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Por que ficamos frustrados ou tristes? A realidade vs nossa narrativa pessoal

em 21 de set de 2015.

Essa é uma questão pesada, difícil de responder, especialmente por conter muitos e muitos fatores, como a forma como nos alimentamos, se fazemos ou não exercício com frequência, o quanto estamos presentes com amigos, família, etc, além de, naturalmente, fatores especificamente químicos e genéticos. Enfim, é um assunto sobre o qual pretendo escrever bastante, já que é uma das coisas que pesquiso.

Deste modo, nesta postagem em específico falarei mais sobre a frustração, a raiva e às vezes até mesmo o ódio e o rancor. E muito disso tudo vem justamente de algo que estudo no meu doutorado: que é a habilidade do ser humano de dar sentido ao mundo através das narrativas, e de como isso afeta nossas vidas - além de como isso é afetado também pelo ambiente em que vivemos, especialmente no que se refere aos produtos de mídia e as próprias mídias, como as redes sociais.

A frustração (e também alguns tipos de tristeza) vem justamente do fato de a realidade em que estamos inseridos não corresponder a nossa narrativa de vida, a nossa narrativa pessoal, que é em geral construída pelo ambiente em que vivemos. E isso é algo que pode ser negativo e perigoso, ainda mais se considerarmos o momento atual, no qual, muito mais do que em qualquer outro momento da história, temos o virtual, as redes sociais, os produtos midiáticos, produzindo massivamente novas e novas narrativas, construindo e reconstruindo, por assim dizer, a própria realidade, ou ao menos como ela é por nós percebida. E talvez isso tenha muito a ver também com o momento específico em que vivemos, no qual parece haver um surto de doenças como a depressão.

Se percebermos a narrativa de grande parte dos grandes filmes, revistas e grande mídias, além das próprias redes sociais, podemos notar uma obsessão pelo sucesso, pela felicidade e pela boa vida. Vemos histórias de pessoas bem sucedidas, como Mark Zuckerberg, Steve Jobs, Michael Jordan, Clint Eastwood, etc, sendo contadas de modo a mostrar como todos nós devemos ser, como qualquer pessoa, com uma boa ideia ou com muita determinação, pode enriquecer e ter sucesso quase infinito. Revistas, anúncios, filmes e notícias nos mostram o tempo inteiro como devemos agir, o que devemos ter - e que temos a obrigação, na realidade, de alcançar uma riqueza e uma felicidade praticamente inatingíveis, com padrões também inatingíveis em quase todas as áreas (finança, família, beleza, etc). E isso se espalha, inclusive, pelas redes sociais, onde as pessoas maquiam suas próprias vidas no instagram e no facebook para parecerem ter aquela vida que a nossa narrativa atual diz não só ser a ideal como também a obrigatória.

O indivíduo, neste contexto, olha, então, para a sua realidade e não vê nada daquilo que a sua narrativa pessoal - e que a narrativa social - diz que ele deveria ter, não vê a vida que lhe prometeram em filmes, em revistas e anúncios. E isso causa uma frustração enorme. Afinal, também vivemos num período em que dizem que todos nós somos especiais, que aquela pessoa que gostamos irá simplesmente ver como somos especiais e tudo acontecerá magicamente, que aquela ideia ou emprego, ou grande mentor/agente/etc, irá eventualmente aparecer, e que tudo então dará certo, afinal, somos os grandes protagonistas de nossos próprios filmes. E quando, repentinamente, notamos que a nossa realidade, como era de se esperar, não condiz com nada disso, vem a frustração. E essa frustração cresce - e pode tomar muitas formas. A confiança em si pode ficar minada, afinal, se eu não conquisto aquilo que imaginei, que vendem como ser o natural a ser alcançado, e vejo todos os meus amigos alcançando esse status (embora a maioria esteja maquiando a sua própria realidade), naturalmente deve haver algum problema grave comigo. Não devo ser bom o suficiente, talentoso o suficiente, inteligente o suficiente.

Enfim, essa dissonância entre a realidade e a narrativa que hoje é montada gera uma enorme frustração, que pode se transformar, então, em uma tristeza profunda, em inveja, em rancor e, até mesmo, em ódio. Não é de se estranhar, portanto, que os discursos e os embates sociais e políticos, seja na internet ou fora dela, tornem-se cada vez mais e mais ferozes, mais violentos e mais cheios de, quem diria, ódio.

De todo modo, este nem era o foco principal deste post, embora tudo isso que eu tenha falado seja conteúdo para muitas postagens ainda pela frente. Aqui, eu queria justamente ressaltar essa questão da realidade vs nossa narrativa pessoal, e demonstrar como a raiz de muitos dos nossos sentimentos de tristeza, de frustração, de inveja e de ódio vem justamente dessa dissonância.

Por isso mesmo, como muitas das filosofias orientais nos indicam, desapegar-se dessas narrativas e abraçar a sua própria realidade como ela é, sem muitas expectativas, pode ser um modo muito mais saudável de se viver a vida. Talvez, o "deboísmo", que agora entrou na moda, seja realmente um bom caminho ;)

E vocês, o que acham dessas questões? Gostaria de ouvir histórias e comentários sobre o assunto. É só deixar sua mensagem (espero também que o texto tenha ficado claro, era muita coisa para tentar abordar em uma postagem só).

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2 Comentários:

Aristides Reis

Fico percebendo tais coisas no dia a dia, sabe. Interessante como ouço frases como "como é ruim ser isso", "como eu gostaria de ser assim". Notei relação no texto. Tenho a ideia de que o indivíduo deveria ser suficientemente bom à sua medida. Muitos não tomam as coisas próximas como suficientes, sempre almejando mais (como é de todo ser humano, sempre quer ser mais). E quando não alcança esse mais? Aí vem a frustração e toda a negação de ser. Os filmes mostram uma ideia totalmente incrível do que algo pode ser, e as expectativas são altas, depois, quando se vê na realidade, não é aquilo que esperava, e mais frustrações.
Gostei muito to texto!

Leonardo Schabbach

Fico muito feliz que tenha curtido!

E sim, essa coisa de quereremos brigar com a realidade, que muitas vezes não podemos controlar, é extremamente negativo. Frustra demais e causa muito dos problemas da atualidade.

Bem legal sua participação. Se quiser, continue a participar do blog! Teremos umas premiações legais pra quem traz novas ideias e valor pras postagens como você!

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