. “É sempre assim. Em meio à multidão, o indivíduo isolado atribui a si mesmo uma importância extraordinária; e talvez não de todo absurda. Pois que espetáculo oferece a turba! Oh, esse pobre-diabo arrastando os trastes numa mala; com certeza não tem onde dormir esta noite; contudo, vejam que ar insolente, que autossuficiência magnífica exalam essas fuças de asno! E essa garota à minha frente, com seu traseiro e peitos pontiagudos; subjugando pela sensualidade o que sua ciência e candura não alcançam cativar; mas reparem que arrogância, que desprendimento lhe empresta a atmosfera encantatória da massa anônima! Esse sujeito que lá vai, gingando os quadris estreitos, compenetrado de sua esperteza. Provavelmente um inseto, sem mais iniciativa que uma pedra. E essa velhota... Mas oh, basta! Sinto que poderia continuar para sempre. O espírito humano revela-se pródigo quando se trata de enumerar equívocos. No entanto, como tudo isso me parece medonhamente estúpido!”

O homem que se entretinha com essas singulares e ácidas observações, não obstante o fato de se concentrar na pessoa variegada que a multidão compunha, era presa de terríveis pensamentos e sombrias deliberações, que nada tinham a ver com o colorido patético e divertido, ingenuamente coquete, ostentado pelas multidões em suas frivolidades coletivas.

Ele sabia, com clarividente certeza, que se arrependeria pelo resto de seus dias da resolução que acabara de tomar. Entretanto, após indizíveis tormentos, aflições e mesmo horrores de uma encarniçada luta interior, que o levara ao desespero e quase a loucura, parecera-lhe providencial e maravilhosamente reconfortante a trégua que afinal adviera de sua decisão.

Era breve a paz, não o ignorava. Sabia-se suspenso por um fio invisível sobre um turbilhão disforme e inapelavelmente caótico, que fatalmente o engolfaria no minuto exato em que executasse seu projeto; postergá-lo, porém, estava fora de questão.

Parecera-lhe, a princípio, estupidez submeter deliberadamente a cadeias futuras sua vontade e energia – sua liberdade, por força de uma ação tresloucada no presente. Ciente, todavia, dos acidentes que pontuam a malha rota com a qual se trama a existência de um homem. Sabedor de que é a pausa, não a duração do percurso que o homem persegue. Consciente da duração como prerrogativa da pausa, não hesitou mais que um segundo em se arrojar no abismo...



A recepcionista – uma solteirona azeda – saudou-o com um sorriso significativo, e com passo rabugento se afastou, pensando maldosamente na figura desdenhosa e artificial do novo vigia noturno. Um bon vivant, forçado pela falência a trabalhar.
Leia Mais...
6

As pequenas livrarias estão morrendo? Como isso afetaria a relação entre editoras, distribuidoras e livrarias?

em 20/09/2010.
| Comentários: (6)
Após algum tempo sem postar periodicamente no blog, creio que agora posso voltar, com algumas coisas já mais encaminhadas, a escrever por aqui com a constância com a qual os leitores já estavam acostumados. Desta vez, aproveito para falar sobre um assunto sobre o qual venho pensando muito, até por causa da abertura da minha editora.

Recentemente, foi divulgada uma pesquisa anual da ANL, Associação Nacional de Livrarias, sobre a situação das livrarias no país (infelizmente não estou encontrando o link para o PDF que contém os resultados). A pesquisa em questão traz números muito interessantes no que se refere às pequenas livrarias, mostrando que, apesar de a maioria ter um faturamento médio de 300 mil, este faturamento paga por muito pouco os custos de manutenção e compras de livro, o que pode provocar o fechamento de muitos destes estabelecimentos. Na contramão deste processo, estão as grandes redes livreiras, especialmente as megastores, que têm alcançado lucros milionários todos os anos.

Quando estava com estes assuntos na cabeça, ainda li um artigo muito interessante no blog Livros, Livrarias e Livreiros sobre O início do fim das pequenas livrarias. E de fato este me parece ser o caminho que o mercado livreiro, infelizmente, começa a tomar. Embora ainda haja nichos a serem explorados pelas livrarias independentes - o que inclui a própria internet, pouco usada atualmente - a situação fica cada vez mais difícil para elas. Se uma pequena livraria não estiver em uma localidade onde o mercado de rua, de lojas de rua, seja muito forte e um hábito para a população, dificilmente ela irá conseguir sobreviver sem dificuldades, ainda mais se se encontrar próxima a um Shopping Center, onde provavelmente haverá uma ou mais lojas de grandes redes livreiras. Ao que parece, maioria das pessoas, por uma questão talvez de preço e comodidade, tem comprado seus livros nestes locais.

Então, fiquei com esta questão, que é de fato muito importante. Estaríamos mesmo vendo o início do fim das pequenas livrarias? Como poderíamos mudar essa situação?

Depois, ainda me veio uma outra pergunta. Se as grandes redes livreiras ganham cada vez mais força e dominam, de forma cada vez mais imponente, o mercado de livros, o que acontecerá com a distribuição?

Esta me parece uma questão realmente muito delicada, algo que requere muita reflexão, especialmente por quem trabalha com o livro. Ainda não sei ao certo como me posicionar, mas tenho algumas idéias. Certamente, com a redução do número de pequenas livrarias, será ainda mais difícil para uma pequena editora, por exemplo, dar uma boa visibilidade nas lojas para seus títulos, afinal, a concorrência por espaços nas estantes ficará ainda mais acirrada. Talvez isso faça com que estas editoras dependam ainda mais de uma boa relação com distribuidores fortes, que consigam colocar as obras nas principais livrarias do país. Porém, há também, ao meu ver, uma segunda possibilidade, que pode inclusive diminuir a relação distribuidora/editora. Afinal, se houver a necessidade de se negociar apenas com 4 ou 5 redes livreiras para que se coloque um título nas estantes, exatamente pelo fato de que a fragmentação é menor, é mais fácil para uma pequena editora lidar diretamente com todos os seus clientes. Isso significa dizer que elas podem tentar uma negociação direta com as grandes redes. Entretanto, esta não é uma tarefa fácil, uma vez que normalmente este tipo de negociação só ocorre com as editoras de grande porte.

Enfim, como eu disse, é uma questão delicada, mas se uma pequena editora for capaz de traçar algumas estratégias interessantes de divulgação de seus livros, o que pode incluir custos com marketing, algo que normalmente não é valorizado, o que é um erro, pode ser que a negociação direta com as grandes redes seja possível, o que pode também facilitar a divulgação e vendagem dos novos títulos.

Ou seja, num mercado cada vez mais acirrado, parece-me que será cada vez mais necessário criar meios para que uma obra ganhe seu devido destaque, para que ela possa, quem sabe, ter pelo menos uma pequena chance de lutar por um espaço nas vitrines.


Nota: um dos leitores do blog me passou um artigo bem interessante, falando um pouco de marketing literário. Vale conferir: Evangelismo Literário.
Leia Mais...
3

Motivos para a redução do número de postagens nos últimos dias

em 13/09/2010.
| Comentários: (3)
Olá, leitores do blog. Criei esse post para dar, de alguma forma, uma justificativa ao pessoal que acompanha o Na Ponta dos Lápis. Nas últimas semanas, tenho postado com muito menos constância e, por isso, decidi não só avisar que continuarei a colocar por aqui informações, textos e etc... como também explicar os motivos de ter reduzido o número de postagens.

Além de todo o trabalho que já venho tendo com a editora, nestas últimas semanas somaram-se mais algumas ocupações de caráter mais pessoal: o meu exame de qualificação do mestrado e também uma prova de doutorado. Por estes motivos, somando-se todas as obrigações, ficou difícil de dar continuidade às postagens constantes por aqui. Agora, com tudo um pouco mais resolvido, mas ainda assim com muitas obrigações, pretendo levar algumas idéias para o blog em frente. Tenho alguns autores brasileiros novos que quero entrevistar e alguns artigos que quero escrever. Prometo que, nos próximos dias, tentarei começar a pôr em prática essas idéias.


Enfim, é isso. Achei que devia dar alguma satisfação!
Leia Mais...
1

Alguns poemas de Gonçalo M. Tavares

em 06/09/2010.
| Comentários: (1)
Não escondo de ninguém que Gonçalo M. Tavares é um dos meus autores preveridos. Além de ser um contista excepcional, também é poeta e romancista. Pelo blog, já fiz algumas postagens sobre ele - a mais completa se encontra aqui (se tiverem curiosidade de saber mais sobre o autor). Hoje, decidi colocar alguns poemas dele no blog, para que os leitores possam conhecer também o seu trabalho como poeta. É um estilo bem diferente de se fazer poesia, pelo menos eu acho, com versos bem livres e com uma qualidade quase narrativa às obras. Entretanto, como sempre, Gonçalo nos faz refletir muito sobre as coisas e a vida, o que para mim o torna um dos maiores escritores dessas épocas - quem sabe venha a ser um dos maiores de todos os tempos. Trata-se de um livro publicado pela Bertrand Brasil (de título 1).

Seguem dois poemas para apreciação:


O escritor

É um escritor ou então a mulher partiu com outro,
e o corpo não recuperou a vontade
de se preocupar com a roupa.
Espontâneo, vê-se; tudo o que traz vestido
apareceu-lhe à frente como numa colisão.
No entanto é discreto.
Tem a idade em que já não se desejam os olhares dos outros.
Branco, o cabelo transmite paz e
uma pequena desistência.
Tem cachimbo, óculos,
na mesa revistas francesas sobre a alma e os laboratórios que a
estudam;
pega numa folha e começa a escrever.
Tem ar sóbrio, o corpo não dança,
vê-se que há muito venceu o medo de não ser igual aos outros.
Escreve; passa a mão sobre a orelha.
É um escritor, em definitivo.
A luta não é com a solidão, vê-se que sabe usá-la,
percebe a sua natureza.


O Viúvo

Tem o tempo todo.
Perdeu-o, os dias de desejo, para o trabalho
e para outros assuntos,
e agora que o tem por inteiro caminha muito lento
e quando olha em redor procura olhos
que se lembrem dos seus antigos momentos de pressa.
Tem tempo. Caminha lentamente.
Antes a ambição fazia-o levantar-se,
agora, quase se podia jurar, ser o cachimbo que o mantém de pé,
agarrado ao ar como a nada.
Passa perto e olha para mim; acena a cabeça.
Servem-lhe os dias, pelo menos, para ser educado.
É velho. Atravessa, muito lento, o tempo e a terra,
e vai dizendo adeus às pessoas,
como se exercesse o privilégio de se despedir dos amigos
no seu próprio funeral.
Leia Mais...
4

Sensações (Poema)

em 02/09/2010.
| Comentários: (4)
Este é um poema que eu não pretendia postar aqui. Ele fazia parte de alguns textos que eu estava guardando para colocar em um livro de poesias, que conteria poemas já colocados no blog e alguns "inéditos", digamos assim. Porém, com toda a correria da editora, mais o lançamento do Código dos Cavaleiros, acho que a idéia do livro de poesia terá de ser adiada. Por isso, coloco este poema aqui. Ele é um pouco diferente do que costumo fazer; segue uma linha um pouco mais livre e sensitiva também (o nome indica isso, não é mesmo?). Espero que o pessoal goste!


Sensações

[1]

A chuva,
como é bonita.
Caindo sobre a cidade,
como uma cortina,
simples e vertical.

Algum tempo depois, ela some
e deixa as memórias assentarem-se,
como sombras escondendo-se da luz.


[2]

A chuva cai fina sobre a pele.
Perfura,
gota a gota,
atravessando a espinha.

Tranqüilidade e presságio.

Calmaria.


[3]

O gole de água desce a garganta
seca
e hidrata as temerosas cordas
vocais
que falham em uma paralisia
contínua.

Ele é tímido
e ela olha.


[4]

Nas retinas,
eterniza-se a imagem

A respiração pesa no peito.

Ansiedade.


[5]

O abraço reconforta,
relaxa os músculos do corpo já castigados pelo cansaço;
esquenta.

Num abraço,
duas entregas.
E uma parceria.

Num abraço
o sentimento se cria.


[6]

Os lábios se tocam lentamente.
Tímidos.

Os corpos se aproximam, ainda rígidos,
até que se completam.

O beijo atiça a carne,
sensibiliza o toque.
Une as almas.

Eles notam.


[7]

A luz penetra tênue como um fio a cruzar a janela.
Tudo é penumbra,
mas nada é vazio.

A luz corta as sombras
e os corpos revela.

Nus.
entregues ao sono.
Satisfeitos.

Ele e ela.
Leia Mais...
 
Copyright© 2010 Na Ponta dos Lápis
Apoio: Literatura Fantástica
Tema original "Solitude" Modificado por Mundo Blogger