Quer meu livro de graça? Assine minha newsletter e venha conversar comigo!

Além disso, a newsletter é para ser algo mais pessoal, nela vocês podem responder e conversar diretamente comigo. E eu ainda pretendo enviar uma série de textos exclusivos por lá, sendo alguns mais pessoais, alguns capítulos antecipados de livros que serão lançados, assim como alguns e-books gratuitos.

Leia Mais

1

Precisamos nos "tornar cegos"

em 27 de fev de 2013.

O mundo em que vivemos hoje é instável, é incerto, é quase como um líquido que nos escapa, que escorrega por entre os dedos. É um mundo-substância: mórfica e fragmentada. A cada dia, a cada hora, a cada segundo, nos vemos cada vez mais envoltos em uma teia interminável de escolhas e de estímulos que, cada vez mais, nos anestesiam, nos distraem, nos desviam de qualquer tipo de foco possível, de qualquer tipo de empreitada.

São inúmeros programas de TV, séries, desenhos, filmes, propagandas e redes sociais. Saímos na rua e nos deparamos com outdoors, com campanhas ao ar livre, com lojas e shopping centers. Há sempre um algo a mais, há sempre um estímulo a mais, há sempre aquela força que empurra os indíviduos à constante mudança e ao constante experimento. A sociedade hoje é uma sociedade da experimentação, onde todos buscam um pouco de tudo com o intuito de alcançar o prazer.

Mas tanta coisa ao mesmo tempo atordoa. Hoje, nos vemos perdidos, sem realmente saber o que é aquilo que queremos. São crises de identidades, pois, afinal, elas podem ser tantas. Basta um novo programa de TV, um novo astro, um novo produto, para que tudo mude, para que o indivíduo se sinta novamente incompleto, triste, obrigado a mudar, a experimentar algo novo. E nesse ciclo vicioso, o homem se perde. Já não sabe quem é e nem o que quer. Afinal, são tantas opções. Tantos trabalhos, tantas carreiras, tantas faculdades. E nada disso parece ser suficiente, nada disso traz segurança ou real satisfação.

O indivíduo hoje flutua, em meio a um universo quase ilimitado de estímulos e de possibilidades. E, em meio a esse redemoinho, tudo se torna confuso; e o indivíduo se sente aprisionado, viciado no consumo de produtos fáceis, de idéias fáceis e de caminhos fáceis. E desaprende a realmente decidir, a realmente brigar por algo, se entregar e se empenhar. Pois para o empenho, é necessário dedicação e, principalmente, foco. Mas o foco, hoje, já praticamente não existe. O homem já não olha para frente, em linha reta, nem caminha diretamente a um objetivo. Cada detalhe do mundo agora é claro e o estimula; faz com que o indíviduo se desvie e dê voltas e se esqueça daquilo que realmente lhe era vital, daquilo que realmente importava.

No mundo de hoje, para que se alcance qualquer sucesso, é preciso brigar contra tudo isso, contra todo esse universo ilimitado de estímulos, de escolhas e de sensações que, na realidade, nos arrastam para a inoperância. É preciso se "tornar cego" para isso tudo, é preciso, novamente, recuperar o foco, pois somente ele será capaz de fazer com que todos os estímulos que nos cercam, que circundam e nos distraem de nosso objetivo, tornem-se apenas figuras opacas e desinteressantes.

*após escrever o texto, pensei em "Ensaio sobre a Cegueira", do Saramago. É basicamente uma metáfora disso tudo que foi falado

1 Comentários:

Abel Alucinado

Ó T I M O T E X T O

Para o mundo somos apenas marionetes, contudo em nossas vidas temos a possibilidade de ser protagonista, pois durante todo desenvolvimento dessa irracional equação, que chamamos de existência, queremos apenas alcançar a felicidade...

Postar um comentário

Participe você também. Sinta-se convidado a postar as suas opiniões. Com a sua ajuda, o blog se tornará ainda melhor!

 
Copyright© 2010 Na Ponta dos Lápis
Apoio: Literatura Fantástica
Tema original "Solitude" Modificado por Mundo Blogger