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O Velho Lobo do Mar

em 1 de out de 2015.

Fazia dias que a mídia estava em polvorosa. No acanhado vilarejo, que se situava na ponta de uma belíssima península praiana, todos estavam confusos com toda a movimentação. Um amontoado de repórteres e de turistas se acumulava atrás do cordão de isolamento, situado a poucos metros do simplório píer de madeira.


Todos queriam ver o velho lobo do mar, aquele homem mágico e misterioso. O homem que fitava as ondas com um olhar distante, na mesma posição, sentado em um banco de pedra, por mais de cem anos, segundo reportavam diversos dos moradores da região. Era fantástico e, ao mesmo tempo, assustador. Ele não se movia, não comia, não bebia e também não envelhecia um dia sequer. Os cientistas queriam estudá-lo. Os religiosos queriam louvá-lo.  E, no geral, o mundo queria conhecê-lo. Como aquilo era possível? Havia o homem descoberto o segredo da imortalidade?

**

Ele olhava para as águas, maravilhado. Ahhh, as águas azuis... tão belas. De uma cor transparente, amiga do sol. Um espetáculo de cores, de vida e de cheiros. Aquele sabor de mar que entrava por seus olhos, que penetrava lentamente as cavidades nasais, e logo lhe passava aquele gosto inconfundível de maresia.

O mar, as aventuras, as imagens de sua infância. Da vida feliz que vivera ali, naquelas praias, naquela península. Lembrava-se das famosas caças de siri, criaturas belas e assustadoras para um menino que ainda aprendia a crescer no mar. E se lembrava das outras crianças, dos amigos, das aventuras.

Podia reviver ali com clareza o passado, ver-se saltando entre as pedras, crescendo ao ar livre, debaixo do Deus Sol, aquele magnífico astro luminoso que despejava a vida por todas aquelas terras. Podia se ver criança, jovem ou adulto. Pescando, nadando... vivendo. Podia se ver com seus primeiros amigos, com seus primeiros amores, e, depois, com todos os outros; numa vida sadia e feliz, permeada pelo mar. Ahhh, o bom e velho mar.

E ficava ali, revivendo o passado, revirando a memória, como se tivesse o dom dos viajantes do tempo. Ali se perdia, total e completamente, entregue ao prazer da eterna lembrança.

E, assim, ficava, fitando o mar.

Pois, aos poucos...

Aos poucos, já não havia mais tempo a passar. 

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