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Poema de Augusto dos Anjos - Com comentários

em 17 de nov de 2008.

Sempre que eu posto poesias ou contos de outros autores aqui no blog, o post costuma não ter comentários. Por isso, acabei decidindo adicionar à poesia postada uma breve observação minha. Quem sabe assim alguém não se revolta e também dá a sua opinião - ou comenta só para concordar. Aqui segue uma poesia de Augusto dos Anjos, a primeira sobre a qual realmente me debrucei para tentar compreender alguma coisa do que estava passando pela cabeça do autor quando ele escreveu. Foi a primeira vez que realmente parei para refletir sobre uma poesia.


A árvore da serra

— As árvores, meu filho, não têm alma!

E esta árvore me serve de empecilho...
É preciso cortá-la, pois, meu filho,
Para que eu tenha uma velhice calma!

— Meu pai, por que sua ira não se acalma?!
Não vê que em tudo existe o mesmo brilho?!
Deus pos almas nos cedros... no junquilho...
Esta árvore, meu pai, possui minh'alma! ...

— Disse — e ajoelhou-se, numa rogativa:
«Não mate a árvore, pai, para que eu viva!»
E quando a árvore, olhando a pátria serra,

Caiu aos golpes do machado bronco,
O moço triste se abraçou com o tronco
E nunca mais se levantou da terra!



Comentário: Antes de mais nada, é importante ressaltar o fato de que Augusto dos Anjos trabalha com maestria as formas. Impressiona a maneira como ele distribui as rimas e os versos no papel, especialmente em seus sonetos. Nesta poesia em específico, percebemos como todo um mini-conto foi construído em um poema de apenas 14 versos. Ainda mais interessante, é perceber como a história retrata o diálogo entre um jovem cheio de sonhos - muito emotivo - e um pai já mais velho, experiente, calejado; um pai totalmente racional. Esta observação é importante, pois se analisarmos a obra do autor, perceberemos como a presença do racional nas suas poesias é extremamente forte, mesmo quando tratando de temas delicados, como a morte de seu filho. Talvez esta poesia possa ser justamente uma ilustração do conflito interno vivido por ele. Seria uma metáfora em que Augusto dos Anjos revela a morte de um lado emotivo seu e uma vitória do lado racional.

É sempre válido lembrar - A obra completa de Augusto dos Anjos pode ser encontrada no Jornal de Poesia.

3 Comentários:

eduardo

Muito legal o blog! Entrei por acaso e tive uma boa surpresa... Gostei do comentário sobre Augusto dos Anjos, ele é mesmo mto racional, mas não acho que seja só racional, tem umas poeisas bem emotivas tbm...

Leo Schabbach

Que bom que você gostou dos textos. Continue comentando e acompanhando. Espero que mais gente se sinta encorajada a deixar um comentário depois de você ter deixado o seu. Tem sempre uns que entram apenas para olhar, não que isso seja ruim, claro, mas a participação sempre adciona valor aos posts.

Felipe Siston

Achei legal a imagem que esse poema permite construir. Na verdade, uma seqüência bem dramática. Antes de a árvore cair, o menino sofre um corte bem mais marcado do que o percebido quando o machado é anunciado. “Disse – e ajoelhou-se”. Nesse momento parece que foi uma árvore que caiu e não um menino pela ressonância no poema. Já a queda dá árvore, abraçada, pareceu uma pena.
Mto bom!Boa sorte com o Blog!

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