O Legado dos Dragões [E-book gratuito]

Acompanhe esta história épica de aventura fantástica, no estilo "O Senhor dos Anéis". Baixe aqui o livro gratuitamente e participe deste universo em construção!

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[Resenha e Indicação] O Nome do Vento e Patrick Rothfuss

Hoje falo sobre um dos melhores livros de literatura fantástica que já li (senão o melhor). Coloco, inclusive, a resenha marcada como livros de cabeceira, pois de fato trata-se de uma obra incrível...

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[A Sociedade da Rosa] Boa Vizinhança

Acompanhe essa série de mistérios, com um certo ar de romance policial, aventuras e ação. Descubra também tudo sobre esta estranha sociedade secreta

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100 Cupons exclusivos de desconto no Clube de Autores

em 29/09/2011.
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O pessoal do Clube de Autores enviou uma oportunidade bem legal para quem acompanha o Na Ponta dos Lápis - se não conhece o site, saiba mais sobre eles em Publique seu livro de graça. Trata-se de um código promocional que garantirá 5 reais em desconto em qualquer compra de livro feita no site. Aceitei participar da ação, pois acho que pode beneficiar os novos autores que têm livro por lá - e sei que muita gente que acompanha o blog tem publicações por lá também. É uma iniciativa interessante do Clube para tentar ajudar os autores a vender um pouco mais - e, óbvio, isso beneficia eles também; mas é uma troca bem positiva.

Acho que os cupons podem ser bem interessantes para algumas finalidades. 1) Se alguém estiver interessado no texto de algum autor, pode comprá-lo com um bom desconto. 2) No caso da compra de algum e-book, tem livros que saem praticamente de graça. 3) Para autores que já têm livro lá e querem presentear alguém ou adquirir um exemplar mais barato de modo a passar para um blog literário, por exemplo, e usá-lo para um sorteio, com a finalidade de divulgar a obra.

Enfim, é uma iniciativa válida. No entanto, como está no título da postagem, apenas as 100 primeiras compras a utilizarem o código terão o desconto.

Para quem estiver interessado, o código promocional é: "napontadoslapis" e é válido até o dia 01/11/2011. Para saber como utilizar o código, basta acessar este link: http://clubedeautores.com.br/webpage/cupom

Agora, como disse anteriormente, alguns dos autores que acompanham o blog possuem livros no site. Por isso, deixo os comentários aberto aos leitores que queiram divulgar suas obras também. Conforme vocês deixarem seus links para elas, vou incorporando a esta postagem! Assim, damos uma divulgada. Enfim, espero que tenham gostado da ação.
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[Contos] Debate sobre a pobreza

em 28/09/2011.
| Comentários: (2)
Era um das maiores convenções das últimas décadas. Todos os políticos daquele país, junto a todos os considerados grandes intelectuais, haviam se reunido para debater um problema que assolava a nação: o índice de pobreza era altíssimo, acima dos 30%. E não podia aquele, um país tão único, tão cheio de recursos e de indústrias, ter uma estatística preocupante como aquela. Alguma coisa precisava ser feita.

Durante muitos dias, a convenção continuou: não sairiam dali até que resolvessem a situação. Alguns intelectuais vieram com idéias mirabolantes, que envolviam a redução da taxa de crescimento econômico em função de uma sociedade mais igualitária. Nada feito, havia empresários poderosos na convenção. E mesmo a população não ficaria satisfeita, já que sentiria mais rapidamente os efeitos de uma redução na velocidade do desenvolvimento econômico. Nenhum político se reelegeria.

Eis que, após um mês de discussão, um senhor jovem, bem vestido, de terno perfeitamente alinhado, com toda a calma, olhando para algumas anotações no papel, proclamou:

- Encontrei uma solução!

E todos o encararam: duvidavam de tal pomposa afirmativa.

- Basta que mudemos nossa maneira de configurar estas estatísticas. Segundo os órgãos reguladores, uma pessoa pobre é aquela que ganha apenas um salário mínimo.

A platéia o fitava em total silêncio; uma excitação sutil tomava conta do lugar.

- Se em vez disso considerarmos pobres apenas aqueles que recebem metade de um salário, nosso índice de pobreza cairá para 5%, teríamos operado um inacreditável milagre!

O silêncio ainda se prolongou por alguns segundos, enquanto políticos, intelectuais e empresários digeriam a idéia. Assim que perceberam a genialidade do homem, aplaudiram, adotaram as medidas por ele indicadas e ainda elegeram-no presidente.

A população estava em festa. A pobreza naquele país fora praticamente erradicada.
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Alguns poemas selecionados, com comentários e indicações

em 26/09/2011.
| Comentários: (2)
Faz algum tempo que quero colocar um pouco mais de poesia no blog, seja de outros autores ou de minha autoria. Infelizmente, não tenho produzido muito, talvez por causa da correria do dia-a-dia, não sei. Então decidi hoje trazer uma pequena seleção de poemas que até já coloquei no blog, mas tem muito tempo, e que considero fantásticos. Assim as muitas pessoas que passaram a acompanhar o Na Ponta dos Lápis poderão também apreciar a seleção. Destas vez, trago três autores diferentes: Manuel Bandeira, Cecília Meireles e Fernando Pessoa. A seleção se dá em muito por eu achar que os três têm algumas características primárias em comum, coisas evidentes, como uma poesia """razoavelmente simples""" (assim, com muitas aspas), porém cheia de musicalidade. Nestes três poetas, a presença da musicalidade é muito forte (não é à toa que o título de um dos poemas colocados aqui é Canção - e que Pessoa tem um livro chamado Cancioneiro). Enfim, eu particularmente gosto de poemas que têm essa qualidade musical - o que justifica a seleção. Comecemos por Manuel Bandeira:


Desencanto
Por Manuel Bandeira

Eu faço versos como quem chora
De desalento... de desencanto...
Fecha o meu livro, se por agora
Não tens motivo nenhum de pranto.

Meu verso é sangue. Volúpia ardente...
Tristeza esparsa... remorso vão...
Dói-me nas veias. Amargo e quente,
Cai, gota a gota, do coração.

E nestes versos de angústica rouca,
Assim dos lábios a vida corre,
Deixando um acre sabor na boca.

- Eu faço versos como quem morre.


Comentário: Eu acho esse poema simplesmente espetacular. Como falei anteriormente, a musicalidade aqui é incrível - tentem lê-lo em voz alta e perceberão, as palavras fluem com muita naturalidade, encaixam-se com perfeição. É um poema sincero também, se conhecerem a história de Manuel Bandeira - querendo saber um pouco mais dela, podem checar a postagem do poema Testamento, que, além de genial, é também levemente autobiográfico.


Canção
Por Cecília Meireles

Pus o meu sonho num navio
e o navio em cima do mar;
- depois, abri o mar com as mãos,
para o meu sonho naufragar

Minhas mãos ainda estão molhadas
do azul das ondas entreabertas,
e a cor que escorre de meus dedos
colore as areias desertas.

O vento vem vindo de longe,
a noite se curva de frio;
debaixo da água vai morrendo
meu sonho, dentro de um navio...

Chorarei quanto for preciso,
para fazer com que o mar cresça,
e o meu navio chegue ao fundo
e o meu sonho desapareça.

Depois, tudo estará perfeito;
praia lisa, águas ordenadas,
meus olhos secos como pedras
e as minhas duas mãos quebradas.


Comentário: Este é outro poemas dos meus favoritos. Tem também a característica musical já citada, mas traz um aspecto interessante de sonho, algo diferente, provocado pelo uso de sinestesias e metáforas. Considero um poema lindo mesmo, como muitos da Cecília. Outro de que gosto muito e de que vocês podem gostar também é Mulher ao Espelho, que, embora tenha sido escrito anos atrás, indica muito bem a situação em que estamos hoje em relação à preocupação com a aparência (tanto em relação aos aspectos estéticos como em relação à imagem social).


Autopsicografia
Por Fernando Pessoa

O poeta é um fingidor.
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.

E os que lêem o que escreve,
Na dor lida sentem bem,
Não as duas que ele teve,
Mas só a que eles não têm.

E assim nas calhas de roda
Gira, a entreter a razão,
Esse comboio de corda
Que se chama coração.


Comentário: nem tenho muito o que comentar sobre este poema. Já é mais do que conhecido, quis colocá-lo apenas por causa de sua magnitude. Eu sou simplesmente apaixonado pelos poemas de Pessoa quando eles apresentam uma veia mais musical. A capacidade dele não só de colocar a musicalidade nas suas obras, como também rimar de uma maneira fantástica e inesperada, fazem dele, de fato, um dos maiores poetas de todos os tempos. Isso sem falar na sua capacidade de pensar, que faz com que seus poemas tenham também fortes veias filosóficas - ou seja, sejam belos e ainda provoquem profunda reflexão.
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Gonçalo Tavares na Bienal - a arte de escrever pouco para ampliar os significados (técnica de narrativa)

em 21/09/2011.
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Hoje escreverei um pouco sobre minha experiência na Bienal do Livro do Rio de Janeiro. É claro que, fazendo isso, falarei de algo muito interessante em termos literários, algo falado pelo excelente autor português Gonçalo M. Tavares (leia mais sobre ele aqui) em sua passagem pelo Café Literário.

Em primeiro lugar, antes de escrever qualquer coisa, gostaria de dividir algo que pessoalmente foi importante para mim. Após o Café Literário, consegui, além de pegar um autógrafo do Gonçalo, conversar um pouco com ele - e iremos tentar, nas próximas vezes que ele vier ao Brasil, marcar uma entrevista presencial. Acho que será difícil, mas, se ela ocorrer, será muito legal. Posso dizer que ele é um escritor um pouco tímido e simpático - e que certamente está sempre pensando em boas histórias para seus contos. Digo isso, pois peguei meu autógrafo com alguns amigos e revelei ao autor que eu que tinha feito todos eles lerem sua obra - o que os tornou fãs também. Eis que, logo após eu pedir meu autógrafo, um amigo meu foi pegar o dele. Gonçalo, então, pergunta: "qual o seu nome". Ele responde: "Leonardo". Como era o mesmo nome que o meu, o autor português logo retrucou, de brincadeira: "então você só convence pessoas do mesmo nome?". Todos riram, claro. Mas, em seguida, ele emenda: "seria interessante, né? Uma história de uma pessoa que só convence pessoas do mesmo nome". Achei a observação legal, pois esse é justamente o tipo de conto que o Gonçalo escreve, partindo dessas premissas peculiares, o que mostra que ele, a todo momento, busca idéias para sua literatura - e isso é muito importante.

Agora, sobre o que ele falou no Café Literário. Em meio a diversas questões, começou-se a discutir os estilos de narrativa, a voz do autor também. Quando Gonçalo falou sobre sua obra, ele trouxe algumas idéias importantes e interessantes. Ele logo explicou que, de uma maneira geral, prefere construir seu texto com o caminho mais curto possível. Uma frase até o seu ponto final pode ter muitas curvas, adjetivos e etc... ou pode ser construída em linha reta, como ele busca fazer. No entanto, essa sua procura não se dá de modo a simplificar o texto. A intenção é justamente ampliar os significados (Gonçalo é adepto, portanto, da velha frase de Drummond, "escrever bem é cortar palavras"). Ele acha que, exatamente pelo fato de que o leitor precisa completar o que é dito com seus próprios adjetivos e conhecimentos, engrandece-se a experiência. É possível que múltiplas pessoas tenham múltiplas leituras sobre seus contos. Para evidenciar esta possibilidade, ele leu uma pequena história do livro "O Sr. Calvino", de sua série o Bairro. Abaixo vocês podem conferir o conto:



Três Sonhos - 1.º sonho de Calvino

Do alto de mais de trinta andares, alguém atira da janela abaixo os sapatos de Calvino e a sua gravata. Calvino não tem tempo para pensar, está atrasado, atira-se também da janela, como que em perseguição. Ainda no ar alcança os sapatos. Primeiro, o direito: calça-o; depois, o esquerdo. No ar, enquanto cai, tenta encontrar a melhor posição para apertar os atacadores. Com o sapato esquerdo falha uma vez, mas volta a repetir, e consegue. Olha para baixo, já se vê o chão. Antes, porém, a gravata; Calvino está de cabeça para baixo e com um puxão brusco a sua mão direita apanha-a no ar e, depois, com seus dedos apressados, mas certeiros, dá as voltas necessárias para o nó: a gravata está posta. Os sapatos, olha de novo para eles: os atacadores bem apertados; dá o último jeito no nó da gravata, bem a tempo, é o momento: checa ao chão, impecável.

O autor, então, observou que um determinado leitor poderia achar Calvino um tolo, de se jogar do alto de um prédio por estar atrasado ao trabalho - ou por causa de suas roupas. Outro, poderia achá-lo incrível, por, mesmo em queda livre, ser capaz de manter a tranquilidade e agir, fazer tudo o que precisava para cair com perfeição, como um herói das grandes histórias. Eu, pessoalmente, vejo no conto o desespero de alguém que está atrasado para o trabalho, que se atira atrás de suas roupas para não se atrasar; já que em nossa sociedade o que menos se tem é tempo - e o que mais se tem é pressão.

Enfim, ele poderia ter deixado claro quais as intenções de Calvino ao se jogar da janela, escrevendo, por exemplo: "estava atrasado, mas já não podia mais se atrasar, se o fizesse, seria demitido, não teria mais como sustentar sua família". Neste caso, ficaria clara uma determinada visão do assunto e do conto. No entanto, Gonçalo prefere deixar tais descrições (ou curvas) não definidas, escrevendo em linha reta, para que cada leitor possa preencher os vazios com significados diferentes. É claro que nem toda a literatura deve ser feita assim - e nem todo o autor deve seguir o mesmo estilo. Porém, é muito interessante observar a abordagem do autor português, até porque, na minha opinião, sua literatura é da mais alta qualidade.

Portanto, fica aqui minha impressão sobre a fala do Gonçalo em relação a sua produção narrativa e literária. E espero que a postagem traga mais recursos a quem acompanha o blog - ou, ao menos, traga reflexão sobre o assunto.
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[Indicação de filme] Mais estranho que a ficção

em 20/09/2011.
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Hoje aproveito o espaço do blog para indicar um filme que considero excelente. Não só pelo boa veia de comédia, como por sua inteligência; por trazer, de uma forma inusitada, algumas idéias legais, algumas coisas em que se pensar. É uma comédia perspicaz e reflexiva, com uma história original e bem trabalhada. Trata-se do filme Mais estranho que a ficção.

O longa é estrelado por Will Ferrel, em um dos poucos papéis inteligentes que eu o vi fazer; em um filme inteligente, digo, já que o personagem dele não necessariamente o é. De qualquer modo, gosto muito do timing dele para comédia, da maneira como ele consegue permanecer sério em algumas situações ridículas ou absurdas, o que, como consequência, gera humor.  Ele, certamente, foi feito para o personagem principal desse filme. A história se inicia quando Harold Crick, auditor da Receita Federal, começa a escutar uma narradora detalhar tudo aquilo que ele faz em sua vida. O filme, paralelamente, mostra-nos uma autora trabalhando em seu livro, uma autora que sofre de bloqueio criativo, inclusive.

A questão é que há uma mistura de ficção e realidade muito legal – e muito atual também, já que as linhas entre o que é real e o que é ficção no mundo pós-moderno são muito tênues; e, de fato, eu acho isso um assunto fascinante, tanto que faz parte dos meus estudos teóricos, por isso também meu maior interesse pelo filme. Enfim, há a escritora que, enquanto narra e escreve, afeta efetivamente a vida de Harold Crick, que não é personagem, é real - ou melhor, é personagem fictício e é real ao mesmo tempo. Ele, completamente surpreendido com tudo o que acontece, procura tentar aprender mais sobre literatura e sobre como lidar com a situação. Neste ponto entra o professor que pretende lhe ajudar, interpretado por Dustin Hoffman.

Bem, não quero falar mais muito sobre a trama do filme, já que não quero estragá-la para quem ainda não viu e tenha decidido vê-lo após a leitura da resenha. O que posso dizer é que, além de ser uma comédia sensacional, ela é aquele tipo de ficção meio absurda e "fantasiosa em algum ponto" de que eu adoro (similar aos contos do Gonçalo Tavares, de que tanto falo no blog). Quem assistir ao filme, além de curtir uma boa história e uma boa comédia, deparar-se-á também com uma excelente peça de ficção, que é capaz de nos levar a refletir.

Portanto, fica a dica! Segue o trailer para quem quiser saber ainda mais.




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[O Legado dos Dragões] A Grande Torre Vigia - Parte II

em 17/09/2011.
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Segue a continuação de mais um capítulo de O Legado dos Dragões. Como sempre, àqueles que nunca leram, aconselho a começarem a acompanhar, a história está ficando bem legal, vocês podem conferir tudo desde o início bem aqui. A quem já acompanha, peço desculpas por não ter postado a atualização ontem, como havia prometido, mas enfrentei alguns probleminhas técnicos. Na próxima sexta, planejava postar o início de um novo conto da Sociedade da Rosa, mas nos últimos dias tive algumas idéias para O Legado e estava com vontade de terminar pelo menos a primeira fase da história logo, o que implicaria mais postagens, deixando A Sociedade da Rosa de lado por um período curto. Mas ainda não me decidi, são só idéias. Enfim, leiam, comentam e, claro, ajudem a divulgar!

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- Olá, senhores. Em que posso ajudá-los?

James e Lanir tinham acabado de chegar ao ponto mais alto da Grande Torre Vigia e o capitão Galliard viera lhes atender. Era um homem mais velho, provavelmente da mesma idade de Sir Lance, mas ainda muito temido; tanto por suas habilidades em combate quanto por sua inteligência. Poucos eram os generais que tinham melhor visão estratégica do que aquele capitão. Sua carreira, no entanto, nunca decolara – e isso se dava em muito por sua própria vontade. Galliard preferia ter uma milícia própria, que ora trabalhava para Sir Brickmond e ora trabalhava para Sir Lance. Era um mercenário, portanto, e sempre estivera mais interessado em riquezas do que na honra e na coragem, que eram qualidades prezadas pelos mais poderosos cavaleiros e generais.

A parte mais alta da torre era bem ocupada, com cerca de vinte e cinco soldados espalhados pelo imenso salão oval. Não havia móveis, exceto por uma grande luneta prateada e uma bela mesa de mogno, onde se situava o capitão Galliard.

- Olá, capitão. – cumprimentou Lanir. – Vejo que continua muito bem, agora com um cargo tão importante.

O homem apenas levantou as pernas e as colocou sobre a mesa, cruzadas, numa postura de certo desdém e relaxamento.

- Sabe como é... precisam proteger essa torre, e nenhuma milícia é mais poderosa do que a minha. Você bem sabe... fomos nós que sobramos em maior número na última guerra, contra os dragões, eu também trabalhava para Robert na época.

Lanir sorriu.

- Sim, claro... eu me lembro.

- E como eu sempre digo, se não tivemos medo de lutar contra dragões, porque temeríamos essas criaturas. – Galliard riu, levou um cachimbo à boca e o acendeu cautelosamente. – Além disso, eles me pagam muito bem aqui.

Lanir permaneceu quieto. Não simpatizava tanto com o capitão – e também não sabia a razão pela qual a conversa parecia se arrastar. A situação era simples, eles ficariam ali por um tempo até seguir para a Floresta Escura. No entanto, seria bom poder dar uma olhada na luneta de prata, que se voltava justamente para a floresta; ela poderia revelar onde estava o garoto que tanto procuravam.

- E porque trouxe esse menino? Sir Brickmond não tinha um guerreiro melhor para te indicar? – o capitão se levantou, enquanto dava uma tragada em seu cachimbo, e deu as costas para James e Lanir, conforme observava, por uma das janelas da torre, a imensidão negra formada pela floresta logo ao pé da montanha.

- Isso não é de seu interesse. Foi minha escolha, imagino que nunca vá entender. – respondeu Lanir, um pouco contrariado.

- Bem... depois de velho e depois de rodar tanto por esse mundo, meu caro, nós aprendemos muita coisa.

Galliard soava um pouco sombrio, seus olhos ainda se mantinham fixos na floresta. Por um momento, foi possível observar todo o peso de sua idade em sua expressão. As rugas, as olheiras, o cansaço. Certamente, tratava-se de um homem que vivera muita coisa, que conhecera muitos segredos do mundo; segredos aos quais muito poucos tinham acesso.

- Você procura pelo jovem, não? Eu o vi pela luneta algumas semanas atrás. Ele vive na floresta, sozinho.

James, que até este momento permanecia quieto, animou-se ao ouvir aquelas palavras. Embora o capitão ainda soasse um pouco distante e sombrio, era bom saber que a missão poderia ser cumprida, que o bebê abandonado tantos anos antes ainda vivia nas florestas.

- E como ele está? Onde você o viu? – o garoto perguntou.

Galliard saiu de sua espécie de transe e encarou o menino com alguma irritação.

- Não dirija a palavra a mim a não ser que tenha recebido permissão. É assim que funcionam os exércitos, garoto. Só quem pode falar diretamente comigo são meus iguais ou superiores.

- Mas ele tem as armas de Sir Brickmond, capitão. Ele representa um reino inteiro. – completou Lanir.

- Eu trabalho para Sir Lance. – Galliard retrucou, ainda muito irritado. – Mas, se quer saber, eu o vi próximo às bordas da floresta. Eu observava uma das tropas de criaturas que se movimentava em nossa direção. Ele as encontrou primeiro. – o capitão fez então uma pausa, voltando a olhar pela janela. – Foi incrível. Derrotou quatro delas, com apenas duas facas que carregava consigo. Nunca vi algo assim... um menino, sem qualquer treinamento... nunca vi tanta velocidade.

Lanir colocou a mão direita no ombro esquerdo do capitão, que, embora tenha ficado um pouco mais rígido, talvez incomodado, não demonstrou qualquer irritação.

- É por isso que precisamos encontrá-lo. Você me permite olhar pela luneta?

Galliard se virou e olhou para Lanir, com um sorriso irônico no rosto.

- Claro. Quanto você pode pagar?

O mensageiro também sorriu ironicamente.

- Nada, afinal, qual a possibilidade de eu encontrar, com uma simples luneta, um pequeno jovem em uma floresta tão grande como esta? – ele indagou, apontando para a janela. – Não tente me convencer a pagar qualquer coisa, você não irá conseguir.

O capitão riu novamente.

- É. Você está certo. Pode olhar o quanto quiser, eu irei averiguar como andam as coisas pelo restante da torre.

- Está certo, então. Mas não se preocupe, em breve partiremos daqui, não abusaremos de sua hospitalidade.

Galliard deu de ombros e seguiu em direção às escadarias da torre. James e Lanir se aproximaram da luneta. O garoto a olhou por alguns segundos, ainda muito intrigado, algo soava estranho naquele objeto.

- Isso não é uma luneta simples, é?

O mensageiro sorriu ao escutar a pergunta do menino.

- E o que te faz pensar assim?

- Isso não é prata, não pode ser. – afirmou James, enquanto passava as mãos pela luneta e depois colocava seu ouvido atento próximo às partes de metal.

Lanir apenas o observou, surpreso e impressionado.

- E o que ela tem de diferente?

- O metal, ele tem uma vibração muito, muito leve. Dá pra sentir. E se escutarmos com atenção, acho que dá pra ouvir algo como uma música, uma nota musical.

O mensageiro sorriu novamente.

- É isso mesmo. Essa luneta é antiga, de quando esta torre primeiramente foi levantada. Galliard não sabe, mas é claro que não é um objeto comum. – disse Lanir enquanto retirava do bolso uma pequena barra de metal, normalmente utilizada para afinar instrumentos musicais. Ele, então, deu uma leve batida no objeto, fazendo-o vibrar. Neste mesmo instante, a luneta começou a se mover sozinha, bem lentamente.

- Uau... o que é isso?! O que você fez? – perguntou James enquanto dava um salto para trás, os olhos completamente abertos com a surpresa.

- Muito me impressiona que você tenha escutado as vibrações. São, sim, música. Aliás, muito do nosso mundo é controlado pelas vibrações, pela música, ou melhor, pelas notas musicais. Raramente os homens são capazes de notar esta estrutura sutil presente nos objetos.

- Você pode me ensinar a fazer isso? – perguntou o garoto enquanto olhava para a luneta, fascinado. Era realmente incrível vê-la se mover como que por mágica; certamente se tratava do mesmo tipo de habilidade utilizada por Lianor Vikti nas montanhas, uma vez que ele também executava seu poder por meio da música; mas saber que Lanir era também capaz de tais feitos o deixara muito animado.

- Talvez... com o tempo. Se você foi capaz de notar as vibrações nesta luneta, é bem provável que seja capaz até de aprender a fazer coisas como esta sozinho. Mas agora precisamos encontrar o menino nas florestas. E parece que tivemos uma resposta. – disse o mensageiro enquanto se debruçava sobre uma das extremidades da luneta para observar para o que ela apontava. No meio da floresta, pôde ver um garoto, com apenas uma espécie de saia de couro no corpo e duas facas na mão. Era um jovem forte para sua idade, os músculos marcados em todas as partes do corpo, mas não chegava a ser robusto. Era leve e ágil – e se movia com muita velocidade por entre as árvores; era até difícil de persegui-lo com o olhar.

- E então, encontrou ele? – James perguntou, curioso, embora seus pensamentos ainda se voltassem parcialmente para a luneta e para toda aquela história envolvendo música, magia e notas musicais.

- Sim, ele está na floresta, já sei em mais ou menos qual região. Partimos agora mesmo. Se não nos querem aqui, não temos motivos para permanecer. – afirmou Lanir, resoluto. – Pegue mais alguns suprimentos para viagem com os soldados e vamos em frente.

James apenas concordou com a cabeça. Estava muito animado por finalmente entrar na Floresta Escura, embora também sentisse muito medo. De acordo com as lendas, quem quer que entrasse naquele local nunca retornaria. O garoto confiava em Lanir, sabia que ele conhecia alguns dos segredos do mundo, mas ainda assim não podia dizer que estava completamente certo de que os dois conseguiriam voltar em segurança. De qualquer maneira, a aventura parecia apenas se aprofundar. Finalmente iriam atrás do garoto, novamente por um caminho perigoso. E agora ainda tinha que lidar com todas aquelas novas informações. Música e magia, será que algum dia ele compreenderia aquela arte?
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A importância de ler para quem escreve

em 14/09/2011.
| Comentários: (7)
Já fiz algumas postagens no blog relacionadas a este assunto: o da importância da leitura para todos aqueles que querem escrever bem, principalmente os que têm vontade de se tornar escritores. Dessa vez, porém, pretendo abordar o assunto um pouco pelo caminho que eu mesmo abri no texto É preciso Conhecer. Naturalmente, é óbvio, para quase todos que pensam neste tema, o fato de que ler nos fará melhores escritores (queiramos ser profissionais ou queiramos apenas melhorar nossa capacidade de expressão). É lugar-comum saber que, quanto mais lemos, mais palavras conheceremos, mais estruturas de texto nos serão familiares e etc...

No entanto, por mais explícito que isso seja, as pessoas se esquecem. Além disso, Conhecer não é somente fazer a leitura do maior número de livros possíveis. Conhecer requer também um bom tempo de reflexão. Não somente ler por ler, mas prestar atenção aos detalhes narrativos, à maneira como aquele autor armou sua trama, à estrutura do texto, dos parágrafos, das frases e dos períodos. Somente com muita leitura e com muita reflexão é que todos esses elementos se mostrarão claros na folha de papel. Naturalmente, não precisamos sempre ler desta maneira, até porque, em alguns casos, ela pode tornar a leitura menos prazerosa; o que não é algo aconselhável. O problema é que vejo em grande parte das pessoas e também de escritores uma falta de vontade de ler e de realmente analisar; de aprender, portanto. Em muitos casos, não é nem o tempo e nem a parada para a reflexão que falta, mas a própria leitura. Há milhares e milhares de pessoas que querem ser poetas e escritores que não se dão ao trabalho de ler. É paradoxal e absurdo, mas, infelizmente, é a realidade.

Por isso, fica o pensamento. É necessário Conhecer de fato os caminhos da escrita e também da literatura para que se possa produzir textos cada vez melhores. E isso significa dar uma atenção toda especial aos clássico, é claro, como não poderia deixar de ser. Mas também se deve incluir aí os "livros de entretenimento" e até mesmo os de não-ficção. Afinal, somente com a leitura de um grande espectro é que o autor de fato conhecerá as formas, as estruturas, as possibilidades da língua e da literatura. É somente com a reflexão sobre esse amplo espectro que ele poderá dar um passo à frente e, quem sabe, se tornar um dos grandes nomes da literatura brasileira; ou, quem sabe, em um cenário mais modesto e realista, apenas possuir um excelente domínio da palavra.
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[Resenha e Indicação] O Nome do Vento e Patrick Rothfuss

em 13/09/2011.
| Comentários: (10)
Hoje falo sobre um dos melhores livros de literatura fantástica que já li (senão o melhor). Coloco, inclusive, a resenha marcada como livros de cabeceira, pois de fato trata-se de uma obra incrível. De uma maneira geral, entre os meus livros prediletos, não costumo colocar muitos que sejam mais voltados para o entretenimento. Isso porque eu gosto deles, posso gostar muito, mas são sempre as obras mais reflexivas aquelas que mudam sua visão de mundo e podem ser lidas e relidas sem problema algum. No entanto, no caso das obras de Patrick Rothfuss, embora se trate aqui de uma história de entretenimento mesmo, contada pelo autor, a qualidade literária, a qualidade de narração, as mudanças de primeira para terceira pessoa, enfim, tudo no livro é excelente. E trata-se de uma obra levemente revolucionária (assim como algumas outras que começam a surgir agora), por se tratar de uma literatura fantástica voltada mais especificamente para o público adulto - e não para "jovens adultos", como a maioria. Por isso, talvez, a maior qualidade textual. De qualquer maneira, o público jovem também gostará muito do livro, até pelo protagonista, em boa parte da história, ser ainda adolescente.

O único problema nesta história toda é que a saga, inciada com O Nome do Vento, ainda não terminou - e está longe de terminar. O autor finalizou sua segunda obra, do que parece ser uma série de no mínimo três e no máximo seis livros, neste ano. No meu kindle (pois é, ganhei um; algum dia faço uma postagem sobre ele), eu baixei e li em inglês o segundo livro, que tem cerca de mil páginas, já que o lançamento no Brasil só deve ocorrer no final deste ano. Isso significa dizer que teremos uma longa espera até que toda a saga imaginada pelo autor tenha o seu fim.

De qualquer maneira, O Nome do Vento e a sua continuação, que em breve chega ao país, já valem a leitura. Para quem gosta do gênero, é um prato para lá de cheio. É até difícil explicar exatamente sobre o que é a história, mas irei tentar.

Em O Nome do Vento, abre-se a obra em uma taverna/pousada chamada "Marco do Percurso", onde vive um homem ruivo e aparentemente pacífico. No entanto, esta não é bem a verdade. Logo, a chegada de um historiador, um cronista, como descrito no livro, revela-nos que Kote (o dono da pousada) é na realidade um homem lendário, de verdadeiro nome Kvothe, sobre o qual muitas e muitas histórias são contadas. A questão é que tudo isso nos é revelado em terceira pessoa, com uma narrativa excelente, de altíssima qualidade, que já de início dá um clima muito legal à obra.

Kote é quem salva o cronista do ataque de algumas criaturas similares a aranhas gigantes (sobre a qual se falará depois no livro) e o recebe na pousada.  O homem revela, então, que é um arcano formado na universidade, da qual Kvothe fez parte e foi expulso, e que teria parado ali justamente para convencê-lo a contar a sua história, para que ele a publicasse e a divulgasse. Após alguma resistência, o dono da pousada aceita contar sua história para o cronista, algo que fará em 3 dias (por isso três livros; para contar as aventuras do jovem Kvothe; depois imagino que haverá uma continuação). Então, começa-se a narração em primeira pessoa, que também é excelente - e olha que eu não gosto muito deste tipo de narração.

Como já falei, é complicado resumir exatamente sobre o que é a história, além do fato de ser praticamente uma biografia do personagem principal. Mas o universo criado por Patrick Rothfuss, os povos, a magia sutil, muito ligada à musica e à palavra também, especialmente à palavra e aos nomes, e seu domínio sobre cada detalhe da história - coisas que são faladas bem no início do livro, que passam despercebidas, e se mostram importantes bem mais à frente e etc... - é impressionante. Com certeza, quem gosta deste estilo de história não irá se arrepender; aliás, irá devorar os dois livros e ainda ficará esperando por mais. Portanto, fica aí a dica!


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[Contos] Visita à loja de brinquedos

em 11/09/2011.
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Hoje coloco um conto para que vocês acompanhem! É um conto meu mesmo. No domingo, pretendo colocar poemas de outros autores que tenham entrado em contato comigo. Mas como na quarta-feira passada não coloquei nenhuma crônica ou conto meu, decidi botar esse texto online hoje. Terminei faz pouco tempo e gostei muito da idéia e da ironia que ele carrega. Espero que vocês apreciem também!

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Visita à loja de brinquedos

Pai e filho entravam com muita calma em um dos museus mais populares da cidade: a antiga Loja de Brinquedos. O menino caminhava atento, realmente interessado em saber mais sobre a história de sua civilizada sociedade. Gostava de conhecer e ver as coisas antigas, os rastros de um passado assim não tão distante.

- Pai, o que é aquilo? – o garoto perguntou enquanto encostava os olhos em uma vitrine do museu.

- Ah... filho... – o pai sorriu, lembrando de sua infância. – Aquilo é uma bola, filho. Antigamente, as crianças usavam ela para brincar pela rua, jogar futebol, às vezes o dia inteiro; você deve conhecer, é igual a dos seus jogos de vídeo game.

O garoto balançou positivamente a cabeça, como se tivesse compreendido.

- Mas hoje ninguém mais brinca com ela. Houve um tempo em que aconteceram muitos acidentes nos campos de futebol; machucados sérios, alguns jogadores sofrendo infartos e também mortes... Houve, então, um forte apelo da população, da mídia também, e o esporte aos poucos foi esquecido. – o pai soava um pouco triste e também saudoso.

- Uhm... legal. E aquilo ali, para que servia?

O pai olhou para o pequeno objeto de madeira em exposição.

- Ahhh... este era o peão. Foi muito popular, por muito tempo. Mas as pessoas gostavam de brincar com ele nas ruas, sabe. E as ruas ficaram muito perigosas, então foram deixando de jogar peão, até que ele ficou esquecido.

O garoto pareceu intrigado, mas não se interessara muito pelo objeto; na verdade, não fazia idéia de como as pessoas poderiam usá-lo para se divertir, parecia algo muito simples.

- Olha, filho. Olha ali. – disse o pai, animado, enquanto apontava para uma tábua de madeira com rodinhas. – Aquele é um Skate, era um brinquedo muito legal. Você podia andar muito rápido, e podia também fazer manobras no ar, muita gente praticava.

O garoto pareceu animado.

- Nossa, que legal! Eu tenho alguns jogos no meu computador em que temos campeonatos com skate, são muito maneiros. Legal mesmo! – o garoto sorriu, realmente satisfeito.

- Sim, sim. Mas muita gente se machucava, houveram lesões feias, ao vivo na televisão. Então a mídia começou a falar, houve um forte apelo da população e as pessoas deixaram de praticar o esporte.

O filho balançou a cabeça, como se estivesse triste, mas entendesse perfeitamente o que tinha acontecido; de fato não havia muito o que se fazer.

- E o que é aquilo? – ele perguntou, ainda animado e intrigado.

O pai sorriu.

- É um pedaço de toboágua, filho. Havia muitos parques aquáticos faz algum tempo. As crianças brincavam o dia inteiro embaixo do sol, em piscinas e em escorregadores formados por pedaços de plástico como esse. Era muito divertido. Mas infelizmente houveram alguns acidentes terríveis, pessoas que iam rápido demais nos toboáguas, perdiam contato com o escorregador e se machucavam seriamente quando se chocavam com as bordas de plástico. Foram fraturas horríveis. E, conforme tudo isso era noticiado, houve uma revolta da população e os parques tiveram de ser fechados.

- Ah, que pena – o garoto disse, sem realmente parecer triste com a história. – Podemos ir agora?

- Sim, filho, claro. É melhor irmos embora, já está quase no horário do almoço. Amanhã levarei você a um novo museu. Vamos ao museu da Escola. Era um lugar em que as crianças estudavam juntas, centenas delas. Se ajudavam, brincavam no recreio... mas as crianças não eram assim tão boas; algumas caçoavam demais das outras. Com o tempo, os pais preferiram as ferramentas de ensino caseiro, sabe como é, para evitar traumatizar seus filhos. E então as escolas caíram em desuso, e depois no esquecimento.

O garoto pareceu surpreendido. Depois, olhou para seu relógio preocupado. O que será que haveria para o almoço?
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[O Legado dos Dragões] A Grande Torre Vigia - Parte I

em 09/09/2011.
| Comentários: (5)
Coloco mais um pedaço de O Legado dos Dragões aqui. Como prometi, sigo atualizando a série, com uma frequência até boa. Na próxima sexta-feira, conforme afirmei na postagem Mais novidades no blog, irei colocar mais um pedaço da história com certeza. Já na sexta-feira seguinte, é provável que eu poste algo da série A Sociedade da Rosa. Como sempre digo, se gostarem, deixem seus comentários e opiniões e, principalmente, indiquem para amigos que gostem do estilo. É esse tipo de coisa que dá mais ânimo para que eu continue produzindo. E a quem não conhece a série, sugiro a ler desde o começo, basta clicar aqui.

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Pela... pela montanha
E pelos... pelos túneis
Percorremos as entranhas,
Destas terras tão volúveis.

A terra sobe e desce
E depois sai logo da frente,
A terra sempre obedece
A força bruta da mente.

Terra, terra,
abra passagem,
Pela terra
eu sigo viagem.

Meu caminho é perfeito, simplesmente perfeito.
E sigo até onde me aponta o destino.
Meu caminho é sem jeito, mas simplesmente perfeito.
Os túneis são como se fossem meu ninho.


Lianor Vikti cantarolava conforme os três caminhavam por uma pequena fenda que se abria na montanha. Sua voz soava firme e confiante, como se pudesse de fato mover tudo o que se colocasse contra a sua vontade, como se pudesse encantar qualquer coisa ou criatura que se deparasse com sua bela melodia. Era algo de fato muito surpreendente, algo com o que James não estava habituado. Saber sobre O Povo das Fadas, sobre a sua inimizade com os dragões, fazia com que o garoto sentisse a aventura fluir por sua veias, fazia com que ele se imaginasse em uma das belas canções incansavelmente repetidas sobre Sir Thomas Brickmond e seus feitos gloriosos.

- Ch... chh... – Lianor Vikti tossiu duas vezes, como se o esforço para cantarolar sua música o tivesse desabituado a falar de maneira normal, com a velocidade e as pausas necessárias para uma conversa casual. – Cheghamos. Daqui voccês podem seghir sem pgroblemas até a torre. – finalmente ele disse, dando um leve soco no alto do túnel de terra, provocando um deslizamento controlado. Um tênue facho de luz logo penetrou a pequena caverna, cegando Lanir e James momentaneamente. Em seguida, um novo facho surgiu, e depois outro, e depois outro, até que um enorme buraco se abrisse e lhes desse passagem para a o lado de fora.

James não conseguiu se conter e subiu rapidamente à superfície; o ar fresco das montanhas penetrou cortante em seus pulmões, já habituados à poeira das cavernas, fazendo com que ele tossisse por algumas vezes. Ainda assim, o garoto se sentia muito bem; o calor agradável do sol logo tocou seu rosto; era prazeroso e confortável, o que lhe permitia presumir que ainda estavam nas primeiras horas da manhã. Desde que começara a vagar pelos túneis, James não mais sabia precisar quando era noite ou dia, ou quanto tempo permanecera caminhando.

- Obrigado, Lianor Vikti. – agradeceu Lanir, polidamente, conforme também subia à superfície. – Espero que possa contar com a sua palavra em relação a Pedra do Conhecimento.

- Cl... cl... claro que puode. Se promecto, cumpro. Pode demorarrr, max trago pedra na horra cerrrta.

Lanir apenas assentiu com a cabeça e se virou, puxando James gentilmente pelo braço. O garoto ainda deu um leve aceno de despedida em direção a Lianor Vikti, simplesmente encantado por ter tido a possibilidade de conhecer uma criatura aparentemente tão poderosa do Povo das Fadas, por mais que sua aparência pudesse indicar o contrário.

Os dois levantaram a cabeça e puderam avistar, não muito distante de onde estavam, uma gigantesca torre de pedra, colocada no topo mais alto da cadeia montanhosa pela qual passavam. Tratava-se da Grande Torre Vigia, que neste momento deveria estar a apenas algumas horas de distância.

- Finalmente chegamos, que bom que Lianor Vikti conseguiu nos trazer até aqui em segurança. Seria difícil ludibriar todas aquelas criaturas. Parece que o destino nos sorriu dessa vez. É o que geralmente acontece, se soubermos esperar por ele. – iniciou Lanir, conforme acertava o ritmo de seus passos para que os dois pudessem manter uma caminhada veloz e constante até o topo da montanha.

- Foi muita sorte mesmo. E parece que ele ainda lhe trará mais coisas. – comentou James, ainda muito interessado em saber mais sobre a Pedra do Conhecimento.

- Sim, se ele puder mesmo devolver a esfera, certamente teremos uma arma poderosa nesta guerra que está por vir. E talvez os dragões e as fadas possam novamente conviver em harmonia.

- Isso seria bom... isso seria muito bom. – James sorria. Voltar a caminhar na superfície, ainda mais em uma manhã agradável como aquela, havia o deixado com um excelente humor, com uma positividade praticamente inabalável.





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A Grande Torre Vigia era uma das construções mais conhecidas por parte da população dos reinos de Sir Lance e de Sir Brickmond. James, naturalmente, conhecia muito bem a importância e a história do lugar. O que ele não esperava era que se tratasse de uma construção tão maciça e gigantesca. Conforme se aproximavam, podia ver a imensa torre se espalhar por metros e mais metros, quase como uma muralha, tanto em sua base, muito mais larga do que o normal, quanto em seu comprimento. Era de fato uma belíssima fortificação, uma arma importante para os reinos humanos, que precisavam vigiar os inimigos que se aproximavam pelo sul.

A Grande Torre Vigia era uma espécie de posto de controle que se situava na mais alta montanha das cordilheiras que separavam os reinos de Sir Lance e Sir Brickmond. Voltava-se para a Floresta Escura, que se estendia por milhas e milhas ao sul e sudeste do continente. Era uma fortificação antiga, de um tempo muito remoto, uma época em que a maioria dos seres tinha conhecimento o suficiente para lidar com a magia sutil da floresta.

Por muito tempo, a Grande Torre ficou quase abandonada, uma vez que nenhum homem ousava se aventurar pela Floresta Escura. Lendas contavam histórias de viajantes que se aventuravam por suas matas e depois nunca mais eram vistos. No entanto, com o aparecimento das criaturas, foi necessário reocupar o posto. Por algum motivo estranho, elas conseguiam atravessar a floresta sem muita dificuldade – e a utilizavam como atalho para atacar, vez ou outra, o reino dos homens. Agora, a torre era ocupada pelos soldados mais bem qualificados de cada reino, uma vez que era crucial impedir o avanço das criaturas.

- Parem e identifiquem-se. – uma voz ecoou autoritária pela montanha assim que Lanir e James pararam em frente à torre.

Os dois interromperam a caminhada e olharam para o alto. Estavam já bem próximos ao imenso portão de metal, que parecia grande o suficiente para permitir a entrada de um dragão adulto. Nenhum homem, porém, podia ser avistado. A fortificação era tão bem planejada que os guardas podiam observá-los sem que sua posição fosse revelada.

- Olá. – gritou Lanir. – Viemos a mando de Sir Thomas Brickmond, um dos senhores dessa terra. O garoto carrega consigo as armas mágicas, concedidas pelo próprio rei.

Um silêncio perturbador seguiu as palavras do mensageiro. A porta permanecia cerrada, com seu portão de metal liso e ameaçador completamente imóvel. A solidez da fortificação, mesmo em um olhar mais rápido, era praticamente palpável, como se uma aura de segurança e proteção fosse emitida de cada centímetro da construção.

- Um batedor irá descer para averiguar o que diz. Mas não tentem nada de diferente. Temos vocês na mira de nossos arqueiros.

Lanir permaneceu imóvel; os braços presos por trás das costas. James virou-se um pouco assustado, ora fitando o mensageiro, ora fitando o imenso portão de metal liso alguns metros a sua frente.

Após alguns segundos de silêncio e tensão, escutou-se um enorme rangido metálico e o portão começou a ser aberto, bem lentamente, sendo puxado na vertical. Era possível escutar com nitidez o barulho das centenas de engrenagens necessárias para levantá-lo. Um soldado franzino logo passou pela entrada e caminhou, cautelosamente, em direção a James e Lanir. Em alguns poucos segundos, observou as armas e os objetos que cada um carregava consigo e fez um sinal de positivo em direção à torre.

- Incrível. Nunca imaginei que Sir Thomas pudesse ceder suas armas a alguém. Acompanhem-me, por favor, irei levá-los até o capitão Galliard. – ele disse, em um tom muito educado.

Lanir apenas assentiu com a cabeça, num gesto leve e surpreendentemente cordial. Depois, colocou sutilmente suas mãos nas costas de James e acompanhou o soldado. Seria bom passar, talvez, um dia na Grande Torre, para que pudessem descansar; mas o mais importante seria poder observar a floresta, tentar descobrir se a criança, que hoje já deveria ser um jovem, ainda estava lá, se ainda estava segura, se era, realmente, parte da profecia feita anos antes por Bahamuth, o poderoso Deus dos Dragões.
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Mais novidades no blog

em 06/09/2011.
| Comentários: (4)
Os leitores mais assíduos do Na Ponta dos Lápis devem ter notado que nas últimas semanas tenho feito esforços para postar com cada vez mais frequência - e textos bem variados e de variados conteúdos. Hoje quero apenas trazer mais algumas notícias em relação à organização do blog, para que vocês possam acompanhar com mais comodidade.

Toda quarta-feira, pretendo colocar um texto novo por aqui, provavelmente uma crônica ou algum tipo de reflexão; mas também utilizarei o espaço de quarta para um ou outro conto que eu queira postar.

Nas sextas, semanalmente ou quinzenalmente, dependendo de como andarem os dias, irei colocar novos pedaços das séries O Legado dos Dragões e A Sociedade da Rosa. Portanto, fiquem ligados, nesta sexta-feira já haverá coisa nova.

Nos domingos, pretendo colocar sempre um poema de algum leitor - veja, publique seu poema. No entanto, uma vez que nem sempre terei algo de qualidade para postar, pode ser que as atualizações de domingo ocorram também de maneira semanal ou quinzenal. Ainda assim, acho que toda semana teremos textos novos, até porque pretendo abrir o recebimento de contos também.

Nas terças e quintas, eu gosto de colocar no ar coisas mais variadas, como algum tipo de matéria, resenha, entrevista com algum autor, notas sobre concursos literários; enfim, nestes dias teremos uma variedade maior de postagens. E, claro, nem sempre acontecerão atualizações na terça e na quinta de uma mesma semana, até para não sobrecarregar os leitores.

Por último, convidei a escritora @Isiefernandes para produzir uma coluna para o blog como colaboradora. A idéia veio do fato de que ela, nos últimos meses, evolui muito em sua narrativa - e sempre a vejo procurando tirar dúvidas em relação à gramática e à estrutura, coisas muito importantes para todos os escritores. Além disso, ela também costuma encontrar bons sites ou textos voltados para a melhoria de nossa redação, de nossa narrativa. Por este motivo, acho que será uma coluna muito útil e interessante.

Enfim, por enquanto é só. Espero que tenham gostado das novidades e dá nova organização!
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É preciso Conhecer

em 04/09/2011.
| Comentários: (7)
É uma palavra batida, usada no cotidiano de todos nós, claro. Mas é justamente isso que a faz perder a potência que tem. Conhecer não é algo banal. Conhecer, aliás, é algo que poucos fazemos; nós conhecemos, de fato, poucas coisas.

A sociedade em que vivemos não é corrida e atribulada à toa. Se não estamos envolvidos com trabalho, temos um show para assistir, um jogo para acompanhar, um filme para entreter. O tempo é sempre ocupado, e nossos olhos são o tempo inteiro desviados das coisas e das pessoas. Conhecer não é apenas viver com, saber os nomes e as propriedades; vai muito além disso, embora a gente raramente perceba. Pode-se conviver com alguém por anos sem que se realmente conheça, pois conhecer não vem do convívio repetitivo, mas da atenção aos detalhes e, principalmente, da reflexão. Sem termos tempo para parar e refletir, nunca poderemos conhecer o outro, conhecer um objeto, uma matéria; o mundo. E é para isso que a vida nos prepara, para que não conheçamos, para que nem queiramos realmente conhecer. Vivemos em um período em que não temos tempo para nos debruçarmos sobre algo e realmente estudá-lo, notá-lo, compreendê-lo. É assim que se oculta o mundo, é assim que se ocultam os objetos, é assim que se ocultam as pessoas.

É uma Sociedade do Espetáculo, preenchida a cada minuto com novas sensações e atividades, tudo para que o conhecimento fique de fora, para que a reflexão não aconteça. Nós temos muitos amigos, mas nem sempre conhecemos a todos (isto é se realmente chegamos a conhecer de verdade algum). Vivemos em uma sociedade cruel e desigual, mas de fato não a conhecemos ou procuramos conhecê-la, talvez por que seja terrível demais, talvez por que isso nos forçasse a realizar mudanças que não queremos – ou talvez seja o tempo, que ela mesmo nos tira, dia após dia.

O fato é : conhecer é uma palavra banalizada... mas não devia, definitivamente não devia.
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Interessado na cobertura da Bienal? Resenhas e sorteios de livro? Conheça o Leiturinhas!

em 02/09/2011.
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Continuo com minha proposta de apresentar os mais variados sites e blogs literários para os leitores do Na Ponta do Lápis. Na última postagem deste tipo, apresentei o Livros e Afins, um dos maiores blogs sobre livros do Brasil, trazendo uma entrevista com o Alessandro Martins. Como alguns devem ter notado, o Livros e Afins tem uma característica mais ampla, um pouco menos subjetiva e mais informativa, trazendo muitos e muitos aspectos diferentes envolvendo literatura.

Já o blog que apresento hoje é um pouco diferente. É ainda mais pessoal, sobre livros, é claro, e assuntos literários que interessam a blogueira Lívia Martins (@vanillaprozac), que não tem parentesco com o Alessandro, mas que o conhece (que confusão!). A questão é que, por ter esse caráter mais pessoal, o Leiturinhas acaba se voltando mais para as novidades literárias (lançamentos, capas e etc...) e para a resenha de livros, tanto nacionais quanto internacionais. É bem interessante notar que, para aqueles que buscam por boas indicações de leitura, o blog será um prato cheio - além de trazer também alguns sorteios muito bons (é legal ganhar um brinde aqui e ali, certo?). Mas é bom avisar também que, até mesmo por ser pessoal, os livros presentes por lá são do estilo que mais agradam a autora; neste caso, posso adiantar que, de uma maneira geral, a maioria se enquadra nos livros para jovens adultos, chamados YA Books (que incluem vários gêneros, como romances policiais, fantasia  e etc...), mas há, claro, muitas exceções.

A indicação do blog vem em bom tempo pelo fato de a autora ter sido uma das selecionadas para cobrir a Bienal do Livro do Rio de Janeiro deste ano. Assim, quem quiser acompanhar o que aconteceu no evento (não sei se ela atualizará o blog enquanto ele estiver acontecendo), basta ficar de olho. Uma das características que me chamou a atenção para o Leiturinhas é a qualidade de escrita da Lívia. Tenho de admitir que boa parte dos livros resenhados não fica muito nos gêneros literários de que eu gosto, mas algumas resenhas que li (de livros que eu havia também lido) tinham sido muito bem escritas, com boas críticas e opiniões. Certamente, vocês perceberão, pela rápida e excelente entrevista com a autora, que ela tem consciência de que suas resenhas não precisam ser imparciais e técnicas, afinal, não se trata de crítica literária, mas de indicação do que, ao gosto particular dela, são bons livros - e quem segue o blog o faz justamente por confiar em seu gosto. No entanto, não lhe escapa a percepção de que os pontos negativos também precisam ser ressaltados - o que é muito importante, uma vez que muitos blogs, por medo de perder suas parcerias, acabam elogiando qualquer livro, de qualquer qualidade, mesmo que tenham odiado fazer sua leitura.

Enfim, deixarei vocês com a entrevista, que traz excelentes informações para novos leitores e blogueiros e para o pessoal que gosta de observar esse boom de blogs literários atual.



Quando decidiu criar o Leiturinhas? E por quê? Por que resolveu criar um blog voltado para literatura?
R: Eu já tinha um blog, naquele estilo "de tudo um pouco", e eu postava muito sobre os livros que eu lia. Então eu percebi que estava postando mais sobre isso que qualquer outro assunto. Como já percebia, que há algum tempo a "blogosfera" andava se "especializando" em determinados assuntos, achei que era o momento de focar em algo que eu gostava.

Como foi o início de sua jornada como blogueira?  Quais foram as principais dificuldades de divulgação? E como faz para estar sempre produzindo conteúdo?
R: No começo, eu não pensava em ter um público grande, nem parcerias, nem nada disso. Eu queria escrever e pensava em criar um conteúdo que eu gostasse de ler. A ideia era ter, assim como em outros blogs que tive, me divertir. Se, dessa forma, outras pessoas gostassem, isso seria um plus. Também nunca pensei no blog como uma obrigação. Prefiro ficar uma semana sem postar do que postar qualquer tapa buraco. A parte de divulgação foi a mais "fácil". O twitter ajuda muito nisso, assim como as promoções. Elas acabam funcionando mais como um canal de divulgação do blog e das editoras. 


Por que acha que o Leiturinhas foi tão bem recebido pelo público e tem, hoje, lugar entre os blogs literários mais populares na internet, principalmente entre o público jovem e jovem adulto?
R: Eu acredito que isso se deva à despretensão. Nunca vi o Leiturinhas como um 'blog popular" e nunca deixei que isso me cegasse. Continuo vendo o blog como algo que uso para me divertir. Por causa dele, conheci várias pessoas que, de outra forma, não teria conhecido. Não tenho 4 mil seguidores no blog, mas os que tenho, são fieis, e comentam sempre. Não tenho uma média diária de comentários que possamos dizer que o blog está "bombando", mas o público é sempre muito carinhoso nos comentários e isso sim é importante. É para esse público que eu corro atrás para fazer promoções, para pedir ajuda aos meus colunistas. Aliás, ter colunistas foi uma forma de poder focar em outros conteúdos e não deixar os leitores "na mão".


O que pensa sobre o boom dos blogs literários? Acha que todos têm qualidade?
R: Não, não têm. E como leitora, ouso dizer que muitos blogs "grandes" não têm, ao passo que alguns blogs menores, mais recentes, fazem um trabalho muito mais caprichado. Escrever é um talento. Mesmo escrever resenhas. Um layout bonito e organizado faz diferença. Assim como uma boa dose de simpatia e interação com o público e com as editoras, mas isso não faz com que suas resenhas sejam boas, interessantes e mais ainda, sinceras. 


Vejo muitas resenhas lá no Leiturinhas, a maioria com uma boa capacidade crítica, apontando, sem medo, as falhas nos livros (coisa que vejo poucos blogueiros fazerem). Quantas obras você costuma ler por ano? E quais as características, para você, de uma boa resenha?
R: Ano passado eu li mais de 80 livros. Esse ano, estou trabalhando mais - e tentando dormir mais - e estou com apenas 40 e poucos, até agora. Sei que muita gente pode discordar, mas a meu ver, uma boa resenha, em blog, é aquela cujo autor é parcial. Porque eu não sou crítica literária. Eu não sou formada em letras e nem sou uma pessoa da área editorial. Então, como raios eu posso querer me arriscar a fazer uma resenha técnica? Não posso. Eu posso dizer, como leitora, que lê por entretenimento, o que achou de um livro. Quando faço uma resenha, penso em dizer o que gostei, o que não gostei, porque gostei ou não (isso é fundamental), e todos os elementos que me causaram alguma opinião: tradução, diagramação, revisão, capa, escolha do papel... Enfim, quando é algo que não chama atenção - positiva ou negativa - eu nem comento. Quando é o caso, eu acho legal falar sim. 


Quais os seus autores e livros favoritos?
R: Eu gosto de muita gente, mas sou uma eterna apaixonada por Salinger e Saramago. Costumo dizer que julgo o caráter das pessoas por ter lido (independente de gostar) ou não esses dois autores. Dos autores mais novos, eu não posso deixar de citar o Eduardo Spohr, que para nosso orgulho, é brasileiro. A escrita dele tem uma qualidade que ultimamente não tenho visto por aí, e não estou falando só de escritores brasileiros. Ele é detalhista, mas, sem exageros, e tem um vocabulário variado, rico e desafiador. 

E no campo do YA, eu posso citar a Richelle Mead, que escreve livros sobrenaturais para jovens adultos e adultos. Ela consegue criar personagens com personalidades fortes e independentes, muito diferente do que a maioria das escritoras de YA que prezam pelas protagonistas incapazes, dependentes e sem noção do perigo.


Você foi escolhida pela Bienal para fazer a cobertura do evento. Como aconteceu essa aproximação? Por que razões acha que se deu a escolha?
R: A Organização da Bienal teve muitos pedidos de "credenciais de blogueiros", como aconteceu ano passado em SP. Só que esse ano, com a explosão desses blogs, isso deve ter aumentado muito. Então, eles divulgaram que começariam a fazer uma seleção de blogs e eu me inscrevi. Enviei dados estatísticos e o Leiturinhas foi escolhido. Agora, porque ele foi escolhido e outros blogs não foram, eu não sei dizer.


O que podemos esperar do Leiturinhas nessa cobertura da Bienal?
R: Podem esperar uma blogueira surtada com tanta novidade, livro, mesa redonda... Uma blogueira querendo postar tudo ao mesmo tempo e, pela primeira vez, cobrindo uma Bienal. A ideia é tentar trazer um pouco da Bienal para a telinha de cada computador. É mostrar, ao menos um pouco, de cada coisa, para que todo mundo se sinta um pouquinho dentro do Evento.

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