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Entrevista com Fernanda França: os obstáculos para novos autores, criação literária e mais...

em 25/10/2010.
| Comentários: (10)
Sempre que posso, gosto de trazer algumas entrevistas interessantes ao blog; sei também que é um tema que agrada os leitores do Na Ponta dos Lápis. Portanto, gosto muito de entrevistar novos autores para mostrar as dificuldades pelas quais eles passam, quais os seus processos criativos e etc... Hoje, trago uma entrevista com a Fernanda França (@fernandafranca), uma das idealizadoras do grupo Novas Letras (@novasletras) - já falei sobre esse projeto aqui, que é muito interessante, na postagem Novos autores conquistam espaço no mercado editorial.

Achei interessante fazer a entrevista por tudo o que ela alcançou nos últimos meses. O seu livro, Nove Minutos com Blanda, lançado pela Editora Multifoco, foi muito bem recebido pelo público e muito bem divulgado, algo que teve haver com um grande esforço feito pela autora. Ela conseguiu que o livro ganhasse seu espaço na Saraiva, algo bem complicado para um novo autor, assim como, junto com o projeto Novas Letras, tem participado de eventos - que ocorrem nas lojas da rede livreira - em que diversos autores entram em contato com seus leitores e falam sobre diversos temas literários (veja uma postagem sobre um dos eventos aqui). Como se isso não bastasse, a autora ainda conseguiu colocar seu livro em 3 estandes diferentes da última Bienal de São Paulo, tema que será tratado na entrevista.

Enfim, creio que o conteúdo do que virá logo abaixo irá interessar muito aos leitores do blog - sejam eles autores ou não - não só por falar um pouco mais da realidade do novo escritor, como também por mostrar um pouco da relação da autora com seus livros, com a criação literária e com suas personagens. Espero que gostem.

Nota: Quem estiver interessado no livro, pode comprá-lo pela Saraiva ou no site da autora. Uma crítica sobre a obra pode ser lida aqui.


Por que resolveu se tornar uma escritora? Foi uma questão de necessidade? Começou a escrever desde cedo? Enfim, fale um pouco sobre sua história.

R: Olá, leitores! É sempre um prazer “falar” com vocês :o) Bom, comecei a escrever desde cedo, sim. Aos quatro anos eu era apaixonada pelas histórias da Turma da Mônica, do Mauricio de Sousa (ainda sou!) e aos seis anos escrevi meu primeiro poema. Não me lembro exatamente quando escrevi a primeira historinha, mas eu devia ter 9 ou 10 anos. Com 17, no primeiro ano de faculdade de Jornalismo, escrevi o primeiro conto que mantém o estilo que tenho até hoje (quem quiser ler alguns de meus contos, estão aqui: http://fernandafranca.com.br/contos/) . Escrever foi uma necessidade da alma, eu diria, não de trabalho, porque sou formada em Jornalismo e trabalhei por 12 anos como repórter, desde a faculdade. Mas escrever histórias sempre foi minha vida.


Fale um pouco sobre sua experiência como uma nova escritora em um mercado que, como muitos dizem, é muito fechado para os novos talentos.

R: Acredito que o mercado ainda é fechado no Brasil por diversos motivos. Em primeiro lugar, a questão é social, de educação ruim e falta de incentivo à leitura. Temos poucos leitores em um país tão grande! E em segundo lugar, o que é triste, é que os leitores ainda têm preconceito com a literatura nacional. Felizmente, vejo que esse quadro tem mudado e atribuo grande parte da conquista aos blogs literários. O mercado é fechado para autores nacionais, principalmente. Mas acredito que a força dos leitores pode ajudar a mudar essa situação e ainda veremos livros nacionais com maior destaque nas livrarias. Eu quero ver essa mudança!


Como foi a experiência deste primeiro livro? Fale um pouco dele. Como foi a recepção do público?

R: Eu estou muito feliz com a recepção da comédia romântica Nove Minutos com Blanda. O livro foi escrito de 2006 a 2008, nas horas vagas, já que eu trabalhava em um jornal. Em 2009 procurei editora, bati na porta mesmo, e em janeiro de 2010 o livro foi lançado pela Multifoco. Adoro ter contato com o público, saber o que querem ler, do que gostam, o que esperam. E passei a conhecer os leitores do meu livro. É uma grande alegria!


Podemos dizer que este seu primeiro livro, "Nove Minutos com Blanda", foi um sucesso, especialmente se contarmos as dificuldades encontradas por novos autores. Sei que você, inclusive, esteve na Bienal de São Paulo deste ano. Como foi a experiência? Como você conseguiu faze parte do evento? Vendeu muitos exemplares?

R: Obrigada!!! Fico muito feliz quando vejo as pessoas falando de Nove Minutos com Blanda. Para participar da Bienal eu entrei em contato com todas as pessoas possíveis e imaginárias (risos) até receber o convite. Em princípio, eu ficaria apenas no estande da Scortecci, mas em seguida a Multifoco informou que teria um estande na Bienal e a Saraiva convidou para uma tarde de autógrafos no evento. Então Blanda estava em três estandes! Ainda não tenho a planilha de vendas da Bienal, mas as vendas superaram minhas expectativas! :o)


Além da Bienal, você também faz parte do projeto Novas Letras (sobre o qual já falei no blog), o que lhe permitiu rodar as Saraivas do Rio e de São Paulo em eventos muito interessantes, envolvendo muitos autores, algo também muito raro de se conseguir quando se está começando. Explique um pouco os ideais do projeto, fale de suas conquistas.

R: O grupo Novas Letras tem como objetivo divulgar a literatura nacional por meio de encontros com diferentes temas entre escritores e leitores. É uma alegria imensa participar desses eventos – já estive em três livrarias em São Paulo, uma no Rio e uma em Brasília – e estar em contato com os leitores. A conquista do grupo acontece quando percebemos que os leitores passam a ver a literatura nacional como uma grande opção. Somente quando os leitores passarem a pedir mais os livros nacionais, as editoras passarão a se interessar na publicação e as livrarias abrirão as portas para essas obras. Obrigada a todos que divulgam o Novas Letras!


Como foi a aproximação do projeto Novas Letras com a Saraiva?

R: Um projeto bem elaborado, por escrito, com uma reunião entre representantes da livraria e autores, além de muita batalha.


Agora vamos falar um pouco sobre criação literária. Fale um pouco de seus processos de criação. Para você, qual a importância das personagens na história? Como você as cria? Normalmente, você já tem uma história em mente e as personagens apenas desempenham um papel ou são elas que constróem a história? Enfim, divida suas experiências conosco.

R: Como eu sempre comento, eu não crio personagens, eu as conheço (risos). Assim que surgem na história, cada personagem passa a escrever sua própria estrada e eu vou acompanhando e guiando. É um processo maravilhoso escrever. Geralmente eu tenho o início e o fim da história em mente, mas o “recheio” vem com a maturidade do livro.


Está trabalhando em algum novo livro?

R: Sim, uma nova comédia romântica. E é tão deliciosa que não vejo a hora de mostrar para vocês :o)


Que dicas você dá para os novos autores?

R: Nunca desistir. Ler muito. Ler muito muito muito. Ler mais ainda. Escrever é um processo de criatividade, mas de muita batalha, persistência e determinação. Gostar da língua portuguesa não é opcional, é essencial. E ler um pouquinho mais, para finalizar.

Site: www.fernandafranca.com.br
Blog: www.fernandafranca.com.br/blog
Twitter: www.twitter.com/fernandafranca
Skoob: www.skoob.com.br/livro/sobre/90431
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(Não) Tenho medo do escuro, por Igor Ventura

em 21/10/2010.
| Comentários: (3)
Volta e meia trago alguns textos de outros autores que me contactam por e-mail ou que eu conheço, que me mostram alguns textos, aqui para o blog. Este poema eu achei bem legal, é de um amigo meu, que inclusive já teve outras obras postadas por aqui (veja Sobre a Estrutura). Espero que gostem e deixem seus comentários para o autor!


(Não) Tenho medo do escuro
Por Igor Ventura

Amo a escuridão inerte
que vem logo me abraçar
seus braços
seus lábios
seu cheiro
seus medos
seus ares
meu lar.

Sua imobilidade me acalma,
me acolhe,
me aquieta.
Me cobre devagar,
me deixa leve,
me faz poeta.


Mergulhado,
nesse silêncio emprestado,
posso finalmente respirar.
Pois o peito é pesado,
me enlouquece,
nunca
para
de
gritar.
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Livros "bons" e livros "ruins"

em 18/10/2010.
| Comentários: (41)
Faz alguns dias tornei a ficar com esta questão na cabeça, a velha discussão entre o que é um livro "bom" e um livro "ruim". Queria ter exposto o que penso sobre isso já na semana passada, mas em função do feriado achei que pouca gente ia ler e decidi guardar o tema para esta semana. Novamente, aviso que se trata apenas de um texto com a minha opinião, e que a intenção é justamente que o pessoal participe da discussão e traga suas próprias idéias. Acho que isso é o que torna o blog mais legal, fazer com que todo mundo pense junto sobre literatura. Digo isso pelos comentários da postagem O perigo dos conectores, gostei mesmo da participação do pessoal.

Hoje, porém, a questão que coloco é outra. E não é um assunto dos mais fáceis, há muitas implicações por trás de qualquer afirmação que eu possa fazer. Afinal, quais critérios utilizaríamos para julgar um livro como bom? Isso nos leva a outros problemas. Há uma linha mais seguida pela crítica literária brasileira que, por exemplo, tende a não valorizar muito os livros de entretenimento. Se o livro tiver esse intuito, dificilmente será bem visto. Já outros grupos de pessoas têm posição radicalmente oposta, acreditam que o livro tem que entreter e apenas isso, não dão muita atenção a qualquer outros valores (estéticos ou ideológicos) presentes na obra.

Eu, como na maioria dos casos, prefiro ficar no meio do caminho - e felizmente uma boa parte da crítica literária tem começado a ter uma visão assim também. Não é necessário descartar um livro apenas por ele entreter, assim como não se deve super valorizar os livros com exageros estéticos. Particularmente, gosto demais dos livros de entretenimento, mesmo aqueles que não trazem grande reflexão. Por outro lado, há algo que eu não consigo ignorar: a qualidade do texto. Para mim o que define um bom livro de um ruim é justamente a qualidade do texto, embora, é claro, a história precise ser interessante. Claro que quando falo em qualidade aqui, não me refiro simplesmente ao acerto gramatical, mas à habilidade narrativa, ao texto que é capaz de contar uma história de um modo envolvente, reflexivo, enfim, de uma maneira que tenha um profundo valor literário.

Por que falo disso? Pois, embora eu defenda os livros de entretenimento, acho que somente o fato de eles cumprirem o papel de prender o leitor e diverti-lo não os fará ser, ao menos por mim, considerados bons livros. Além de uma boa trama, eu também irei querer uma boa narrativa, um pulso narrativo interessante, um jeito de narrar que tenha boa qualidade textual e bom valor literário. Vejo muitos livros voltados para o entretenimento que não tem essas qualidades, mas que são adorados por muita gente. Nesses casos, por mais que a obra faça sucesso, eu não teria medo de dizer: esse é um livro ruim.

Sei que não necessariamente todo mundo pensa assim, mas essa é mais ou menos minha linha de pensamento. Primeiro: defendo os livros de entretenimento. Segundo: não gosto de livros que exageram nas "acrobacias" estéticas. Terceiro: No fundo, tudo o que é necessário é uma boa história acompanhada de uma boa narrativa, simples assim.

Enfim, esta é a minha opinião. Talvez tenha sido um texto um pouco diferente do que costumo botar no blog, uma vez que foi mais opinativo do que dissertativo, mas acho que pode gerar uma discussão bem interessante. Se quiserem comentar (ou ainda melhor, para quem tem, postar sobre isso em seus blogs e colocar o link aqui), eu ficaria muito feliz.

Para quem acha o assunto interessante há duas postagens bem antigas em que falo de coisas parecidas, com mais ou menos as mesmas idéias: A nova geração literária e as "massas" e A crítica literária se divide. De que lado você fica?
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Poema - Memória

em 04/10/2010.
| Comentários: (4)
Segue um poeminha um pouco diferente do que costumo fazer. Ele foi criado com o intuito de fazer parte de um trabalho artístico bem legal, um projeto gráfico e de fotografia; o texto talvez fique como uma espécie de abertura para o projeto, não sei bem ao certo. Enfim, como se tratava de uma parceria entre gráfica e fotografia, tentei brincar um pouco com os vários usos da palavra Impressões e, claro, acrescentar um pouquinho aqui e ali de pensamento filosófico, como sempre gosto de fazer. Acho que o resultado foi interessante. Espero que vocês gostem! =)


Memória

Impressões,
imagens que construímos do mundo
Impressas
no papel
ou nas retinas,
como lembranças de um momento infinito.

Impressões,
lugar onde se concentram os olhares,
a história minuciosa dos detalhes,
fotografia colorida de emoções.
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Tema original "Solitude" Modificado por Mundo Blogger