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Como lidar com o bloqueio criativo?

em 27 de mai de 2011.

Bloqueio criativo. Essa talvez seja uma das expressões mais temidas pelos autores. Quem nunca passou por momentos em que colocar um frase sequer no papel parecia uma tarefa impossível? Que poeta nunca se viu sem saída em meio a uma estrofe ou na hora de completar uma rima? Enfim, todos passamos por estes momentos um tanto quanto frustrantes e que, infelizmente, às vezes duram por um período mais longo do que o que gostaríamos.

O motivo desta postagem é simples - até pelo fato de o Na Ponta dos Lápis ser um blog também pessoal. Faz algumas semanas eu me vi nas situações descritas acima. Como era difícil produzir qualquer coisa! E isto não se devia apenas a dias corridos, cheios de obrigações e problemas a resolver, mas também a uma falta de vontade e criatividade literária. É claro que, provavelmente, esta "ausência de inspiração" também deveria se dar por causa da correria; afinal, são processos interligados: se estamos cansados, exaustos, é difícil de escrever, pelo menos para alguns.

Eis que decidi, então, pensar um pouco sobre o que pode nos levar ao bloqueio criativo e como lidar com ele. Naturalmente, a postagem serve para que outros autores possam também acrescentar à discussão. Isso porque, uma das coisas que me pareceu clara é que, como em todo o processo criativo, cada pessoa possui suas próprias características de produção e, por isso, "trava" de maneiras diferentes.

Um exemplo claro é o que eu mesmo dei acima. Se preciso resolver muitos problemas, mexer com coisas não relacionadas à literatura, tenho muitas dificuldades em produzir. Às vezes, devo admitir, a criatividade vem em momentos em que sinto uma agonia que me impele à escrita - e já falei disso em alguns poemas. Mas eu, de uma maneira geral, produzo mais quando estou descansado, quando me sinto bem para me sentar e me deixar levar pelos caminhos da literatura.

No entanto, conheço muitos autores que vão por um caminho completamente diferente. Escrevem justamente quando não estão bem, quando precisam colocar no papel todas aqueles pensamentos e sensações que até mesmo a lógica é incapaz de descrever. Como já até falei em outras postagens, há um poema do Vinícius de Moraes que fala um pouco disso. Pretendo um dia comentá-lo por aqui.

O que pude concluir é que a questão do bloqueio criativo pode ser relacionada basicamente a duas situações. Em uma, escrevemos justamente para aliviar nossos anseios, nossas angústias e tristezas. Em outra, escrevemos quando estamos equilibrados, quando pensamos sobre o mundo e colocamos no papel nossas idéias e reflexões.

No primeiro cenário, um bloqueio criativo pode ser mais problemático, afinal, se estamos felizes, não queremos ficar angustiados para escrever, certo? Sinceramente, eu não saberia lidar com tal situação - talvez seja interessante escutar o que outros têm a dizer.

No segundo cenário, a solução me parece mais simples. Acho que é uma questão de se analisar as razões de haver um desequilíbrio mental e emocional e até mesmo colocar isso no papel. Talvez seja uma daquelas situações em que a já batida e pleonástica expressão "conheça a ti mesmo" "caia como uma luva". Somente dialogando com seus próprios problemas, entendendo eles com precisão, é que o autor poderá se colocar novamente em uma posição onde poderá criar em cima deles. Somente conhecendo a fundo suas próprias questões existenciais é que ele poderá exteriorizá-las, identificando-as como uma reação a determinada situação social ou apenas deixando-as explícitas, de modo a se conectar com leitores e escritores que se encontrem na mesma situação. Nestes casos, creio eu, é através do auto-conhecimento que vem a reflexão e, logicamente, também a criação. Através do equilíbrio é que o autor poderá escrever a sua história.

16 Comentários:

M.F.

Muito interessante esse post. Engraçado que eu também estou passando por um bloqueio, o mais longo que eu já tive (6 meses sem escrever). Só agora é que ando voltando aos pouquinhos. Mas meu caso é mais o primeiro mesmo. Quando minha vida está toda certinha, com tudo no lugar e correndo direitinho, é muito mais difícil eu conseguir escrever. Prefiro as horas mais tensas. Agora, com correria também não dá. Se tiver com mts preocupações de cotidiano espetando a cabeça - como eu andava atualmente - aí fica quase impossível. Não consigo me desligar e entrar naquele "estado de espírito" que é necessário pra escrita.

O grande problema é esse dilema que você citou mesmo... Quando tô com a minha vida equilibrada e correndo bem, não quero trocar isso por complicações e derivados. Mas enquanto eu estiver nessa calmaria posso jogar minha caneta fora porque nenhuma palavra vai vir pra mim. Ou seja... O que escolher? A felicidade ou a escrita? rs. O ideal seria aprender a "puxar" as palavras mesmo nas circunstâncias menos favoráveis à inspiração, né, mas a gente sabe que não é tão simples assim. Enfim... Faz parte. O bom é que uma hora passa, isso é certo.

Isie Fernandes

Amei a postagem, Leo. Por mais que a gente converse sobre o assunto, realmente, sempre surgirão casos diferentes. Ao contrário de você, eu produzo absurdamente quando estou muito atarefada. Acredito que, nesses momentos, a escrita seja mesmo um doce escape, pois tenho uma forte tendência inconsciente a fugir, desviar a atenção do foco do problema - por incrível que pareça, essa compensação me ajuda a manter o equilíbrio.

Quanto ao estado de espírito, quando melancólica, escrevo textos mais marcantes, críticos e emotivos; quando feliz, escrevo coisas divertidas e cheias de detalhes. Então, pra mim, tanto faz como estou se vou escrever a esmo. Geralmente, o bloqueio criativo me encontra quando estou cansada ou preciso produzir algo "encomendado". Essa semana, tive uma dessas angustiantes experiências, parei num ponto do texto em que parecia impossível de continuar. Então, pulei o trecho e segui como se já tivesse escrito a parte problemática, depois retornei e completei a cena que tinha pulado. Confesso que esse é o meu mais eficaz modo de driblar o retado do branco.

;)

Anônimo

O processo criativo se parece com a preparação da terra para fazer um jardim. Há momentos em que a terra está limpa, revolve-la e arejá-la é tarefa árdua, lançar as sementes, vê-las brotar na força de sua fragilidade, crescer e finalmente florir. Retirar as pragas, regar,adubar.Para que haja flor há muito que fazer que aparentemente não lhe diz respeito.Mas quando criar é um compromisso de vida, estamos sempre em processo de trabalho,cumprindo outras etapas, ainda que em meio à brutalidade das burocracias cotidianas. Tudo que não se parece com a flor sedimenta o terreno para que ela brote em cor, aroma e forma:um conto, um poema, um desenho, um som, um gesto.

Ricardo Costac

Muito boa matéria. Meu bloqueio criativo se dá quando estou cansado ou afundado em trabalho, o que quase sempre acontece ao mesmo tempo. Para "reavivar" meu processe criativo costumo ouvir músicas de relaxamento, new age ou algo semelhante. Talvez seja porque só consigo produzir histórias do gênero Fantasia e Ficção Científica. Portanto, ouvir certos tipos de música são, quase sempre, um bálsamo para começar a escrever e não parar mais.

Leonardo Schabbach

Gente. Muito legais os comentários. Acho muito bom a gente poder trocar experiências, de como cada um enfrenta a situação do bloqueio criativo. Posso dizer que os comentários me trouxeram várias outras idéias já.

Bem legal.

marcos nunes

Todo meu bloqueio criativo baseia-se em apenas uma circunstância: para que escrever se ninguém vai ler (às exceções de praxe)? Escrever é divertido, mas não basta ao autor escrever para si mesmo mais meia dúzia de amigos e patentes. A recepção do leitor desconhecido é essencial, bem como a intenção nada secreta de, com seu livro, o autor, se inserir no processo de transformação das consciências e da cultura, ajudando a formar o imaginário coletivo, mesmo porque seu trabalho é recriá-lo atravessando-o com sua imaginação pessoal.

Então é assim: tenho dezenas de ideias para contos e romances, às vezes poemas, mas nem começo a trabalhá-las. Fico esperando que caiam do céu milhares de leitores que justifiquem o trabalho. Com um detalhe: o fato de não ter conseguido leitores depois de algumas gestões nesse sentido talvez indiquem, afinal, a falta de um talento mais atraente ou persuasivo, e que seja melhor envidar esforços noutros sentidos. Isso vale para mim e para muitos outros, é claro.

Anônimo

Olha, que infelicidade. Eu me sinto muito mal as vezes, quando sei que estou feliz e por isso, não escrevo. É no momento de angústia que saem os melhores textos, pois, pelo menos pra mim, o sentimento da dor é, por vezes, mais forte que a da alegria.
Quando está tudo bem, já está tudo bem. Não tem pra quê tentar resolver um problema interno (exemplo de minhas próprias criações) para escrever.
Vejo um exemplo claro, brilhante e ao mesmo tempo melancólico. Frida Kahlo, embora não seja escritora, só pintava em seus piores momentos, e as peças saiam cada vez mais intensas (não necessariamente belas, mas, incríveis)... E por isso, ela sempre piorava.
Eu só pretendo não entrar no mundo da desgraça para me tornar uma profissional brilhante. Por ora, prefiro somente manter-me uma escritora nas tristes horas vagas.
Abçs da Gisela!!

Leonardo Schabbach

Legal, Gisela. Muito bom saber do seu processo ^^

E Marcos, a sua descrição me fez pensar um bocado. Claro que tem um certo pessimismo incluso, hehe, mas me fez realmente pensar. A questão de escrever visando ter um público (não necessariamente escrever para um público, o que poderia podar a criação, mas querendo realmente modificar consciências) parece mesmo interessante, pelo menos eu me identifico muito com ela. Talvez por isso me esforce tanto para continuar postando aqui no blog, hehe.

Agora, não sei se você, especificamente, deveria abdicar de escrever só por ainda não ter um público, ou achar que não tem um. Não sei. Talvez um blog fosse uma boa solução =)

Fábio C. Martins

Gostei das duas possibilidades, apesar de não me encaixar em nenhuma das duas com precisão. Já cheguei a escrever quando estava triste e angustiado, mas também quando estava feliz e animado. Hoje eu tento programar um horário para escrever, passando desde a ideia até a finalização. No entanto, sinto alguns bloqueios vez ou outra.

Ainda não defini o que faz com que esses bloqueios apareçam. Estresse, correria, angústia? Pode até ser uma mistura de todos eles juntos, mas ainda não tenho total certeza disso. O jeito é continuar com o trabalho, seja ele 100% produtivo ou 50%.

Abraços

marcos nunes

Ah, mas não me fale de blog! Uma coisa é escrever no blog dos outros, outra coisa é a maldita obrigação de escrever no próprio!

Anônimo

"Bloqueio criativo é para escritor que não tem que pagar conta!
Raphael Draccon"
Concordo totalmente com essa frase.

Leonardo Schabbach

Hahaha, pois é.

Mas, responda-me, quem no Brasil vive de escrever?

Ninguém (ou quase) paga a conta com textos por aqui =)

Sandrinha Máh

Veja só... resolvi "passear" por alguns blogs relacionados a edição de livros, pois sou uma "pretendente" a escritora bem leiga ainda ...(se é que existe essa denominação...hahaha)... e no meio desse emaranhado de links, acabei chegando no seu... muito interessante por sinal... não tem como não entender pequenos detalhes, pois você coloca tudo muito bem explicado.... depois de receber vários elogios pelos meus trabalhos, meu orientador disse que devo seguir essa linha ... embora eu seja professora de matemática, sempre tive facilidade em escrever, e tudo para mim é motivo de escrita, e quando bloqueia, dou um tempo e volto depois com mais inspiração... já fiz muitos projetos diferenciados em meu colégio, e agora o meu mais novo projeto é mostrar meus trabalhos... me disseram ainda que um site promove e traz muito mais reconhecimento e até ganho.... o que acha sobre isso??... gostaria de um post sobre esse tema....obrigada e parabéns... estarei sempre por aqui para beber desse conhecimento....

Leonardo Schabbach

Legal. Legal saber da sua experiência. E fico muito feliz que tenha gostado do blog =)

Sinta-se convidada a continuar acompanhando e participando!

@marcosvolk

Gente, esse post me caiu como uma luva, bendito seja o google que me mostrou ele kkkkkkk
olha, parabéns pela postagem, me ajudou muito. estou passando por esse bloqueio criativo e é fooda estar com o word aberto na sua cara e você não conseguir sair do parágrafo! =/
Só quem passa/já passou por isso para saber.

No mais, adorei o blog. Favoritei para ler mais postagens, rs.

Beeijão, fique com Deus.

www.maisqueindelevel.com

Kleris

Bloqueio é tenso. Outro dia li um tweet que falava que bloqueio criativo/imaginativo é quando seus personagens não conversam com você. Fiquei assim também, esperando a grande ideia voltar ao pique. Demorou, mas fluiu. Uma vez tinha visto por aí num vlog que um jeito de combater o bloqueio era continuar a escrever, o que parece estranho à primeira vista. Fazer umas caminhadas, sair com os amigos e ouvir músicas também ajudam. Mas é isso, escrever o que dá na telha, até engatar. Depois é só fazer uns ajustes, cortes... e rir das coisas sem noção que saíram.
A maioria das minhas ideias vêm quando eu não posso escrever - muito frustrante - por estar com muita coisa pra fazer ou sem ambiente para me concentrar. Resta escrever uns lembretes pra quando surgir a oportunidade de sentar e escrever. Confesso que algumas vezes mesmo atolada dou um jeitinho de fazer pelo menos um começo, só pra aliviar.
Ri demais com o comentário sobre criar um blog. Eu era relutante também. Tem vezes que saem postagens aos montes e vem aquela pausa. O legal é registrar de acordo com o que vir, mesmo não tendo quem leia.

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