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Micro-contos, a renovação da linguagem (+livro Insólito, de Paulo Fodra)

em 24 de out de 2011.

Hoje irei falar sobre algo de que gosto muito: os micro-contos. Até por causa da admiração que tenho pela obra do autor português Gonçalo Tavares, principalmente por sua série o Bairro, o pessoal que acompanha o blog já deve ter notado que gosto muito de contos curtos, bem trabalhados formalmente e surpreendentes, irônicos ou reflexivos. Por isso, decidi falar um pouco sobre esse assunto, inspirado pelo lançamento do livro Insólito, do escritor Paulo Fodra (@paulofodra), que ocorreu alguns dias atrás. Devo admitir que não li o livro, mas li alguns dos micro-contos e gostei muito. Inclusive, sempre tive vontade de criar textos deste tipo e de postar no twitter, mas nunca tive muita criatividade. Acho que começarei a tentar me dedicar a arte.

Mas, antes de continuar,  falarei um pouco mais sobre o livro do escritor Paulo Fodra (veja o site oficial do autor aqui) - inclusive, tentarei entrar em contato com ele para ver se ele me envia mais alguns dos micro-contos, assim posso dividir com vocês, leitores. Abaixo, seguem três deles, para que vocês possam ver como há um trabalho muito específico com a linguagem, com a escolha de palavras e etc, para que se cause algum tipo de efeito em quem lê. Particularmente, gostei muito destes pequenos "aperitivos":

“Pegou um dos cacos de seu coração partido e degolou a infeliz. Ela deveria saber que amor de psicopata é mortal.”


“E a culpa vinha se arrastando atrás dele, feito cordão de sapato desamarrado. Uma hora dessas, acabaria tropeçando.”


“A Rainha subiu no palanque. A lâmina cantou, impiedosa – zás! E ela virou carta fora do baralho.”

Como podem ver, até pelo tamanho reduzido, o trabalho com a linguagem em um mini-conto, para que se tenha sucesso na empreitada, é realmente minucioso e muito criativo. Na minha opinião, para qualquer um que lide com a escrita, mesmo aqueles que não gostam deste tipo de literatura, tentar trabalhar neste tipo de texto é sim um fator importante. Através desse trabalho e do esforço para ser assim tão sucinto, o autor certamente perceberá alguns vícios de linguagem de que pode ser livrar - ou até mesmo novas formas de se descrever as situações que ele pode vir a colocar em futuras obras. O micro-conto da Rainha acho simplesmente sensacional, por exemplo, pela maneira como foi estruturada a (muito) pequena narração, utilizando-se de um certo jogo de palavras inteligente e efetivo.

Enfim, achei muito interessante a idéia deste livro do Paulo Fodra - e devo lembrar que nem todos os contos, segundo ele, são tão pequenos. Penso até em me dedicar mais, como falei, a essa arte. Quem sabe até não fazer uma antologia com micro-contos postados no twitter por diversos autores? Não sei. Pode ser uma boa idéia!

15 Comentários:

renansouzamerces

Achei a ideia genial mesmo, Leo. Não conhecia esse seguimento e me sinto com ímpeto em ler. Não é nada fácil desenvolver qualquer coisa em poucas linhas. Trabalho árduo esse.

R.S.Merces

Alex Nery

Sempre admirei quem consegue escrever micro-contos. Condensar ideias nesse espaço tão pequeno é realmente uma arte.

Um autor que também faz isso com maestria é o Edson Rossato, do "Cem Toques Cravados" (http://www.cemtoquescravados.com/). Se você ainda não conhece, recomendo dar uma olhada e se divertir com as obras dele.

Abraço.

Wander Shirukaya

Interessante. Gostei mto do da rainha e, a julgar pelo q já vi do Paulo Fodra, deve sair coisa boa, embora eu vja o mcroconto como algo mto controverso.

Maíra da Fonseca Ramos

Confesso que não me sinto muito a vontade com esse tipo de "literatura", não! Prefiro o que chamamos de "convencional".

José Eduardo Gonçalves

Caros amigos da Literatura, com todo o respeito, o que estão chamando de mini-conto é, simplesmente, o bom e velho haikai, dos japoneses. Guilherme de Almeida já fazia isso: "E cruzam-se as linhas
no fino tear do destino. Tuas mãos nas minhas." Millôr Fernandes usa e abusa dos haikais desde a década de 1960: "Nunca esqueça: a vida também perde a cabeça." E por aí vai.

Leonardo Schabbach

Não, não, não. Haikai é completamente diferente disso. Haikai não é prosa, é um tipo de linguagem poética. Tem regras bem delimitadas a serem seguidas, há vários tipos diferentes de Haikai.

Tem também a característica de ser breve, com um bom toque de concisão e criatividade, mas tem uma série de regras, é um tipo de poesia. Aqui se trata de mini-contos mesmo. A maioria, inclusive, embora "mini" é bem maior do que qualquer Haikai, já que eles são formados por 3 brevíssimos versos.

José Eduardo Gonçalves

Caro Leonardo, concordo em parte, já que o Haikai é de fato poético e funciona com medição silábica. Mas, convenhamos, a concisão e a criatividade - fatores determinantes - estão presentes tanto no Haikai como no mini-conto. Para completar, o Haikai passou por adaptações e vem evoluindo com a métrica atropelada pela modernidade. No site O Zen e a Arte do Haikai (www.insite.com.br), encontrei este interessante registro: "Assim como o 'click' de uma máquina fotográfica, (o Haikai) deve registrar ou indicar um momento, sensação, impressão ou drama de um fato específico da natureza. É aproximadamente a imagem de um 'flash' ou resultado de um 'insight' (visualização/iluminação), cercado de pureza, simplicidade e sinceridade." Em resumo, qualquer mini-conto pode brotar desse insight, convertendo apenas a métrica poética para o proseado solto. Ambos belos!

Leonardo Schabbach

Sim, ele pode brotar desse insight, podem ter algumas similaridades, mas possuem também grande diferença. Então quando você diz que o que a gente chama de mini-conto é o bom e velho Haikai, não é. Há, claro, como falei similaridades, mas ainda assim uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa. São dois estilos bem diferentes, embora também parecidos em alguns pontos.

José Eduardo Gonçalves

Ok, Leonardo. Então, diria que o mini-conto é algo como o Haikai em prosa e, sobretudo, que aprendeu a twitar! Aproveito a deixa para colocar outra questão nessa linha, digamos, de metamorfoses de estilos literários: a letra de uma canção é, ou não, uma poesia adaptada para outra aplicação e evoluída para nova plataforma, que prima pela sonoridade? Vinícius de Moraes, por exemplo, precisou adaptar seus próprios sonetos - alguns já consagrados - para se casarem com a musicalidade proposta por Tom Jobim, Baden Powell e Toquinho, e o resultado obtido é, de certa forma, "uma terceira coisa". Já ao ser inserida em um filme, como trilha sonora, aquela poesia inicial vira "uma quarta coisa" em relação ao seu significado natural. O que você pensa a respeito?

Leonardo Schabbach

Aí a questão já fica bem mais complicada. A letra de uma música, de alguma forma, é um tipo de poesia, sim. No entanto, a música em si não é, é outra coisa. Não tenho como opinar com muita propriedade sobre este assunto, porque não entendo tanto de música para saber mais profundamente de suas particularidades. Sei um pouco, mas não o suficiente.

De qualquer forma, a pergunta é sim muito boa, assim como a sua reflexão. Vou pensar sobre isso, quem sabe um dia não rende uma postagem!

Valeu pela participação e pelos questionamentos, são sempre muito bem-vindos. Abraço!

newton silva

Não gosto de microcontos. Parece com essa coisa de 140 caracteres. O escritor é uma endemia de palavras. Deve escrever como quem transmite uma doença infecto-contagiosa.

ARIEL CRISTH

EU ESCREVO MICRO-CONTOS
E ADORO ESCREVE-LOS E LER TAMBEM
POIS DE UMA CERTA FORMA SEMPRE SEGURA NOSSA ATENÇAO.
PENSO SER UMA OTIMA OPÇÃO PRA QUEM NÃO TEM PACIENCIA DE FAZER UMA LONGA LEITURA DE UM LIVRO GRANDE.
BJUS
ADOREI SEU POST

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