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A importância dos festivais literários

em 22 de jun de 2012.

 Com a proximidade de mais uma FLIP (Festa Literária Internacional de Paraty), decidi escrever este texto justamente para falar da importância que possuem atualmente os eventos envolvendo literatura - não só para para o mercado de livros, para autores independentes ou não, mas também para a própria cultura do país. Tal afirmação se dá pelo fato de que os festivais literários, que começam a se multiplicar, embora tenham uma importância crucial como meios de se vender livros (especialmente as Bienais) e de um autor poder também conhecer mais o seu público e começar a ser notado (no caso, principalmente, de autores independentes ou dos que estão ainda em início de carreira), eles possuem um peso ainda maior como modificadores do comportamento e da compreensão sociais diante da leitura.

O que quero dizer é que, se olharmos alguns anos para trás, o Brasil era um país com alta movimentação cultural, com grandes nomes, tanto na literatura, como na música. Periódicos como "O Jornal do Brasil", exibiam cadernos culturais enormes, bem planejados e recheados de grandes autores e de personalidades - éramos, inclusive, pioneiros em muitas áreas artísticas. No entanto, conforme as décadas se passaram (e isso tem muito a ver também com o período da Ditadura), essa movimentação foi perdendo força - e hoje se conseguirmos apontar uma área nos jornais destinada à cultura, é certamente uma seção de matérias frias, desinteressantes e com muito pouco espaço; algo praticamente oposto ao que tínhamos no passado.

E, então, nos vemos presos em um ciclo vicioso. Pois se a literatura não é discutida na mídia, as pessoas acabam perdendo o interesse. Se não há uma crítica visível, como havia no passado, dificilmente o hábito de ler e de se discutir literatura se desenvolverá no país. Sem espaço e sem debates, realmente se torna quase impossível para que uma cultura de ler seja desenvolvida - e devo admitir que, hoje, esse "espaço" me parece fugir cada vez mais dos jornais para os sites e blogs da internet (mas deixo essa observação para outro dia). Ao mesmo tempo, como não há o interesse imediato pelo assunto, a mídia pode se "desculpar" por não dar espaço às artes e à literatura por serem áreas que não possuem tanto interesse, considerando sua audiência. Como fica claro, ficamos preso neste ciclo, a não ser que algo de diferente aconteça.

Naturalmente, este "algo diferente" se trata justamente dos festivais (e em algum grau, os sites e blogs também). Quando temos um evento como a FLIP, que traz atrações internacionais e que gera, de maneira natural, um debate intenso sobre literatura, vemos o Brasil novamente como um país importante artisticamente. E a popularidade do evento (sim, eu sei, ele tem lá seus defeitos, mas ele é, de fato, importante) nos mostra que há o interesse por parte de uma grande audiência por cultura. A popularização de eventos e festivais literários que começa a ocorrer, portanto, revela-nos justamente que existe, sim, um público que foi deixado de lado pela grande mídia; um público grande, que só continua a crescer.

Além disso, pelo fato de que muitos destes eventos possuem cobertura midiática, a literatura ganha um peso maior, chama a atenção. Na FLIP, é possível se notar muita gente que não necessariamente vai até lá pelo puro interesse literário, mas seduzido pelo evento - ou com a vontade de incluir seus filhos no mundo da leitura. O que acontece, portanto, é que, no final, todos saem de lá respirando literatura, com um carinho renovado pelo habito de ler. E isso ocorre o tempo inteiro, pelo país inteiro, conforme tais festivais se popularizam.

Por este motivo, escrevo este texto, para mostrar que mais importante do que vender livros, festivais literários são cruciais para a construção de uma cultura, para fazer com que a sociedade novamente valorize a literatura. Afinal, quem aqui não tem alguma lembrança de alguma bienal ou algum evento que foi quando criança que o fez começar a gostar de ler? Pois é. É assim que se formam leitores, é assim que se modifica a maneira de pensar de uma sociedade.

2 Comentários:

Talita Guimarães

Excelente, Leonardo!
Ainda mais importante que fomentar a realização de eventos literários é promover uma sensibilização do público no sentido de levar as pessoas a abandonarem a visão simplista de que as feiras se resumem a comercialização de livros para enxergarem finalmente a oportunidade do acesso ao conhecimento vivo, no contato com escritores, artistas e suas formas de ser e estar no mundo.
Abraço!

Leonardo Schabbach

Talita, ótima observação.

Palavras perfeitas para ratificar o que eu queria dizer. O caminho é esse mesmo!

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