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Crítica Literária x Literatura de Entretenimento

em 13 de jul de 2012.

Essa é uma discussão antiga, muito antiga - e talvez muito mais problemática no Brasil do que em qualquer outro local do planeta. Isso porque, por aqui, a crítica se formou em muito pela academia, mesmo com pessoas não pertencentes especificamente a área das letras, e se fechou em uma tradição ainda mais elitizada do que em outros países. A diferença para os Estados Unidos é brutal, por exemplo, já que por lá o sucesso comercial de um livro, muitas vezes, pesa muito para que ele seja aclamado, desde que ele cumpra determinados critérios. Aqui, as coisas são quase opostas - se um livro fizer imenso sucesso, os críticos já lhe darão um olhar meio torto e desconfiado, mesmo antes de lerem uma palavra do que foi escrito.

Eu, particularmente, não sou adepto nem de um escola e nem da outra. Prefiro me manter em um meio termo, tentar ser imparcial. Sinceramente, o sucesso comercial ou não de um livro não deve influenciar em NADA o julgamento sobre sua qualidade. É possível que livros fantásticos simplesmente não explodam, por milhares de razões (falta de conexões, falta de propaganda, sorte e etc...). Assim como é possível que obras geniais também sejam bem aceitas pelo público e vendam em grande quantidade; a "massa", tão criticada pelos intelectuais, não é tão burra quanto se pensa - muito pelo contrário. Se os veículos e meios midiáticos só empurram besteira para ela, em vez de tentar colocar em disponibilidade material de maior valor, é claro que a tendência é que o gosto se direcione a um caminho pior - só que mais por hábito e acomodação do que por intelecto ou vontade.

O texto de hoje é uma ponderação sobre a FLIP deste ano, conforme prometido no início da semana. Para mim, foi muito interessante ver que alguns dos autores mais badalados desta edição foram estrangeiros que encontram um sucesso total não só de crítica como de vendas fora do país. Logo que cheguei em Paraty, o que comentava era que há autores no Brasil tendo um grande sucesso comercial e que eles são simplesmente ignorados pela FLIP. É claro que nem todos possuem um valor literário grandioso, uns podem até ser ruins, mas há também muita qualidade no meio. Além disso, tais autores representam uma mudança clara no mercado literário brasileiro, apontam para alguns caminhos que se assemelham mais até ao mercado americano e europeu, onde muitos autores conseguem produzir obras de grande qualidade, com tramas extremamente interessantes e se tornam best-sellers; alguns sendo bem recebidos pela crítica e outros nem tanto.

Acontece que no Brasil, a resistência a esse movimento ainda é muito grande. Poucos querem apostar no autor nacional, e poucos críticos irão conhecer um autor brasileiro que tenha um sucesso incrível de vendas e, numa primeira impressão, achar que estará diante de uma grande obra. Há ainda um preconceito muito grande. No entanto, é muito interessante perceber que alguns autores internacionais como Jonathan Franzen e Jennifer Egan, que possuem grande sucesso de vendas (são best-sellers) e de crítica, também começam a ser recebidos no país com expectativa e positividade. É claro que ambos, além de grandes tramas, apresentam também uma qualidade textual excelente e uma profundidade importante em seus livros; tanto no que se trata do caráter humano, introspectivo, como no caráter político e social.

Ainda assim, ambos não fogem do que muitos qualificariam aqui no Brasil como "Literatura de Entretenimento" - e imediatamente, por preconceito, julgariam como ruim. Para exemplificar bem, irei colocar a sinopse do livro "Tremor", de Jonathan Franzen (obra a ser resenhada por aqui), para que se veja exatamente do que falo.

Louis Holland chega a Boston numa primavera de acontecimentos estranhos - uma série de terremotos de origem suspeita atinge a cidade, e o primeiro deles mata sua avó postiça, uma guru new age milionária. Durante a disputa pela herança, Louis se apaixona por Renée Seitchek, sismóloga brilhante que o ajudará a descobrir a verdade por trás dos abalos, mas os dois pagarão um preço alto por sua curiosidade ao desvelar os segredos de uma indústria química poderosa.

Percebam, então, como, pela sinopse, temos de fato um livro de entretenimento. Inclusive, a história me lembra até um pouco das tramas do Dan Brown (que não é aclamado), onde temos um evento misterioso a ser desvelado e dois protagonistas brilhantes (par romântico) envolvidos na trama para desvendá-lo. Um livro deste, no Brasil, mesmo possuindo outras qualidades, como as textuais e as críticas que ele emprega, provavelmente não seria bem recebido pela crítica. No entanto, pelo que vi na FLIP, talvez isso já comece a mudar.

E, antes de finalizar, aqui vai o resto da sinopse, que nos mostra que o livro não é só entretenimento, mas também conteúdo e crítica.

A partir dessa trama inusitada, Jonathan Franzen provoca o debate sobre temas polêmicos e atuais como a subserviência das autoridades aos interesses das grandes corporações, o debate político na grande mídia, a degradação ambiental, o fundamentalismo religioso, a condição social da mulher e a produção de conhecimento científico, construindo uma espécie de "thriller ambientalista" marcado pelo humor sutil que é tão particular ao autor.


6 Comentários:

Luiz Dreamhope

Nossa, essa disputa entre crítica e massa já está me deixando saturado. A FLIP é um evento muito interessante, mas enquanto essa mentalidade perdurar por lá eu não me sentirei tão atraído por ela. Enquanto meus familiares (completamente leigos em relação a literatura) me falam para eu juntar uma grana para ir a FLIP, insisto em replicar que desejo mesmo é ir ao Fantasticon, hehe. Este último é um evento não-acadêmico, mas pelo menos ajuda a compensar esse ambiente elitista que se cria nos meios mais intelectuais.
Mas tenho fé que a nova geração de leitores de hoje, que lêem bastante, mudarão este cenário daqui a algumas décadas.

Leonardo Schabbach

Valeu, Ricardo! Fico feliz em saber que curtiu.

E Luiz, a FLIP é fantástica, cara. Fantástica mesmo. Mas talvez pro seu gosto o Fantasticon seja ainda melhor, porque é justamente sobre o estilo que você curte. Então acho que é uma boa escolha a que fez.

Sandro

Leonardo, você teria alguma sugestão de autor brasileiro contemporâneo que escreve com qualidade literária? Estou procurando, mas a divulgação dos caras é péssima. A gente chega a achar que eles não existem.

Leonardo Schabbach

Teria sim. Mas não sei exatamente que tipo de livro você procura.

Que trabalha bem o texto e tudo mais, eu gosto muito da Tatiana Salem Levy. É bem pós-moderno o texto, com mudanças no tempo e de narrador, para simular a memória. O Bernardo Carvalho também é bom, mas já não curto assim tanto.

Paulo Henriques Britto na poesia é O CARA, e tem também alguns livros de contos.

Na área de entretenimento, brasileiro que eu achei legal tem o Eduardo Spohr, com a Batalha do Apocalipse. É bom. Mas é bem entretenimento mesmo, aí vai do gosto de cada um.

Anônimo

Este é o grande problema dos escritores brasileiros 'renegados' pela crítica especializada e adorados pelos blogs juvenis da blogosfera, eles não possuem em seus textos a tal qualidade estética básica necessária para tornar a narrativa atraente e muito menos possuem uma análise (ainda que simples) da conjuntura politica, social e cultural que envolve os personagens e seu meio, sem falar na falta de verossimilhança dos personagens em suas ações. Estes escritores citados no texto (Jonathan Franzen e Jennifer Egan) conseguem desenvolver uma história com uma sinopse agil e cheia de ação e alimentá-la com questões um pouco mais serias sem exagerar na dose, o que poderia espantar um leitor inexperiente, infelizmente para desgosto do blogueiro (que parece ser um fã de literatura do entretenimento), os contadores de histórias tupiniquins de sucesso (mas, renegados pela crítica) passam longe disto, estão mais para Crepúsculo e Dan Brawn em seu pior momento do que para um Neil Gaiman.

É por estas e outras que um Chico Buarque com um "Leite Derramado" (que aliás é um excelente livro) nada de braçada neste mar de águas minguadas e domina as manchetes dos poucos editoriais sérios de literatura quando lança um novo livro, já imaginou se ele tivesse que competir com um Machadão ou um Tolstói ...rs!

Ass: Washington

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