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Ao sentimento profundo

em 16 de ago de 2012.

É difícil escrever sobre a nossa sociedade, sobre a vida que levamos, sobre todas as coisas que, no fundo, não estão certas nesse mundo líquido que habitamos, nesse cenário informe que nos molda o tempo inteiro. Talvez o primeiro passo seja falar com sinceridade, com honestidade. Porque neste pequeno universo sistemático, de superficialidade, de padrões, de eficiência, aprendemos, desde sempre, a não sermos honestos, a enganarmos os outros, a mentirmos quando estamos triste ou a fingirmos que não nos importamos ao nos depararmos com alguém necessitado. É uma falta de honestidade, de transparência, com tudo e com todos, que nos leva a uma vida em sociedade ilusória, que nos leva a ignorar o que muitas vezes sabemos haver dentro de nós: medos, inquietações, revolta e, principalmente, pensamento.

O mundo hoje não nos deixa pensar. Não somos honestos o suficiente para admitirmos que há algo de errado, há muito de errado; muito o que queremos abandonar, muitas coisas contra as quais queremos a revolta. Mas não fazemos nada, pois desde sempre nos foi ensinado a sermos passivos, a escondermos questões fundamentais que deveriam estar expostas.

Quem nunca pensou que o mundo está inteiro errado? Que as coisas não podem ficar assim? Ou que não devem ficar assim? É uma inquietação de todos, faz parte da essência de cada ente, de cada um de nós. Sabemos que essa sociedade que vemos todos os dias não nos basta, que não pode ser benéfica. É uma mão que força todos à eficiência, a uma batalha para se provar melhor do que outro, para superar o outro. Acontece no mercado de trabalho, nas escolas, nos esportes. Acontece o tempo inteiro. Somos repetidamente forçados a alcançar metas que nada têm haver conosco, que nos empurram a padrões de competência, de beleza, de riqueza e de comportamento. Mas, no fundo, há um sentimento, uma força que nos diz, dia após dia, que há algo de errado; que um mundo assim não deveria existir – ou melhor, que não pode existir.

A agonia sobe e toma todo o corpo. Por que não fazemos nada? Por que, por mais que saibamos que as coisas estão erradas, não conseguimos agir? Por que, por mais que tenhamos noção de todo o sistema, ele continua a nos oprimir a realizar sempre as mesmas coisas, a desejar sempre as mesmas coisas – e sempre da mesma maneira? E este paradoxo nos congela. Ficamos cada vez mais inertes, mais presos a um mundo particular ilusório. Para pensar, pode não haver tempo, mas a questão é maior do que essa. Pensar é doloroso. E, por isso, somos cada vez mais anestesiados, deixamos de ser honestos conosco e com o mundo, nos atiramos a produtos cada vez mais superficiais, como se aquilo fosse capaz de nos preencher, como se tudo estivesse perfeito. Parece que o pensamento, que os sentimentos mais profundos, não devem ser acessados, não devem ser sentidos e revirados. Até mesmo admitir essas questões incomoda, traz um certo grau de tristeza. Uma tristeza estranha e chata, debilitadora, tão poderosa quão maior for o tempo que nos acostumamos a ignorá-la. E isso nos dá medo, nos faz recuar, pois não condiz com o padrão social, nos impede de chegar onde temos – mesmo que, no fundo, não queiramos – chegar.

Então, desiste-se dá luta, entrega-se a uma sociedade imóvel, ignora-se o que está cá dentro, como se sequer existisse, e inebria-se com produtos e mais produtos, com itens de consumo (sejam eles físicos ou culturais) que apenas anestesiam a dor, os pensamentos e todo aquele sentimento que grita por mudança. E é assim que seguimos, em um mundo cada vez mais desigual, tornando-nos cada vez menos combativos e quase mortalmente deficientes.

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***Somente um aviso a quem está na espera pelo Podcast. Como disse, ele sairá nas segundas. Para acertar direitinho os períodos de postagem, não coloquei nenhum no ar nesta semana, mas, na próxima segunda-feira,  o "Giro Cultural" voltará a ser publicado.

1 Comentários:

Isie Fernandes

Ótima reflexão, Leo. Nossas mentes estão cauterizadas a tal ponto que, muitas vezes, nem percebemos o quanto temos sido influenciados. Seguimos nessa prisão coletiva, que são as regras da sociedade, limitados por uma corrente invisível.

Pouco tempo atrás, ouvi uma alegoria sobre as distrações dos dias atuais. O professor dizia: se os anjos, que eram perfeitos e estavam na presença perfeita de Deus, se deixaram contaminar pela maldade e foram corrompidos em sua essência, quanto mais nós, que temos internet, televisão, livros e todo esse tanto de besteirol nos cercando. Trazendo para o contexto, se pensar de maneira equilibrada já é difícil, quanto mais com esse tanto infinito de influências. É preciso ter muito equilíbrio para com as mídias - você que é mestre no assunto bem sabe do poder que elas exercem sobre nós.

Bom, acho que vou encerrar o comentário sem uma solução concreta. O negócio é tentar remar contra a maré ou, ao menos, buscar ter consciência do que está acontecendo. Como o apóstolo Paulo, se fazendo de bobo no meio dos bobos, a fim de conquistar o entendimento de alguns.

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