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Caminhos para os novos autores - Bate-papo com Tammy Luciano

em 31/08/2011.
| Comentários: (19)
Hoje trago uma entrevista muito rica e muito completa para quem quer entender melhor as dificuldades no caminho dos novos escritores. Considero a história de vida de Tammy Luciano (@tammyluciano) no meio literário muito interessante para aprendermos como, para se tornar um autor minimamente reconhecido, é necessário muito, mas muito trabalho - veja a postagem  Como se tornar um escritor?.

Tammy hoje participa de inúmeros eventos literários durante o ano, muitos como parte integrante do projeto @NovasLetras, em que alguns escritores se uniram para brigar por seu espaço no mercado. Mas suas conquistas vão muito além disso. Logo em seu início como escritora, neste caso com um trabalho mais jornalístico, ela lançou a biografia da Fernanda Vogel; livro que chegou a ter exposição no programa de Ana Maria Braga e que, como consequência, teve uma visibilidade muito grande, vendendo milhares de exemplares.

Após seu sucesso inicial, Tammy continuou com mais alguns trabalhos no meio literário e artístico até lançar o seu primeiro livro de ficção (Sou Toda Errada) em 2010. Novamente, a autora participou de muitos eventos, como a Bienal de São Paulo e a Feira do Livro de Porto Alegre. Com todo este esforço, o livro fez sucesso e conseguiu praticamente esgotar sua tiragem inicial, algo bem raro, em um período de mais ou menos um ano.

Enfim, acho que o que falei já basta como apresentação, até para demonstrar como é preciso se esforçar muito neste meio para conseguir se destacar - e a autora tem a completa noção disso, como demonstra em suas excelentes respostas durante a entrevista. Convido todos a lerem as coisas que ela disse; certamente, sendo um autor novo ou não, a experiência da autora trará lições importantes.


ENTREVISTA


Seu primeiro livro, a biografia da Fernanda Vogel, teve uma recepção muito boa pelo público e te lançou de vez no mercado literário. Como surgiu a oportunidade de escrever a biografia? Como você se preparou para lidar com um assunto tão delicado?
R: Eu já escrevia há muito tempo. Aliás, eu venho de uma estrada longa. Comecei fazendo teatro com 14 anos, passei minha adolescência estudando Artes Cênicas. Depois fiz faculdade de jornalismo e a partir desse momento atuar e escrever foram se misturando no meu cotidiano. Passei a escrever peças de teatro, poesias, crônicas e atuar bastante em teatro, fiz participações em novelas. Nunca pensei em escrever livros, achava o universo da livraria muito longe de mim, não tinha ideia como era vivenciar isso, conseguir publicar um livro... Confesso que se não fosse o destino, eu jamais teria virado autora de livros. Em 2001, na época do falecimento da Fernanda Vogel, escrevi uma crônica lamentando o acidente. A mãe dela leu o texto e pediu para me conhecer. Quando recebi o convite para escrever o livro sobre a Nanda, achei que não daria conta e cheguei a conversar com a Myrian sobre apresentar um amigo biógrafo, mas ela insistiu e eu resolvi abraçar o desafio. Jamais imaginei que aquele sim mudaria minha vida para sempre. Para escrever o livro, eu dei tudo de mim durante um ano e meio e busquei respeitar a imagem da Fernanda, escrevendo com o coração. Foi muito emocionante cada parte do processo do livro e como a Myrian Vogel diz: A missão do livro é transformar dor em amor. Acredito demais nisso.


Após o livro terminado, como você fez para encontrar uma editora? Pode nos contar quais estratégias utilizou?
R: Eu não tinha ideia de como proceder. Fizemos pelo meio mais honesto possível. Myrian me ajudou a fazer cópia do original e mandamos para várias editoras. Na época, eu fiz uma lista com mais de dez editoras. Quando a 7Letras ligou, eu achei que era trote. Pensei ser brincadeira de algum amigo. De todos os contatos que a gente recebeu, a 7Letras foi a que melhor se apresentou, topou fazer um livro com qualidade gráfica, com um acabamento lindo e por isso assinei o contrato com eles. Eu costumo dizer que o trabalho começa depois que o livro é lançado. Escrever, para quem quer ser escritor, acaba sendo o mais fácil, porque a luta do autor brasileiro é muito grande.


Conte-nos um pouco sobre como conseguiu que falassem sobre o livro no programa da Ana Maria Braga. Essa exposição abriu muitas portas?
R: Foi uma supresa enorme e tudo por acaso. Pelo que ficamos sabendo a Ana Maria Braga leu o livro, adorou e aí surgiu o convite. Foi impressionante o retorno. Depois que o livro apareceu no programa, a edição esgotou e saiu outra. A Ana foi muito querida, é uma mulher maravilhosa, recebeu a Myran Vogel de maneira muito gentil, sem explorar a imagem da Fernanda. A TV tem um alcance enorme e lamento que os livros não sejam ainda mais comentados. Acho que todo jornal, programa de TV deveria abrir espaço para a literatura, como fazem com o futebol, com as tramas das novelas... Falam pouco do universo das letras. Acho que por isso na internet a gente encontra tanta gente comentando sobre os livros que está lendo... É uma carência dos leitores. Já que não falam na TV, correm para falar na internet. Um amigo meu outro dia me disse algo engraçado: Cara, na internet você está muito famosa! (rs)  Tem muito blog bacana falando dos meus livros, só posso agradecer.

Após o sucesso com a biografia, você lançou um livro de ficção, o Sou Toda Errada, pode nos falar um pouco sobre essa empreitada? De onde surgiu a idéia para o livro? Fale um pouco sobre ele.
R: Na verdade, antes de Sou Toda Errada, eu lancei em 2005 Novela de Poemas que é uma coletânea das minhas poesias. Eu recebi um patrocínio de uma empresa querida, a Orient Mix, e eles me apoiaram em todo o lançamento, possibilitando a ideia do projeto que era pintar quadros em que tivessem trechos da minha poesia e junto saiu a publicação do livro que para minha surpresa, esgotou. Não que eu não acreditasse no projeto, mas muita gente me disse: Ninguém compra livro de poesia. Eu tenho certeza que compram, porque eu vendi! (rs) Tomei a decisão de não deixar sair uma segunda edição porque o Novela de Poemas é um livro muito íntimo, sou eu ali e me senti muito exposta, com minhas poesias sendo lidas. Ficção é melhor, a personagem não sou eu e é nesse gênero de literatura que eu quero trabalhar. Aí nasceu Sou Toda Errada que veio depois de um comentário de um amigo dizendo que tinha uma ex-namorada maluca. Achei que daria uma história interessante e inventei a Mila. Ela perde o namorado, não aceita não como resposta e passa a infernizar a vida do ex, fazendo tudo errado, sendo politicamente incorreta.


Com o lançamento de Sou toda errada, você participou de inúmeros eventos literários, como a Bienal e também discussões em lojas de grandes redes, como a Saraiva. Como isso foi possível?
R: Acho que isso é parte do meu ofício. Não posso escrever um livro, lançar e depois querer curtir uma piscina, achando que meu livro vai conseguir ser vendido sozinho. Meu trabalho precisa de mim, foi um compromisso que resolvi assumir e me apaixonar ainda mais pela minha profissão. As pessoas estão sabendo de mim agora, mas eu faço evento em livraria desde 2003. O processo do escritor é lento. Tem gente que me dá parabéns, sabe da minha batalha de anos e anos (http://www.tammyluciano.com.br/fotos.html), mas tem gente que me acha sortuda, pensa que consegui tudo esse ano. Não é assim. Amo essa chance de estar com meus livrinhos nas livrarias falando do meu trabalho, me aproximando do leitor. Ano passado, por exemplo, eu estava na Bienal de 2010 e uma leitora disse: "Tammy, eu te acompanho desde 2003". Cada encontro com cada leitor me importa. Eu não quero apenas vender o livro, quero saber o efeito do livro na vida da pessoa, então marco com leitores que já compraram o livro, para estarem comigo em outra livraria, quero saber o que sentiram lendo o livro. Já teve leitor chorando comigo porque se emocionou com a vida da Fernanda Vogel. Já teve gente reclamando da Mila e eu dou o maior apoio. Minha vilã (do livro Sou Toda Errada) é uma garota louca, difícil e sem caráter.
E qual foi a sensação de estar tão próxima de seu público nesses eventos? Fale um pouco de sua experiência.
R: Eu gosto de quebrar essa distância. Gosto de conhecer as pessoas, de escutar as histórias, de saber de que maneira meu trabalho está ali na vida de cada um. Eu não sou famosa, então as reações são tranquilas, o foco é o livro e eu não me sinto melhor que o leitor. Às vezes sinto que a pessoa está maravilhada com o encontro, mas eu faço questão de quebrar qualquer protocolo, não sou melhor que ninguém, venho de uma família de bem, que me ensinou a não me achar estrela, nem se algum dia eu estivesse em uma posição de destaque. A livraria é a chance de abraçar e agradecer o carinho das pessoas.

Agora sobre a dificuldade de colocar as obras na livraria. Você teve o apoio de uma boa editora, embora de porte médio, como foi esta questão da distribuição? Você, pessoalmente, correu também atrás dessa exposição nas livrarias?
R: Eu batalho muito. É um trabalho de formiguinha, mas eu tento não pensar nas dificuldades. Só penso em seguir, sem me abater. Já aconteceu de uma livraria na Barra da Tijuca receber meu livro, esgotar em pouquíssimos dias e eles não se interessarem em pedir novamente. Ou seja, existe muito mais do que a gente pode imaginar na batalha do autor. Se esgotou, por que não pedem imediatamente mais livros? Porque nem sempre é assim que funciona. E aí eu fui lá, pedi para gerente, peço para a minha editora ligar e não posso deixar de citar aqui o Bruno Borges que é meu parceiro de trabalho e está comigo ajudando e fazendo a assessoria do meu trabalho. Ele é incansável. E esse adjetivo é extremamente importante nesse trabalho. Meu livro passou a vender no Sul do país porque eu fui na Feira do Livro de Porto Alegre de 2010. É de conquista em conquista, degrau por degrau.

Como o público reagiu a este seu novo livro? Ele teve uma boa receptividade? As vendas foram boas? (nessa última pergunta, se quiser falar em números aproximados seria muito interessante, mas se não quiser, não há problemas)
R: Eu achei que ia apanhar das leitoras. Sou Toda Errada é um livro diferente porque a mocinha do livro é a vilã. Mas ao contrário da minha expectativa, as pessoas curtem o livro, e sabem me separar da malvada Mila. A repercussão foi a melhor possível. Recebi carinho com a publicação. O livro acabou me lançando definitivamente como escritora. Tem gente que nem sabe que eu sou atriz. E imagina, eu fui professora de teatro durante 12 anos, lecionei Interpretação com Texto em curso Profissionalizante de Artes Cênicas. Acho curioso porque Sou Toda Errada me apresentou de uma vez por todas para os leitores e curiosamente as pessoas próximas tinham medo da exposição, por causa do título do livro, mas eu não tive medo. Resolvi amar meu livro, mergulhar com ele e me arriscar. Se me tacassem pedra, eu sairia ainda mais forte. Mas ainda bem, o carinho foi maior e apagou qualquer crítica ruim, qualquer ataque capaz de me abater. As vendas continuam muito boas, dentro de todas as dificuldades que é não ter o livro em todas as livrarias. Para minha alegria, a edição está acabando. Aliás, me deixa agradecer aqui os leitores pelo carinho enorme, pelo suporte, pelas expectativas e palavras lindas. Tudo que faço hoje na minha carreira é pensando nessas pessoas.
Como você vê hoje o mercado para o novo escritor? Acha que há mais oportunidades? Acha que as pessoas estão lendo mais?
R: Acho que o planeta é lotado de gente e qualquer profissão é muito concorrida (rs), então é acreditar no seu taco. Eu costumo dizer que a concorrência não está no outro escritor. Pelo contrário. Leitor já descobriu meu livro porque leu o livro de um autor nacional, buscou outros autores e me achou. Quanto mais livros lidos, melhor. Eu faço parte do Novas Letras que é um grupo de escritores (O Novas Letras é formado por Enderson Rafael, Fernanda França, Leila Rego, Patrícia Barboza e a Tammy) e nos ajudamos, tentamos vencer as dificuldades juntos. Porque o mercado é difícil, o livro internacional é super valorizado, e nós escritores nacionais temos o desafio não só de valorizar a literatura mas exaltar o livro nacional. Vejo muita editora nova, oportunidades bonitas para quem está começando. É preciso procurar, se informar... Eu quero acreditar no nosso mercado, acreditando que podemos crescer ainda mais. Fico maravilhada com essa galera apaionada por livros, acompanhando cada detalhe das publicações, discutindo sobre capas, enredos, autores, mandando recados para as editoras. Acho o máximo! Aliás comento isso com meus amigos e eles me olham assustados. Muita gente não tem noção dessa turma que é louca por livros.


Que dicas você daria para quem está começando?
R: Escreva e leia muito. Leia seu texto para as pessoas, perceba se é isso mesmo que você quer para sua vida. Porque fotos em tardes de autógrafos são lindas, mas o trabalho não se resume ao glamour. É preciso se dedicar todos os dias, escrever mesmo sem vontade, dar o melhor de si e ter paciência. Vejo escritores que decidem escrever e querem publicar o livro por uma editora grande no mesmo ano. Eu escrevi dez anos antes do meu primeiro livro sair e breve fazem dez anos que meu primeiro livro saiu. São quase vinte anos nisso. Não é fácil. Escreva sem querer usar a literatura para se exibir. Acho que podemos fazer algo mais útil com a literatura dentro de nós. Claro que eu tenho orgulho do meu trabalho, às vezes preciso tratar o ego porque a gente é ser humano e tem dias que se deslumbra, mas no cotidiano eu tento usar a literatura para me redescobrir sempre, para confrontar meus questionamentos e definitivamente tentar ser alguém melhor.

Quais são seus próximos projetos? De quais eventos participará em breve?
R: Tem muita coisa boa acontecendo. Ontem estive na Exibição do filme "A Rua Daqueles Homens" (http://www.youtube.com/watch?v=wYHhl1gXCH8) que escrevi inicialmente como peça de teatro, mas acabou virando roteiro do filme graças ao Marcio Navarro (ator, diretor e amigo de anos) que leu o texto e pediu para trabalhar em cima. O filme acabou saindo com um elenco super querido (Alê Periard, Daiane dos Santos, Eduardo Maia e Marcio Navarro) e a direção do Décio Junior. É um fime feito sem muita grana, sem apoio, pelo total prazer de filmar. Porque estamos aí na batalha de fazer arte em um país em que muita gente não tem saneamento básico. Além do filme, continuo gravando minhas crônicas no Crônica Falada e tô lançando um projeto novo com minhas poesias em vídeo (os vídeos podem ser vistos no www.youtube.com/tammyluciano).  Em 2012, sai meu quarto livro Garota Replay (http://www.skoob.com.br/livro/160914-garota-replay). E tenho muita saudade do teatro, mas tá impossível fazer. Esse ano, viajo para autografar em Sampa, Curitiba, terei a honra de participar da Bienal de Pernambuco. A vida está corrida, mas estou muito feliz.

Fale um pouco sobre sua presença na Bienal do Livro do Rio de Janeiro. Onde seus leitores poderão encontrá-la?
R: Estarei todos os dias  da feira, 14 horas, no Estande da editora Novo Conceito, participando de um debate diário. Dia 09, 19 horas, autografo no estande da Saraiva. Tô muito animada para a Feira. Fiquei três meses me preparando. Pode parecer uma futilidade, mas eu desenhei um vestido para cada dia, porque quero estar linda para encontrar os leitores, quero dizer a eles como mudaram minha vida para sempre, para melhor. E o que pode parecer apenas uma exibição foi a maneira para demonstrar como esse evento que fala de livros, que nos coloca comemorando a literatura, é importante para mim e merece que eu vá lindona. Tô muito entusiasmada e pronta para ser muito feliz no evento.


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Poemas em vídeo de Aline Kalçovik A. Lemos

em 29/08/2011.
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Dentre os e-mails que recebi com poemas de autores que querem participar aqui do nosso canto literário (bom jeito de falar do blog, hein? hehe), encontrei algo que me chamou a atenção, por ser um pouco diferente. E sempre gosto de trazer coisas novas para cá. Tratam-se de dois poemas da Aline Kalçovik que, pelo que pude entender, foram criados como parte de um projeto de Video Poesia da FLIPORTO. Abaixo seguem as duas obras. Como disse, achei muito interessante a idéia de utilizar a mídia do vídeo para apresentar os poemas, até porque muitos deles funcionam muito melhor quando lidos em voz alta. Talvez seja algo a ser explorado com mais afinco por quem gostsa de poesia.










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Aline Kalçovik Antunes Lemos

http://www.recantodasletras.com.br/autor_textos.php?id=92244
http://www.uniblog.com.br/poesiasdealinekalcovik/
http://poesiasdealinekalcovik.blogspot.com/

Publicações:


Participação e edição da poesia: Corre São Paulo, no V Concurso Grandes Nomes da Nova Literatura Brasileira, São Paulo: Phoenix Editora, p.36, 2005.

Membro Correspondente da Academia Cachoeirense de Letras, desde 2005.

Publicou as poesias na revista anual da Academia Aula de Química: ANO XLIII Nº 18, p.62, Dez -2005; e Farmácia da Vida: ANO XLVI – Nº21, p.58, Dez-2008; Se Você Ama: ANO XLVII- Nº 22, p.58-59, Dez-2009. Cachoeiro de Itapemirim – Espírito Santo.

Participação no Prêmio Poesia ao Vídeo com veiculação na internet/YouTube das poesias : O Eterno Retorno e Meu Amigo Passarinho,2008.

Publicação da poesia: Canção da Amizade na Coletânea Eldorado Vol.XIII - Celeiro dos Escritores, p.44-45, SP, 2009.

Publicação da biografia e da poesia: Se você ama, na edição Galeria Brasil- Celeiro dos Escritores, p.130-13, SP, 2009.

Publicação do Romance: O libertar de Um dom, pela Cidadela Editorial, Dez 2009.

Publicação da biografia e da poesia: Ser Mulher, na edição Galeria Brasil- Celeiro dos Escritores, p.114 -115, SP, 2010.

Publicação da biografia e de seis poesias na Antologia de Poesia Contemporânea "14 Poetas" - volume II - Editora Celeiro/Sucesso - Outubro/2010.

Publicação da Poesia “Entre sonho vida e teorias “na Coletânea Amor em Versos / Celeiro de Escritores. Ed Sucesso, p. 48-51, SP, 2011.


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[Campanha] #Letras365 - O ano inteiro de literatura

em 25/08/2011.
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É muito interessante quando nos deparamos com movimentos que visam valorizar a literatura, que tentam aproximar os diversos autores e leitores espalhados pelo país. Naturalmente, a internet, com toda a sua crescente popularidade, é um excelente meio para fazê-lo. O twitter, então, como importante mídia social, pode ter também esta função. Hoje, apresento aos leitores do blog uma iniciativa muito interessante criada pela @gisellezamboni. Trata-se do #Letras365, uma hashtag inovadora e inteligente.

Por que não valorizarmos a literatura 365 dias por mês, 24h por dia?

Eis que a Giselle estimulou a criação da hashtag do twitter, que já tem uma boa quantidade de participantes. Criou um mini-conto interessante? Poste-o, utilize o #Letras365. Tem alguma notícia sobre literatura para divulgar? Criou um poema em seu blog? Resenhou algum livro? Por que não utilizar o #Letras365, por que não se conectar com os outros milhares de amantes da literatura espalhados pelo twitter?

Enfim, faço a postagem para apresentar a iniciativa, para convidar todos que seguem o blog e que tem blogs próprios (além do twitter) a participarem desta espécie de "comunidade" e ajudarem a divulgá-la. Afinal, com uma hashtag dessas, quem gosta de literatura estaria conectado. É uma idéia brilhante. E se todos embarcassem nela, como seria legal vê-la ao menos no Trending Topics do Brasil? Há tanta porcaria e inutilidade que toma conta do Twitter, por que não brindar os utilizadores da Rede Social com algo de mais rica cultura? Com um pouco, desculpem a rima, de literatura?

Por este motivo, faço aqui a postagem, espero que embarquem também na iniciativa. Falarei com o máximo de blogueiros que conheço para que espalhemos a idéia. Seria muito legal ver as pessoas utilizando a hashtag #Letras365 sempre que postassem algo relacionado à literatura no twitter. Se isso virasse um hábito, teríamos construído um movimento muito interessante. Portanto, participe! E ajude a divulgar a idéia!
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Publicação independente e autopromoção - um bate-papo com Rodrigo Capella

em 22/08/2011.
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Hoje trago uma interessante conversa com o escritor e jornalista Rodrigo Capella (@Rodrigo_Capella), que teve um bom sucesso se divulgando por meio da internet. Esta entrevista eu já pretendia fazer tem muito tempo, quando escrevi uma matéria sobre o Clube de Autores, Publique seu livro de graça. Na época, a vontade de entrevistar o Rodrigo se deu pelo fato de que um de seus livros, sobre Assessoria de Imprensa, mantinha-se na lista dos mais vendidos do site, o que indicava uma boa capacidade de autopromoção. Um bate-papo com o autor também seria interessante para saber a efetividade da ferramenta.

Como muito tempo se passou, outros tópicos interessantes surgiram, como questões relacionadas à autopromoção. Rodrigo Capella já lançou mais de cinco livros e sabe bem os caminhos para alcançar seu público, não é à toa que conseguiu uma boa divulgação pelo twitter. Por estes motivos, resolvi lhe fazer algumas perguntas, para que ele pudesse passar um pouco de sua experiência como autor independente. Espero que vocês gostem e achem úteis as informações.


Quais, para você, são os principais requisitos para que um autor consiga lançar o seu livro de maneira independente?
R: Os requisitos são cinco. Inquietude, Meta, Vontade, Domínio das redes sociais e gostar de ler. A inquietude é necessária para fazer o livro aparecer. A meta nos guia e apresenta caminhos. A vontade é algo essencial para atingir objetivos. O domínio das redes sociais ajuda na divulgação. E gostar de ler aprimora (e sempre aprimorará) o texto.

Quantos livros você já lançou de maneira independente?
R: Ao longo de minha carreira, lancei livros com o apoio de editoras tradicionais, como a Imprensa Oficial, por exemplo, e também livros de forma independente. Foram ótimas experiências, cada uma com suas características específicas. De forma independente, lancei mais de 05 livros sobre temas diversos. “Assessor de Imprensa – fonte qualificada para uma boa notícia” aborda o segmento da comunicação. “Mistérios em Floripa” é um romance policial. Há também os títulos “Dicas para escrever, publicar e vender um livro” e “Loucuras de um escritor”, entre vários outros.

Acompanhei seu trabalho e vi que lançou alguns títulos pelo Clube de Autores, conseguindo um sucesso razoável no que se refere a ficar próximo aos mais vendidos. Você pode revelar qual de seus livros fez mais sucesso no Clube? E quantos você conseguiu vender?
R: “Assessor de Imprensa – fonte qualificada para uma boa notícia” e “Dicas para escrever, publicar e vender um livro” foram os mais vendidos. “Assessor de Imprensa” chegou, inclusive, a ser Top 5 entre os mais vendidos por vários meses seguidos. “Dicas..” foi vendido para vários Estados brasileiros, de Norte a Sul. Recebi, por conta da publicação destes dois livros, diversos e-mails, DMs, TTs e likes nas redes. É maravilhoso poder ter contato direto com o leitor, saber o que ele gosta, saber o que ele deseja ler em meu próximo livro. Tenho como parâmetro fazer o levantamento de venda dos livros que lancei durante os primeiros cinco anos de lançamento, assim posso comparar com os outros livros que lancei. “Assessor de Imprensa” e “Dicas...” ainda não alcançaram este tempo.

Como foi sua experiência com o Clube de Autores? Gostou de ter publicado obras por lá?
R: Todo escritor deve buscar, a todo instante, ampliar o alcance de sua obra. Neste sentido, poder lançar o livro no formato ebook e tradicional é essencial e determinante. Amplia-se significativamente o número de leitores, de dicas, de críticas e de comentários. Como consequência, temos um maior amadurecimento do escritor, em termos gramaticais, mas também de conteúdo. Publicar uma obra é sempre uma experiência magnífica, saborosa e inesquecível.

Quais, na sua visão, são as vantagens e desvantagens de publicar pelo Clube?
R: Tenho acompanhado vários escritores que publicaram nesta plataforma e eles estão bem contentes. O mercado literário está em constante evolução, obrigando as ferramentas a se atualizarem dia a dia, momento a momento. Os próprios escritores também se manifestam, com ideias e sugestões sobre publicação e – principalmente – distribuição em livrarias, ajudando o mercado a evoluir diariamente. Ponto positivo para a literatura brasileira!

Qual a importância para você das redes sociais para o novo autor? Qual é a mais importante?
R: Não atuar nas redes sociais é como comer um pão puro, sem manteiga. Fica tudo sem gosto, sem essência. As redes são fundamentais em toda e qualquer divulgação literária. O Orkut ainda tem o seu espaço, com destaque para as comunidades de livros. O Facebook propicia um diálogo com seus seguidores. O Twitter é uma ótima ferramenta para compartilhar informações. O Google + fortalece os laços. Há ainda diversas outras redes, com características específicas. Algumas têm a literatura como elemento principal, fortalecendo o escritor; outras são abrangentes e propiciam um ótimo relacionamento com diversos públicos.

Acha que o mercado literário está se abrindo para os novos autores? (Tanto no que se refere ao público quanto no que se refere aos editores)
R: Tenho percebido este movimento. Antigamente era um grande sufoco falar com os editores. Hoje, já é possível conversar, apresentar uma ideia e defender o seu livro. Alguns editores também procuram escritores nos blogs, Orkut, Facebook e Twitter. O relacionamento entre editores e autores melhorou muito graças às redes socais. Ficou tudo mais próximo!!

Um autor iniciante, hoje, precisa ter o conhecimento do maior número de técnicas de autopromoção possível. Esta, pelo que vejo, é uma das maiores dificuldades que todos têm. Para você, qual é a importância de ter esse conhecimento para quem está começando?
R: É fundamental. Hoje, quem não faz autopromoção não vende livro. De alguma forma, o autor precisa se autopromover, precisa vender suas ideias e pensamentos. Somente desta forma, consegue dialogar com o público e, em um passo seguinte, consegue lucrar vendendo suas obras.

Pode dividir conosco algumas estratégias de autopromoção que você acha eficientes?
R: Publicar trechos de livros em blogs é fundamental. Você oferece uma degustação ao leitor, que pode se sentir interessado pelo livro completo. Também é muito importante compartilhar seus livros com outros escritores e personalidades do mundo literário.

Qual a importância que você vê nos blogs para os novos autores?
R: São fundamentais e indispensáveis. Todo novo autor deve ter um blog! Se não tem, a coisa complica e tudo fica mais difícil. Como convencer alguém a ler seu livro, se você não tem um blog para publicar textos e dialogar livremente com os leitores? Fica complicado!

Você teve muito sucesso divulgando sua conta de twitter. Que dicas você daria para quem quer se promover nesta rede social?
R: O Twitter é ideal para compartilharmos informações. O escritor não deve divulgar somente os seus textos, deve também compartilhar informações de mercado, curiosidades literárias e também informações sobre outros autores. Esse fluxo é bem interessante!!

Quais outras dicas você daria ao novo autor?
R: Ler uma página de dicionário por dia, aceitar críticas, aventurar-se nas redes sociais, ter como meta aprimorar sempre o seu estilo, visitar feiras literárias e respirar sempre o ar literário com energia e vontade.
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[O Legado dos Dragões] Capítulo 10 - Punho Firme (Parte II)

em 19/08/2011.
| Comentários: (6)
Retomo mais um série aqui no blog. Como havia prometido, irei me empenhar em publicar sempre partes de A Sociedade da Rosa ou de O Legado dos Dragões semanalmente ou quinzenalmente. Esta parte finaliza o capítulo dez. Para quem gosta de Literatura Fantástica, eu aconselho muito a leitura, é só clicar aqui que terão acesso ao início da história. Sei que sou suspeito para falar, mas estou gostando muito de como as coisas estão saindo. Também peço, como sempre, a quem gostar não só que comente e deixa suas percepções, mas que ajude a divulgar o texto também; afinal, há muitos fãs de Literatura Fantástica por aí. Enfim, espero que gostem desse final de capítulo, é bem curto.


*******************


- O que está acontecendo aqui? – ela perguntou, assim que adentrou o salão, surpreendendo Malenberg e os demais membros da corte presentes.

- Eu que pergunto, o que faz você aqui? – retrucou o general

- Seus guardas tentaram me impedir, mas entrei assim mesmo. Vocês sabem que não podem fazer uma reunião secreta como esta!

O general deu um sorriso malicioso.

- Mas quem disse que esta é uma reunião secreta? Somos só amigos, amigos conversando. Falamos sobre assuntos importantes, claro, mas apenas de uma maneira amistosa.

Lia não respondeu imediatamente, apenas caminhou pelo grande salão da catedral, bem lentamente, enquanto fitava rosto por rosto cada um dos presentes. Ela se mantinha séria e determinada, olhando desafiadoramente para seus opositores.

- Madame, – iniciou o nobre gordo e de traços finos, que já havia se manifestado anteriormente na reunião: seu nome era Ilan Wasserbruck – nosso caro general nos trouxe à pauta um assunto por demais interessante, sobre os riscos de continuarmos a seguir a liderança de nosso atual Rei.

Lia apenas assentiu com a cabeça e, com um gesto da mão esquerda, pediu que ele continuasse.

- Creio que a maioria aqui se sente inclinada a concordar com o general. A situação parece indicar que uma fuga é necessária.

- Certo. E todos aqui estão de acordo com esta decisão?

De maneira tímida, cada um dos presentes balançou a cabeça positivamente, indicando que concordavam com o general. Entretanto, Lia tinha a percepção de que a maioria dos nobres que ali estavam não imaginava que o que Malenberg propunha era um golpe por parte do exército. A maioria deles estava apenas insatisfeita com as decisões tomadas até então. Certamente, nem todos, – principalmente aqueles que não eram generais – estariam dispostos a um combate armado; não havia necessidade de derramar sangue em um momento como aquele.

- Está decidido, então; algo precisará ser mudado. – declarou Lia. – Mas apenas peço que vocês esperem por Gabriel. Ele deve chegar em breve, provavelmente com alguma instrução de Sir Lance. Vocês sabem que estaremos em boas mãos. Peço apenas que esperem alguns dias.

Alguns murmúrios de aceitação puderam ser ouvidos pelo salão da catedral; boa parte dos presentes achava de fato mais prudente esperar pelo retorno de Gabriel. Os que apoiavam um golpe estavam em menor número, pelo menos por enquanto.

- Não adianta, Lia. Já tínhamos tomado uma decisão, não tínhamos? – interrompeu Malenberg, com um tom autoritário, enquanto fitava cada um dos presentes.

– Não podemos esperar mais, as criaturas estão muito próximas. Se quiser nos impedir, sofrerá conseqüências, assim como qualquer outro nobre ou general aqui. Meus exércitos estão espalhados por toda a catedral, a decisão foi tomada, não podemos voltar atrás.

- Isso é uma ameaça? – perguntou Lia, com uma expressão séria e fechada.

Malenberg ficou um tempo sem falar, pensando bem no peso de sua resposta.

- Todos tínhamos chegado a um consenso. Neste momento, este consenso é o que deve valer. Infelizmente, se precisar tomar medidas drásticas, tomarei. O que são algumas vidas se iremos salvar milhares?

A catedral ficou em silêncio. Alguns generais acenavam em apoio, outros pareciam um pouco irritados. Ninguém, entretanto, estava disposto a se opor a Malenberg. Naquele momento, seu exército era gigante e havia sitiado toda a redondeza. Se alguém se opusesse a ele, certamente não deixaria vivo aquela reunião.

- Então você acha que seu exército será capaz de sobrepujar a Guarda Real, assim, com facilidade? – perguntou Lia, com uma calma surpreendente em sua voz.

- Claro que não. Não irei contar apenas com minha Guarda, outros generais enviarão seus exércitos também para nos ajudar.

Lia deixou escapar uma risada suave.

- Então apenas os seus comandados protegem a área da catedral?

- Sim. E qual o problema?

- Você acha que seus exércitos poderão impedir a Guarda Real, os soldados de Gabriel e ainda nossa tropa de elite de arqueiros?

Malenberg engoliu em seco.

- Quer dizer que...
Lia riu novamente, com uma expressão ao mesmo tempo gentil e severa.

- Exatamente, general. Imagino que seus soldados já tenham até se rendido...

- E se você fizer qualquer movimento, terá problemas. – completou Anita, que havia se aproximado sutilmente de Malenberg e encostado um punhal em suas costas. No salão, todos se surpreenderam; ninguém havia notado a ação sorrateira da espiã.

- Você está preso, em nome do Rei. Em alguns dias, será levado a Sir Thomas Brickmond para ser julgado por traição. Mais alguém pretende organizar um golpe? – perguntou Lia, com um olhar severo e irônico. – A situação, então, está resolvida. Retornem para suas casas e esperem pela volta de Gabriel. Se alguém quiser se opor a mim, terá de enfrentar todo o poderia militar desta cidade.

Os nobres e generais apenas baixaram a cabeça, a maioria concordava com as atitudes da comandante. Mesmo naquela situação de fraqueza, não havia espaço para uma revolta ou uma revolução. Nada restava a se fazer senão esperar pelo retorno do Cavaleiro Negro, que trazia conselhos de Sir Lance, o segundo homem mais respeitado do continente.
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Dois poemas de Marcos Nunes

em 17/08/2011.
| Comentários: (5)
Iniciando o que eu havia proposto na postagem Publique seu poema, começo a colocar aqui, eventualmente, poemas que me foram enviados pelos leitores, especialmente aqueles com blogs ou livros para divulgar. Hoje, coloquei duas obras do Marcos Nunes, um dos leitores mais ativos do Na Ponta dos Lápis. Espero que gostem dos poemas, são muito bons; achei o primeiro muito bonito e imagético, já o segundo tem aquela característica de crítica misturada com ironia que eu acho essencial - creio que irão apreciar. Abaixo dos poemas, segue um pouco mais da história do autor. Aconselho vocês a lerem, é muito interessante conhecer a história das pessoas e de suas produções literárias!


O raio de sol


O raio de sol não queima a folha, revela-a
Em sua indeterminada cor, não da luz
Mas de uma paleta sagrada que
Desce do olhar humano
Até sua mão de luz
E ali se expande
Intocável.



Longe do McDonald’s

Depois da imagem sombria, cinza, cobre
Ocre, de um azul escuro, de uma luz triste
Fui às favas, nunca mais
Às batatas

O holandês não era bom poeta; na época
Apenas um obscuro pintor
Investido no desejo de sofrer
Comum a todos fundamentalistas

Mas por causa daqueles olhos inchados
Do vapor pestilento de tubérculos descorados
Fiz da gastronomia minha divisa
Do tempero minha munição
E do vinho o sangue deste
Único general de si mesmo

Passo ao largo das lanchonetes, no temor
De encontrar, em alguma delas
O fantasma do holandês
Vestido com a tétrica
Fantasia de palhaço.

Na multicolorida festa de uma feira
Exploro os cheiros de uma manhã
Alegre; nas ruas, a fome das pessoas
Ganha uma expressão luminosa


___________________________________________________________________


Marcos Augusto Almeida Nunes teve publicado um único conto em livro por força de classificação entre os escolhidos pelo caderno Prosa e Verso do jornal O Globo, no concurso Contos do Rio, conto esse intitulado Retrato do artista enquanto jovem carioca.

Um volume de poemas quando jovem, editado pela Editora Dazibao, sob o título Viuseversa.

Teve publicado um ensaio mais longo, denominado Um balão de ensaios, em uma revista de literatura da Universidade de Lisboa, em Portugal.

Um romance às expensas do autor, intitulado O último a sair acende a luz, em 2009, Editora Usina de Letras.

Três outros romances disponíveis no site AGBOOK, para impressão por demanda, intitulados Juventude Futebol Clube e No meio da rua e O alemão cordial.

Um livro de contos, O paralelista no labirinto.

E o de poesia, Poesia é uma prosa que se quebra, que está em: http://www.bookess.com/read/9183-poesia-e-uma-prosa-que-se-quebra/

Se alguém quiser entrar em contato com o autor, pode deixar seu comentário aqui ou enviar um e-mail para: marcosaugustonunes@hotmail.com
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Publique seu poema (divulgue seu blog)

em 15/08/2011.
| Comentários: (35)
Ultimamente, por causa da correria com as coisas da editora, eu não tenho podido me dedicar tanto à poesia, que é basicamente uma das coisas que mais gosto da literatura. Então, decidi voltar com a idéia de publicar outros autores aqui para ajudar a divulgá-los e divulgar seus blogs de poemas. É claro que aceitarei obras de quem não possui um blog ou site também, mas a prioridade é justamente ajudar a promover o pessoal que publica pela internet.

Como não estou com tanto tempo vago, não sei se postarei autores novos de semana em semana ou a cada duas semanas, mas certamente irei postá-los. Quem quiser participar, leia com atenção. Basta enviar um e-mail para leoschabbach@uol.com.br com o assunto "POEMAS". Na mensagem, não só enviar a obra, mas informações pessoais (nome e etc...) e um site ou blog para divulgar (o que é opcional). Quem não enviar neste formato sequer será lido. Dentre os que enviarem, irei fazer uma seleção entre os mais interessantes e postar no blog de tempos em tempos, para ajudar a divulgar o poeta e seu espaço.

Por último, abro a área de comentários a quem quiser divulgar seu blog de literatura. Podem deixar seus sites ou blogs aqui que eu não apagarei o comentário!
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Conheçam um dos maiores blogs sobre livros da internet

em 11/08/2011.
| Comentários: (3)
Sempre tento trazer para os leitores do Na Ponta dos Lápis indicações de excelência. Hoje, decidi por apontar um blog que sigo e que me traz muito conteúdo, tanto em quantidade como em qualidade. Qualquer um que goste de livros e de literatura irá apreciar, tenho certeza. A postagem também serve para uma iniciativa minha de tentar apresentar diversos blogs para quem acompanha este espaço, assim poderemos conhecer mais gente que também faz um trabalho legal. Nos próximos dias, devo até voltar a receber poemas para publicar por aqui, para divulgar os blogs de poesia.

Hoje, apresento a vocês o dono do Livros e Afins, um dos maiores blogs literários (eu, ao menos, considero-o assim) da internet, com quase 6 mil leitores de feed (por falar nisso, o feedburner, para variar, segue dando problema com meu contador de assinantes!!). Alesssandro Martins é, porém, um caso de muito sucesso no mundo dos blogs. Além do Livros e Afins, ele possui inúmeros outros espaços na internet e consegue tirar sua renda basicamente disso. É realmente um grande feito e, por isso mesmo, é interessante saber um pouco mais de sua história.

Durante 12 anos, Alessandro trabalhou como jornalista em diversos veículos de Curitiba. Em 2008, foi quando passou a se dedicar exclusivamente aos blogs. Seu começo na internet se deu em 2004, com o Cracatoa Simplesmente Sumiu, um site feito a várias mãos. Aos poucos os colaboradores desistiram do projeto, mas Alessandro viu ali uma ferramenta muito promissora para alguém que gosta de trabalhar independentemente. Sua intuição inicial teve muito sucesso e, hoje, ele possui vários blogs com muita visibilidade na internet. Acompanhem agora o que ele têm a nos dizer - e devo acrescentar que a entrevista ficou realmente muito boa:


Quando percebeu que os blogs poderiam ser não só uma opção de lazer? Quando notou que poderia encará-los como um trabalho de fato?
R: Eu comecei com um site chamado Cracatoa Simplesmente Sumiu (http://cracatoa.com.br/2005). Era feito por colaboradores e tinha fotos, narrativas fotográficas em flash, com texto e música, colunas de fotografia e textos literários. Um dia, um amigo sugeriu que deveríamos colocar anúncios do Google AdSense nele, pois seria uma forma de rentabilizá-lo e ele tinha conhecimento de pessoas que viviam exclusivamente disso na época (Ex: http://problogger.net). Quando ganhei meus primeiros US$ 0,10 fiquei muito orgulhoso e contente e isso me incentivou a querer mais e a trabalhar mais nesse sentido. Já nessa época, os colaboradores do Craca não estavam tão mais excitados como no início e, portanto, menos colaborativos. Eu queria continuar o trabalho mas não fazia sentido um site como aquele ser feito apenas por uma pessoa. Assim, abri meu blog alessandromartins.com que posteriormente se transformou, depois de perceber sua vocação para livros, em livroseafins.com. A seguir transformei o Craca também em blog para colocar meus textos mais pessoais e autorais. Paralelamente, continuei meu trabalho como jornalista no Jornal do Estado, em Curitiba, mas os maiores ganhos nos blogs e a falta de perspectiva no jornalismo acabaram fazer com que eu, em 2008, meio que saísse, meio que fosse expelido dessa carreira. Hoje sou só blogueiro.


Você se sustenta apenas com seus blogs?
R: Sim. Eventualmente dou cursos e palestras, mas não são minha principal fonte de renda. Diretamente os blogs, indiretamente as mídias sociais que giram em torno deles...


Como surgiu a idéia para a criação do Livros e Afins? Quanto tempo tem o blog?
R: Ele surgiu efetivamente no início de 2006, como uma necessidade de publicação individual, já que o Craca na época era coletivo. Surgiu como AlessandroMartins.com, mas como escrevia cada vez mais sobre livros e percebi a necessidade de uma especialização para maiores chances de sucesso de um blog, transformei-o em livroseafins.com.


Você tem um espaço na internet voltado para os livros. Acha que o interesse pela leitura aumentou nos últimos anos? A procura por informações relativas ao livro na internet tem crescido?
R: Sem dúvida! Meu blog, que posso usar como amostragem, tem cada vez mais acessos. Além disso, como nos lembra o escritor Cristóvão Tezza, a internet nos tirou de uma cultura completamente ágrafa da década de 80 para um ambiente em que é impossível se relacionar sem se ler e escrever: a internet. Você não encontra uma página sequer, mesmo no YouTube, em que você não precise interagir com a palavra escrita. Quanto aos livros, basta ver o movimento que sites como o Domínio Público tem ou mesmo a preocupação das editoras com pirataria e a presença de tantos sites com download de obras grátis.


Como você consegue tanto conteúdo de qualidade para o Livros e Afins?
R: Envolve muitas questões. É preciso seletividade de quem eu sigo nos feeds, no Twitter e nas outras mídias. Também cheguei na fase em que os próprios leitores indicam coisas. Acabo sendo apenas um curador/seletor/editor/DJ de conteúdo. Além disso, muito do conteúdo que publico vem de livros que estou lendo, coisas que nem estão na internet, ou que ainda não tiveram a apreciação adequada na internet. E quando sobe-se em ombros de gigantes, sabe-se o que acontece: vai-se mais longe. Por outro lado, qualidade é algo relativo. Você diz que eu tenho qualidade, mas muitas pessoas dirão que não. Acontece que você se identifica com meu estilo de edição do blog. A melhor forma de manter um público é manter-se fiel a seu estilo de editar e ser você mesmo, de maneira que esse estilo não seja desconfortável, o que tornaria essa atividade terrível. Inevitavelmente, você terá um público que vai se identificar com seu estilo.


Quais foram as estratégias de divulgação usada em seus sites no início de sua experiência como blogueiro?
R: 1. Escrever sobre o que se gosta. 2. Escrevendo sobre o que se gosta, fica mais fácil manter a regularidade e a constância de atualização, bem como a qualidade. 3. Com qualidade, você recebe mais links, o que influencia o tráfego direto e, ainda mais importante, seu posicionamento nos resultados das buscas. 4. Com qualidade, você tem divulgação mais consistente através de seu próprio público nas redes sociais. E redes funcionam por similaridades de interesses. É uma reação em cadeia. 5. Fortalecimento da própria rede: comentários em outros blogs, ceder links em posts para outros blogs, relacionar-se no Twitter, Facebook e outros com editores da mesma área que você. Fortalecimento da rede é essencial.


O que acha do crescente número de blogs literários? Tem acompanhado este fenômeno?
R: Tenho acompanhado e não me surpreende. Blogs são feitos em grande parte inspirados pela paixão pela escrita e divulgação de ideias. Muitas dessas pessoas gostam de ler e gostam de livros. Portanto é um fenômeno natural. É preciso ressaltar que meu blog não é sobre literatura, mas sobre livros e o prazer de ler. Se fôssemos bem honestos, deveríamos dizer que o Livros e Afins é um blog sobre as coisas que o Alessandro lê e gosta, mas isso soaria meio egocêntrico. No entanto, é isso o que cada blog de livros ou literatura é: um blog sobre o que o seu editor lê e gosta de ler (embora alguns editores tenham mania de escrever sobre o que não gostam; é uma neurose)


Fale-nos um pouco sobre seus outros blogs, assim os leitores poderão também conhecê-los.
R: As URLs de alguns falam por si: queroterumblog.com, iniciantenabolsa.com, alessandrolandia.com (links que coleto na internet durante os dias de trabalho), pinkythekinky.com (blog adulto: só clique se tiver mais de 18 anos), cracatoa.com.br (literário), qualidadedevida.info (sobre o Método DeRose), alessandromartins.me (meu tumblr), @alessandro_m (meu twitter).
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Técnicas de narrativa: a inocência do personagem - ou como apresentar um novo mundo ao leitor

em 02/08/2011.
| Comentários: (8)
Muitas vezes, quando pensamos em uma história, surge o seguinte problema – que, dependendo da trama, pode ser um enorme problema: como faço para apresentar o ambiente por mim criado, ou imaginado, ao leitor? Naturalmente, percebe-se que esta é uma questão ainda mais forte quando tratamos de ficção científica e de literatura fantástica; afinal, em ambos os gêneros, de uma maneira geral, é necessário se apresentar um mundo completamente diferente daquele no qual vivemos.

Surgem, então, inúmeras possibilidades para o autor; no entanto, a tarefa não é fácil. Como fazer esta apresentação de um modo que o leitor não se canse? Existem algumas técnicas. É possível, por exemplo, fazer igual a Aldous Huxley, no início de Admirável Mundo Novo, obra de ficção científica em que se inicia o texto com uma explicação sobre os modos de reprodução e graduação (quase em castas) dos seres humanos – tudo para já ambientar o leitor àquela história. Pode-se também fazer de um jeito mais brusco. A história se inicia com um personagem já envolvido naquele mundo, e o narrador aos poucos começa a explicar os detalhes.

Todavia, há uma técnica bem mais comum a este tipo de livro: tanto nos de fantasia quanto nos de ficção científica – e isso ocorre também no já citado Admirável Mundo Novo, um pouco mais para frente. Trata-se da utilização da inocência de um personagem para que o mundo diferente que pretende se retratar apareça. É, inclusive, a mesma técnica que apliquei no meu livro, O Código dos Cavaleiros (veja aqui três capítulos), por meio do Lino, personagem principal.

Vamos, então, a alguns exemplos para que tudo fique mais claro. Em O Hobbit, o escritor J.R.R. Tokien possui um mundo criado por ele muito rico em detalhes, porém seria complicado explicá-lo diretamente ao leitor, todo de uma vez, quase como numa enciclopédia. Por isso, ele escolhe para ser seu herói Bilbo Bolseiro, um Hobbit calmo e inocente, que mal conhece os detalhes daquele mundo. Deste modo, Tolkien pode, ao longo da aventura de Bilbo, apresentar com facilidade as facetas de sua criação, uma vez que o personagem é inocente e também não conhece os detalhes da Terra-Média. O leitor, junto com Bilbo, irá conhecer aquele mundo. Ou seja, o autor utiliza o desconhecimento do personagem para apresentar seu universo ficcional. O pequeno Hobbit é quase como um personagem neutro, utilizado para dar a visão do narrador, que precisa revelar, pouco a pouco, o mundo em que se passa a história. Se repararem, o mesmo acontece em O Senhor dos Anéis, mas desta vez pelo olhar também inocente de Frodo Bolseiro.

Em Viagem ao Centro da Terra, de Júlio Verne, ele também opta por um personagem inocente, Axel, para que as teorias do Professor Lidenbrock sobre uma possível viagem ao centro da terra sejam explicadas. E durante toda a trama, é Axel quem se pergunta exatamente o que se passa a cada momento, recebendo, então, a resposta do Professor ou de suas próprias observações. Nesta obra, as revelações se dão muito mais por meio de diálogo, porém, do que pela narração – algo um pouco contrário ao método de O Senhor dos Anéis.

E, mais recentemente, por que não citar Harry Potter? Um menino, que até os onze anos de idade nada sabia sequer sobre a existência da magia e do mundo dos bruxos, é convidado a comparecer a Hogwarts. Ele, assim como nós, leitores, então se depara com uma série de coisas desconhecidas, com uma série de criaturas mágicas, aventuras e pessoas novas e fantásticas. Harry Potter, especialmente nos primeiros livros, desbrava aquele mundo mágico novo junto com o leitor – e a narradora se utiliza dele para apresentar tudo aquilo que havia criado.

Enfim, creio que poderia dar ainda muitos outros exemplos, tanto na literatura fantástica como na ficção científica, mas imagino que todos tenham já notado a técnica que eu pretendia apresentar. Especialmente para aqueles envolvidos com os gêneros citados, vale muito prestar atenção nisso. Muitas vezes aplicamos a técnica até de maneira instintiva, mas é bom saber que ela existe e pensar em como usá-la com precisão.

E mesmo em sua aplicação, há variações. Como já citei anteriormente, às vezes a carga de apresentação se dá mais pela forma de narrativa, às vezes mais pelo diálogo – e outras vezes, claro, por uma mistura entre ambas.

Bom, espero que tenham gostado da dica e do texto – e se tiverem coisas a acrescentar, por favor, sintam-se sempre convidados a comentar!
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Por que Harry Potter se tornou um sucesso mundial?

em 01/08/2011.
| Comentários: (11)
Talvez precisar as razões pelas quais um livro se torna um sucesso absoluto, como aconteceu com Harry Potter, seja uma das tarefas mais complicadas de se realizar; tanto para editores, como para críticos e teóricos. Como meus estudos se voltam justamente para a produção ficcional na pós-modernidade, eu tenho minha visão sobre o sucesso do livro.

Antes de se pensar se a narrativa é ou não é boa, se o livro possui ou não qualidade, é necessário ter uma outra concepção em mente. Para que uma obra alcance um sucesso do tamanho alcançado por Harry Potter, não basta que se tenha uma boa história, não basta que se tenha um grande autor. A realidade é: algo naquela trama, em alguma instância, conecta-se com a sociedade; dá as pessoas o que lhes falta.

Por este motivo, em minha opinião, grande parte do sucesso de Harry Potter ocorre pela história se tratar de uma obra tanto "moderna" como "pós-moderna". E logo explico o porquê.

Ficção e sociedade sempre andaram juntas. Quando paramos e analisamos com cuidado as produções ficcionais de cada período, notaremos como elas influenciam a sociedade (e como são por ela influenciadas). Acontece que, hoje, vivemos numa época conturbada e imprecisa. Muitos teóricos discutem se estamos em um período que pode ser ainda classificado como moderno, como modernidade tardia ou, então, como pós-modernidade. Eu sou adepto de, talvez, se falar em uma modernidade tardia, uma vez que o mundo, atualmente, é muito diversificado e, por isso, inclui, na vida de cada pessoa, características do que se chama “pós-modernidade” e também da modernidade. Há, além disso, diferenças sociais gritantes que colocam alguns grupos sociais mais ligados à modernidade, principalmente os com menos poder aquisitivo, e outros ao estilo de vida considerado "pós-moderno".

Logo, quando falo que Harry Potter é uma obra moderna e pós-moderna, indico que ele consegue abranger um público enorme, quase como se seu público-alvo pudesse incluir todas as faixas-etárias, de uma gama incrível de países e de culturas também.

Para que fique mais claro, irei falar um pouco de como o homem moderno se relacionava com a ficção. Neste período histórico, viveu-se o ápice da expansão científica. Era uma época em que novas máquinas surgiam o tempo inteiro, as cidades se expandiam, as descobertas se multiplicavam. Tudo era ciência e evolução. Ao mesmo tempo, tinha-se uma sociedade que prezava pela civilidade. Havia uma série de regras comportamentais que deveriam ser seguidas para que se pudesse evoluir com segurança. Daí surgiu o ideal de se expandir a civilização, de se educar, no Brasil, por exemplo, os diversos povos indígenas, aqueles considerados “bárbaros”.

Enfim, na modernidade, como afirmou Freud, trocou-se um pouco da liberdade por segurança. As mulheres abriam mão das possibilidades de lutar por direitos no trabalho e de competir com os homens para ter uma vida financeiramente segura através de um casamento. Os homens, por sua vez, sempre buscavam as carreiras tradicionais, como direito, medicina e engenharia, mesmo que isso não respondesse aos seus anseios, por saberem que tais carreiras lhes garantiriam um futuro seguro. Ou seja, as pessoas abriam mão de experimentar o novo e de muitas outras possibilidades em função de ter uma vida mais certa, de ter um futuro garantido.

Por todos esses motivos, a ficção funcionava, como ainda funciona, como uma válvula de escape. As pessoas procuravam nas aventuras ficcionais por histórias em que pudessem viver aquilo que não podiam na vida real. Era justamente nos universos ficcionais que eles podiam ter toda a liberdade de que se privavam em seu cotidiano.

De modo oposto a isso, colocas-se a relação do homem com a ficção na pós-modernidade. Hoje, vivemos a época da liberdade total. Quer se absorver o máximo de informações, quer se experienciar o máximo de sensações, explorar cada uma das possibilidades que se colocam diante de nós. Neste cenário, como nos aponta Bauman, trocou-se uma pouco de segurança por um pouco de liberdade. E embora tenhamos uma série de sensações a serem vivenciadas e escolhas a serem feitas, poucos são os caminhos que podem ser considerados seguros. Mesmo caminhos que antes eram bem certos (como as carreiras citadas logo acima) já não o são. As próprias relações sociais, as construções de identidades também já não são tão simples. Em meio a uma quantidade enorme de escolhas, é difícil para as pessoas definir aquilo que realmente pretendem seguir, aquilo que realmente são, aquilo que, enfim, lhes trará felicidade.

Nota-se, então, com algumas facilidade, as razões pelas quais livros de auto-ajuda e comédias românticas têm alcançado um sucesso cada vez maior. Os primeiros justamente dão às pessoas aquilo de que elas necessitam: “caminhos seguros a serem seguidos; fórmulas para o sucesso certo”. Já as comédias românticas transmitem aquela sensação de segurança que o mundo real já não mais nos proporciona; aquela certeza de que, apesar de tudo, apesar de todas as dificuldades, tudo terminará bem.

Harry Potter possui também esta característica – assim como os atrativos das histórias modernas. Ele serve como uma válvula de escape num sentido de levar as pessoas a um mundo mágico, livre, e muito diferente do nosso, de fazê-las embarcar em uma aventura não possível em seus cotidianos, ao mesmo tempo em que apresenta relações profundas entre os personagens, relações sociais. Harry sempre enfrenta, além de suas aventuras, questões de popularidade dentro do colégio (que muitas vezes afligem também os leitores), assim como (mais para o quarto livro) questões amorosas. Isto é, a obra, além de ter toda a sua veia de aventura, de liberdade, também traz as relações pessoais, dá aquela mesma segurança fornecida, por exemplo, por comédias românticas - embora não tenha nada a ver com uma, que fique claro.

De alguma forma, esses mesmo motivos parao sucesso de uma obra como Harry Potter podem ser dados para o de uma série como Crepúsculo, que tem basicamente as mesmas características (e com um foco ainda maior na parte “pós-moderna”das relações sociais; de identidade, popularidade e romance).

Enfim, sei que o texto ficou meio grande, mas esta é uma teoria que venho desenvolvendo tem algum tempo e que queria dividir com vocês. Claro que não tive muito como defender com grande afinco os argumentos, não pude explicá-los mais profundamente, para não deixar o texto excessivamente grande e pesado.

Aproveito para dizer também que gosto muito da série Harry Potter – e por isso mesmo tive vontade de fazer uma análise de seu sucesso por um prisma social.
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