Quer meu livro de graça? Assine minha newsletter e venha conversar comigo!

Além disso, a newsletter é para ser algo mais pessoal, nela vocês podem responder e conversar diretamente comigo. E eu ainda pretendo enviar uma série de textos exclusivos por lá, sendo alguns mais pessoais, alguns capítulos antecipados de livros que serão lançados, assim como alguns e-books gratuitos.

Leia Mais

11

Visita à loja de brinquedos

em 11 de set de 2011.

Hoje coloco um conto para que vocês acompanhem! É um conto meu mesmo. No domingo, pretendo colocar poemas de outros autores que tenham entrado em contato comigo. Mas como na quarta-feira passada não coloquei nenhuma crônica ou conto meu, decidi botar esse texto online hoje. Terminei faz pouco tempo e gostei muito da idéia e da ironia que ele carrega. Espero que vocês apreciem também!

**************


Visita à loja de brinquedos

Pai e filho entravam com muita calma em um dos museus mais populares da cidade: a antiga Loja de Brinquedos. O menino caminhava atento, realmente interessado em saber mais sobre a história de sua civilizada sociedade. Gostava de conhecer e ver as coisas antigas, os rastros de um passado assim não tão distante.

- Pai, o que é aquilo? – o garoto perguntou enquanto encostava os olhos em uma vitrine do museu.

- Ah... filho... – o pai sorriu, lembrando de sua infância. – Aquilo é uma bola, filho. Antigamente, as crianças usavam ela para brincar pela rua, jogar futebol, às vezes o dia inteiro; você deve conhecer, é igual a dos seus jogos de vídeo game.

O garoto balançou positivamente a cabeça, como se tivesse compreendido.

- Mas hoje ninguém mais brinca com ela. Houve um tempo em que aconteceram muitos acidentes nos campos de futebol; machucados sérios, alguns jogadores sofrendo infartos e também mortes... Houve, então, um forte apelo da população, da mídia também, e o esporte aos poucos foi esquecido. – o pai soava um pouco triste e também saudoso.

- Uhm... legal. E aquilo ali, para que servia?

O pai olhou para o pequeno objeto de madeira em exposição.

- Ahhh... este era o peão. Foi muito popular, por muito tempo. Mas as pessoas gostavam de brincar com ele nas ruas, sabe. E as ruas ficaram muito perigosas, então foram deixando de jogar peão, até que ele ficou esquecido.

O garoto pareceu intrigado, mas não se interessara muito pelo objeto; na verdade, não fazia idéia de como as pessoas poderiam usá-lo para se divertir, parecia algo muito simples.

- Olha, filho. Olha ali. – disse o pai, animado, enquanto apontava para uma tábua de madeira com rodinhas. – Aquele é um Skate, era um brinquedo muito legal. Você podia andar muito rápido, e podia também fazer manobras no ar, muita gente praticava.

O garoto pareceu animado.

- Nossa, que legal! Eu tenho alguns jogos no meu computador em que temos campeonatos com skate, são muito maneiros. Legal mesmo! – o garoto sorriu, realmente satisfeito.

- Sim, sim. Mas muita gente se machucava, houveram lesões feias, ao vivo na televisão. Então a mídia começou a falar, houve um forte apelo da população e as pessoas deixaram de praticar o esporte.

O filho balançou a cabeça, como se estivesse triste, mas entendesse perfeitamente o que tinha acontecido; de fato não havia muito o que se fazer.

- E o que é aquilo? – ele perguntou, ainda animado e intrigado.

O pai sorriu.

- É um pedaço de toboágua, filho. Havia muitos parques aquáticos faz algum tempo. As crianças brincavam o dia inteiro embaixo do sol, em piscinas e em escorregadores formados por pedaços de plástico como esse. Era muito divertido. Mas infelizmente houveram alguns acidentes terríveis, pessoas que iam rápido demais nos toboáguas, perdiam contato com o escorregador e se machucavam seriamente quando se chocavam com as bordas de plástico. Foram fraturas horríveis. E, conforme tudo isso era noticiado, houve uma revolta da população e os parques tiveram de ser fechados.

- Ah, que pena – o garoto disse, sem realmente parecer triste com a história. – Podemos ir agora?

- Sim, filho, claro. É melhor irmos embora, já está quase no horário do almoço. Amanhã levarei você a um novo museu. Vamos ao museu da Escola. Era um lugar em que as crianças estudavam juntas, centenas delas. Se ajudavam, brincavam no recreio... mas as crianças não eram assim tão boas; algumas caçoavam demais das outras. Com o tempo, os pais preferiram as ferramentas de ensino caseiro, sabe como é, para evitar traumatizar seus filhos. E então as escolas caíram em desuso, e depois no esquecimento.

O garoto pareceu surpreendido. Depois, olhou para seu relógio preocupado. O que será que haveria para o almoço?

11 Comentários:

Gisela Santana

só tenho uma coisa a dizer: Incrível.
é triste pensar que um dia, isso pode acontecer de verdade... =/

marcos nunes

Como viver extrapola quaisquer cálculos de risco, a não existência deve ser muito mais confortável, daí a expansão da virtualidade con contexto das realidades impossíveis.

Bom conto, mas que poderia ser reformado para eliminar a estranha condição da existência de um museu que deve ser visitado, quando, afinal das contas, ir à rua e cruzar galerias é onviamente uma temeridade...

Leonardo Schabbach

Mais e idéia é de estarmos ainda em um meio-termo. Assim ainda é uma sociedade muito próxima a nossa, caminhando mais ou menos no mesmo sentido. O pai, por exemplo, chegara a viver ali no mundo em que jogavam bola, peão e etc...

marcos nunes

Ok, é que com tantas interdições dá a impressão que dar um passo à frente é afrontar as fragilidades do corpo e da mente...

Aliás, dá também um bom paralelo com as interdições do politicamente correto, embora nessa questão eu esteja mais ao lado da correção política do que da des/graça com as características físicas e outras diferenciações que são a base do "humor" de gênero racista, machista, etc.

Acima, é "a expansão da virtualidade no contexto das realidades impossíveis", e "obviamente", obviamente...

Marcos Reis

Muito bom o conceito do conto. E legal tambem perceber, como que, a partir deste conceito, o conto vai se desenrolando. Puta sacada como a crítica social foi utilizada.
Abraços Leo

Leonardo Schabbach

Valeu, Marcos! Pois é, quando tive a idéia me animei, gostei muito de fazer o conto, hehehe =P

Isie Fernandes

É a velha história do protegidos atrás das grades. Por mais que pareça radical uma mudança tão drástica na sociedade, a atual interatividade virtual já nos proporciona uma parcela disso. A gente compra e vende pela net, conhece pessoas, trabalha, se diverte... Eu acho realmente difícil que as coisas cheguem a esse ponto no âmbito físico, mas a verdade é que, no campo mental e emocional, muitas pessoas já estão condicionadas a tal prisão.

Ótimo conto, Leo!

Taty Barbosa

adorei esta história estou te segui, publiquei ela no meu blog espero que não se importa e sinceramente penso em conta nas minhas apresentação de contação de historia e logico se vc permetir.
Parabéns!!!

Leonardo Schabbach

Tudo bem. Se puder dar o crédito quando contar, fica tudo certo. No seu blog, se lá embaixo nos créditos puder colocar um link para cá, seria legal também.

Fico feliz que tenha curtido o conto, tem outros pelo blog, dê uma olhada! Abraço.

Anônimo

Gostei muito..
Liberdade tem seus riscos e proibições não são muito úteis.

Motoboy

curti! se o mundo continuar se protegendo tanto, é isso q vai acontecer mesmo. jah foi o tempo em que os pais deixavam as crianças brincarem na areia, pra pegar vermes e ficarem mais fortes...

Postar um comentário

Participe você também. Sinta-se convidado a postar as suas opiniões. Com a sua ajuda, o blog se tornará ainda melhor!

 
Copyright© 2010 Na Ponta dos Lápis
Apoio: Literatura Fantástica
Tema original "Solitude" Modificado por Mundo Blogger